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22 dezembro, 2006

Atenção ao bebé




O bebé que … não gostava de televisão
Rui Zink (texto) / Manuel João Ramos (Ilustrações)
1ª Edição. Publicações Dom Quixote, 2002
ISBN: 972-20-2352-7





Com a dupla assinatura de Rui Zink, como autor e de Manuel João Ramos, como ilustrador,
O bebé que…não gosta de televisão é considerado um álbum narrativo e associa-se a outro título O bebé…que não sabia quem era constituindo uma colecção apadrinhada pelas publicações Dom Quixote.
Esta narrativa, indicada para a primeira infância (2-8 anos), inicia-se com a fórmula tradicional da literatura infantil “Era uma vez…” e mostra, desde logo, tanto no texto verbal como no texto icónico, um bebé expressivo que gostava muito do pai e da mãe. O bebé gostava sempre do que fazia com os pais, excepto de um momento que habitualmente provocava uma reacção diferente. Sempre que os pais ligavam a televisão, o bebé corria para a desligar. Seus pais, preocupados com tal, levaram-no a diferentes e variados sítios. Foram a um médico, a um padre, a uma bruxa, mas de nada serviu pois ninguém conseguia entender porque não gostava o bebé de televisão. Após todas as tentativas, os pais deste bebé, que parecia ser tão diferente, sentaram-se no sofá frente à dita, desanimados, sem sequer a acenderem…Surpreendentemente, o bebé agarrou na mão do pai e na mão da mãe e apontou para o ecrã desligado, e sorriu como se ali estivesse tudo o que ele sempre quis… Só assim os pais conseguiram entender que o que o bebé gostava era de ver o seu reflexo, junto dos pais, no écrã da televisão desligada. Com isto a família ficou muito feliz porque os pais entenderam que o seu bebé não tinha qualquer problema e este conseguiu ver na televisão aquilo de que gostava mais: a sua família. Assim tudo terminou bem, como demonstra a fórmula de encerramento da narrativa: “E viveram felizes para sempre”.
É de referenciar a preocupação que o autor imprime nesta colecção de aproximar o seu texto aos seus potenciais leitores, evidenciado, por exemplo, no uso de vocábulos de registo familiar (exemplo: “papar”), do facto de valorizar a ilustração, caracterizada por cores fortes e de tamanho considerável, de forma a que esta concretize o texto verbal, mas também amplie e desenvolva a capacidade imaginativa, conferindo-lhe um carácter humorístico.
Através deste álbum narrativo, o autor, em parceria com o ilustrador, promove o tratamento de episódios do quotidiano das crianças, como as suas emoções, medos, teimosias, etc, salientando a importância da família para uma criança e os modos como esta pode indicar determinadas necessidades, às quais é conveniente os pais prestarem atenção, de forma a facilmente lhe darem resposta. Numa perspectiva social, a intencionalidade da mensagem prende-se com o facto de a televisão ser vista como uma ameaça ao ambiente familiar e à união de todos os elementos, sendo que é uma criança que demonstra a necessidade de partilha e proximidade no seio da mesma. A obra de Rui Zink e Manuel João Ramos introduz uma mudança positiva no que diz respeito à produção e existência de álbuns narrativos na literatura infantil portuguesa.

Susana Faria

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