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28 dezembro, 2006

“Boa Noite…”


«Versos para os Pais lerem aos Filhos em Noites de Luar» de José Jorge Letria e ilustrações de André Letria; 2003; Porto: Ambar; destinado a crianças a partir dos seis anos.

José Jorge Letria nasceu em Cascais em 1951 e é conhecido como poeta, ficcionista, dramaturgo, ensaísta e autor de literatura infanto-juvenil. André Letria, nascido em Lisboa em 1973, é hoje um nome consolidado entre os ilustradores portugueses e a sua assinatura é garantia de qualidade. Funcionam muitas vezes em parceria escritor/ilustrador; pai/filho, obtendo sempre um óptimo resultado.
Abrir o livro «Versos para os Pais lerem aos Filhos em Noites de Luar» significa viajar até a um mundo envolvente, profundamente terno e repleto de emoções, um convite que a simples contemplação da capa e da contracapa acaba inevitavelmente por sugerir. A união dos dois textos – literário e icónico – faz deste livro uma verdadeira obra de arte. É um álbum muito cuidado que guarda em si, à espera de ser desvendado por pequenos e grandes, um valioso «tesouro dos afectos».
O objectivo da obra e a sua finalidade estão explícitos. É um livro de versos que pretende criar melhores laços entre familiares de todas as idades e transporta-los para o mundo da infância, através do gosto da leitura. A poesia e a ilustração servem, antes de tudo, como pretexto para celebrar uma intimidade ou uma familiaridade protegida pela noite, a caminho do sono e do sonho, um espaço partilhado por pais e filhos – contexto que o próprio título anuncia.
Além das palavras poéticas e das imagens plenas de sensibilidade que podemos encontrar nesta obra literária, estão também escondidos muitos seres maravilhosos – como bruxas, fadas, duendes, feiticeiras, unicórnios ou dragões, entre outros –, algumas viagens através de lugares longínquos ou exóticos – Tóquio ou uma ilha – e, ainda, a partir da literatura ou da leitura – pelas referências a «Alice no País das Maravilhas», ao «Pinóquio» e a «Histórias de um Segredo».
Mas estes versos, evidenciando marcas típicas das canções de embalar, como sejam a brevidade, os elementos repetitivos, o ritmo cadenciado ou o tom apelativo, não representam simplesmente uma forma de adormecer os mais novos. Na verdade, estes servem, ainda, como um passaporte para a interminável viagem do despertar face aos encantos das palavras, da leitura e, até, da escrita, porque «cada palavra que aprendes / tem o gosto da aventura / e a magia secreta / que há no acto da leitura».

1 comentário:

Leitor UM disse...

Cara Joana,
Parabéns pela leitura crítica que faz do texto.
Um Bom Ano!