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23 dezembro, 2006

A maior flor do Mundo por Vanessa Gonçalves

Saramago, José (2001). A Maior Flor do Mundo. Lisboa: Caminho. Ilustração: Caetano, João. ISBN: 9722114379 / 972-21-1437-9. EAN: 9789722114370.
Esta obra é direccionada principalmente aos leitores dos 6 aos 10 anos de idade. O autor permite aos pequenos leitores embarcar na aventura do “menino herói” ao longo de toda a narração. Os leitores são chamados para uma divertida brincadeira e podem aperceber-se que a literatura é um lugar do impossível, do sonho e da utopia, pois o menino desta historia deu vida a uma flor e fez com que ela crescesse e se tornasse “A Maior Flor do Mundo” e, como nos diz o autor, “é essa a moral da historia”.
Por outro lado, José Saramago quebra o clima da “mentira” e diz-nos que quer escrever um livro infantil, mas apesar de ter a história imaginada há muito tempo faltam-lhe o engenho e a arte para a escrever. Assim, Saramago fingiu que não sabia contar histórias infantis, embora a acabasse por contar.
É um conto dominado pela fantasia e pelo maravilhoso, possui uma linguagem acessível e assume-se como reflexão sobre a infância e a criança. É também importante referir o destaque dado à ilustração como elemento crucial e indispensável à narrativa, bem como a tentativa de criação de um diálogo aberto e franco com o leitor.
A história desta obra resume-se na aventura de um menino que sai da sua aldeia, atravessa o mundo, chega a Marte e aí encontra uma flor murcha. Decide então ajudá-la, dando-lhe de beber e acaba por se tornar num herói porque fez com que a flor crescesse tanto que ficou “a maior flor do mundo”, realizando assim algo maior que o seu próprio tamanho.
A nível de intertextualidade, esta obra remete-nos para a imaginação e para o mundo do faz-de-conta, essencial e importante na vida e desenvolvimento das crianças. Deste modo, podemos concluir que este texto estabelece relações de intertextualidade com a maioria dos textos de potencial recepção leitora infantil.
Embora seja um conto infantil, A Maior Flor do Mundo é uma história que pode, por vezes, provocar algumas dificuldades aos leitores mais pequenos, devido ao vocabulário complexo usado no conto. O narrador parece fundir-se com o autor para fazer saber que tem consciência da simplicidade linguística necessária para as histórias infantis “ As histórias para crianças devem ser escritas com palavras muito simples…” Esta ligação entre a narração da história do “menino herói” e a participação directa do narrador pode eventualmente ser fonte de alguma dificuldade pelo facto de se tornar numa sequência de textos intercalados que pode não ser totalmente compreensível face à idade a que esta obra está destinada. Isto porque a compreensão depende da competência do receptor (leitor), nomeadamente num plano sincrónico, pois este define-se como a variação da competência de cada receptor consoante o seu estatuto social e cultural, a sua visão do mundo, a sua ideologia e faixa etária.
Os elementos paratextuais presentes, como, o título e o texto icónico remetem-nos para a imaginação e ajudam a despertar no leitor a curiosidade para a leitura da obra.

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