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27 dezembro, 2006

Quando chega o João Pestana!



LETRIA, José Jorge (1999) Versos de fazer ó-ó, ilustrações de André Letria, Lisboa: Terramar, ISBN: 972-710-248-4


O livro em análise, Versos de fazer ó-ó, é do autor José Jorge Letria, escritor português nascido em Cascais no ano de 1951. Estudou Direito e História, mas obteve uma pós-graduação em Jornalismo Internacional. Jornalista desde 1970, foi redactor e editor de vários jornais diários e não-diários, na rádio e na televisão. Iniciou a sua actividade literária no suplemento “Juvenil” do Diário de Lisboa. Autor de poesia, ficção e teatro. Na área infanto-juvenil publicou três dezenas de títulos, tendo obtido diversos prémios.

As ilustrações, que respeitam, de modo agradável, a dimensão mágica do texto em verso são do ilustrador André Letria, ganhando um prémio nacional de ilustração em 1999. Assim, parece evidente a intenção de despoletar, pela combinação palavras-ilustrações, um fascínio quase hipnótico, uma sensação ilusória de embalo para adormecer. As palavras estão articuladas com os desenhos, desenvolvendo-se ambos desde um “estado de olhos bem abertos”, como surgem na capa, até um conclusivo estado de olhos bem adormecidos ou fechados, como se encontram pintados na contracapa do livro.

Ao longo da leitura, saltam à vista “uma fada azul-marinho”, gnomos, fadas e anões, um rei, e um Faraó. Do ambiente propício ao sono, ao devaneio e ao sonho participam também, de forma determinante, os diversos carneirinhos, desenhados sobre “um fundo azul-nocturno”, que podem ser encarados como uma metáfora da tentativa de superação de uma insónia ou uma forma eficaz de adormecer. Alem disso, desta aventura, repleta de possíveis e imaginários, fazem também parte o “velho João Pestana”, que vem “em pezinhos de lã”, “um nariz de Pinóquio”, “papões e outros medos” e “a mais bela cinderela”.

José Letria joga, de forma sensível, com inúmeros elementos, objectos e gestos associados ao sono, congregando-os original e imaginativamente.

O importante é que este álbum, livro memorável, feito de uma escrita vivaz, melodiosa e embaladora, faça parte do sono e do sonho de muitos pequenos leitores.

Deste modo, a minha escolha deveu-se, essencialmente às ilustrações fantásticas, que remetem ao imaginário da criança e ao estímulo a uma maior adesão à poesia.


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