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29 dezembro, 2006

“Salvadores da Realidade: Os Óculos”

Soares, L.(2001). Uns Óculos para a Rita. Porto: Civilização Editora.
ISBN – 972-261908-9
Idade recomendada – 6 a 8 anos
Ilustrador – Olé Design

Uns óculos para a Rita constitui um dos títulos reeditados pela editora Civilização no âmbito da colecção “Obra completa de Luísa Ducla Soares”. Luísa Ducla Soares participa frequentemente em Colóquios e Encontros, apresentando conferências e comunicações sobre a problemática relacionada com os jovens, a leitura, sobre literatura para os mais novos. Recusou, por motivos políticos, o Grande prémio de Literatura Infantil que o SNI pretendeu atribuir-lhe pelo livro História da Papoila em 1973. Recebeu o Prémio Calouste Gulbenkian para o melhor livro do biénio 1984-5 por 6 Histórias de Encantar e foi galardoada com o Grande Prémio Calouste Gulbenkian pelo conjunto da sua obra em 1996. Em 2004 foi seleccionada como candidata portuguesa ao Prémio Hans Christian Andersen.
Em toda a obra, ilustrada por Olé Design, podemos verificar que o texto icónico funciona como um complemento daquilo que nos é dito no texto verbal, funcionando ambos como um todo.
Tal como nos é sugerido logo no próprio título, Uns Óculos para a Rita, este álbum trata de um facto muito vulgar do nosso quotidiano, o uso de óculos, sobretudo pelos mais pequenos, que não encaram esta realidade com muito agrado. É-nos pois dada uma outra visão daquilo que é usar óculos. Procura-se fazer uma espécie de desmistificação, pois ao contrário do que se possa pensar, os óculos são uma mais valia na vida de quem os usa, conclusão à qual também a Rita chega (“…porque com eles tudo é mais bonito”, Soares, 2001:28), podendo, desta forma, levar o pequeno leitor a identificar-se com a Rita e encarar esta questão com outros olhos.
A nível estrutural, podemos referir que este álbum apresenta dois momentos: um primeiro momento, em que a Rita não consegue ver as formigas e as pisa, não vê as pintinhas nos «is», não vê a perninha do “a” nem do “o”, não encontra o botão que caiu do seu casaco, ou seja, refere-se à altura anterior à descoberta da necessidade da Rita usar óculos. Segue-se um segundo momento, que tem início com a ida da Rita ao oftalmologista e ao oculista, sendo a partir desta etapa que a Rita se apercebe dos factos que anteriormente não via. É também neste momento que a Rita, brincando com a situação e, querendo sobretudo recordar as suas dificuldades, tira os óculos e compara os dois momentos: antes e depois de usar óculos, no entanto, rapidamente os volta a colocar pois apercebe-se da sua utilidade (“De vez em quando tira os óculos para se lembrar como o mundo era antes, mas por pouco tempo, porque com eles tudo é mais bonito”, Soares, 2001:28).
Esta obra apresenta um número de personagens muito reduzido, a Rita, que é a personagem principal e a heroína da história, e todos aqueles que giram em seu torno, a professora que conversa com o seu pai e, em conjunto se apercebem do problema da Rita, o oftalmologista e o oculista que resolvem o problema da Rita.
Relativamente à linguagem, podemos dizer que apresenta vocábulos extremamente simples, susceptíveis de serem entendidos sem dificuldade pelo seu público-alvo, crianças com idades compreendidas entre os seis e os oito anos.
Em suma, podemos dizer que esta é uma obra muito interessante, capaz de promover a leitura entre os mais novos, para além de contribuir com uma espécie de conselho para os mais novos, acerca das vantagens que pode trazer o uso dos óculos, e por isso vai de encontro ao que nos é disponibilizado pela literatura tradicional, transmitindo um facto que está presente no nosso mundo, e também no das crianças.


Sara Cunha

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