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20 dezembro, 2006

“Uma Viagem no Tempo”


BACELAR, Manuela (2004). Sebastião. Ilustração de Manuela Bacelar. Edições Afrontamento.
ISBN: 972-36-0732-8
Idades recomendadas: 3-7 anos
Obra incluída no Plano Nacional de Leitura


Ilustradora de renome, Manuela Bacelar, lança um álbum dedicado aos mais novos, numa linha já habitual na sua produção literária, aquilo que representa uma brilhante «capacidade de narrar pela imagem».
Manuela Bacelar é, por muitos, considerada como a primeira grande referência da ilustração para a infância em Portugal, com formação na Ex-Checoslováquia, nos anos 60/70 (período em que o álbum conheceu um “boom” decisivo em alguns países europeus e nos Estados Unidos).
Para os mais novos, o álbum constituiu, a par do conto oral, uma preciosa iniciação à arte da narrativa. Os livros sem palavras, nomeadamente os álbuns, são obras em que a narrativa, a existir, resulta de uma sucessão de imagens articuladas entre si.
Estamos num domínio em que se torna possível descobrir obras verdadeiramente cativantes, as quais surpreendem pela sua ousadia expressiva e concorrem, de forma decisiva, para o desenvolvimento da competência literária, do gosto estético e dos hábitos de leitura dos mais pequenos.
A obra O Sebastião é composta por duas histórias em paginação convergente. Numa primeira história, o Sebastião, um peixe ainda bebé, percorre, através de um copo de água, uma viagem pelo fascinante mundo dos mares. Guiado por um peixe extremamente colorido, Sebastião explora o mundo oceânico onde pode brincar com seres marinhos e “bebés-sereias”. As ilustrações nesta primeira história cativam pela sua originalidade artística, por cores extremamente fortes e expandidas por páginas duplas realçando também a riqueza figurativa e a luminosidade policromática do texto icónico.
Numa segunda história, Sebastião, já mais crescido, viaja novamente pelo mundo oceânico e fica completamente espantado pela invasão que fizeram ao fundo do mar, pois encontra aí uma variedade de objectos depositados. Todos os seres marinhos tinham desaparecido e todo o encanto das cores do mar já não existia, até o cheiro encantador dos corais tinha sido coberto por um odor extremamente desagradável. Sebastião logo quis abandonar a sua viagem. Nesta história as ilustrações aparecem com um carácter mais pálido e escuro, tentando, desta forma, mostrar ao leitor o quanto o mar tinha perdido a sua vivacidade anterior.
Importa salientar o papel determinante da componente pictórica que facilita a aproximação do leitor infantil à mensagem narrativa que o livro esconde e/ou vai progressivamente desvendando.
O tópico de viagem existente na obra O Sebastião é um elemento cuja simbologia remete para a ideia de liberdade.
Parece-nos, assim, que esta obra, abordando, de forma divertida, o tema da poluição e do esgotamento dos recursos da vida, pode precocemente sensibilizar as novas gerações para esta causa.

Abrir o livro O Sebastião significa viajar até a um mundo envolvente, profundamente terno e repleto de emoções.


Bibliografia:

GOMES, José António (2003) “ O conto em forma(to) de álbum: Primeiras aproximações”, in Revista Malasartes – Cadernos de Literatura para a Infância e a Juventude, nº12, Porto: Campo das Letras, pp. 3-6.

Marta Gonçalves

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