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04 janeiro, 2007

“Abraça me...preciso de ti”


Letria, José Jorge (2005) A árvore dos abraços. Vila Nova de Famalicão: Quasi Edições.
1.ª edição – Agosto de 2005
Ilustrações de Joana Quental
ISBN – 989-552-119-7

O livro pertence à Biblioteca “Tempo dos mais novos”, distribuído pelo diário nacional Jornal de Notícias

A Árvore dos abraços tem como público leitores de uma faixa etária desde os 4 anos. Como evidencia mensagens ecológicas e de interrelacionamento até bastante complexos pode ser lido na idade adulta também.
José Jorge Letria nasceu em Cascais em 1951. Estudou Direito e História. Jornalista desde 1970, foi redactor e editor de vários jornais diários. Na àrea infato-juvenil três dezenas de títulos, tendo obtido diversos prémios: Prémio Gulbenkian 90-92 de melhor livro; Prémio Ferreira de Castro (3 vezes); Prémio Nacional “O Ambiente na Literatura Infantil” (3 vezes); Seleccionado para a lista de honra de IBBY (1992-95). Autor de peças de teatro, várias vezes distinguido com prémios.

A história introduz-nos no imaginário de uma árvore que se via enriquecida por vários privilégios: uma mãe e um filho, que se sentando sob a sua copa, podia ouvir imensas histórias de aventuras e com os pássaros que poisavam nos seus ramos, podia conhecer coisas de terras longínquas. Um dia, apareceu o filho a chorar, pela mãe que morrera, e a árvore abraça-o tentando substituir a mãe. As pessoas ficaram sensibilizadas e também elas procuraram o seu aconchego. Algum tempo depois, um projecto de urbanização ameaça a própria árvore, levando as pessoas a insurgirem-se e a protegerem-na, abraçando-a. Conseguiram salvá-la e esta pôde viver por muitos mais anos.
O maior valor retratado nesta obra é o da protecção, pois está presente em toda a história, seja pela árvore que protege fisicamente os pássaros, seja pela árvore que protege emocionalmente a criança, seja pela árvore que protege emocionalmente todos aqueles que precisavam do seu abraço. Outro valor é a protecção da natureza pois, com a modernização, esta é esquecida, passando-se por cima dela para atingir os seus objectivos. Assim, o texto, de certa forma, proporciona-nos uma lição de moral relativamente a este aspecto.
A própria história conta-nos o testemunho de outras árvores, com essa mesma riqueza vivencial, como por exemplo, as árvores que presenciaram a Segunda Guerra Mundial onde “a árvore não salvou vidas, mas também não ajudou a tirá-las. Limitou-se a ser testemunha muda de todo o horror que acontecera à sua volta ” (Letria, 2005).
Quanto ao texto, este apresenta vários tamanhos e cores, mediante a importância ou intensidade sentimental do que é dito. “O menino vinha sozinho” (após a mãe ter falecido): a cor é a cinzenta, melancólica como a situação; “A árvore quis chorar”: a expressão “quis chorar” encontra-se a cor azul, cor da água. De outra forma, em “ela deixava-os construírem os ninhos entre os seus ramos”, as palavras, estando sobre a imagem da árvore, assentam nos seus ramos, estando como que em harmonia entre esta e com o que é dito. Finalmente, quanto às próprias imagens, e não nos referindo ao tipo de traço, mas mais ao que elas podem transmitir, descobrimos uma série de elementos que vincam os sentimentos a dado momento da narrativa: assim, quando a criança chora junto da árvore, as cores que envolvem o respectivo ícone são pálidas (escuras, com poucos contrastes), representando um pouco a tristeza da situação – a dor de uma criança que chora a perda da mãe; por outro lado, quando a criança, já adulta, volta para junto da árvore acompanhada pelos seus filhos, as cores que abundam nesta situação são vivas (tons de verde forte e azul), com corações como que desenhados no chão envolvente, representando a alegria, o amor e a felicidade.

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