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04 janeiro, 2007

Da infância para a adolescência pelo mundo dos sonhos

“A Rapariga e o Sonho”

DACOSTA, Luísa (2001) A Rapariga e o Sonho. Colec. «Obras Completas de Luísa Dacosta». Porto: Edições Asa (Ilustrações de Cristina Valadas)

O título do próprio livro A Rapariga e o Sonho desperta em qualquer leitor uma enorme vontade de percorrer todas as suas páginas e descobrir qual a ligação que existe entre a Rapariga e o Sonho.
Devido ao carácter enigmático, e até um pouco abstracto, que domina a obra, isto porque exige a activação de determinados conhecimentos ou competências cognitivas do leitor para a descodificação de determinados sentidos implícitos no texto, podem surgir múltiplas leituras sobres as temáticas do texto e a sua, consequente, concretização.
A polissemia ou plurissignificação inerente a qualquer texto literário nunca permitirá uma leitura unívoca desta obra, pelo contrário, suscitará várias linhas ideológico-temáticas, entre as quais o processo de crescimento e desenvolvimento interior de uma rapariga; o jogo simbólico, o faz-de-conta presente na infância; a capacidade de sonhar inerente às crianças e, também, a todos os seres humanos; o confronto do mundo do sonho e da fantasia com o mundo real, quase que imposto, através do crescimento exterior e interior de cada ser humano e, por fim, a mudança do mundo dos sonhos da infância para o mundo dos sonhos na adolescência.
Toda a obra nos conduz a uma reflexão interior acerca dos nossos próprios sonhos, fazendo-nos acreditar que os sonhos podem mudar a realidade.
A obra demonstra, contudo, que apesar das realidades, ou das expectativas dos seres humanos em relação a elas, mudarem, os sonhos continuam a acompanhar a existência de cada ser humano e que, muitas vezes, são eles os responsáveis por determinadas mudanças na própria realidade.
Tendo presente que as obras de literatura com potencial leitor infantil devem possibilitar ao leitor o preenchimento de “espaços em branco”, esta obra é o exemplo perfeito pois começa logo por não atribuir um nome próprio à personagem, o que pode, exactamente, servir para que cada leitor se possa identificar com a história ou não, reportando-a para as suas próprias vivências.
A riqueza semântica, acompanhada pelas ilustrações de Cristina Valadas, transporta-nos para o mundo do sonho, da aventura e da fantasia, conduzindo-nos à leitura e releitura de toda a obra para a descoberta e análise de todos os seus elementos simbólicos.

Natália Ferreira e Sandra Soares

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