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07 janeiro, 2007

Nas asas da Poesia...

INFANTE, Luís (2004). Poemas Pequeninos para Meninas e Meninos, V. N. de Gaia: Gailivro (Ilustrações de Carla Pott)
ISBN: 989-557-050-3








O título e a capa da obra Poemas pequeninos para meninas e meninos deslindam, à partida, algo do que será a mesma: um conjunto delicioso de textos poéticos breves, largamente ilustrados e dedicados às crianças.

Esta obra de Luís Infante, autor sobre o qual não nos foi possível obter quaisquer informações, apresenta ilustrações deveras expressivas, o que valoriza grandemente o texto linguístico. Carla Pott, ilustradora deste livro, nasceu em África. Aos quatro anos veio para Cascais e cedo começou a dar sinais do que queria ser quando fosse grande. Licenciada pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, a partir de 2000 começou a ilustrar livros para crianças, dos quais onze já se encontram publicados.

«Os poemas que lemos ou que podemos dar a ler desta colectânea editada pela Gailivro evidenciam diversas propriedades ideotemáticas e técnico-compositivas comuns à poesia de destinatário explícito infantil.» (Sara Silva)
Luís Infante atribui, assim, um cuidado especial no que concerne à linguagem usada nos poemas, empregando-a de uma forma eloquente, de modo a criar quadros poéticos carregados das mais diversas sensações, como se pode observar, por exemplo, no poema «Tudo menos Tristeza»: «…porque no seu pêlo macio/que lembra café e baunilha…» (Infante, 2004: 18). No decorrer dos poemas o leitor é envolvido por um mundo maravilhoso criado pela oposição entre o sonho e o real, e pela constante valorização de elementos fantásticos como fadas, duendes, bruxas… «Uma fada bailarina/saiu de uma lamparina/ com um cortejo de duendes…» (Idem, ibidem: 28).

Nesta obra prepondera, não raras vezes, a memória activada pela adoração de um retrato, como forma de se evadir no tempo e no espaço, como no caso do poema «Um retrato antigo» (Idem, ibidem: 8). Ao longo do livro, e para deleite de qualquer criança, vamos descobrindo cenários naturais e uma constante presença de animais, como é o caso das galinholas (idem, ibidem: 12), dos gatos (idem, ibidem: 16), do grilo (idem, ibidem: 40), ou dos rouxinóis (idem, ibidem: 54), entre outros.

Uma outra característica de grande relevância prende-se com a existência de marcas de narratividade, como podemos constatar pela presença de uma fórmula hipercodificada que, regra geral, é utilizada como frase de abertura dos contos tradicionais «Era uma vez um grilo» (idem, ibidem: 40).

Esta obra é, pois, claramente alcançável pelas crianças em tenra idade, tanto ao nível cognitivo como linguístico, favorecendo o desenvolvimento de competências literárias e linguísticas, ao mesmo tempo que desperta o gosto pelo texto poético.

Poemas pequeninos para meninas e meninos, repleto de boa disposição, é, então, uma porta aberta para o mundo mágico da poesia.

Andreia Lomba, Benvinda Pinheiro e Susana Barbosa

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