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05 janeiro, 2007

O Poder dos Sonhos

Letria, José Jorge (2005). A Ilha das Palavras. Ilustração de Madalena Ghira. Lisboa: Oficina do Livro.

ISBN 989-555-103-4


A Ilha das Palavras, cuja ilustração ficou a cargo de Madalena Ghira, é uma obra de José Jorge Letria. Este autor, que nasceu em Cascais, a 8 de Junho de 1951, é o mais premiado escritor português da actualidade. Como escritor, distingue-se na poesia, no conto, no teatro e, sobretudo, na literatura para a infância e juventude. É também conhecido como jornalista e político dedicado à cultura, professor e dirigente associativo.

Esta obra conta, na primeira pessoa, a história de um menino que procura o lugar aonde os grandes escritores vão buscar as palavras para a sua inspiração, procura por todo o lado mas não consegue encontrar a ilha das palavras. Um dia, enquanto dormia, um papagaio diz-lhe onde fica a tão desejada ilha e o rapaz parte à sua procura, passando por alguns contratempos. Tendo-a encontrado, vê-se rodeado pelos grandes vultos da literatura e vive momentos magníficos. Vencido pelo sono, adormece e, ao acordar, encontra-se em sua casa na sua cama. Depois resolve passar para o papel a história da sua viagem.

No livro são notórias determinadas marcas de intertextualidade, quer através do texto icónico quer através do texto verbal. A nível do texto icónico, há expressões que activam a memória de leitor: “Ser poeta é ser mais alto, é ser maior do que os homens”, “armas, barões, assinalados” e “amar-te assim perdidamente; a nível do texto escrito, há menções a Ulisses, Bocage, Camilo Pessanha, Luís de Camões, Alexandre O’Neil, Cesário Verde ou Sophia.

Neste sentido, esta é uma obra muito rica, uma vez que faz bastantes referências a escritores, obras e mesmo à história do nosso país.

O texto e a imagem podem levar-nos ainda a considerar uma certa alusão à obra de Antoine de Saint–Exúpery, O Principezinho, pois, tal como em O Principezinho, o protagonista parte à procura de aventura e de um objectivo concreto.

As imagens, muito coloridas, sem um limite bem definido, ajudam a perceber que no sonho não há limites, e, misturando-se com o texto, completam-no.

O texto verbal e o texto icónico estão muito bem relacionados, o que desperta ainda mais a atenção do leitor e/ou ouvinte da história.


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