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07 janeiro, 2007

PINA, Manuel António (2002) Histórias que me contaste tu. Lisboa: Assírio & Alvim. (Ilustrações de João Botelho).

ISBN 972-37-0554-0


Descobre o escaravelho que há em ti

Poeta, jornalista, professor, tradutor e autor de muitos livros de propensão infantil, são alguns dos atributos de Manuel António Pina. Licenciado em Direito na Universidade de Coimbra, galardoado nos últimos anos com os mais importantes prémios literários de Portugal, brinda-nos com os seus registos de “discurso de invulgar criatividade e de constante desafio à inteligência do leitor”, já várias vezes assim classificado.

Entre as suas obras mais conhecidas, de propensão infantil, destaca-se o Inventão, O livro de desmatemática, Perguntem aos vossos gatos e aos vossos cães, Os dois Ladrões e Histórias que me contaste tu. Estes dois últimos ilustrados por João Botelho, que imprime ao texto visual uma relação de solidariedade semiótica e realça a expressividade do mesmo, desenvolvendo a dimensão estética do texto.

Manuel António Pina leva-nos, através da figura do escaravelho nas Histórias que me contaste tu, a um encontro familiar e, até mesmo íntimo, com esta personagem por quem, desde o primeiro contacto - quer na capa e contra-capa, acompanhado por um menino e uma menina respectivamente bem como nas guardas, se impõe uma presença constante e direccional e durante todo o texto - se estabelece empatia. Todo o livro é uma apoteose à figura do contador de histórias e, por isso, prende o leitor mais impenetrável, independentemente da faixa etária em que se encontre.

Poderíamos ter escolhido uma qualquer história deste livro, que todas elas causariam o mesmo – um sorriso esboçando o pensamento “é mesmo assim…incrível!”, contudo, vamos centrar-nos naquela que começa pelo fim, e para situar, Uma História que começa pelo fim. Nesta, o escaravelho reporta-nos para um reinado onde os protagonistas, rei e rainha, questionam a felicidade, recordando nostalgicamente o passado em que um era guardador de patos e o outro esperava pelo beijo que lhe quebrasse o feitiço, concluindo que “eram felizes há tanto tempo que já nem sabiam bem o que era a felicidade”, desejando, por isso, viver uma situação de tristeza para que pudessem, novamente, aperceber-se de como eram felizes. Este desejo vai envolvê-los numa série de peripécias que só poderão ser desvendadas se partires já para a leitura e descobrires o escaravelho que há em ti!

Andreia Lomba, Benvinda Pinheiro e Susana Barbosa

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