Mota, António (2002) Se eu fosse MUITO ALTO. Ilustrações de André Letria. V.N. de Gaia: Gailivro (2ªediçao)ISBN: 972-8473-15-X
O texto verbal é da autoria de António Mota, escritor português nascido em, Baião, em 1957.É professor do ensino básico e é considerado um dos mais importantes autores portugueses de literatura infanto-juvenil. Ao longo da sua vida, António Mota já escreveu mais de cinquenta livros, sendo que alguns deles já foram galardoados com vários prémios literários, entre os quais O Sonho de Mariana com o Prémio Nacional de Ilustração em 2003. Mais recentemente, em 2004, recebe o Grande Prémio Gulbenkian de Literatura para Crianças e Jovens, pela obra Se eu fosse muito Magrinho, juntamente com André Letria.
As ilustrações são da criação André Letria, nascido em Lisboa em 1973, que é hoje um nome consolidado entre os ilustradores portugueses. A sua assinatura é garantia de qualidade.
A capa do livro, por si só, oferece ao leitor a possibilidade de formular uma série de hipóteses interpretativas acerca do conteúdo interno da obra, nomeadamente através do título que serve de porta de entrada, de transição e de transacção do leitor para o seio do livro, para uma história que apela à imaginação e com os múltiplos significados que pode vir a ter.
O texto é muito pouco extenso e escrito numa linguagem simples onde as imagens têm um lugar predominante e de destaque dando até a sensação que o texto icónico continua para lá das margens do livro. Estas ilustrações permitem mesmo a uma criança que ainda não leia a oportunidade de interagir com o texto através delas.
Ao longo do texto, algumas das peripécias imaginadas para a concretização do desejo de ser MUITO ALTO têm uma elevada carga afectiva, vão de encontro com valores como a solidariedade, o respeito pela natureza e a amizade, outras são realizações de sonhos que se tornam possíveis – “Podia esconder a cara dentro de uma nuvem”.
O ser MUITO ALTO é como que uma metamorfose, uma mudança de estado ou transformação para alcançar esses seus desejos de fazer o bem, ajudar os outros ou simplesmente alcançar sonhos, mesmo que pareçam descabidos, aspirações que na realidade são impossíveis mas na imaginação não o são (“…encontrar um grande navio que me levasse para o país dos meus sonhos”).
De acordo com a metaficção, esta obra oferece múltiplas possibilidades de criação, de contar várias histórias em simultâneo, tanto a nível do texto verbal como do texto icónico, podendo partir para novas suposições e respostas imaginárias para além das evidenciadas ao longo da obra, e permitir múltiplas possibilidades de leitura por parte do receptor.
Se eu fosse MUITO ALTO, em que a palavra e a imagem se complementam, permite entrar no mundo da imaginação, permite sonhar com a terra, o céu e o mar – “Podia (…) colher com as minhas mãos os frutos das arvores mais altas da Terra”, “podia esconder a cara dentro de uma nuvem”, “podia caminhar sobre as ondas”.
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