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03 janeiro, 2007

Um pulo à infância, uma viagem ao meu imaginário infantil

DACOSTA, Luísa (2002) A Menina Coração de Pássaro. Colec. «Obras Completas de Luísa Dacosta». Porto. Edições Asa. Ilustração: Jorge Pinheiro. ISBN: 972-41-3181-5.
Luísa Dacosta conta-nos a história de uma menina “sonhadora e solitária, que falava com as flores e sabia o coração das coisas”. Certo dia encontrou um antigo enfeite da sua árvore de Natal, um pássaro «branco lunar, prateado e vidrento», no entanto este pássaro não tinha rabo, e então que ela decide procurar um rabo para o pássaro. Quando a menina lhe colocou o rabo o pássaro transformou-se magicamente. E com ele que ela começou a voar. Nesses voos “Não havia limites: tudo era amplo, liberto, sem fim”. A menina aventurou-se cada vez mais até que chegou à beira de um grupo de estrelas, e logo reparou que ao lado desse grupo estava uma estrelinha sozinha. Mantiveram uma longa conversa, até que se tornaram amigas. Durante a conversa a estrelinha confessou não ser feliz, no entanto a menina disse “…só sei que invejo a tua sorte…daqui vês a terra…não há nada mais belo…”. A estrelinha rapidamente a contrariou “estou aqui há milhares de anos e posso dizer-te que mais vasto que o oceano é o sofrimento dos homens…” a estrelinha explica que a entristece o egoísmo dos homens, com o sofrimento que causam uns aos outros, ao passo que a menina tenta entender “como poderão os homens reencontrar o caminho da felicidade”. E ao fim do diálogo a menina levanta voo. No entanto sem que passa-se muito tempo sentiu saudades da sua amiga e voltou a voar até ela. Quando lá chegou conversaram mais uma vez…mas esta foi uma conversa diferente da primeira, nesta conversa a estrelinha falou-lhe no “…fogo da ternura e da amizade…” e é este fogo que as vai tornar ainda mais amigas…alias a primeira amiga de cada uma. Depois disto a menina voltou para o seu quarto, mas agora não trazia consigo a tristeza, e sim o calor da amizade e um horizonte carregado de sonhos e pensamentos.
A narrativa desta história é em muito semelhante à de “O Principezinho”, há um cerne muito emotivo entre as conversas que a menina estabelece com a sua amiga estrelinha. Também a forma como se inicia a história, com um tom de desencanto, que contrasta com o seu desfecho em que está presente uma mensagem de reconforto.
Ao ler esta obra senti-me envolvida num Mundo de sonhos e de afectos uma vez que nela estão presentes sentimentos nobres como a amizade, a bondade e uma enorme vontade de deixar o Mundo um pouco melhor do que o encontramos. A verdade é que, por momentos, me senti criança novamente.
A linguagem é de fácil compreensão, com vocabulário simples e acessível. O leitor tem a possibilidade de preencher os inúmeros espaços em branco deixados pela pouca ilustração. Por tudo isto penso que esta obra pode ser lida por crianças a partir dos 6 anos, mas que deverá ser lida ás crianças com menos de 6 anos, visto que contém uma moral muito importante para o desenvolvimento da personalidade do receptor. Os elementos paratextuais como o título e a ilustração da capa, na minha opinião de leitora, são extremamente apelativos e que podem criar curiosidade ao leitor para pegar no livro e o ler.
A nível estilístico esta obra está polvilhada de metáforas, extraordinariamente bem usadas que fazem o leitor sonhar ainda mais, imaginar, e viajar para além do mundo das palavras e do mundo que o rodeia.
Vanessa Gonçalves

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