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03 janeiro, 2007

“Uma Égua Diferente”


Andrade, Eugénio de (2000).História da Égua Branca…Ilustração de Joana Quentel; Editora: Campo de Letras. ISBN: 9726103525
Idade recomendada: Livro recomendado pelo plano nacional de leitura – Ano Lectivo 2006/2007 (3.º Ano)

História da Égua Branca é um conto infantil ilustrado por Joana Quentel e da autoria de Eugénio de Andrade, um poeta português, que nasceu em 19 de Janeiro de 1923 na Póvoa de Atalaia. Trata-se de um escritor bastante conhecido, ao qual foi atribuído o premio Camões em 2001.
É uma magnífica história para crianças impressa sobre ilustrações únicas que correm em paralelo como o texto, que iluminam a leitura e compreensão do livro.
Nesta narrativa destinada aos mais novos o autor apresenta-nos características definidoras e símbolos da literatura infantil, sendo o aspecto mais notório desta interpretação a égua presente na história. Esta, elemento naturalista, apresenta-se como personagem central do conto e funciona como uma espécie de prémio para os três filhos do velho Cristóvão, seu dono.
É uma personagem carregada, do início ao fim da história, com uma carga emotiva muito grande em relação às outras figuras humanas. É sem duvida algo inovador pois a égua aparece como um ser humanizado numa historia, com um conjunto de personagens restrito predominantemente masculinas que contrastam de certo modo com a feminilidade da égua.
De uma forma geral a acção desenrola-se no sentido de um único fim e em volta de um núcleo problemático singular, o pai, o velho Cristóvão, percebe que a sua égua é desejada pelos seus três filhos e a partir daqui depara-se com um problema de escolha de um dos filhos para ficar com o animal, seguindo o conselho do engenhoso boticário, o pai oferece um período probatório de três semanas a cada filho. Daqui o narrador faz desapontar três episódios, todos eles finalizados com uma peripécia, duas de carácter humorístico e a última de carácter mais moralizante, dramático e sério.
Analisando toda a obra é interessante salientar a simplicidade da linguagem e do estilo, é também notório a expressividade de alguns elementos simbólicos presentes no conto, destaca-se a implicação sémica do branco, atributo da égua, cor conotada com pureza, e a subjectividade do numero três, que aliás é um algarismo com uma simbologia forte e presente no imaginário de todos nós. Esta simbologia é bastante notável pois, se analisarmos bem, os irmãos eram três, o prazo de entrega da égua ao pai era de três semanas, o”animal de três pinotes…” etc.…
A Historia da Égua Branca resume-se a um apelo emotivo à sinceridade, à fidelidade e à dedicação, é uma lição de vida.
Apesar de todo o “amor” que os rapazes diziam sentir pela égua, com as dificuldades da convivência tudo se alterou, tendo a égua, com tudo isto, um final feliz e merecedor.
É assim que nesta, como em muitas outras narrativas infantis de fundo pedagógico, prevalece o bem, o real, sobre o mal e o aparente.
Apesar de todo o sofrimento e cenas de violência com que a égua se deparou, e que em certa parte se puderam tornar um pouco agressivas e influenciáveis para as crianças mais pequenas, podem também ser vistas como uma amostra didáctica que o mal e o fazer mal é uma escolha errada para alcançar o desejado.