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26 dezembro, 2014

Nova obra sobre literatura infantil

Acaba de ser publicada uma nova obra sobre Literatura Infantil e Leitores. Da Teoria às Práticas.

Esta é a 2ª edição amplamente revista e actualizada, encontrando-se com preço de promoção, com 5% de desconto.
A obra fornece sugestões relevantes para formar leitores a partir de bons textos de literatura infantil.


Support independent publishing: Buy this book on Lulu.



22 maio, 2012

Da Poesia ao Desenvolvimento da Competência Literária: Propostas Metodológicas e Didáticas para o Ensino-Aprendizagem da Língua Portuguesa nos 1.º e 2.º Ciclos do Ensino Básico

Realizam-se no próximo dia 24 de maio de 2012, pelas 10:00 horas, no Anfiteatro do Instituto de Educação, Campus de Gualtar (Universidade do Minho), as Provas de Doutoramento em Estudos da Criança, Especialidade de Literatura para a Infância, requeridas por Isabel Maria Pinto do Souto e Melo.

Composição do Júri:
Presidente:   Reitor da Universidade do Minho
Vogais:          Doutor Fernando José Fraga de Azevedo, Professor Associado com Agregação do Instituto de Educação da Universidade do Minho (Orientador);
Doutor Armindo Teixeira Mesquita, Professor Associado da Escola de Ciências Humanas e Socias da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro;
             Doutor José António Brandão Soares de Carvalho, Professor Associado do Instituto de Educação da Universidade do Minho;
           Doutora Ângela Coelho Paiva Balça, Professora Auxiliar do Departamento de Pedagogia e Educação da Universidade de Évora;
           Doutora Sara Duarte Reis da Silva, Professora Auxiliar do Instituto de Educação da Universidade do Minho.

Convida-se a Comunidade Académica a assistir às provas.

22 março, 2012

A Odisseia de Edward Tulane

Era uma vez um coelho de porcelana chamado Edward Tulane. O coelho vivia feliz com a sua dona, Abilene, uma menina que o adorava mais do que tudo! Mas um dia, Edward perde-se numa viagem interminável, mudando de lugares, numa impermanência extraordinária que o leva a ser recriado constantemente pela mão dos donos que sucessivamente se apoderam do seu corpo-boneco-objeto mas também muitas vezes boneco-amor.

Edward parece simbolizar o nascimento e a morte ou antes o renascer de uma nova vida a cada metamorfose a que é obrigado a passar: de Edward, a Susana, de Malone a Jangles, numa cadeia interminável de mudanças sobretudo externas, físicas, que contudo nunca machucam a personalidade e a sua substância interna, que se foi habituando aos trambolhões da vida sem soltar rugidos de fúria mas sim lamentos resignados feitos de calma e inocência, como convém a um coelho.

Contudo, sendo ele próprio um amuleto acreditado para trazer boa sorte a todos os que o possuíam “Edward era o único que não se entusiasmava com isso. Orgulhava-se de não ter ilusões e de não permitir que o seu coração batesse depressa. Conservava a dignidade de manter o seu coração parado, em silencio, bem fechado.Já estou farto de me iludir, (…).”

No entanto, como também na vida, temos sempre alguém que nos chama a atenção, desviando o nosso enfoque para outras emoções bem mais positivas que nos fazem descentrar das amarguras quotidianas e nos levam a olhar as estrelas:

“- Tens de ter expectativas, nunca deves perder o ânimo, a esperança. E, especialmente, deves questionar-te sobre quem irá amar-te e quem irás amar em seguida.
- Para mim chega de ser amado – amar é muito doloroso.
- Não digas disparates. Onde está a tua coragem?”

Título: A Odisseia de Edward Tulane
Autor: kate Di Camillo
Ilustrador: Bagram Ibatulline
Editora: Gailivro

21 março, 2012

Prémio Hans Christian Andersen para María Teresa Andruetto e Peter SísArtigo

Prémio Hans Christian Andersen para María Teresa Andruetto e Peter SísArtigo
A escritora argentina María Teresa Andruetto e o ilustrador checo Peter Sís venceram hoje o prémio internacional Hans Christian Andersen, considerado o Nobel na área da literatura infanto-juvenil.
Os vencedores foram anunciados na Feira do Livro Infantil de Bolonha, que começou hoje em Itália e que tem Portugal como país convidado.
O prestigiado prémio foi dado à escritora argentina María Teresa Andruetto, como reconhecimento de uma marca poética e sensível da sua obra, na abordagem de temas variados como as migrações, o amor, a pobreza e a violência.
Peter Sís foi premiado na área da ilustração pela diversidade de técnicas utilizadas e pela combinação de elementos do universo fantástico com apontamentos reais, disse o júri.

09 dezembro, 2011

Oficinas de Literacia e Mediação Leitora

No âmbito das atividades da unidade curricular de Literacia e Mediação Leitora, do curso de Licenciatura em Educação Básica, da Universidade do Minho, decorrerão as seguintes oficinas:



10 de Janeiro, 18h15: História da pequena estrela!
 Colégio São Caetano, Largo de Madre Deus, 4700-228 Maximinos - Braga


O nosso tema baseia-se no lema da instituição onde iremos realizar a nossa intervenção: a estrela. Este lema traz consigo mais do que o nome. Traz a luz que nos ajuda a encontrarmo-nos, a reflectir na nossa vida, a tomar decisões, etc. Foram nestes aspectos que se debruçou a escolha da nossa história. Assim sendo, escolhemos o livro “A História da Pequena Estrela” de Rosário Alçada Araújo com ilustrações de Catarina França.
Para dinamizar a leitura desta obra, e recorrendo ao diálogo, iremos utilizar fantoches, de acordo com as personagens intervenientes na história.
Para complementar a atividade, realizaremos alguns jogos didáticos relativos a este conto para uma melhor compreensão por parte das crianças. Estes jogos baseiam-se nas capacidades de memória, atenção, conexão e interpretação.
As idades do público alvo estão compreendidas entre os 9 e os 13 anos.

A atividade é dinamizada por Ana Oliveira, Ana Coelho, Andreia Moreira, Mónica Barbosa e Nanci Alves.



5 de Janeiro: Um dia diferente na companhia da Leitura
Colégio São Caetano, Largo de Madre Deus, 4700-228 Maximinos - Braga

Buscando fomentar hábitos leitores, a atividade dará a conhecer uma obra em formato ebook.

A atividade é dinamizada por João Sinval, João Louro, Tiago Dias e Mafalda Eirinha.



3 de Janeiro - 3ª feira, 18h30: As Aventuras do Verdinho!

Oficinas de São José, Rua do Raio, nº 75 Braga 



Com base no livro As Aventuras do Verdinho – O Planeta Verde, de Mónica Silva e ilustrado por Dina Silva, serão dinamizadas um conjunto de práticas de fomento à leitura, visando alertar as crianças para a necessidade de um desenvolvimento sustentável do planeta.
Público-alvo: crianças entre os 6 e os 12 anos de idade.
A atividade é conduzida por Andreia Santos, Carla Félix e Jacinta Gonçalves.


29 de Dezembro, 10h-12h: Descobre a tua imaginação!
Pingu English, Alameda Padre Manuel Simões nº 193, 4760-286 Vila Nova de Famalicão
Atividade de mediação leitora com base na obra Um Lobo Culto:

A atividade é dinamizada por Ana Santos, Joana Costa, Mara Teixeira e Sílvia Costa.


28 de Dezembro de 2011, 10h30-13h00: O Livro Viajante

Hospital do Alto do Ave, Guimarães
Público-alvo: crianças da ala de pediatria com idades compreendidas entre os 8 e os 12 anos.

Com base em quatro livros, o objectivo desta intervenção será fomentar o gosto e, consequentemente, o hábito de leitura nos mais pequenos, através de actividades que se inserem na chamada animação leitora, nomeadamente a descoberta de títulos, a criação de narrativas apoiadas em elementos paratextuais e citações estimuladoras e, por último, a realização de uma sopa de letras, com o objectivo de responder a adivinhas da tradição oral.








A atividade é conduzida por Ana Marinho e Cristiana Pereira.







14 de Dezembro - 4ª feira, 10h: Uma história engraçada e cheia de macacada!
Patronato de Nossa Senhora da Torre, Largo de Santo Agostinho, nº19, Braga

 

A atividade tem como público-alvo crianças entre os 3 e os 6 anos de idade.
Será conduzida por Arminda Peixoto, Cláudia Oliveira, Isabel Mota, Mª Armanda Oliveira e Mª de Fátima Pereira.



10 de Dezembro - sábado, 10h: Vou-te Comer!
Associação Nacional para o Estudo e Intervenção na Sobredotação (ANEIS), Escola Básica 2,3 de Lamaçães, freguesia de Lamas, concelho de Braga.


A atividade busca promover o gosto e o interesse pela Literacia em crianças sobredotadas dos 6 aos 9 anos de idade. A partir do álbum narrativo O incrível rapaz que comia livros, foram desenhadas várias atividades lúdicas para estimular o interesse pela leitura.
A oficina é conduzida por Carolina Silva, Catarina Sampaio, Lisete Cunha e Vanessa Cruz.

05 dezembro, 2011

Realizam-se a 07 de dezembro de 2011, pelas 14:30 horas, no Auditório do Instituto de Educação, Campus de Gualtar (Universidade do Minho, Braga), as Provas de Doutoramento em Estudos da Criança, Especialidade de Matemática Elementar, requeridas por Maria de Fátima Morais Sardinha.

  Histórias com Problemas e a sua ligação à promoção da Numeracia e da Literacia no 1.º Ciclo do Ensino Básico 

Entrada livre.

21 novembro, 2011

Kindle Book já disponível

Já se encontra disponível, nas várias livrarias do grupo AMAZON, a obra Infância, Memória  e Imaginário. Ensaios sobre Literatura Infantil e Juvenil, para leitura nos dispositivos portáteis do tipo Kindle.

A mesma, que inclui um conjunto de ensaios de investigadores portugueses e espanhóis, pode ser descarregada imediatamente pelo preço simbólico de 1,14 euros (com portes e IVA já incluídos).

25 outubro, 2011

XI Encontro de Literatura Infantil

Decorre, no próximo dia 5 de Novembro, na Biblioteca Municipal de Chaves, o XI Encontro de Literatura Infantil que contará com um leque de especialistas e de contadores de histórias. Esta edição é subordinada ao tema Oralidade, Leitura, Cultura... pela voz dos avós


A entrada é livre, mas sujeita a inscrição prévia.


09:00h Abertura do secretariado

09:30h Sessão de abertura com a presença de: Comissário do PNL, Coordenador Geral da Rede de Universidades Leitoras, Presidente do OBLIJ - Observatório da Literatura Infanto-Juvenil, Presidente
da ECSH, Reitor da UTAD e Presidente da Câmara Municipal de Chaves.

10:00h Palestra: “Lectura naturista y ecocrítica de los cuentos y leyendas: dragones y mitos de agua como ejemplos”- Eloy Martos (Coordenador Geral da Rede de Universidades Leitoras; Universidade da Extremadura, Espanha).

10:25h Debate / intervalo

11:00h Palestra: “O Clube dos Afectos: Literatura Infantil e Diálogo Intergeracional” – Fernando Azevedo –
Universidade do Minho / OBLIJ.

11:25h Palestra: “Competências de leitura de crianças em risco social: experiência portuguesa e brasileira”–
Márcia Selvatice Tourinho (Universidade Federal do Espírito Santo, Brasil).

11:50h Debate / interrupção dos trabalhos

14:30h Intervenção das “Narradores da Memória” Maria Lisete Ferreira (Sendim, Tabuaço), Maria de Lurdes Ala (Vilas Boas, Vila Flor), Maria Alice da Silva (Dadim, Chaves), apresentadas por Alexandre Parafita (UTAD / OBLIJ)

15:30h Intervalo

15:45h Relato de experiências em Bibliotecas Escolares e Públicas: Filomena Freitas (A.V. Nadir Afonso,
Chaves), José Francisco Carreiro (A.V. Vidago), Maria do Céu Ramos (B. M. Chaves); Fio Vermeulen-Spada (B. M. Differdange, Luxemburgo), coordenado por Américo Nunes Peres (UTAD Pólo de Chaves).

16:45h Palestra: “Bendito e Louvado meu Conto acabado! A Literatura Tradicional como património cultural” – Carla Guerreiro (Escola Superior de Educação do IPB/ Bragança).

17:10h Debate / Encerramento dos trabalhos / entrega de certificado



Contacto e inscrições:
UTAD - Pólo de Chaves
Drª Teresa Portelinha * telm. 918421866 * e-mail: portelinha@utad.pt

23 junho, 2009

Mesa Redonda sobre Ilustração


As ilustrações aderem meramente à sequência narrativa ou saltam para além proporcionando comentários e sugestões adicionais à palavra escrita?
O texto gráfico potencia o desenrolar da história?
Percorrem as palavras e as imagens narrativas independentes ou seguem um único patamar de possibilidades?
Estas e outras questões serão possivelmente partilhadas na mesa redonda...


NOVOS CAMINHOS DA ILUSTRAÇÃO


Mesa redonda sobre ilustração no Norte de Portugal e Galiza Biblioteca Municipal de Vila Nova de Gaia, 3 de Julho, 18h30.

Com os ilustradores Gémeo Luis, Cristina Valadas, Luís Silva, Marc Taeger e José Manuel Saraiva


Moderador: Emílio Remelhe

29 março, 2009

Ciclo da Fadas XII - Açafrão, A Fada Amarela

" Só pode ser mel de fadas" diz Cristina para a amiga, enquanto procuravam as fadas perdidas no jardim da dona Felizarda.Mas as fadas não produzem mel, são as abelhas e estas, segundo a mitologia representam a eloquência, a poesia e a inteligência como o interface terreno da face de uma moeda que, do outro lado, tem um alcance mais espiritual que é a ressureição e o seu papel iniciático e liturgico,no mundo ideal de Platão. (Chevalier & Gheerbrant, 1982)
A Fada Amarela fugiu! Sim ela fugiu para longe e foi então refugiar-se junto às abelhas pois sabia como elas são prudentes e ao mesmo tempo laboriosas no seu atelier, a colmeia, sublimando o pólen das flores em mel imortal.
As duas amigas da nossa história procuram então a Fada Amarela, que fugindo do Génio do Gelo se refugiou na Ilha das Quatro Estações. Sem a Fada Amarela e das suas outras companheiras "O país das fadas continuava gelado e cinzento até as sete Fadas serem encontradas e voltarem para lá."
Será que Cristina e Raquel conseguem encontrá-la? Bom, para isso terão que ler, até ao fim, o livro de Daisy Medows, da Editora Verbo, e provar o mel bafejado com pó mágico... Contudo, será bom precaverem-se dos duendes do Génio do Gelo pois as suas maldições são fortes e frias...

Bibliografia
CHEVALIER&GHREERBRANT (1982) Dicionário dos Símbolos. Lisboa, Editorial Teorema

27 fevereiro, 2009

Derivas de Fevereiro

Um tema refrescante em tempo de perturbações...na escola...
Para ir, ouvir e para participar com imaginação!

14 janeiro, 2009

O Meu Pequeno Coração


Uma história visual é uma sequência de imagens que exige, da parte do leitor, relações entre os objectos e depois o desenho das inferências necessárias à sua compreensão.
Desde muito pequenas que as crianças conseguem fazer este feito notável o que permite aos ilustradores um largo espaço de manobra, para poderem exercer a sua criação, em todo o seu potencial.
Parte do acto de ler é saber que os primeiros estádios de uma história requerem dos leitores uma tolerância à incerteza do que vai acontecer. À medida que a história se desenrola somos confrontados então, com técnicas narrativas que estabelecem ligações entre os factos, que à partida seriam impossíveis de ligação e então, pela força dessas mesmas técnicas, somos levados a reconsiderar a informação e a reformular as nossas perspectivas.
Goodmann (1954:102) dizia a este propósito que " Stories have an overall structure: in the beginning anything is possible; in the middle things become more probable; in the ending everything is necessary" .
De facto, é no final que se joga toda a história, que se decide se se quer tornar a lê-la ou se se vai colocá-la, na estante, para sempre. No caso das histórias por imagens esta decisão é condicionada pela posição e tamanho das personagens, pela centralidade ou marginalidade onde se colocaram, pela perspectiva gráfica (dimensional ou tridimensional) e pela ausência ou presença de horizontes credíveis. Uma súbita ausencia de horizonte pode significar perigo, o que não é o caso desta história onde o horizonte está bem delineado na capa, perto do sol que também tem a forma de coração!
Estes e outros factores, como sejam a moldura que circunda a imagem, que permite a identificação com o mundo dentro e fora da história são sugestionadores da aceitação ou negação do todo criado (história). Em O Meu Pequeno Coração a moldura providencia um espaço temporal e espacial que são o mesmo: o coração. Tudo gira à volta dele e da sua cor (rosa, vermelho, laranja) e à volta das expressões corporais das personagens que sugerem subtilmente os mundos possíveis reais das molduras afectivas quotidianas.

09 outubro, 2008



Visite a Biblioteca Britânica, em Londres, no dia 27 de Outubro e celebre o poder das Histórias Infantis!
As crianças de todas as idades e as suas famílias são convidadas a conviver com escritores e ilustradores bem como a participar em inúmeros workshops de escrita e ilustração.

A não perder!

03 outubro, 2008

Sininho e Peter Pan - Ciclo das Fadas VI


Fantasy is a natural human activity. It does not destroy or even insult Reason; and it does not either blunt the appetite for, nor obscure the perception of scientific verity. On the contrary. The keener and the clearer is the reason, the better fantasy will it make”.

Assim diz Tolkian, (2008:65) que desenvolve uma larga e profunda tese, no seu livro “On fairy-stories”, onde espelha a extraordinária génese do seu trabalho, como escritor de mundos fantásticos.

Peter Pan, de J.M.Barrie, é outra história de fadas que queremos partilhar convosco. Apesar de todos conhecermos a história do filme da Disney não será despiciendo ler, de novo, este romance, que se tornou rapidamente num dos famosos livros de literatura infantil, de todos os tempos.

A personagem de Peter, que não quer crescer, de Wendy e dos meninos da Terra do Nunca, que caíram dos carrinhos de bebé por causa de amas distraídas e do Capitão Gancho, com o seu braço de ferro, povoam os mundos da infância já há várias gerações.

Este livro também possui uma fada que pelo seu tamanho pareceria irrelevante num cenário de guerras da Terra do Nunca, entre animais selvagens, índios ferozes e piratas violentos.

Mas, esta FADA possui uma capacidade extraordinária de doação e de inclusivamente morrer por Peter Pan quando este, sem conhecimento do líquido envenenado, o ia beber de um fôlego. Sininho, in extremis, salva-o protagonizando um amor sincero e para lá de todos os limites racionais. Este amor “ (…) é uma possibilidade de vida da própria razão; a razão que renuncia ao amor renuncia à própria vida, à sua própria liberdade. O amor entendemo-lo como possibilidade de sempre transcender.” (Pereira, 2000:76)

Sininho está às portas da morte: “ A sua voz era tão sumida que, a princípio, ele já não conseguia ouvir o que ela dizia. Ela estava a dizer-lhe que acreditava poder melhorar, se as crianças passassem a acreditar nas fadas.

E elas certamente acreditam pois as suas palmas fizeram Sininho voar logo “mais alegre e despudorada do que nunca” (Barrie, 2005.163) fazendo-nos acreditar que a intenção de um desejo – um projecto – aliada ao gesto de bater as palmas – uma acção – (Carvalho, 95:56) produz um resultado que se assume como impulsionador da realidade, aqui realidade poética, mas que sem dúvida faz parte do mundo empírico histórico factual, pois nós também ainda acreditamos em fadas e também conseguimos voar!

23 setembro, 2008

Histórias da Floresta....e de Fadas - Ciclo das Fadas V

Pedindo emprestado o tempo e o espaço da nossa infância escolhemos, mais uma vez, um livro que nos conta histórias de fadas. A grande Fada da história diz que: " Também nós as fadas da história precisamos de umas férias...(1988:2)" Eis porque mandou a Flor-de -Liz, a Túlipa, a Ortiga, a Alperce e a Pinha Seca para umas curtas férias na aldeia dos gnomos.
"...it doesn't matter ...the important thing is the effect the stories have now on those who read them" diz Tolkian (1947:11) e esta história, de facto, teve uma resposta positiva não tento pelo texto que se desenrola num ambiente diversificado, desde a idade média até à vida contemporânea, mas sim pelas imagens e pelos temas que propõe.
As imagens podem criar oportunidades de desenvolvimento literário e estético tal qual como as palavras. Neste caso, relembram intertextualmente os desenhos de Albert Uderzo criador de Asterix. O movimento imprimido, as cores, as expressões faciais, por exemplo, contribuem para a sua imediata adesão e permitem uma função mimética, no sentido de que nos fazem voltar ao nosso ponto de partida, a infância.
Os temas para além de proporem respostas literárias, propõem também respostas avaliativas e críticas por parte do leitor. O concerto, Quem semeia ventos colhe tempestades, Um quarto de Lua são exemplos desta proposta avaliativa que se pode realizar, e muitas vezes se realiza de facto, de forma espontânea num monólogo interior.
A credibilidade das histórias de fadas não é contestada! Elas são reais, ou sonhadas, como em Alice no País das Maravilhas. Não importa! O importante, de facto, é que elas são mundos alternativos onde o mundo empírico histórico factual só existe para proporcionar uma verosimelhança configurativa. Assim, aparecem os temas A varinha mágica, O espelho mágico e A vingança do anel, a lembrar-nos mais uma vez Tolkian e o seu "Lord of the Rings".
O que são histórias de fadas? Para que servem? Ainda hoje nos perguntamos mas, elas são "...a legitimate literary genre, not confined to scholarly study but meant for readerly enjoyment by adults and children alike. " (Tolkian,1947:12)

02 agosto, 2008

As Estrelas do mar e o Peixe Prateado juntos de novo!

francisco+fernandes+002.jpg (image)
" A coisa comprida e negra abriu a grande boca e dela saiu um líquido preto que tingiu o mar... E o mar ia ficando cada vez mais escuro."

Nesta história o Peixe Prateado espanta-se com a falta de amor para com a natureza! Para ele a natureza ama-se, sente-se e vive-se... Para ele a natureza é amor como alteridade e reciprocidade. Ela proporciona-nos a vida, o que implica pois amá-la porque, a interdependência e a sobrevivência conjuntas interagem cada vez mais.
Esta história leva-nos a relembrar um outro conto, daquele escritor chileno Luis Sepúlveda. Neste seu conto:" História de uma gaivota e do gato que a ensinou a voar" ele diz-nos também, através da personagem kangah, que:
Acontecem no mar coisas terríveis. Às vezes pergunto a mim mesmo se alguns humanos enlouqueceram ao tentarem fazer do oceano uma enorme lixeira. Acabo de dragar a foz do Elba e nem podem imaginar a quantidade de imundície que as marés arrastam. Pela carapaça da tartaruga! Tirámos barris de insecticida, pneus e toneladas das malditas garrafas de plástico que os humanos deixam nas praias”. (Sepúlveda, 1996:85)
Aqui, tal como no livro de Francisco Fernandes, não se coloca a questão do legalismo, se é permitido ou não deitar lixo para o mar, mas sobretudo se o outro, a natureza, é considerado como entidade relacional imbuída de alteridade que interage cooperativamente com o eu humano.
O Peixe Prateado deixou de ver: " Não vejo nada e a água do mar está a ficar com um gosto muito estranho e mau!" e por pouco que não morria imerso no crude derramado por aquele petroleiro, tal como a gaivota Kengah, no livro de Sepúlveda:
“ (…) estendeu as asas para levantar voo, mas a espessa onda foi mais rápida e cobriu-a inteiramente. Quando veio ao de cima, a luz do dia havia desaparecido e, depois de sacudir a cabeça energicamente, compreendeu que a maldição dos mares lhe obscurecia a visão.”
Os dois ficaram momentâneamente cegos pela escuridão e foi-lhes portanto negada a sua participação na vida, por causa de uma visão reducionista da realidade que sobrepõe o interesse de uma espécie, à visão partilhada dos recursos terrenos porque, entre todos os seres viventes, (homens animais, plantas, minerais e vegetais) não existe uma experiência física e espiritual, que sem deixar de ter em conta a diversidade, valoriza a união do observador e do observado, formando um nós colectivo.
Como Savater (1993:35) nos pretende alertar: "É pelo conhecimento que nos consideramos livres e homem livre é aquele que quer sem a arrogância da arbitrariedade. Crê na realidade, quer dizer, no elo real que une a dualidade real do eu e do tu."
A relação de alteridade e de reciprocidade tem sido destruída pelos humanos e a natureza sofre com isso. Como último recurso Dias de Carvalho (2001:24) refere que é necessária uma :” educação cívica (...) dos direitos e dos deveres que erige como objectos de acções responsáveis prioritariamente outros indivíduos; por outro, e em simultâneo, uma educação dos direitos que acentua as prerrogativas dos outros relativamente ao próprio. (…) Um para o outro, eis a estrutura do sujeito que, lhe confere, através da responsabilidade, a dimensão do humano".
E acrescenta que se impõe cada vez mais a: “A solidariedade e a tolerância (...) como valores universais da chamada “sociedade planetária”. Insinuam-se mesmo como seus fundamentos éticos no âmbito de uma relação com a sociedade e com a natureza que excede o nível de um mero compromisso moral da consciência”(Dias de Carvalho, 2000:101)





17 julho, 2008

Duas Estrelas do Mar e um Peixe Prateado

Autor: Francisco Fernandes

Ilustrador: Janine Fernandes

Editor: Associação de amigos do Centro de Expressões Artísticas


"Olá estrelas do mar!, respondeu o peixe prateado e continuou: “ Estou sozinho e vou nadando por aqui. Procuro amigos. Bem…na verdade eu nem sei bem o que é isso de ter amigos, acho que nunca tive nenhum, mas…”

É com este pequeno segmento que acabámos de citar que Francisco Fernandes abre a narrativa de Duas Estrelas do Mar e um Peixe Prateado.

Tratando-se de um autor madeirense, já com alguma produção no campo da literatura de recepção infantil, Francisco Fernandes revela, no texto que estamos a compartilhar, conhecer profundamente um dos problemas com que a humanidade hoje se confronta: o isolamento, num mundo globalizado.

Nesta história conhecemos um Peixe Prateado, personagem e herói principal de uma história de amizade, que nos faz ingressar na vida simples de um peixe e da sua incapacidade de se assumir como amigo de alguém. Contudo, por circunstâncias várias do destino, encontrou as estrelas do mar que, sem banalidades discursivas, lhe falam da amizade incondicional e da sua dinâmica criativa, relacional e convivial que implica a mobilização de sentidos perante a vida.

Este tema da amizade, tão comum nos livros para crianças mais pequenas, faz-nos antecipar propostas de alteridade e reciprocidade que nos remetem para as desastradas relações humanas tão separadas, divididas e destruídas apesar de, muitas vezes, tão próximas virtualmente, pela força das tecnologias que nos resguardam de confrontos connosco próprios.

Lembramo-nos de Leonardo Coimbra (1915:105) quando diz que o mal, é a ignorância dos outros, é a queda, a morte como separação, contrária à relação amorosa. Nesta perspectiva, a ignorância dos outros é que constitui o inferno. (Pereira, 2000:129)

O Peixe Prateado estava no seu inferno, sem amigos, e por isso desejava desesperadamente ter alguém com quem partilhar o seu caminho. As estrelas, símbolos de guias espirituais que cruzam os céus/mares ensinaram-lhe a forma de tornar a sua aspiração possível. Ao porem-se em com – tacto com o peixe devolveram-lhe a humanidade perdida permitindo-lhe compreender que os actos de conhecimento do outro, do mundo e do universo são também e acima de tudo actos de estima e de atenção carinhosa, que lhe vão possibilitar encontrar-se com ele próprio e com os seus mais recônditos receios.

No final da história, o Peixe Prateado já sabia o que era ser amigo e tinha interiorizado também aquele sentimento extraordinário, que só a língua portuguesa consegue inteiramente transmitir:

“Agora que já somos amigos…acho que já sei o que é sentir saudades…”

01 junho, 2008

Ciclo das fadas (IV) - A Fada Oriana

AS FADAS
As fadas...eu creio nelas!
Umas são moças e belas,
Outras, velhas de pasmar...
Umas vivem nos rochedos,
Outras, à beira do mar...
Algumas em fonte fria
Escondem-se, enquanto é dia,
Saem só ao escurecer...
Outras, debaixo da terra,
Nas grutas verdes da serra,
É que se vão esconder...
(...)
Antero de Quental

A fada Oriana de Sophia de Mello Bryner Andresen era também, como a fada de Antero de Quental, uma fada que vivia "dançando nos campos, nos montes, nos bosques, nos jardins e nas praias."(Andresen, 3) Aliás quase toda a mística das histórias de fadas se desenrola nalguns destes lugares. As fadas nunca vivem aprisionadas, fechadas, escondidas. Elas vivem na natureza, são divindades da natureza associadas especialmente às árvores, aos bosques, às águas das fontes e às flores de jardim.
A fada Oriana, como o próprio texto nos diz, é uma fada boa, bonita, alegre e feliz, a quem um dia a Rainha das Fadas incumbiu a tarefa de cuidar de uma floresta, bem como de todos os homens, animais e plantas que ali viviam. Ela era a fada madrinha de uma pobre velha, de um pobre lenhador e de um pobre moleiro. O mundo exterior (macrocosmo) e mundo humano (microcosmo) estavam a seu cargo e devido a isso foi-lhe permitido usar das suas asas e da sua varinha de condão.
Segundo Chevalier (1999:67), as fadas representam simbolicamente a capacidade que o homem possui para construir, na imaginação, os projetos que ele próprio não pode realizar. De facto, a suprema capacidade de ajudar e cuidar dos outros - sejam eles coisas ou animais - a devoção da ajuda é das tarefas mais difíceis de ser conseguida pelos seres humanos pois "Parece evidente que os homens são levados, por um instinto ou predisposição natural(...)" (Hume.76)
Ao salvar um peixe da morte conseguiu ver o seu reflexo na água e achou-se muito bela e a paixão pela sua beleza empurrou-a para o mundo real, empirico-histórico factual onde o desprezo e o abandono do outro são apanágio da condição humana."Ao voltar-se sobre si própria, sobre a sua imagem física, num explícito movimento egocêntrico, ao qual não falta, inclusivé, a contemplação narcísica nas águas "(Silva, 2) deixou de visitar o poeta e, um por um, foi abandonando todos os homens, animais e plantas que viviam na floresta, à sua sorte.
O castigo, para esta fada, foi sair do paraíso, simbolizado pelos dois objectos que caracterizam as fadas: a varinha de condão e as asas, que lhe foram então negados não os podendo nunca mais usar. Também lhe foi vedado o contacto com todos os seres e animais que aliás, há muito tempo, já tinham partido para longe. Também o poeta, o único ser humano que a podia ver, entrou em estado de tristeza total, ao ser privado do seu contacto e do contacto com a natureza que o nutria de força espiritual.
Ao apartar-se do seu destino primordial e seguindo um caminho manifestamente diferente para o qual tinha sido fadada, "Oriana debate-se numa tentativa sofrida de religação e de reabertura generosa às restantes personagens, procurando repor a ordem inicial e redimir-se do mal provocado (...). (Silva, 3)
O altruismo superou o egoismo assim como o espaço natural predominou sobre o espaço urbano, local onde em última instãncia, vivem nos dias de hoje, todos os males do mundo. Oriana descobriu que "O Mundo só está vivo para a pessoa que desperta para ele. Só o relacionamento com os outros nos desperta do perigo de deixar nossa vida adormecida." (Bettelheim,1976:134)

22 maio, 2008

Ciclo das Fadas(3) - A Fada Atribulada

"Como pode uma fada tão pequena criar confusões tão grandes? A sua varinha está torta, as suas asas estão cheias de fita-cola e os seus truques causam sempre confusão! Mas é a fada mais querida de que há memória!" lê-se na capa do livro "A Fada atribulada - Uma Competição Mágica".
E aqui temos nós mais um livro, em que a personagem principal é uma fada! Mas esta, ainda anda na escola, onde a professora Asafirme dirige as suas alunas com amor, sem as deixar desviar, um segundo que seja, das suas obrigações. Contudo, a Fada Atribulada nem sempre está disposta a fazer as actividades da escola das fadas com diligência: " enquanto vestia o uniforme cor-de-rosa e calçava os seus sapatinhos de fada" pensava como "agora as aulas difíceis iam recomeçar!"
As histórias de fadas lembram-me sempre Nietzsche (1872) e a sua relação entre ciência e mito. Ele diz-nos que o aniquilamento do mito determina a expulsão dos poetas da República. Por poetas ele queria dizer os sonhadores, os criadores de utopias, e todos aqueles que carregam a chama do reencantamento. Reencantamento não como uma volta a um passado, mas como uma restauração ideal que reaproprie o presente, naquilo que o presente ofereçe como possibilidade de encanto. As fadas e as suas histórias são isto mesmo! Uma restauração da inocência perdida que todos buscamos e nem sempre sabemos encontrar!
O que queremos dizer com isto? Que muitas vezes o sentido que enunciamos ficou vazio, razão pela qual é necessário reencontrar a verdade da palavra: a união da palavra com a coisa enunciada. Daí a plenitude da poesia e do poder da palavra que as fadas, com a sua varinha de condão, tão bem sabem usar para fazer acontecer os nossos mais ínfimos desejos! Mas para isso, é necessário virar o mundo de cabeça para baixo. ..para podermos encontrar, outra vez, a sensação mágica das coisas.
Quanto à Fada Atribulada, da nossa história, ela ganhou as Olímpiadas das Fadas, que moravam na casa da árvore! Ela teve que saltar, pular, andar a cavalo, trepar pela corda, sempre com a Fada Arrepiada no seu encalço, a pregar partidas de toda a ordem! Os obstáculos vivenciados fizeram contudo da Fada Atribulada uma verdadeira FADA , que usava a sua arte como um exercício sensitivo e intuitivo, para uma nova forma de perceber, estar e pertencer ao mundo, tudo isto ligado a uma busca de soluções para os problemas que nos atropelam e ameaçam a nossa própria sobrevivência.
Termino este pequeno texto, sobre esta fada, que nos remete, como todas as fadas, para os mundos imaginários, apoiados nas raízes do passado e na criatividade do presente e que resgatam poéticas que dão um sentido à vida pela alegria, pelo lúdico e pela imaginação.

20 maio, 2008

Como se fazem as histórias?

Decorrem, na 6ª feira, dia 23 de Maio, pelas 15h00, na Sala de Actos do Conselho Académico (campus de Gualtar, Braga), as provas de Mestrado em Estudos da Criança - Análise Textual e Literatura Infantil, requeridas pela Lic. Rita Simões, subordinadas ao tema Como se fazem as Histórias? Os Exercícios de Metaficcionalidade em Obras Narrativas de Literatura Infantil Portuguesa Publicadas entre 2000 e 2006.