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31 janeiro, 2007

Música Portuguesa para a Infância

Música Portuguesa para a Infância
7 de Fevereiro (4ª feira) às 19h
Auditório 1
Escola de Música Nossa Senhora do Cabo
Coordenação: Sandra Barroso

Obras em estreia de jovens compositores para ainda mais jovens intérpretes

30 janeiro, 2007

Workshop "Vivo quando narro" - Projecto Escola Criativa - Serviço Cultural e Educativo - Centro Cultural de Cascais

Projecto Escola Criativa - CMC Serviço Cultural e Educativo - Fundação D. Luis I
O Serviço Cultural e Educativo da Fundação D. Luís I, a funcionar no Centro Cultural de Cascais (C.C.C.) desde Fevereiro de 2003, elabora e propõe um programa integrado de actividades lúdicas, artísticas e culturais que inclui um conjunto diversificado de propostas, dirigidas a crianças e jovens, bem como a adultos que desempenhem funções educativas tanto a nível familiar, como escolar e comunitário. (Percursos Lúdicos, Ateliers, Animações e Espectáculos, Espaço de Reflexão e Formação, Exposições, Para os Pais...).
Neste contexto, nos dias 8 e 9 de Fevereiro de 2007 está previsto um * Workshop* aberto a toda a comunidade denominado* "Vivo quando narro" - António Portillo *.
António Portillo (Lerma, Burgos, 1959) é professor do 1º ciclo e paralelamente tem vindo a desenvolver um conjunto de projectos que evidenciam o papel da narração como acto de escuta e como acto expressivo. O seu trabalho estende-se ao teatro e às artes plásticas. Em 2004 publicou "Artefactes", um livro que mereceu o Prémio Nacional do melhor livro Infanto-Juvenil. Inventa e recicla objectos para contar histórias… Preocupa-se com a importância do Desejo na Aprendizagem.
O número de participantes é limitado sendo necessário efectuar marcação até ao dia 5 de Fevereiro através dos telefones 21 484 89 02 / 21 483 64 20
Para qualquer esclarecimento:
Serviço Cultural e Educativo
Fundação D. Luis I Centro Cultural de Cascais
Telf. +351 21 483 64 20 / +351 21 484 89 02

25 janeiro, 2007

Os brinquedos da Oficina Criativa

23 janeiro, 2007

O fantástico e o maravilhoso em análise


Verónica de Araújo Pontes desenvolve, no Instituto de Estudos da Criança, uma pesquisa na qual procura averiguar as relações do mundo fantástico e maravilhoso encontrado na literatura de potencial recepção infantil e a prática do ensino de língua portuguesa no 3º e 4º ano do 1º ciclo, tanto no Brasil como em Portugal. A investigação dar-se-á no contexto da escola pública no início do ano de 2007, sob a orientação do Professor Doutor Fernando Azevedo, e procurará mostrar as possibilidades de um trabalho efectivo, em sala de aula, a partir dos contos e das narrativas com os alunos, na tentativa de sensibilizar os educadores para a formação do leitor.

19 janeiro, 2007

Um mundo feito de várias cores

Como se faz cor-de-laranja

Torrado, António (2002): Como se faz cor-de-laranja. Porto: Asa.
Ilustração: João Machado. ISBN: 972-41-0253-X


António Torrado
nasceu em Lisboa em 1939 e é poeta, ficcionista, dramaturgo, autor de obras de pedagogia e de investigação pediográfica e é por excelência um contador de histórias, estando muitos dos seus livros e contos traduzidos em várias línguas.
A sua bibliografia regista actualmente mais de 120 títulos, onde sobressai a produção literária para crianças, contemplada em 1988, com o Grande Prémio Calouste Gulbenkian de Literatura para Crianças.
João Machado nasceu em Coimbra em 1942 e é um dos nossos grandes ilustradores. Ao longo dos anos, João Machado tem sido premiado com prémios tais como, primeiro Prémio Nacional Gulbenkian para a melhor Ilustração de Livros para a Infância; primeiro Prémio Grafiporto e, entre outros, o primeiro Prémio Nacional de Design.

A história, Como se faz cor-de laranja, gira em torno de um menino anónimo, que faz um longo e desmotivante percurso para descobrir algo tão simples, e que se revela, ao mesmo tempo, tão “complexo” ao olhar dos adultos. No entanto, apesar dos obstáculos que enfrenta, mostra-se persistente e corajoso, seguindo em frente. Quando, finalmente, é vencido pelo cansaço é presenteado com uma explicação muito especial da cor, que ironicamente lhe é dada por uma pessoa que, apesar de não ver e de ser aquela que, a princípio, seria a mais imprevisível, consegue levar o menino, através de uma viagem pelo seu imaginário, a descobrir a resposta para aquilo que motivou a sua procura.
Assim sendo, a viagem do menino transporta-nos para a concepção de dois mundos distintos, o mundo percepcionado pelas crianças, à luz da simplicidade, da inocência e da transparência; e o mundo dos adultos, corrompido pela desesperança e pelas complexidades características do materialismo em que está envolto.
Uma história que, à partida, se mostra simples, revela, à medida que é feita a sua leitura, uma riqueza inesperada que se traduziu numa viagem que nos leva à compreensão de que esse “olhar ingénuo”, essa beleza pura de encarar o mundo, que nos é transmitida pelo menino, se vai, gradualmente, perdendo à medida que o ser humano cresce e entra num contacto mais objectivo e prático com o mundo (o carácter frenético do dia-a-dia, a rotina).
Na obra, as personagens que lhe dão vida, têm uma importância crucial na descodificação do que ela nos transmite, já que são elas que estabelecem a contraposição entre os dois mundos referidos.
À medida que vamos lendo a obra, deparámo-nos com várias estratégias que aproximam o leitor do livro, evidenciando-se o carácter fortemente apelativo das ilustrações e descrições, que fazem o leitor imaginar o que está a ler: “À volta do submarino havia algas azuis, verdes, roxas e vermelhas”. Através da maneira especial como o cego explica como se faz cor-de-laranja, o autor, consegue colocar o leitor no papel do menino, conduzindo-o também a uma viagem imaginária em busca da cor, devido à carga fortemente emotiva que o autor lhes imprime.
Deste modo, o leitor é seduzido pelas descrições (e pela carga emotiva que as caracterizam), que o levam a considerar especial aquilo que parece tão banal e simplista.
Susana Boaventura e Sílvia Salgueiro

16 janeiro, 2007

Une autre façon d'interroger la littérature, de la maternelle à l'université

Points de vue et débats
Mercredi 24 janvier 2007
Bibliothèque de l'INRP
Lyon 7e


Ce cycle de rencontres des Mercredis de la bibliothèque de l'INRP permet à des acteurs de la communauté éducative d'échanger en toute liberté sur les questions éducatives. Ces manifestations s'adressent à un large public : étudiants, enseignants, chercheurs, décideurs du monde de l'éducation, parents d‘élèves…
La 3e rencontre portera aura pour sujet :
Une autre façon d'interroger la littérature, de la maternelle à l'universitéLa question sera discutée à partir d'une expérience menée à l'INRP par l'équipe « Littérature et enseignement » : la lecture d'un même conte, La petite sirène d'Andersen, en France et dans plusieurs pays étrangers, à divers niveaux de classe. La mise en dialogue des pratiques autour de ce texte, qui a opéré des déplacements chez les enseignants et leurs élèves, a permis de distinguer des conceptions variées de la littérature, mais aussi des nuances entre une « lecture littéraire » et une « lecture du texte littéraire ».
Quelles conclusions tirer de ce travail, au moment où un « domaine de la littérature de jeunesse » est officialisé à l'école élémentaire ?
Invités:
Danielle Dubois - Marcoin
Responsable de l'équipe sur projet Littérature et enseignement à l'INRP, auteure de divers travaux sur la littérature de jeunesse et l'enseignement de la littérature.
Jean Jordy
Inspecteur général de l'éducation nationale, auteur de différents ouvrages sur l'enseignement de la littérature.
Informations pratiques:
24 janvier 2007
de 18 h 30 à 20 h 00

Entrée libre et gratuite

Bibliothèque Denis Diderot5 parvis René-Descartes – Lyon 7e04 72 76 61 12

Responsable : Institut national de recherche pédagogique

Informations: http://www.inrp.fr/lesmercredis

Adresse :
INRP - Service communication
19 allée de Fontenay
69007 Lyon
France

Informação recebida via Fabula

Concurso de Contos 'Gabriel Miró'

Está aberto o prazo para o concurso de contos "Gabriel Miró".

Programa:
1. Podrán concurrir al Concurso CAM de Cuentos 'Gabriel Miró' escritores de cualquier nacionalidad, con excepción de los que hubieran obtenido el primer premio en ediciones anteriores de este certamen. Las obras presentadas deberán estar escritas en lengua castellana.
2. Las obras de tema libre deberán ser inéditas y no haber sido premiadas en ningún otro concurso, certamen literario o actividad literaria; no solamente en la fecha de su admisión al concurso, sino también en el momento de la proclamación del fallo, pudiendo enviar cada concursante cuantos originales desee.
3. Dichos originales, con una extensión máxima de ocho folios, - formato DIN A4- mecanografiados a doble espacio, por una sola cara, en cuerpo de letra de 12 puntos, y un máximo de 30 líneas por folio. Se presentarán por triplicado, numerados y grapados por su margen izquierdo. No se admitirán envíos por correo electrónico, que sí serán solicitados a los autores de los cuentos premiados.
4. Obligatoriamente, los cuentos se presentarán a concurso bajo lema o seudónimo acompañados de plica o sobre cerrado, en cuyo interior deberá figurar la ficha de participación adjunta debidamente cumplimentada. Ésta también se puede obtener en www.obrasocial.cam.es.
5. Las obras pueden presentarse en cualquier oficina CAM o enviarse por correo a:
CAJA DE AHORROS DEL MEDITERRÁNEO Biblioteca Gabriel Miró Av. Ramón y Cajal, 5 03003 - ALICANTE
Indicando en el sobre:
'PARA EL CONCURSO DE CUENTOS GABRIEL MIRÓ'
Aquellos concursantes que deseen acuse de recibo deberán acogerse a la modalidad postal 'Certificado con acuse de recibo'
6. El plazo de admisión quedará abierto en la fecha de publicación de la presente convocatoria y finalizará el 31 de enero de 2007. Con posterioridad a dicho día sólo serán admitidos a concurso aquellos envíos postales cuyo matasellos evidencie que fueron depositados en el buzón dentro del plazo.
7. La Entidad patrocinadora del Concurso designará la composición de los jurados de selección previa y de calificación. Los cuentos que, a juicio de los miembros de estos jurados, reúnan mayor calidad literaria, participarán en una votación final, tras cuya celebración serán proclamados los premios que establece la siguiente base.
8. Primer Premio: dotación 6.000 euros
Segundo Premio: dotación 3.000 euros
El primer premio no podrá ser declarado desierto.
9. El fallo del Jurado, que será inapelable, se hará público durante el mes de junio de 2007.
10. Al objeto de comprobar el carácter inédito de las obras premiadas, la dotación metálica de estos premios se hará efectiva cuando transcurran 30 días desde la publicación del fallo.
11. Los cuentos premiados pasarán a ser propiedad de la Caja de Ahorros del Mediterráneo, que podrá editarlos. Los originales de los restantes serán destruidos, no admitiéndose peticiones de devolución.
Informação enviada por Gonzalo García "Darabuc"

Quando não se olha com olhos de ver...

SOARES, L.D., (2003). Quem Está Aí?.Barcelos: Civilização Editora.

Autora: Luísa Ducla Soares
Ilustrador: Maria João Lopes
ISBN: 972-26-2112-2

Quem Está Aí? é uma narrativa escrita por Luísa Ducla Soares que, tal como sugere o título, se reveste de um grande mistério. Esta autora, nascida em Lisboa, em 1939, é licenciada em Filologia Germânica. Após ter estado ligada ao grupo “Poesia 61”, publicou, em 1970, o seu primeiro livro, uma obra poética intitulada Contrato, tendo vindo a dedicar-se à literatura infanto-juvenil. História da Papoila (1973), a primeira das suas 45 publicações para crianças, foi galardoada com o Grande Prémio de Literatura Infantil Maria Amália Vaz de Carvalho, o qual foi recusado por motivos de ordem política. Para além deste, destacam-se o Prémio Calouste Gulbenkian para o melhor livro de literatura infantil no biénio 1984-1985, 6 Histórias de Encantar, o Grande Prémio Calouste Gulbenkian (1996) por toda a sua obra e, em 2004, foi candidata ao prémio Hans Christian Andersen. Para além disto, Luísa Ducla Soares assumiu funções de tradutora literária, directora da revista Vida (1971-2), adjunta do Gabinete do Ministro da Educação (1976-8), colaboradora em alguns periódicos e no programa Rua Sésamo, tendo escrito 26 guiões televisivos para a série Alhos e Bogalhos, ocupando actualmente a função de assessora principal da Biblioteca Nacional e desenvolvendo acções de incentivo à leitura junto de escolas e bibliotecas. Das suas obras, várias foram adaptadas para teatro e traduzidas para vários idiomas.
Esta é uma obra que reflecte a curiosidade natural das crianças para quem a experiência dos outros não basta, pois há a necessidade de ir, de ver com os seus próprios olhos e que fala da vontade de permanecer acordado para além da hora de “lavar os dentes, chichi, cama!” (Soares, 2003: 2). Espelha muitas situações do quotidiano em que, face a um mesmo acontecimento, são múltiplas as interpretações possíveis, visto que os olhos de cada um se encontram despertos para ver uma parte da realidade, como acontece com os cinco primos, aos quais se juntam os olhos mitigados do leitor que partilham com as personagens uma mesma vontade, a de descobrir “Quem está aí?”.
Ambos, texto icónico e texto verbal, concorrem para a construção de um sentido e é, a partir da junção de cada um dos elementos da componente pictórica, que se pode aceder ao desvendar do mistério da obra e à mensagem de que se nos centramos apenas num aspecto da realidade, isto impedir-nos-á de vislumbrá-la, tal como é realmente, ou seja, como um todo. Assim, quando não se olha com olhos de ver, não chegamos à essência, ficando pelo parecer…

Recensão realizada por Mª La-Salete Teixeira e Virginie Gomes

A volta ao Mundo num Dinossauro...

BACELAR, M. (1990). O Dinossauro. Porto: Edições Afrontamento.
Autor/ Ilustrador: Manuela Bacelar
ISBN: 972-36-0248-2



Das mãos de Manuela Bacelar “nasceu”, em 1990, O Dinossauro, uma obra incluída no Plano Nacional de Leitura, escrita e ilustrada por esta autora e que retrata a história humorada de “um monte com árvores e algumas casas” no qual “moram também pessoas e animais” que é, afinal, um dinossauro adormecido que, ao acordar, os transporta numa viagem inigualável ao mundo.
Autora de mais de 50 obras, como O Meu Avô (1990) e a colecção de álbuns «Tobias», da Porto Editora, publicadas não só em Portugal como também, algumas, no estrangeiro (Dinamarca, França, Japão, Marrocos, Líbano), Manuela Bacelar nasceu em Coimbra, em 1943 e fez os seus estudos secundários na Escola de Artes Decorativas Soares dos Reis, no Porto, frequentando também a Escola Superior de Artes Aplicadas, em Praga, durante sete anos (1963-1970) sob o estatuto de bolseira, tendo terminado o curso de ilustração. Residente no Porto desde 1971, tem-se dedicado à ilustração, à escrita e à pintura, contando já com muitas exposições individuais e colectivas, assim como grandes distinções, das quais são exemplo o Prémio Maçã de Ouro da Bienal de Bratislava (1989), o Prémio Gulbenkian da Ilustração (1990), a nomeação para o Prémio Octogónes (França, 1992), o facto de se encontrar na lista de honra do Prémio Pier Paolo Verggero em Pádua (Itália, 1993), a obtenção do Prémio Octogónes por Mon Grand Pire, um dos melhores livros estrangeiros publicados em França, entre outras.
Este é um álbum narrativo, claramente destinado aos mais pequenos, cuja componente icónica apresenta um papel determinante, dado que esta vive por si só, daí que o facto de a extensão desta componente relativamente à parte textual seja intencional para prender o leitor à história e à viagem do dinossauro, viagem esta que permitiu ver “gente igual, gente diferente”, “casas de todos os tamanhos” e que termina no mesmo lugar em que teve início, sendo que “tudo ficou como antes”, tal como nos sonhos, uma vez que após o despertar, não resta nenhuma recordação nem prova concreta a não ser a memória dessa viagem. Impossível é, ainda, ficar indiferente ao desfecho inesperado, perante o qual é inevitável sorrir ou, na versão actual, emitir um sonoro “daaah”!.

Recensão realizada por Mª La-Salete Teixeira e Virginie Gomes

“Agora sim, temos quase tudo para haver história.”


COTRIM, João Paulo, (2003). História de um Segredo. Porto: Afrontamento. Ilustrações de André Letria.
ISBN 972-36-0636-4
A partir dos 8 anos.

No espaço de um intervalo, um menino e uma menina partilham um segredo. O leitor assiste e até participa, mas afinal qual é exactamente o segredo? Esta é a pergunta que fazemos antes e depois de ler o álbum que nos apresentam João Paulo Cotrim e André Letria.


Cotrim com 41 anos, jornalista, cronista no Expresso, guionista de filmes, autor de bandas desenhadas e de vários livros para a infância, onde se destaca além da obra em questão, A Cor Instável, apresenta-nos uma narrativa curta em palavras mas gigante na essência.
Por sua vez, André Letria com 33 anos, dois Prémios Nacionais de Ilustração (1998 e 1999), um Prémio Gulbenkian – Álbum Ilustrado – e trinta livros publicados expõe em História de um Segredo mais uma (a)mostra do seu talento. Com pinceladas precisas conta-nos a história para além das palavras, habilmente suscitando o imaginário do leitor. O texto verbal vai explicando quais os ingredientes necessários para se fazer uma história e as imagens vão fazendo da palavra a acção; o texto e a imagem fundem-se de um modo em que é impossível dizer se é o texto que ilumina o desenho ou se é a ilustração que desperta a palavra.
História de um Segredo acontece dentro de uma caixa, que, como todas as caixas, guarda coisas secretas e valiosas. Este livro convida-nos a abri-lo e a descobrir o seu segredo; mantém-nos num estado de suspense durante toda a narrativa.
De qualidade reconhecida História de um Segredo consta no Plano Nacional de Leitura pelo seu carácter enquanto obra literária. Encerra em si um potencial formativo, contribuindo para a integração cultural do seu leitor, assim como para o desenvolvimento da sua competência literária.

Margarida Sousa

15 janeiro, 2007

A procura da Liberdade



PINA, Manuel (2005). O Tesouro. Ilustrações de Evelina Oliveira. Porto: Campo das Letras.
ISBN: 972-610-929-9
Idade Recomendada: A partir dos 8 anos

Manuel António Pina, escritor do livro O Tesouro, nasceu em Sabugal, Beira Alta, em 18 de Novembro de 1943, mas vive no Porto desde criança e é hoje portuense pela honra e pelo coração. Licenciou-se em Direito pela Universidade de Coimbra. Foi jornalista, durante 3 décadas, na redacção do "Jornal de Notícias".
O autor é umas das vozes mais singulares do universo da escrita para crianças em Portugal. Diga-se, em abandono da verdade, que a singularidade da escrita de Manuel António Pina não se restringe ao campo da literatura infantil, alargando-se à produção literária destinada aos adultos, designadamente à poesia, à crónica e à novela.
A obra de Manuel António Pina consegue uma forte coesão, mantendo em ambos os registos — o da poesia e o da literatura infantil — aquilo que já foi classificado como "um discurso de invulgar criatividade e de constante desafio à inteligência do leitor", qualquer que seja a sua idade.
Evelina Oliveira, a ilustradora deste livro, é uma jovem artista portuguesa com um já extenso curriculum de exposições individuais e colectivas. Nasceu em Abrantes em 1961. Frequentou o curso de Desenho na ESAP, o curso de História da Arte no Museu Soares dos Reis e o curso de Litografia da Árvore. A artista, como ilustradora, tem trabalhado com Manuel António Pina, Alice Vieira, João Pedro Messéder e outros escritores, principalmente em livros infantis.
O Tesouro é uma história que nos fala da liberdade, esta que apenas possuímos desde o dia 25 de Abril de 1974, o Dia da Liberdade.
Na verdade, marco crucial da História colectiva e de muitas histórias individuais dos Portugueses, essa data, bem como todo o contexto que lhe é inerente, tem assumido particular relevância no âmbito da produção editorial de recepção infanto-juvenil.
A história relata-nos como era o nosso país antes desse dia, o Pais das Pessoas Tristes. Quem vivia neste país não podia fazer o que queria, nem podia dizer o que pensava ou o que sentia. As pessoas viviam com o medo constante dos polícias que os vigiavam e impediam que falassem entre si, polícias estes que abriam a sua própria correspondência para descobrir a maneira como pensavam ou o que diziam. As crianças deste país não podiam ouvir música, nem ver filmes, nem ler os livros que gostavam. Nem mesmo beber Coca-Cola, porque também era proibido.
No Dia da Liberdade, tudo isto acabou. As pessoas decidiram reconquistar este tesouro tão precioso que hoje temos e não podemos perder de modo algum, a liberdade.
O texto icónico deste livro ajuda a criança/adulto a expandir o sentido do texto verbal. As ilustrações assumem um papel muito importante nesta história pois a diferença de sentimentos nos olhares dos visitantes, em comparação com os olhares das pessoas de Portugal, apenas é totalmente visível através das imagens.
O Tesouro é um livro diferente que oferece um testemunho original acerca desse acontecimento fundamental do século XX.
E porque importa sempre reescrever a História, O Tesouro, de Manuel António Pina, representa, assim, trinta anos depois do 25 de Abril, uma homenagem muito especial a todos aqueles (filhos) que, nesse dia, viram os pais, de novo, com um sorriso de felicidade.
Paula Gonçalves

A vila tem pernas!


BACELAR, Manuela (2000). O Dinossauro. Porto: Edições Afrontamento.
ISBN: 972-36-0248-2
Idade Recomendada: Entre os 3 e os 5 anos

Manuela Bacelar, escritora e ilustradora do álbum O Dinossauro nasceu em Coimbra a 1943. Frequentou a Escola de Artes Decorativas Soares dos Reis no Porto e na Checoslováquia frequentou, durante seis anos, a Escola Superior de Artes Aplicadas, tendo terminado o Curso de Ilustração. Actualmente, dedica-se à ilustração, à escrita e à pintura, contando já com muitas exposições individuais e colectivas.

O Dinossauro é um livro claramente vocacionado para os mais pequenos, destinatário extratextual cuja competência leitora é compreensivelmente mais reduzida. É uma história simples, contada com uma articulação harmoniosa entre o texto e as imagens e também com uma forte carga de humor.
Uma vila onde as pessoas vivem e fazem a sua vida, não é mais do que dorso de um dinossauro; este, que após um longo sono, desperta e resolve dar um passeio, o que permitiu que as pessoas que lá viviam conhecessem o mundo e a diversidade de culturas que ele concede.
O facto de o texto possuir uma boa dose de humor, de ser contado na primeira pessoa e de a componente pictórica ser muito forte, são estratégias para facilitar a aproximação do leitor infantil à mensagem que o livro não mostra à partida.
É importante focar que o texto icónico é quase sempre maior que a mancha vocabular o que permite ao leitor não só antecipar, mas também expandir, de modo evidente, o sentido do texto verbal. A riqueza das figuras prende assim o leitor que acaba por querer seguir com muito entusiasmo as linhas do texto. As ilustrações assumem nesta obra um papel muito importante, uma vez que a diversidade de pessoas e das habitações dos diferentes povos, por exemplo, apenas é totalmente visível através das imagens.
O álbum O Dinossauro representa, sem dúvida, um álbum de qualidade, na medida em que possui uma perfeita articulação entre o texto verbal e o texto icónico e é uma história de extrema originalidade que permite ao leitor ir longe com a sua imaginação.

08 janeiro, 2007

Call for Papers

LIBEC Line
Revista em Literacia & Bem-Estar da Criança

Prazo limite de submissão dos artigos – 28 de Fevereiro de 2007
Os artigos podem ser submetidos em português ou em inglês
Está aberta a 2º chamada para artigos para a LIBEC Line - Revista em Literacia & Bem-Estar da Criança. Esta revista on-line, de natureza científica, destina-se a dar a conhecer a investigação do campo interdisciplinar dos estudos da infância. A revista publicará dois números por ano.
Esta revista tem como destinatários especialmente investigadores(as), professores(as), educadores(as), psicólogos(as), sociólogos(as), profissionais da saúde e estudantes de pós-graduação, que intervêm junto da infância.
Para todos os artigos submetidos em português ou em inglês, é obrigatório o envio, na 2ª página, do título, resumo e palavras-chave numa segunda língua. 1ª página – título, resumo e palavras-chave - endereço 2ª página – Title, abstract and key-words
Normas para a apresentação dos originais
1) Os originais propostos para publicação na revista devem ter uma extensão entre 3500 e 6500 palavras, que se apresentarão numeradas, em formato A-4, escritas a espaço 1/2, em Times New Roman, tamanho 12. Os originais devem ser acompanhados de um resumo com um máximo de 250 palavras, em português e em inglês, com indicação de palavras-chave. Os trabalhos propostos devem ser originais; não devem ter sido publicados em nenhuma outra revista ou livro, na mesma língua, nem estar em processo de revisão para outra revista.
A bibliografia deve surgir no final, sob a designação de referências bibliográficas; os livros ou artigos incluídos nela serão ordenados alfabeticamente por apelido do autor ou dos autores, seguindo as normas da APA (http://www.apastyle.org/):
Livros:
Potter, J. (1996). Representing reality. Discourse, rhetoric and social construction. London: Sage.
Capítulos de livros: Valriu, C. (2000). Els personatges fantàstics: les bruxes, els mags, les fades. In Gemma Lluch (ed.), De la narrativa oral a la literatura per a infants. Invenció d’una tradició literária (pp.95-131). Alzira: Bromera.
2) Os trabalhos apresentar-se-ão da seguinte forma: a. Título (corpo 14, centrado, negrito) b. Autor(es) (corpo 14, sem negrito) c. Resumo em inglês d. Keywords e. Resumo em português f. Palavras-chave g. Trabalho h. Referências bibliográficas i. Direcção completa de um dos autores 3) Os trabalhos que façam parte ou sejam fruto de projectos de investigação deverão fazer referência à metodologia empregada.
4) Os autores remeterão os seus trabalhos ao ou aos coordenadores da edição, por correio electrónico para o endereço electrónico do LIBEC libec@iec.uminho.pt
5) Os trabalhos serão examinados, numa primeira instância, pelo ou pelos coordenadores da edição, que verificarão os seus aspectos formais; posteriormente serão avaliados, com carácter anónimo, por dois especialistas.
6) A revista terá uma periodicidade semestral, com publicações em Fevereiro e Julho de cada ano.
7) A Direcção definirá em que número se editarão os trabalhos aceites.
8) Cada 5º número da revista será integralmente editado em língua inglesa.
9) Os diversos números da revista terão um dossier temático, sendo igualmente aceites para publicação recensões críticas.
10) A publicação de trabalhos nesta revista não dá direito a alguma remuneração. Os direitos editoriais são propriedade da revista e é necessária a sua autorização escrita para qualquer reprodução.
11) A revista poderá ser consultada em ambiente aberto, via webpage. O autor compromete-se a corrigir as primeiras provas de imprensa num prazo não superior a 15 dias a partir da sua recepção, não podendo incluir nas mesmas nem texto, nem materiais novos ou modificações importantes.
12) A responsabilidade do conteúdo dos artigos é dos seus autores, que deverão obter autorizações correspondentes para a reprodução de qualquer ilustração, quadro, tabela ou figura, retirados de outros autores e/ou fontes.

LIBEC Line Journal on Literacy & Children’s Welfare
Deadline for submissions – February, 28, 2007
Papers can be submitted either in English or in Portuguese.
The author(s) must include an abstract in English. Title and abstract of accepted papers will be locally translated to Portuguese or can be included in the original paper by the author. Journal’s basic description This journal is an electronic publication of a scientific nature in the area of research of childhood studies. It will be published twice every year.
The electronic Journal LIBEC Line – Journal will have as potential readers, those working closely with childhood issues, such as teachers, educators, psychologists, sociologists, health professionals and research students.
Rules for the presentation of papers:
1) The papers proposed must have a size between 3500 and 6500 words, with all the pages numbered, in A4 size, with 1.5 spaces between lines, Times New Roman font, size 12. An abstract of no more than 250 words should be included, as well as the keywords. The papers proposed have to be original and never published on another journal or book in English, nor being analysed by another journal. References should be at the end, ordered alphabetically according to the norms of APA (American Psychological Association):
Books:
Potter, J. (1996). Representing reality – Discourse, rhetoric and social construction. London: SAGE.
Book chapters:
Valriu, Caterina (2000). Els personatges fantàstics: les bruxes, els mags, les fades. In Gemma Lluch (ed.), De la narrativa oral a la literatura per a infants. Invenció d’una tradició literária (pp.95-131). Alzira: Bromera.
2) Specific format: a. Title (Body 14, centred, bold) b. Author(s) (Body 14) c. Abstract in English d. Keywords e. Text f. Bibliographic references g. Complete address of one of the authors
3) The papers that are the result of a research should have the methodology clarified.
4) Authors should send their works to the editorial board, through e-mail, to the address libec@iec.uminho.pt 5) Papers submitted will be examined at first, by the editorial board, to check formal aspects; later two referees will evaluate them, anonymously.
6) The journal will have two numbers per year, in February and July.
7) The Editorial board will decide in which number the accepted papers will be published.
8) Every fifth number will be completely English-based.
9) All numbers will have a thematic dossier; Book reviews will also be considered.
10) Published papers will give no right to any payment; the publishing rights will be property of the journal and reproduction will need written agreement.
11) The journal can be consulted on its webpage; authors will have 15 days to correct their paper before being published on-line and cannot introduce nor new text nor new materials that are not required.
12) Responsibility for the paper’s content rests with the authors, who will have to obtain authorization for the inclusion of any illustration, table or figure, taken from other authors or sources.
Editor libec@iec.uminho.pt LIBEC, Universidade do Minho, Av. Central nº 100, 4710-229 Braga, Portugal

Eragon



PAOLINI, Cristopher (2004). Eragon. Vila Nova de Gaia: Edições Gailivro.

Ao escrever e publicar o primeiro livro da Trilogia da Herança, Eragon, Cristopher Paolini estava longe de imaginar, que este se iria tornar num best-seller ao nível mundial. Eragon seduziu e continua a fascinar pequenos e graúdos através da sua viagem em busca da identidade como Cavaleiro do Dragão, da sua coragem e pela doce amizade que mantém com o dragão Saphira.
Quando Eragon encontra uma pedra azul polida na floresta, acredita que poderá ser uma descoberta bendita para um simples rapaz do campo: talvez sirva para comprar carne para manter a família durante o Inverno. Mas quando descobre que a pedra transporta uma cria de dragão, Eragon depressa se apercebe de que está perante um legado tão antigo como o próprio Império. De um dia para o outro, a sua vida muda radicalmente, e ele é atirado para um perigoso mundo novo de destino, de magia e de poder. Empunhando apenas uma espada legendária e levando os conselhos dum velho contador de histórias como guia, Eragon e o jovem dragão Saphira terão de se aventurar por terras perigosas e enfrentar inimigos obscuros, dum Império governado por um rei cuja maldade não conhece fronteiras. Conseguirá Eragon alcançar a glória dos lendários heróis da Ordem dos Cavaleiros do Dragão? O destino do Império pode estar nas suas mãos...
Esta brilhante narrativa de aventura e romance, assumidamente influenciada pela saga O Senhor dos Anéis de J.R.R Tolkien, envolve o leitor no mundo mágico dos dragões, elfos, anões, reis, batalhas, espectros e, naturalmente, os humanos. A obra encanta pela sua estrutura e história pois, esta, contém a essência e a vivacidade necessárias para levar o leitor a embrenhar-se na leitura das venturas e desventuras da jovem personagem querendo virar sempre “só mais uma página”. O livro em si está adequado tanto para leitores mais jovens, como para os mais crescidos, pois a história atrai pela simplicidade com que flúi e se desenrola, mostrando ao receptor não só a viagem do personagem, mas também conteúdos sobre a Algalesia, ou seja, a terra de Eragon, sua história desde a fundação, suas cidades e leis, o nascimento dos Cavaleiros do Dragão e as guerras entre as várias raças.
É, sem dúvida alguma, um épico da literatura fantástica que mistura elementos mágicos com o real numa teia intrincada. A estrutura narrativa, o rigor da descrição, a dimensão humana dos seres imaginários, que potencia a identificação do leitor com os heróis e, desejavelmente, a qualidade poética aliada a uma capacidade imaginativa imensa, tudo isto contribui para tornar o fantástico verosímil. Nas crianças esta obra poderá despertar o gosto pela leitura através do fantástico e da magia, aliada a um enredo apelativo que sem dúvida fará as delícias dos mais novos, sendo que possuí uma vertente que exalta os valores da amizade, do amor, da bondade, da honestidade e acima de tudo da justiça.


Ângela Gonçalves
Cátia Prazeres

O elefante cor-de-rosa



DACOSTA, Luísa (2005). O Elefante cor-de-rosa. Colecção “Obras completas de Luísa Dacosta”. Ilustrações de Armando Alves. Porto: Edições ASA
ISBN: 972-41-4184-5



Esta é a obra reeditada de um pequeno conto de Luísa Dacosta – porventura um dos mais emblemáticos da sua obra no domínio da literatura infantil –, que conserva as ilustrações originais da primeira edição (de 1974), da autoria de Armando Alves.
Luísa Dacosta nasceu em 1927, em Vila Real de Trás-os-Montes. Formou-se na Faculdade de Letras de Lisboa, em Histórico-Filosóficas. Foi professora do ciclo preparatório e alguma coisa deve também aos alunos: o ter ficado do lado do sonho. É isto que a motiva a escrever para crianças.
Armando Alves nasceu em Estremoz, em 1935, formou-se na ESBAP com vinte valores e aqui foi professor entre 1962 e 1973.
O Elefante cor-de-rosa faz parte do Plano Nacional de Leitura, para alunos do 4º Ano. No entanto, este livro é recomendado para crianças a partir dos 6 anos. Neste livro conhecemos um maravilhoso e gracioso elefante, da cor dos sonhos das crianças, que habita junto com outros elefantes, num mundo perfeito «fora da nossa galáxia, mundo pequenino, forjado no bafo de outras estrelas e aquecido por outro sol» (Dacosta, 1996: s/p). Este mundo vai-se desmoronando, ficando um pequeno elefante cor-de-rosa «só no sozinho» (idem, ibidem: s/p). Com a ajuda de um pequeno cometa, vai aterrar na imaginação de uma criança, onde nunca mais sentirá solidão.
Assim, neste livro, num primeiro momento, verifica-se a existência do elefante cor-de-rosa e do “mundo amável” em que ele vivia, juntamente com outros elefantes cor-de-rosa. Era um mundo de paz e de alegria, onde não havia sofrimento. Confrontado, num segundo momento, com a morte inesperada deste seu mundo, o elefante vê-se obrigado a partir e acaba por ir viver para a imaginação de uma criança.
Uma história de sonho e fantasia, que aborda, porém, ainda que de forma subtil, valores tão importantes como a amizade, a solidariedade e a entreajuda. Aparentemente simples, na forma e no conteúdo, este pequeno conto revela-se, afinal, fortemente cativante, seduzindo tanto pela riqueza das emoções que desperta como dos simbolismos que encerra.

Ângela Gonçalves e Cátia Prazeres

07 janeiro, 2007

Nas asas da Poesia...

INFANTE, Luís (2004). Poemas Pequeninos para Meninas e Meninos, V. N. de Gaia: Gailivro (Ilustrações de Carla Pott)
ISBN: 989-557-050-3








O título e a capa da obra Poemas pequeninos para meninas e meninos deslindam, à partida, algo do que será a mesma: um conjunto delicioso de textos poéticos breves, largamente ilustrados e dedicados às crianças.

Esta obra de Luís Infante, autor sobre o qual não nos foi possível obter quaisquer informações, apresenta ilustrações deveras expressivas, o que valoriza grandemente o texto linguístico. Carla Pott, ilustradora deste livro, nasceu em África. Aos quatro anos veio para Cascais e cedo começou a dar sinais do que queria ser quando fosse grande. Licenciada pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, a partir de 2000 começou a ilustrar livros para crianças, dos quais onze já se encontram publicados.

«Os poemas que lemos ou que podemos dar a ler desta colectânea editada pela Gailivro evidenciam diversas propriedades ideotemáticas e técnico-compositivas comuns à poesia de destinatário explícito infantil.» (Sara Silva)
Luís Infante atribui, assim, um cuidado especial no que concerne à linguagem usada nos poemas, empregando-a de uma forma eloquente, de modo a criar quadros poéticos carregados das mais diversas sensações, como se pode observar, por exemplo, no poema «Tudo menos Tristeza»: «…porque no seu pêlo macio/que lembra café e baunilha…» (Infante, 2004: 18). No decorrer dos poemas o leitor é envolvido por um mundo maravilhoso criado pela oposição entre o sonho e o real, e pela constante valorização de elementos fantásticos como fadas, duendes, bruxas… «Uma fada bailarina/saiu de uma lamparina/ com um cortejo de duendes…» (Idem, ibidem: 28).

Nesta obra prepondera, não raras vezes, a memória activada pela adoração de um retrato, como forma de se evadir no tempo e no espaço, como no caso do poema «Um retrato antigo» (Idem, ibidem: 8). Ao longo do livro, e para deleite de qualquer criança, vamos descobrindo cenários naturais e uma constante presença de animais, como é o caso das galinholas (idem, ibidem: 12), dos gatos (idem, ibidem: 16), do grilo (idem, ibidem: 40), ou dos rouxinóis (idem, ibidem: 54), entre outros.

Uma outra característica de grande relevância prende-se com a existência de marcas de narratividade, como podemos constatar pela presença de uma fórmula hipercodificada que, regra geral, é utilizada como frase de abertura dos contos tradicionais «Era uma vez um grilo» (idem, ibidem: 40).

Esta obra é, pois, claramente alcançável pelas crianças em tenra idade, tanto ao nível cognitivo como linguístico, favorecendo o desenvolvimento de competências literárias e linguísticas, ao mesmo tempo que desperta o gosto pelo texto poético.

Poemas pequeninos para meninas e meninos, repleto de boa disposição, é, então, uma porta aberta para o mundo mágico da poesia.

Andreia Lomba, Benvinda Pinheiro e Susana Barbosa

PINA, Manuel António (2002) Histórias que me contaste tu. Lisboa: Assírio & Alvim. (Ilustrações de João Botelho).

ISBN 972-37-0554-0


Descobre o escaravelho que há em ti

Poeta, jornalista, professor, tradutor e autor de muitos livros de propensão infantil, são alguns dos atributos de Manuel António Pina. Licenciado em Direito na Universidade de Coimbra, galardoado nos últimos anos com os mais importantes prémios literários de Portugal, brinda-nos com os seus registos de “discurso de invulgar criatividade e de constante desafio à inteligência do leitor”, já várias vezes assim classificado.

Entre as suas obras mais conhecidas, de propensão infantil, destaca-se o Inventão, O livro de desmatemática, Perguntem aos vossos gatos e aos vossos cães, Os dois Ladrões e Histórias que me contaste tu. Estes dois últimos ilustrados por João Botelho, que imprime ao texto visual uma relação de solidariedade semiótica e realça a expressividade do mesmo, desenvolvendo a dimensão estética do texto.

Manuel António Pina leva-nos, através da figura do escaravelho nas Histórias que me contaste tu, a um encontro familiar e, até mesmo íntimo, com esta personagem por quem, desde o primeiro contacto - quer na capa e contra-capa, acompanhado por um menino e uma menina respectivamente bem como nas guardas, se impõe uma presença constante e direccional e durante todo o texto - se estabelece empatia. Todo o livro é uma apoteose à figura do contador de histórias e, por isso, prende o leitor mais impenetrável, independentemente da faixa etária em que se encontre.

Poderíamos ter escolhido uma qualquer história deste livro, que todas elas causariam o mesmo – um sorriso esboçando o pensamento “é mesmo assim…incrível!”, contudo, vamos centrar-nos naquela que começa pelo fim, e para situar, Uma História que começa pelo fim. Nesta, o escaravelho reporta-nos para um reinado onde os protagonistas, rei e rainha, questionam a felicidade, recordando nostalgicamente o passado em que um era guardador de patos e o outro esperava pelo beijo que lhe quebrasse o feitiço, concluindo que “eram felizes há tanto tempo que já nem sabiam bem o que era a felicidade”, desejando, por isso, viver uma situação de tristeza para que pudessem, novamente, aperceber-se de como eram felizes. Este desejo vai envolvê-los numa série de peripécias que só poderão ser desvendadas se partires já para a leitura e descobrires o escaravelho que há em ti!

Andreia Lomba, Benvinda Pinheiro e Susana Barbosa

O mal amado

Mota, A. (2002). O Galo da Velha Luciana. Vila Nova de Gaia: Gailivro. (Ilustrações de Elsa Navarro).
ISBN 972-8723-65-2

O Galo da Velha Luciana é uma obra da autoria do escritor António Mota que, desde 1979, tem vindo a publicar regularmente para crianças e jovens. Tem cerca de quatro dezenas de títulos publicados. Recebeu em 1983 um prémio da Associação Portuguesa de Escritores por O Rapaz de Louredo, em 1990 o Prémio Calouste Gulbenkian de Literatura para crianças por Pedro Alecrim e em 1996, o Prémio António Botto por A Casa das Bengalas. Desde 1980, tem sido solicitado a visitar escolas do Ensino Básico e Secundário, assim como bibliotecas públicas, em diferentes pontos do país e do estrangeiro, fomentando, deste modo, o gosto pela leitura entre crianças e jovens. Colaborou com vários jornais e participou em diversas acções organizadas por Bibliotecas e Escolas Superiores de Educação. Os seus livros estão antologiados em volumes de ensino do Português e tem obras traduzidas em Espanha e Alemanha.
O presente livro com apelativas ilustrações de Elsa Navarro, diverte e ensina, indo, assim, ao encontro dos gostos literários dos leitores mais novos. Nesta pequena obra são contadas as peripécias vividas por um galo, um “bicho” que a velha Luciana muito estimava. Apesar deste ser ignorado por todos, tentou salvar a velha Luciana das chamas. Será que o conseguiu?
Esta é uma história marcada por uma coloração maravilhosa, muito ao sabor de uma certa escrita dedicada a um público infantil, faceta para a qual contribuem, também, as divertidas ilustrações de Elsa Navarro. Como não podia deixar de ser, esta obra tem um final positivo, muito do agrado, aliás, dos pequenos leitores.
De referir também que, na nossa opinião, o pequeno livro de António Mota deixa escapar, ainda que subtilmente, uma valiosa mensagem – devemos sempre fazer os possíveis e os impossíveis para ajudar outras pessoas, mesmo que para isso tenhamos que ultrapassar a indiferença dos outros.
Lúcia Simões e Maria José Cunha

O Ressuscitado

Meireles, M. J. (2003). A Lenda do Galo de Barcelos. Porto: Campo das Letras. (Ilustrações de Joana Quental).
ISBN 972-610-719-9
A Lenda do Galo de Barcelos é uma obra da autoria de Maria José Meireles, escritora portuguesa, licenciada em História e professora efectiva na escola EB 2,3 João de Meira em Guimarães, onde exerce intensa actividade pedagógica. Para além disso, Maria José Meireles é co-fundadora da Cooperativa de Ensino Árvore, em Guimarães. Nos últimos anos tem-se dedicado à escrita para crianças e jovens.
Joana Quental, designer, ilustradora e docente, obteve, em 1992, a licenciatura em Design de Comunicação pela Faculdade de Belas-Artes do Porto, tendo em 2001 concluído o Mestrado em Arte Multimédia. Estagiou no Atelier de João Machado e é desde 1997 Assistente de Design de Comunicação na Universidade de Aveiro. A sua actividade profissional tem-se repartido pelo desenho animado, multimédia, produção de material escolar, genéricos de televisão e ilustração de livros, nomeadamente didácticos e literatura infantil. Em 1997 recebeu a Menção Honrosa no Concurso Nacional de Ilustração Infantil promovido pelo IPLB e IBBY.
A Lenda do Galo de Barcelos reporta-nos para o mundo do imaginário e do maravilhoso, reunindo e materializando o mundo amplo dos desejos: um galo, pronto a ser consumido, mostra-se capaz de cantar! Para além disso, é um livro que retrata uma lenda ligada a um local concreto, no qual a História está bem patente.
Profusamente ilustrado, dá-nos a possibilidade de o explorar em qualquer uma das etapas do 1º ciclo, nomeadamente quando se abordam as lendas. A partir destas, as crianças podem ser convidadas a descobrir e a combinar os factos reais e históricos que aconteceram com os factos irreais que são meramente produto da imaginação aventuresca humana. Neste sentido, os elementos do imaginário ou do maravilhoso sobrepõem-se aos factos reais, em que a lenda é a explicação para um fenómeno histórico e transfigurado pela imaginação popular.
Lúcia Simões e Maria José Cunha