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03 janeiro, 2007

Poemas Para a Infância


Gomes, José António (coordenação) (2000).
Conto estrelas em ti. Ilustrações de João Caetano. Porto: Campo das Letras.
ISBN 972-610-337-1

Conto estrelas em ti é uma antologia, coordenada por José António Gomes com ilustrações de João Caetano, na qual 17 poetas escrevem para a infância. Este livro pertence à colecção “Palmo e Meio” da editora Campo de Letras.

José António Gomes, autor de várias antologias para a infância e juventude, é professor do Ensino Superior e é membro da Associação Portuguesa de Críticos Literários, fundou e dirige a revista Malasartes – Cadernos de Literatura para a Infância e a Juventude.

João Caetano nasceu em 1962 em Moçambique, tem o curso de Pintura da Escola Superior de Belas Artes do Porto, iniciou a sua actividade ligado à Banda Desenhada e ilustrou vários títulos na área do livro infanto-juvenil em Portugal e Espanha. Foi distinguido com Menções Especiais do Premio Nacional de Ilustração em 1998 com Os mais belos contos tradicionais de Margarida Müller, inclusive com Conto estrelas em ti em 2000, recebeu ainda uma Menção Especial do Concurso “Scarpett d’oro” em Itália e em 2001 com A maior flor do mundo de José Saramago ganhou o Prémio Nacional de Ilustração.

Os autores, Albano Martins, Álvaro Magalhães, Ana Saldanha, António Mota, António Torrado, Fernando Miguel Bernardes, Francisco Duarte Mangas, João Pedro Mésseder, Luísa Dacosta, Luísa Ducla Soares, Maria Alberta Meneres, Mário Castrim, Papiniano Carlos, Raul Malaquias Marques, Teresa Guedes, Vergílio Alberto Viera e Violeta Figueiredo, escrevem, cada um, um número variável de poemas, cada qual com o seu estilo, tal como se pode ler na contracapa numa breve observação “Conto estrelas em ti, dezassete vozes, dezassete modos de escrever poesia para crianças e jovens”

Esta obra, embora esteja incluída no Plano Nacional de Leitura de 2006 como livro recomendado ao 2º ano de escolaridade para leitura em voz alta orientada em sala de aula, destina-se não só a crianças mas também a jovens, como se constata na pequena mensagem, escrita por José António Gomes, dirigida ao leitor: “uma colectânea de poemas para a infância e a juventude”.

Os vários poemas incidem não só em temas relacionados com o mundo animal e a natureza, muito presentes na imaginação das crianças, mas também em temas onde a fantasia e o sonho estão manifestamente mais evidentes, como no caso dos poemas: Sereia (Mário Castrim); Guarda-roupa de nuvens (António Torrado); Mariana diz que tem…(Luísa Ducla Soares), e ainda temas que apontam para uma certa reflexão acerca da linguagem, entre outros evidenciam-se O limpa – palavras (Álvaro Magalhães); Diálogo (Albano Martins).

Esta colectânea permite às crianças o contacto com um modelo literário não tão habitual nesta faixa etária, a poesia.

As ilustrações de João Caetano não são meras representações do texto verbal, mas antes um complemento a este, que permite ao leitor interagir activa e criticamente, sugerindo novas histórias e leituras, reflectir sobre a própria estética do texto, tendo assim a oportunidade de imaginar e recriar para além do texto verbal.

O texto verbal oferece uma certa resistência ao leitor, o que o faz pensar e interpretar, tendo que ir em busca dos sentidos do texto, deixando de ser apenas contemplador para passar a ser mais activo. Os estímulos sonoros e jogos de palavras presentes nos variados poemas cedem ao receptor a possibilidade de desenvolver um lado criativo que lhe permite sonhar em volta de toda esta liberdade.

Conto estrelas em ti “fala à nossa sensibilidade, apela aos nossos sentidos e faz-nos admirar a beleza e maleabilidade da língua portuguesa, em que os seus versos são escritos.” (José António Gomes).


Um pulo à infância, uma viagem ao meu imaginário infantil

DACOSTA, Luísa (2002) A Menina Coração de Pássaro. Colec. «Obras Completas de Luísa Dacosta». Porto. Edições Asa. Ilustração: Jorge Pinheiro. ISBN: 972-41-3181-5.
Luísa Dacosta conta-nos a história de uma menina “sonhadora e solitária, que falava com as flores e sabia o coração das coisas”. Certo dia encontrou um antigo enfeite da sua árvore de Natal, um pássaro «branco lunar, prateado e vidrento», no entanto este pássaro não tinha rabo, e então que ela decide procurar um rabo para o pássaro. Quando a menina lhe colocou o rabo o pássaro transformou-se magicamente. E com ele que ela começou a voar. Nesses voos “Não havia limites: tudo era amplo, liberto, sem fim”. A menina aventurou-se cada vez mais até que chegou à beira de um grupo de estrelas, e logo reparou que ao lado desse grupo estava uma estrelinha sozinha. Mantiveram uma longa conversa, até que se tornaram amigas. Durante a conversa a estrelinha confessou não ser feliz, no entanto a menina disse “…só sei que invejo a tua sorte…daqui vês a terra…não há nada mais belo…”. A estrelinha rapidamente a contrariou “estou aqui há milhares de anos e posso dizer-te que mais vasto que o oceano é o sofrimento dos homens…” a estrelinha explica que a entristece o egoísmo dos homens, com o sofrimento que causam uns aos outros, ao passo que a menina tenta entender “como poderão os homens reencontrar o caminho da felicidade”. E ao fim do diálogo a menina levanta voo. No entanto sem que passa-se muito tempo sentiu saudades da sua amiga e voltou a voar até ela. Quando lá chegou conversaram mais uma vez…mas esta foi uma conversa diferente da primeira, nesta conversa a estrelinha falou-lhe no “…fogo da ternura e da amizade…” e é este fogo que as vai tornar ainda mais amigas…alias a primeira amiga de cada uma. Depois disto a menina voltou para o seu quarto, mas agora não trazia consigo a tristeza, e sim o calor da amizade e um horizonte carregado de sonhos e pensamentos.
A narrativa desta história é em muito semelhante à de “O Principezinho”, há um cerne muito emotivo entre as conversas que a menina estabelece com a sua amiga estrelinha. Também a forma como se inicia a história, com um tom de desencanto, que contrasta com o seu desfecho em que está presente uma mensagem de reconforto.
Ao ler esta obra senti-me envolvida num Mundo de sonhos e de afectos uma vez que nela estão presentes sentimentos nobres como a amizade, a bondade e uma enorme vontade de deixar o Mundo um pouco melhor do que o encontramos. A verdade é que, por momentos, me senti criança novamente.
A linguagem é de fácil compreensão, com vocabulário simples e acessível. O leitor tem a possibilidade de preencher os inúmeros espaços em branco deixados pela pouca ilustração. Por tudo isto penso que esta obra pode ser lida por crianças a partir dos 6 anos, mas que deverá ser lida ás crianças com menos de 6 anos, visto que contém uma moral muito importante para o desenvolvimento da personalidade do receptor. Os elementos paratextuais como o título e a ilustração da capa, na minha opinião de leitora, são extremamente apelativos e que podem criar curiosidade ao leitor para pegar no livro e o ler.
A nível estilístico esta obra está polvilhada de metáforas, extraordinariamente bem usadas que fazem o leitor sonhar ainda mais, imaginar, e viajar para além do mundo das palavras e do mundo que o rodeia.
Vanessa Gonçalves

Se Fosse Verdade

Mota, António (2002) Se eu fosse MUITO ALTO. Ilustrações de André Letria. V.N. de Gaia: Gailivro (2ªediçao)
ISBN
: 972-8473-15-X
(2 a 8 anos)

Se eu fosse MUITO ALTO trata-se de um álbum narrativo para crianças, recomendado entre os dois e os oito anos de idade para leitura orientada em sala de aula, onde desperta a imaginação dos leitores pelas várias hipóteses formuladas ao longo da obra a partir de uma aspiração expressa no título: Se eu fosse MUITO ALTO.

O texto verbal é da autoria de António Mota, escritor português nascido em, Baião, em 1957.É professor do ensino básico e é considerado um dos mais importantes autores portugueses de literatura infanto-juvenil. Ao longo da sua vida, António Mota já escreveu mais de cinquenta livros, sendo que alguns deles já foram galardoados com vários prémios literários, entre os quais O Sonho de Mariana com o Prémio Nacional de Ilustração em 2003. Mais recentemente, em 2004, recebe o Grande Prémio Gulbenkian de Literatura para Crianças e Jovens, pela obra Se eu fosse muito Magrinho, juntamente com André Letria.

As ilustrações são da criação André Letria, nascido em Lisboa em 1973, que é hoje um nome consolidado entre os ilustradores portugueses. A sua assinatura é garantia de qualidade.

A capa do livro, por si só, oferece ao leitor a possibilidade de formular uma série de hipóteses interpretativas acerca do conteúdo interno da obra, nomeadamente através do título que serve de porta de entrada, de transição e de transacção do leitor para o seio do livro, para uma história que apela à imaginação e com os múltiplos significados que pode vir a ter.

O texto é muito pouco extenso e escrito numa linguagem simples onde as imagens têm um lugar predominante e de destaque dando até a sensação que o texto icónico continua para lá das margens do livro. Estas ilustrações permitem mesmo a uma criança que ainda não leia a oportunidade de interagir com o texto através delas.

Ao longo do texto, algumas das peripécias imaginadas para a concretização do desejo de ser MUITO ALTO têm uma elevada carga afectiva, vão de encontro com valores como a solidariedade, o respeito pela natureza e a amizade, outras são realizações de sonhos que se tornam possíveis – “Podia esconder a cara dentro de uma nuvem”.

O ser MUITO ALTO é como que uma metamorfose, uma mudança de estado ou transformação para alcançar esses seus desejos de fazer o bem, ajudar os outros ou simplesmente alcançar sonhos, mesmo que pareçam descabidos, aspirações que na realidade são impossíveis mas na imaginação não o são (“…encontrar um grande navio que me levasse para o país dos meus sonhos”).

De acordo com a metaficção, esta obra oferece múltiplas possibilidades de criação, de contar várias histórias em simultâneo, tanto a nível do texto verbal como do texto icónico, podendo partir para novas suposições e respostas imaginárias para além das evidenciadas ao longo da obra, e permitir múltiplas possibilidades de leitura por parte do receptor.

Se eu fosse MUITO ALTO, em que a palavra e a imagem se complementam, permite entrar no mundo da imaginação, permite sonhar com a terra, o céu e o mar – “Podia (…) colher com as minhas mãos os frutos das arvores mais altas da Terra”, “podia esconder a cara dentro de uma nuvem”, “podia caminhar sobre as ondas”.


Livraria Almedina acolhe Encontros sobre Pedagogia e Educação

LIVRARIA ALMEDINA
Atrium Saldanha, loja 71, 2º piso, Lisboa



Organização: Luísa Araújo e Almedina



Dislexia (II Parte)
16 de Março, às 19:00 horas
Luís Querido
Psicólogo Clínico, especialista em dificuldades específicas de aprendizagem

A ideia segundo a qual os problemas de aprendizagem da leitura se devem essencialmente a deficiências de capacidades relacionadas com a linguagem é hoje a concepção largamente dominante nos meios científicos.
No entanto, ainda não é dominante no meio dos técnicos de ensino, tal como não o era há uns 20 anos nos meios científicos.
Nos anos 70, os trabalhos de Vellutino, investigador americano, demoliram a concepção "visual" das
dificuldades na aprendizagem da leitura. Nesta sessão iremos conhecer alguns deles.

Formar Leitores: Língua Materna e Literatura Infantil
20 de Abril, às 19:00 horas

Fernando Azevedo
Professor do Departamento de Ciências Integradas e Língua Materna do Instituto de Estudos da Criança da Universidade do Minho

As preocupações com o sucesso escolar dos alunos no Ensino Básico são manifestas na sociedade portuguesa. A existência de graves lacunas na forma como os alunos utilizam a língua materna como veículo de aprendizagem e de comunicação exige uma reflexão sobre as práticas pedagógicas que conduzem à consolidação de saberes e ao uso adequado da língua nas suas dimensões funcional e estética.
Nesta sessão, serão discutidos aspectos ligados à formação de leitores hábeis e apresentadas noções práticas sobre como converter a língua em objecto explícito de ensino e de aprendizagem.
A apresentação de obras recentes sobre esta temática permitirá aos professores no activo, aos professores em formação e ao público em geral aprofundar o seu conhecimento sobre elementos nucleares no ensino da língua materna.
A Aprendizagem da Leitura e a Aprendizagem da Matemática
18 de Maio, às 19:00 horas
José Morais
Psicólogo, Unidade de Investigação em Neurociências Cognitivas, Universidade Livre de Bruxelas
Os resultados de estudos internacionais, nomeadamente do PISA, reflectem um panorama pouco animador que nos aguça o desejo de ter uma escola melhor, onde os alunos possam obter melhores resultados a matemática e a língua portuguesa. A psicologia cognitiva oferece-nos um olhar privilegiado sobre a natureza dos processos cognitivos implicados na aprendizagem destas duas disciplinas e dá resposta
a questões fundamentais que podem contribuir para melhorar o seu ensino.
O que há de comum entre a leitura e a matemática?
Como se desenvolvem?
Será que são competências distintas ou complementares?
Em que medida é que se relacionam?
Nesta sessão, iremos discutir as relações entre a leitura e a matemática, assim como a intervenção da memória de trabalho em ambas, tendo por base resultados experimentais recentes. Julgamos deste modo contribuir para esclarecer questões ligadas à prática pedagógica dos docentes e à avaliação dos psicólogos no que concerne a dificuldades de aprendizagem.

O abraço perfeito


LETRIA, José Jorge (2005), A árvore dos abraços.
Ilustração de Joana Quental. Vila Nova de Famalicão: Quasi Edições.
ISBN: 989-552-119-7
Conto Infantil


A árvore dos abraços é um livro escrito por José Jorge Letria. O autor nasceu em Cascais em 1951 e iniciou a sua actividade literária no suplemento «Juvenil» do Diário de Lisboa. Foi desde 1970 redactor em vários jornais, trabalhando também como guionista e autor de programas de televisão. Foi vereador da Cultura da Câmara Municipal de Cascais de 1994 a 2001 e editor e subchefe de redacção de JL. Colaborou em várias publicações e da sua obra destaca-se a poesia, encontrada em grande parte compilada em O Fantasma da Obra (1973-1993), de 1993. É também autor de livros destinados à infância.
Este livro conta a história de uma árvore que se sente triste por ser banal, mas um dia, uma mãe e seu filho sentaram-se na sua copa a ler histórias, o que a deixou muito feliz. Mais tarde, o filho apareceu lá sozinho a chorar a morte da mãe e ela, para apoiá-lo, abraçou-o com os seus ramos fazendo-o adormecer. A notícia espalhou-se e a árvore passou a acarinhar todos, sendo reconhecida por dar o melhor dos frutos: o amor.
É um texto narrativo em forma de conto infantil, repleto de fantasia e maravilhoso, que nos faz pensar acerca da natureza e analisar se lhe damos ou não o valor suficiente, apelando a uma atitude de harmonia face às questões da ecologia. Deste modo, o livro é extremamente interessante que faz parte dos "Textos susceptíveis de emanciparem o imaginário dos seus leitores..." (Held, 1987:183). Igualmente os paratextos (capa e título) despertam imediatamente curiosidade, especialmente o título por causar estranhamento; as guardas também são chamativas visto terem desenhados braços interligados, que em tudo se relacionam com esta história.
A narrativa inicia-se com a expressão hipercodificada "Era um vez…" (Letria, 2005), o que previamente envolve o leitor no mundo da fantasia e do imaginário num universo ficcional. Ao longo da história, a intertextualidade está presente quando se faz referência e enaltece o escritor Goethe e outras obras como o Peter Pan, a Alice, o Pinóquio e o Principezinho, além disto, as crianças podem activar os seus quadros de referência intertextuais através dos valores como o afecto e o amor pois várias histórias que contêm fantasia e sonho relacionam-se intertextualmente com esta.
Quando a criança perde a mãe, há muito respeito pela individualidade e um olhar mais tolerante do mundo, que se pode observar quando a árvore se sente triste por não saber como ajudá-la, sendo aqui o amor e a ternura evidenciados como essenciais.
Ao longo do livro visualizam-se ilustrações fabulosas de Joana Quental que interlaça magnificamente o texto icónico e o texto verbal na medida em que estes se complementam através da utilização de técnicas de ilustração cativantes e muito coloridas que tornam o livro mais agradável e motivante para os mais novos. É fundamental evidenciar que a história acaba por ser muito criativa, pois é deixada pendente uma pergunta retórica que representa um espaço em branco, que levará as crianças a imaginar se haverá ou não uma árvore a nascer para substituir a árvore dos abraços.
É um livro que comporta uma novidade semiótica, rompendo assim com determinados estereótipos relativos aos livros infantis. Além disso, as suas marcas de literariedade permitem ao leitor estabelecer uma relação entre o que lê e o que se passa no mundo empírico e histórico-factual, podendo, desta maneira, contribuir para levar as crianças a respeitarem a natureza e olhá-la de modo diferente. O autor pretende mostrar às crianças o valor incalculável da amizade e do carinho bem como as questões da ecologia, dando a entender que devemos preservar aquilo que nos faz falta, tal como o amor e a natureza. Uma criança, ao ler este livro, vai aperceber-se que realmente as árvores não são estimadas apesar de serem fonte de vida ao darem-nos o oxigénio, que é tão fundamental quanto o amor.

O farol de todos nós


CHICO (2004): Um farol só meu. Ilustração do próprio autor. Porto: Âmbar.
ISBN: 972-430-789-1
Idade recomendada: a partir dos 6 anos

O livro Um farol só meu é o primeiro livro ilustrado da autoria de Francisco Cunha, que tem Chico como seu pseudónimo. Nasceu em Vila do Conde, em 20 de Julho de 1970. Desde cedo sentiu grande paixão por banda desenhada, o que o levou mais tarde, em 1999, a viajar para a Bélgica para frequentar o Instituto de Belas Artes Saint Luc, em Liège. Foi aí que descobriu o mundo mágico do livro infantil.

Um farol só meu (livro já traduzido em Inglês – My Very Own Lighthouse) é uma história contada na 1ª pessoa, num ambiente marítimo, usando um discurso muito próximo do pequeno leitor. Dirigida a crianças com idade superior a 6 anos, fala-nos de uma menina que vive angustiada e com medo de perder o pai sempre que este parte para a pesca. Um dia, num acto de grande coragem e na tentativa de acabar ou minimizar esta dor, a menina arma uma estratégia para ajudar o papá a encontrar o caminho de volta para casa: construindo um farol!

Verificamos que nesta obra existe uma peculiar concatenação e complementaridade entre o texto verbal e icónico para estabelecer o significado da história, de tal maneira que para contá-la temos que recorrer tanto ao que dizem as palavras como ao que dizem as ilustrações. No fundo as imagens e a sua organização gráfica não estão apenas a confirmar e ilustrar o que diz o texto. Dão-nos informações, que, não sendo fundamentais para a compreensão da história, nos desafiam a jogar com os seus significados num leque mais vasto de possibilidades de interpretação. Os elementos paratextuais imbuem na mente do pequeno leitor um ondular de emoções, provocando nele uma participação activa na transposição do conto para a similitude de situações singulares na sua vida: nomeadamente, ocasiões em que se veja privado da companhia dos seus progenitores.

Também verificamos que toda a informação apresentada no livro, desde os paratextos ao texto verbal e icónico, tem sempre algo relevante que o completa e ajuda o leitor a encontrar os vários sentidos, significados, interpretações que o texto promete, possibilitando uma experiência interpretativa mais completa. Por exemplo, na contracapa está presente a opinião do autor sobre o contributo que a obra pode dar; a dedicatória do livro “Para o meu filho Noé”; a homenagem “…às crianças que vivem ao meu lado, no bairro de Caxinas” (Chico, 2003) e finalmente os diários íntimos do autor, na penúltima página – “A separação é sempre difícil, ainda mais quando acompanhada pelo medo. É esse medo que se senta ao nosso lado durante esses momentos à noite em que nos encontramos sós, os momentos de pesadelo. (…) E assim adormecemos num bairro de pescadores, perto da minha casa, onde há crianças que vivem a separação vezes sem conta”

Estes elementos possibilitam ao leitor uma experiência de leitura mais produtiva e mais imediata, pois nestes encontram-se particularidades que nos ajudam a contextualizar e desbravar a teleologia subjacente à obra casuisticamente apreciada.

Amplamente ilustrado, esta obra constitui um texto narrativo no qual, desde o início, se promove uma proximidade notória entre o narrador e o receptor, quer pelo facto de aquele se dirigir directamente a este, quer pelo uso de um registo de língua familiar, pautado, por vezes, até, por um certo tom confessional, quer, ainda, pela recriação de um cenário de intimidade e de familiaridade.

As ilustrações permitem ao receptor não só caracterizar a personagem como também emocionar-se, tal é evidente quando é ilustrado um sonho da menina. A imagem mostra uma menina a dormir e por trás está o “sonho mau”, onde se vê uma espécie de ondas feitas por notícias de jornais todas referentes ao mar e muito desorganizadas, retratando o movimento das ondas onde o seu pai se vê envolvido. Para tentar minimizar este medo a menina decide ver livros de faróis pois estes “ajudam os pescadores”. Vêem-se, então, vários livros abertos, todos com imagens de faróis, não se dando muito destaque à protagonista mas sim aos livros que escolheu. Interessante é reparar que estes livros não falam sobre faróis… mas sim alguns dos direitos das crianças, visto que, a menina sente-se como o direito de estar com o pai, direito à segurança simbólica, de estar com a família, ou seja, com aqueles que lhe dão carinho e amor.

O livro Um farol só meu é especial, porque neste vimos reunidas palavras e imagens que nasceram de uma só mão, de uma sensibilidade no singular, da arte de Chico. É uma obra que fascina, que cativa, que prende o leitor com imagens vibrantes e arrojadas e transmite uma história comovedora de superação de ansiedade e medo causado pela separação.

O farol ocupa, como se depreende pelo título, lugar angular de toda a história. Este elemento de grande riqueza simbólica traduz a necessidade de estar com o pai, numa relação de amor, afecto e respeito pelo outro. Extrapolando-se a sua significação, vê-se no farol a luz ou tudo aquilo que de positivo nós devemos transmitir para possibilitar uma aproximação a quem nos rodeia.

O grande ensinamento deste conto é que a distância física ou emocional (simbolizada no livro pelas viagens no mar alto) pode ser anulada no abraço do amor.


Misteriosa Sabedoria


PEDREIRA, Maria do Rosário (2005). A biblioteca do avô.
Ilustração de Joana Quental. Vila Nova de Famalicão: Quasi Edições.
ISBN: 989-552-112-X
Conto infantil


A biblioteca do avô é um livro escrito por Maria do Rosário Pedreira. A autora nasceu em Lisboa em 1959 e é licenciada em Línguas e Literaturas Modernas (Estudos Franceses e Ingleses), exercendo actualmente o cargo de directora editorial. A sua poesia, caracterizada por uma forte vontade de escrita, é exímia em retratar a dificuldade do amor e a procura da felicidade. Estreou-se em 1989 com o título Água das Pedras, sob o pseudónimo de Maria Helena Salgado e é igualmente autora de ficção e literatura infantil.
Este texto narrativo em forma de conto infantil trata a história de um menino a quem chamavam Nimbo, era muito distraído e o culpado era o avô por lhe contar histórias fabulosas. Um dia, durante as férias grandes, já depois do avô falecer, descobriu que as histórias que ele lhe contara eram imaginárias pois a sua sabedoria provinha apenas das leituras que fizera na sua biblioteca. Foram assim as melhores férias da sua vida juntamente com os livros.
A narrativa inicia-se com a expressão hipercodificada "Era um vez…" (Pedreira, 2005), o que previamente envolve o leitor no mundo da fantasia e do imaginário num universo ficcional. De facto, é um livro educativo e lúdico que permite aos pequenos leitores entrar na história de Nimbo ao longo de toda a narração pois estes são chamados a aperceberem-se de como se pode obter conhecimento e sabedoria através da leitura, bem como a dimensão da literatura que possibilita o impossível, o sonho e a utopia. Assim, o avô, que nunca tinha saído da aldeia, contava aquilo que ele idealizava dos sítios e situações que lera nos livros, contando essas idealizações ao neto em forma de histórias.
Pelo seu conteúdo e aspecto gráfico, este livro pode suscitar interessantes efeitos perlocutivos proporcionando às crianças uma modificação substancial dos seus ambientes cognitivos visto que a literatura não pode ser lida como um espelho, logo, o princípio da ficcionalidade está interligado pois elas podem imaginar-se dentro da história como participantes dela, interpretando-a à sua maneira.
Em todo o livro deparamo-nos com ilustrações fabulosas de Joana Quental que interlaça da melhor forma o texto icónico e o texto verbal na medida em que surgem associados, mantendo entre si uma relação peculiar de interaccionismo sígnico, que origina um novo e complexo objecto passível de leitura em toda a sua riqueza semiótica. Logo ao abrir-se o livro deparamo-nos com umas guardas admiráveis com letras espalhadas ao acaso, o que, juntamente com os paratextos, capa e título, pré-anunciam ao leitor que se irá falar de letras. Algumas ilustrações parecem ter sido feitas através de recortes de papel, tecido ou tinta espalhada ao acaso, bem como alguns desenhos que pela sua simplicidade poderiam ter sido elaborados por crianças. Existem também variações no tamanho e cor das palavras bem como algumas palavras inseridas na ilustração que proporcionam um aspecto gráfico diferente e moderno, tipicamente contemporâneo. A ilustradora quis de facto atrair os mais jovens leitores através da imagem ao utilizar da melhor maneira uma mescla de cores vivas e atractivas através de métodos de ilustração inovadores.
O percurso desta história pode, de certa forma, assemelhar-se a A Ilha das Palavras de José Jorge Letria pois em ambos se faz alusão ao poder infinito da palavra e à sua importância. No fundo, tanto o protagonista em A Ilha das Palavras como o avô em A biblioteca do avô se tornam sábios, repletos de inspiração graças às palavras ou livros que descobriram, realçando-se sempre o sentido educativo em que de valoriza a ideia de que a palavra vale por si só, não sendo necessário conhecer um exemplo físico mas sim a ideia do que temos dela e o que ela significa para nós.

Olhar pueril sobre valores humanos

MARMELO, Manuel Jorge & MARMELO, Maria Miguel (2003): A menina gigante, in Colecção Palmo e Meio, nº28. Ilustração de Simona Traina. Porto: Campo das Letras.
ISBN: 972-610-741-5.


A história A Menina Gigante tem como principal protagonista uma menina - Ana Grande que, por ter uma altura superior à normal na sua idade, vive cheia de complexos e com uma constante sensação de desconforto emocional e social.

O narrador não se limita a dar-nos só conta da sua extraordinária altura, quando esta é alvo das maldades e da crueldade dos colegas, fazendo com que se isole do grupo, conduzindo-a à reflexão sobre a razão da sua diferença e, inclusivamente, à questionação da sua própria identidade, mas é aqui que o autor também nos dá a conhecer que Ana Grande é adoptada, o que a perturba ainda mais, sofrendo mais uma vez conflitos interiores e decidindo fugir de casa.

No dia seguinte, a menina conhece uma senhora, que também tinha passado pelo mesmo problema quando era criança, que a ajuda não só a aceitar-se tal como é, mas também a aprender a valorizar-se e a tirar partido dos seus defeitos, abrindo-lhe caminho à prática de um desporto (basquetebol). Esta leva-a conhecer meninos e meninas como ela e aí sente-se valorizada e útil.

Nesta perspectiva, o conto revela uma grande pertinência ao tocar, de forma simples e acessível, na problemática da diferença do outro e da sua aceitação, valorizando de forma positiva, no desenlace, pela restauração do equilíbrio e alteridade. Ana é, por isso, uma personagem modelada e dotada de densidade psicológica, capaz de evoluir ao longo da história.

O autor ao longo da obra dirige-se directamente ao receptor como se de alguém conhecido ou familiar se tratasse. Pelo facto de o tratar, informalmente, por “tu”, informando que a Ana Grande constitui alguém “que talvez esteja sentada ao vosso lado” é, também, um contributo para aumentar o interesse e a atenção pela leitura.

A protagonista, ao longo da história, é caracterizada como alguém trapalhona, desengonçada, desmiolada, tudo por causa da sua altura. A sua singular característica física provoca não só o desconforto nos movimentos, mas também estranheza nos outros, pais e amigos. Embora Ana tenha uma altura de uma pessoa grande, ela só quer ser compreendida como uma criança igual às outras, visto que seu rosto e seus modos são exactamente iguais aos dos meninos e meninas da sua idade.

Mormente, esta obra toca acima de tudo em temas como a exclusão e alteridade. Por isso, tenta transmitir valores como a aceitação das diferenças e perceber que também estas se podem tornar em virtudes; transmite ainda a importância do amor, da amizade, da bondade, da solidariedade, da determinação, do reconhecimento e do conceito de cidadania. Enfim, “pede” aos receptores que desenvolvam a capacidade de descobrir o “lado solar” de um momento escuro e a possibilidade de ler o mundo de uma forma não ingénua, mas sim de uma forma mais consciente e livre, num claro apanágio da teoria da recepção.

Na medida em que o contacto com a literatura molda a mente e o coração da criança, há que admitir que influi nela pedagogicamente. Como tal, a saudável convivência com a diferença, e o transmitir os demais valores humanos, é algo que deve ser fomentado nas mentes mais jovens e este livro cumpre essa nobre missão.

O autor Manuel Jorge Marmelo nasceu no Porto em 1971 e é jornalista desde 1989. Estreou-se nas letras em 1996 com o livro O homem que julgou morrer de amor/O casal virtual. Em Novembro de 2003, o autor publicou o seu primeiro livro infantil, A Menina Gigante, escrito em parceria com a sua filha, Maria Miguel Marmelo, e ilustrado por Simona Traina.

“Uma Égua Diferente”


Andrade, Eugénio de (2000).História da Égua Branca…Ilustração de Joana Quentel; Editora: Campo de Letras. ISBN: 9726103525
Idade recomendada: Livro recomendado pelo plano nacional de leitura – Ano Lectivo 2006/2007 (3.º Ano)

História da Égua Branca é um conto infantil ilustrado por Joana Quentel e da autoria de Eugénio de Andrade, um poeta português, que nasceu em 19 de Janeiro de 1923 na Póvoa de Atalaia. Trata-se de um escritor bastante conhecido, ao qual foi atribuído o premio Camões em 2001.
É uma magnífica história para crianças impressa sobre ilustrações únicas que correm em paralelo como o texto, que iluminam a leitura e compreensão do livro.
Nesta narrativa destinada aos mais novos o autor apresenta-nos características definidoras e símbolos da literatura infantil, sendo o aspecto mais notório desta interpretação a égua presente na história. Esta, elemento naturalista, apresenta-se como personagem central do conto e funciona como uma espécie de prémio para os três filhos do velho Cristóvão, seu dono.
É uma personagem carregada, do início ao fim da história, com uma carga emotiva muito grande em relação às outras figuras humanas. É sem duvida algo inovador pois a égua aparece como um ser humanizado numa historia, com um conjunto de personagens restrito predominantemente masculinas que contrastam de certo modo com a feminilidade da égua.
De uma forma geral a acção desenrola-se no sentido de um único fim e em volta de um núcleo problemático singular, o pai, o velho Cristóvão, percebe que a sua égua é desejada pelos seus três filhos e a partir daqui depara-se com um problema de escolha de um dos filhos para ficar com o animal, seguindo o conselho do engenhoso boticário, o pai oferece um período probatório de três semanas a cada filho. Daqui o narrador faz desapontar três episódios, todos eles finalizados com uma peripécia, duas de carácter humorístico e a última de carácter mais moralizante, dramático e sério.
Analisando toda a obra é interessante salientar a simplicidade da linguagem e do estilo, é também notório a expressividade de alguns elementos simbólicos presentes no conto, destaca-se a implicação sémica do branco, atributo da égua, cor conotada com pureza, e a subjectividade do numero três, que aliás é um algarismo com uma simbologia forte e presente no imaginário de todos nós. Esta simbologia é bastante notável pois, se analisarmos bem, os irmãos eram três, o prazo de entrega da égua ao pai era de três semanas, o”animal de três pinotes…” etc.…
A Historia da Égua Branca resume-se a um apelo emotivo à sinceridade, à fidelidade e à dedicação, é uma lição de vida.
Apesar de todo o “amor” que os rapazes diziam sentir pela égua, com as dificuldades da convivência tudo se alterou, tendo a égua, com tudo isto, um final feliz e merecedor.
É assim que nesta, como em muitas outras narrativas infantis de fundo pedagógico, prevalece o bem, o real, sobre o mal e o aparente.
Apesar de todo o sofrimento e cenas de violência com que a égua se deparou, e que em certa parte se puderam tornar um pouco agressivas e influenciáveis para as crianças mais pequenas, podem também ser vistas como uma amostra didáctica que o mal e o fazer mal é uma escolha errada para alcançar o desejado.

“O menino herói”


Saramago, José (2001) A Maior Flor do Mundo. Ilustração de João Caetano. Lisboa: Caminho,
ISBN: 972-21-1437-9
Idade recomendada: A partir dos 6 anos

A Maior Flor do Mundo é uma magnífica história para crianças, é um legítimo de Saramago impresso sobre belíssimas ilustrações de João Caetano que iluminam e dão maior vida à leitura do livro, além de o ilustrador ter pintado, colado e desenhado o autor de uma forma inesquecível.
José Saramago nasceu na aldeia de Azinhaga (Golegã), em 1922, é um escritor bastante conhecido que foi laureado com o Prémio Nobel da Literatura 1998 pela The Nobel Foundation. A publicação de uma história para crianças concretizou-se enfim, com o livro A maior Flor do Mundo. Transformando-se em personagem, o autor conta-nos que uma vez teve uma ideia para um livro infantil, inventar uma historia sobre o menino que fez nascer A Maior Flor do Mundo.
Com um envolvimento no livro, os leitores são chamados para uma divertida brincadeira, pois o autor narra o texto não como se fosse a verdadeira historia do menino e da flor, mas sim, apenas um esboço do que poderia ser feito se soubesse escrever para crianças, “escrever a melhor historia de todos os tempos…”
A primeira imagem do menino protagonista deste conto é retratada como uma criança normal no seio da natureza, a brincar calmamente, próprio da sua condição de criança. Este menino é um aventureiro, solitário e destemido que, com uma vontade enorme de explorar o mundo, encontra uma ligação com Marte. Quando lá chegou, ao “cimo da encosta”, depara-se com uma flor caída e murcha e é nesta flor que se centra toda a acção e o acto heróico deste menino. Quando ele viu a flor tão moribunda resolveu logo salvá-la e, para tal, atravessou de novo mundo todo, “vinte vezes cá e lá…”, “…cem mil viagens à lua…”, tudo para salvar a pobre flor, transformando-se com isto num menino feito herói, como afirma o próprio autor.
O autor descreve esta história de forma singela e simples, avisando quando se aproximam palavras mais difíceis e subjectividades menos comuns aos espíritos novos, transportando o leitor para um mundo de fantasia onde os actos heróicos são reais e a força de vontade transborda por cada sílaba descrita no conto.
Esta análise permite-nos aprender alguns dos traços e dos recursos técnico – expressivos que definem e especificam essa escrita com destinatário explícito.
A qualquer criança que lhe seja lida esta magnifica obra e com a qual ela se envolva, deparar-se-á com a diferença, algo único que lhe vai por à prova as suas poucas mas muito significantes competência literárias.

A amizade nasce quando menos se espera


MOTA, António (2002): O Galo da Velha Luciana, ilustrações de Elsa Navarro, Vila Nova de Gaia: Gailivro ISBN: 972-8723-65-2


O Galo da Velha Luciana é uma obra de literatura infantil, escrita por António Mota e ilustrada por Elsa Navarro.

António Mota nasceu em 1957 em Baião. É professor de Ensino Básico. Desde 1979 tem vindo a publicar regularmente para crianças e jovens. Tem já cerca de 40 títulos publicados. Muitos, também, já foram os prémios que recebeu com as suas obras. Em 1983 recebeu um prémio da Associação Portuguesa de Escritores por O Rapaz de Louredo, em 1990 recebeu o prémio Calouste Gulbenkian de Literatura para crianças por Pedro Alecrim e em 1996 recebeu o prémio António Botto por A casa das Bengalas. Mais recentemente, em 2004, recebeu o Grande Prémio Gulbenkian de Literatura para Crianças e Jovens, na modalidade de livro ilustrado, pela obra Se eu fosse muito magrinho, com ilustrações de André Letria.

O Galo da Velha Luciana é um livro publicado recentemente, em 2002, que nos fala de uma bonita história de amizade que foi crescendo aos poucos entre uma velha chamada Luciana e o seu galo muito especial. A velha tinha uma galinha que chocava 18 ovos por ano, um ano a galinha apenas chocou 1 ovo. Quando o pintainho nasceu era feio e nem sequer tinha penas. Ninguém gostava dele, mas um dia isso mudou quando o galo salvou a velhinha de se queimar na fogueira. A partir daí nasceu uma grande amizade. Um dia o galo entalou-se com uma moeda dourada que a velha tinha perdido. No dia seguinte o galo era o galo mais lindo da aldeia, ornamentado de penas douradas, crista violeta e bico azul.

Esta é uma obra lindíssima, com uma linda moral, que nos diz que não se deve julgar as pessoas pelo o que aparentam ser mas pelo o que realmente são. É uma obra repleta de valores. O valor mais evidente recitado nesta obra é a amizade, que é mais forte que tudo e não há nada que a compre, isto denota-se quando a velha Luciana diz “Não vendo!...Não há dinheiro que pague a amizade que tenho pelo bicho…”. É um livro que mostra a excelência da ilustradora pois tem um texto icónico que realça o texto verbal. Ao ler este livro, logo de inicio, somos remetidos para uma intertextualidade com a história do “Patinho Feio”, pois ao inicio, quando o galo nasceu ninguém gostava dele por ser diferente “E a galinha… recusou-se a abrir as asas para o abrigar…”, “Por todos abandonado…”.

É de facto um livro que vale a pena ler às crianças, com as crianças e pelas crianças pois tem fortes valores a incutir e apela aos conhecimentos literários anteriores da criança a ao imaginário, a partir do belo e harmonioso texto icónico.


Uma viagem ao nosso imaginário


LETRIA, José Jorge (2003): “Versos para os Pais lerem aos Filhos em Noites de Luar”,ilustrações de André Letria, Porto: Âmbar, ISBN: 972-43-0627-5


“Versos para os Pais lerem aos Filhos em Noites de Luar” é um álbum de José Jorge Letria, com ilustração de André Letria, destinado a crianças a partir de 6 anos.

José Jorge Letria nasceu em Cascais, a 8 de Junho de 1951. Como escritor distingue-se na poesia, no conto, no teatro e, sobretudo na literatura para a infância e juventude. É também conhecido como jornalista e politico dedicado à cultura, professor e dirigente associativo. Cursou Direito, História e História de Arte na Universidade de Lisboa e é pós-graduado em Jornalismo Internacional.

Esta é uma obra que nos remete para um mundo de sonho, para o mundo maravilhoso, apelando para o sono “Dorme, menina, dorme”. É um livro que preconiza o estabelecimento de uma relação mais intima e mais familiar, na hora do sono e do sonho, entre os pais e os filhos. O próprio título do livro remete para esta necessidade de se começar a fomentar o gosto pela leitura ás crianças.

As ilustrações deste livro são de uma qualidade muito elevada existindo assim uma grande relação texto icónico/texto verbal. Tal como o texto verbal, o texto icónico, de grande sensibilidade, leva-nos a um mundo cheio de seres do nosso imaginário e do maravilhoso, tais como, fadas, unicórnios, duendes, bruxas, feiticeiras, dragões, seres de outros planetas e piratas e a outros lugares, como Tóquio, “…seja em Lisboa ou em Tóquio…”

Este é um livro que nos apela aos nossos conhecimentos literários de outras obras, que há luz da nossa comunidade interpretativa representam as obras clássicas, como é o caso do “Pinóquio”, “…pelo nariz do Pinóquio…” e como a “Alice no Pais da Maravilhas”, “…e vai pela mão de Alice/ ao Pais das Maravilhas…”.

É de facto um livro que deve ser lido aos filhos pelos pais, pois é um livro carregado de afectividade, sentimentos e amor que transmite paz e harmonia pelas suas ilustrações, cores utilizadas e as suas palavras poéticas e breves que nos lembram as canções de embalar os bebés.


Um espectáculo a altura


Autora: Castrim, Mário (2002)
Título: Gira Gira e o basquetebol
Ilustração: Elsa Navarro
Edição: 1ª edição
Editor: Campo das letras editores S.A
ISBN: 972-610-605-2

Gira e o basquetebol é uma colectânea das “ Aventuras da Girafa Gira Gira”, assinada por Mário Castrim e ilustrada por Elsa Navarro. Diverte, ensina, indo de encontro com os gostos literários dos mais novos.
O pequeno álbum, com cerca de 17 páginas, dá especial destaque à heroína da colecção, a girafa Gira Gira, uma personagem de todo engraçada dominada pelo desejo de ser igual aos outros meninos, quer poder ir à escola e brincar e como não podia deixar de ser, jogar basquetebol!
Desta vez a história passa-se num ginásio. Em que o professor, “para tornar a ginástica mais agradável colocou um cesto de papéis na parede. Os alunos corriam, atiravam uma bola lá para dentro.” Enfim…uma partida de basquetebol entre alunos da Escolinha e da Escola que tem um resultado inesperado. Os mais baixinhos puderam contar com a ajuda da imparável Gira Gira e registaram 140 no marcador, contra 60 dos adversários.
Os heróis que acompanham a heroína são Adriana, Diogo, Pedro, Inês e Rosa que conseguiram vencer os melhores do mundo em basquetebol.
O enredo é de fácil aceitação pelos pequenos leitores, porque nele intervêm crianças como elas, que sonham, ambicionam os desejos mais inesperados. Estes pequenos heróis ensinam-nos de que tudo é possível no reino da fantasia!
A lição particular desta obra é a de que saber perder é tão importante como ganhar. Assim como um campeonato desportivo, a vida também é feita de vitórias e derrotas.
Na verdade, aprendemos muito mais com as derrotas do que com as vitórias. Aquelas podem contribuir com atitudes como a arrogância. Assim, perder tem a sua vantagem, faz-nos repensar, reavaliar as nossas atitudes sem medo ou vergonha. No perder também encontrámos novas disposições e garras para vencer. E é assim que todos teremos de aprender e bem depressa!

O álbum deixa escapar ainda outra valiosa mensagem: a importância de ter bons amigos que nos ajudam realizar os nossos sonhos. As ilustrações que fazem acompanhar o pequeno livro são repletas de humor e coloração apelativas.
Sobre o autor, sabemos que Mário Castrim é pseudónimo de Manuel Nunes da Fonseca. Nasceu em Ílhavo em 1920. Professor, jornalista, crítico literário, crítico ainda de televisão desde 1965, criou em 1963 o Diário de Lisboa Juvenil, onde formaram grandes nomes de intelectuais, escritores, jornalistas.
Tem vasta obra no campo do teatro radiofónico para crianças. Escritor, foi autor nomeadamente de Histórias com juízo, O cavalo do lenço amarelo. Estas são as letras e Nome de Flor, entre outros. Faleceu em 2002.
Gira Gira e o basquetebol é uma história a não perder!

Valentia inesperada



Autora: Figueiredo, Violeta (2001)
Título:
A Verdadeira Vida da Formiga Rabiga
Ilustração: Martinho Dias
Edição: 1ª edição 1ª tiragem
Editor: Edições Gailivro Lda.
ISBN: 972-8473-98-2



Num livro de apresentação gráfica e encadernações cuidadas e ainda alguma dose de humor, em cerca de vinte páginas, Violeta Figueiredo conta-nos a história de Rabiga, uma formiga muito valente. Através de uma investigação absolutamente exaustiva, o detective Carraça consegue demonstrar que Rabiga, a formiga, não só interveio na história da cabra cabrês mas também na história do Lobo e da Cabaça e ainda na história dos quatro cantores de Brémen.
Cabra cabrês era muito insolente. Um certo dia resolve ocupar a casa de um coelhinho branco que havia decidido ir à horta buscar umas couvitas para o almoço. Porém, quando regressa, o coelhinho branco encontra a porta fechada, pois a cabra cabrês tinha-se escondido lá dentro e não queria sair de forma alguma e ameaçava o coelho dizendo: “ Eu sou a cabra cabrês que te salta em cima e te faço em três”. Assustado, o coelho resolve ir pedir ajuda aos seus amigos: ao boi, ao cão e ao galo. Nenhum deles ousou enfrentar a cabra cabrês. Até que Rabiga, uma formiga que passava, lhe perguntou porque estava tão triste. Após ter-lhe contado tudo, a formiga, ladina, viva, esperta que nem um rato e desafiadora vai pedir satisfação à cabra dizendo: “ Eu sou a formiga Rabiga que te salta em cima e te fura a barriga”. Entrou pela fechadura e passados uns minutos a cabra cabrês saiu a correr com o medo que teve da corajosa formiga. E o coelhinho pode voltar para a sua casinha.
Julgamos relevante a leitura para o leitor a partir dos três anos.
Á luz dos críticos da literatura, a história foi escrita numa composição verbal propositada, em verso, acompanhada de algumas rimas, de forma a tornar a leitura mais apelativa e, do ponto de vista auditivo, memorizável. E também com a intenção de sobrevalorizar as ilustrações em relação a mensagem verbal que compõem o livro., já que o mesmo foi escrito para crianças pequenas, algumas delas que não dominam ainda a competência da leitura.
À luz da comunidade interpretativa, a aliteração contida no título (A Verdadeira Vida da Formiga Rabiga) contribui para a caracterização da personagem principal. Apesar de pequenina, ela detinha vida, valentia, força. Características com as quais os mais pequenos poderão identificar-se.
Relativamente às ilustrações de Martinho Dias, estas tentaram captar fielmente o cenário campesino onde se passa a história em tonalidades de cores verdes vivas, e uma coloração maravilhosa, muito ao sabor da escrita dedicada ao público infantil.
As personagens do livro são de igual modo retratadas em cores apelativas.
Após a leitura da obra, fica-se com boa impressão já que nos remete para um mundo da fantasia onde reina o espírito da entreajuda.
A autora do livro foi professora do ensino secundário. Produziu várias obras no âmbito da literatura infantil e juvenil, tendo ganho os prémios verbo/seminário e Inapa/centro Nacional de cultura para inéditos de Literatura Infantil.
Sucintamente, o livro é aconselhado para pais e filhos e igualmente a jovens por ser dinâmico, bem ilustrado e consequentemente cativante. Um livro a não perder!



A leitura como essência da vida


Tamaro, Susanna (2000). O menino que não gostava de ler.
Ilustração de Ute Krause. Lisboa: Editorial Presença
ISBN: 9722326937
A partir dos 8 anos

Esta obra fala de um menino chamado Leopoldo que no dia em que fez oito anos, os pais ofereceram-lhe dois livros, tal como acontecia em todos os aniversários desde que tinha nascido! Leopoldo sentiu-se tão triste e infeliz... não gostava mesmo nada de ler. Sempre que tentava fazê-lo, as letras começavam a misturar-se umas nas outras numa grande confusão de rabiscos pretos sem qualquer significado. Mas os pais não entendiam o seu problema e insistiam tanto para que ele lesse que um dia Leopoldo decide fugir de casa! É então que conhece alguém muito especial, um grande amigo, que descobre o que realmente se passa com ele e juntos começam a partilhar muitas e muitas páginas de aventuras, sonhos e fantasia...
Susanna Tamaro nasceu em Trieste, Itália, no ano de 1957, embora tenha habitado em Roma durante a maior parte da sua vida. Em 1994 eclode o sucesso “Vai Aonde Te Leva o Coração”, o bestseller que já vendeu mais de 6 milhões de exemplares no total dos países onde foi publicado. Actualmente, é proprietária de uma pequena herdade em Orvieto, em pleno coração da Umbria, onde encontrou um retiro espiritual que lhe confere a paz e tranquilidade necessárias para escrever.
O livro aborda uma problemática que, infelizmente, tende a crescer entre as crianças e os jovens, o facto de não gostarem de ler e preferirem as novas tecnologias como forma de entretenimento.
Através de uma escrita clara e objectiva a autora conduz-nos através de uma história que se desenrola em diversos espaços e que nos leva a viajar por algumas aventuras que constituem o mundo fantástico dos livros. As ilustrações realizadas por Ute Krause fomentam uma exploração didáctica e um veículo para a apreensão das ideias veiculada pela autora. O Leopoldo – O menino que não gostava de ler – aprendeu a que a leitura pode ser uma actividade lúdica, divertida e útil para a sua vida.
Este livro nas 38 páginas conta a história de Leopoldo, que poderá ser a história de muitas crianças.
O texto fala da leitura com uma linguagem acessível que ensina às crianças o gosto pela leitura, em que ler é bom e saber ler é bom.
As ilustrações preenchem o texto e são imagens engraçadas e compreensivas acerca do texto. Estas não estão limitadas pela página, estão “rasuradas” no meio do texto ou até ocupam o centro de uma página.
Este livro é mesmo aconselhável aquelas crianças, e até adultos, que não gostam de ler pois revela o quanto a leitura é essencial e útil à vida…

O crocodilo que se tornou um herói



Magalhães, Ana Maria e Alçada, Isabel (2001). O crocodilo Nini.
Ilustração de Nuno Feijão. Lisboa: Caminho
ISBN: 972-21-1433-6
A partir dos 3 anos


Esta obra é sobre a história de um crocodilo, Nini, que foi viver para o Jardim Zoológico. Ele sentia-se muito triste e sozinho e tinha vontade de fazer amigos. Mas quando ele abria a boca para dizer olá os visitantes assustavam-se e ele fartava-se de chorar. Até que descobriu que as pessoas iam visitá-lo para ter medo, se estas fugissem era sinal que tinha cumprido o seu papel.
Ana Maria Magalhães, uma das autoras, nasceu em Lisboa a 14 de Abril de 1946.Foi aluna do Colégio Sagrado Coração de Maria, onde concluiu o ensino secundário. Licenciou-se em Filosofia na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, tendo acumulado, durante os três primeiros anos, com a frequência do Curso Superior de Psicologia Aplicada no ISPA. Iniciou a actividade docente como professora de História de Portugal do 2.º ciclo no ano lectivo de 1969/1970 no Liceu António Enes em Lourenço Marques, Moçambique. A par desta intensa actividade no domínio da educação, estreou-se como escritora de livros infanto-juvenis em parceria com Isabel Alçada em 1982. Os seus livros, que marcaram uma viragem na história da literatura infantil portuguesa, reflectem a longa e rica experiência educativa, são eco de uma infância e juventude particularmente felizes e traduzem o seu enorme talento para comunicar com os mais novos.
Isabel Alçada, outra das autoras, nasceu em Lisboa a 29 de Maio de 1950.Frequentou o Liceu Francês Charles Lepierre, onde concluiu o Ensino Secundário. Licenciou-se em Filosofia na Faculdade de Letras de Lisboa. Estreou-se como escritora de livros infanto-juvenis em parceria com Ana Maria Magalhães em 1982.Os seus livros, que marcaram uma viragem na história da literatura infantil portuguesa, reflectem a infância feliz, a longa e variada experiência educativa, o enorme talento para comunicar com os mais novos.
Este livro sendo um álbum, as ilustrações prevalecem muito ao texto e em partes até substituem o texto. Estas ocupam toda a página mas são cortadas pelo texto na parte inferior que é limitado por um rectângulo.
O que me motivou para a escolha deste livro foram as ilustrações com cores muito vivas que chama a atenção e cativa muito os mais novos. As imagens são facilmente reconhecidas pelas crianças.
A frase final “ E quem cumpre bem o papel que lhe compete neste mundo torna-se um verdadeiro herói.”, também revela às crianças que devemos valorizar o que somos e cumprir o papel que nos compete neste mundo.
Este livro é indicado para crianças que começam a ler as pequenas palavras pois tem um texto curto e expressivo com uma linguagem muito simples e acessível.
O tamanho do livro e a própria espessura também facilitam o interesse das crianças em o folhear e ver as imagens. As crianças só com as imagens podem construir uma história inventada por elas, ou seja, leva-as a um mundo de imaginação com a capacidade de inventar histórias…

O Capuchinho diferente


Referência Bibliográfica:
Araújo, Matilde Rosa (2005): O Capuchinho Cinzento. Prior Velho: Paulinas Editora (ilustrações de André Letria)

O Capuchinho Cinzento é uma obra da autoria de Matilde Araújo, autora de livros de contos e poesia para o mundo dos adultos e de livros de contos e de poesia para as crianças e é ilustrado por André Letria. André Letria confere ao livro ilustrações por vezes irreais mas repletas de criatividade, proporcionando um resultado absolutamente hilariante e ideal para o mundo das crianças em idade pré-escolar. Sublinha linhas de sentido e coloca desafios interpretativos, sendo importante no jogo que qualquer leitor é chamado a fazer no balanço entre a versão clássica da história (“Capuchinho Vermelho”) e o seu desenvolvimento.
O Capuchinho Cinzento é uma obra que nos proporciona uma comovente experiência de criação e de leitura e reencontramo-nos com alguns dos sentidos e dos elementos simbólicos recorrentes na escrita desta autora maior da literatura potencial recepção infantil. A prosa poética de Matilde Araújo em O Capuchinho Cinzento é uma estratégia de construção literária relativamente e rara na escrita destinada aos mais novos.
Este livro relata a história de uma velha de capuchinho cinzento que de noite se levanta repentinamente, abandona as roupas dos netos que estava a remendar e, com o dedal, dirige-se a cantar pelo bosque em direcção a uma fonte, a qual não alcança, pois senta-se numa pedra a descansar sendo seguida pelo Lobo que acaba por com ela se encontrar.
O próprio título institui diferença em relação á história tradicional do Capuchinho Vermelho, pela substituição da cor vermelha pela cinzenta, tonalidade esta que indicia um certa melancolia e como simbolicamente a própria cinza não só nos remete para o luto mas também para a esperança de uma nova vida. As contínuas evocações intratextuais da história do Capuchinho Vermelho acordam o leitor desta renovada narrativa que é agora da velha do Capuchinho Cinzento, esse conto incontornável da nossa enciclopédia literária, bem como do espaço da infância guardado na memória pessoal de muitos adultos.
É de salientar, que nesta história em relação á tradicional do Capuchinho vermelho não está presente o confronto agressivo entre o Lobo e o Capuchinho pois o que é realçado nesta narrativa é reconciliação entre ambos.
Matilde Araújo, nesta narrativa clássica, desvende assim um vida interior, metaforizando a temática da velhice e dos diferentes medos que esta encerra.
Em suma, esta obra pauta-se pelo tom apelativo de carácter intimista, pelo esquema dialógico, pelo forte sensorialismo, que faz sobressair a visão e audição, e pela estruturação reiterativa , situa o leitor num espaço passado e o presente, a infância e a velhice, a serenidade ingénua e a angústia consciente face á certeza de que, como imparável água que corre da fonte e que não adianta “prender na cantarinho de barro”, também a vida não tem retorno, uma temática cadente na escrita da autora.

02 janeiro, 2007

A Bruxinha catita


Referência Bibliográfica:
Castel – Branco, Margarida (2004): A Bruxa Esbrenhuxa. Editor: Verbo. Ilustrações: Carla Antunes.
Para crianças a partir dos três anos.

     “A Bruxa Esbrenhuxa” é uma obra da autoria de Margarida Castel – Branco, autora da primeira série portuguesa de livros juvenis “Mistério & Aventura”, e ilustrado por Carla Antunes.
     Este livro apresenta aos jovens leitores as divertidas aventuras da bruxinha e o seu gato.
     A Bruxa, o rei e o gato vão ao cabeleireiro Ezequiel para fazer permanentes: a primeira aos cabelos, o segundo ás barbas e o terceiro á cauda e ficam a saber que o rei vai organizar um baile em honra do Príncipe Lindo, que tem andado muito triste. As duas princesas mais velhas também vão arranjar o cabelo e logo armam grande confusão, pois querem ambas casar-se com o Príncipe. Só falta a princesa mais nova. Irá a Bruxa Esbrenhuxa ajudar alguma das princesas com a sua magia…
     Trata-se de uma história divertida com uma linguagens simples e até com expressões caricatas e que nos proporciona uma leitura fácil e ao mesmo tempo cómica. No entanto, existem dois vocábulos, “Esbrunhuxa” (giro – tudo que é bom) e “Esbrunhaxa “ (feia – tudo que é mau), que conferem á história uma certa originalidade e ao mesmo tempo um a certa curiosidade em saber o significado, uma espécie de enigma, na qual o significado é apresentado nas notas inicias.
     É de salientar que a obra “A Bruxa Esbrenhuxa” é uma versão imaginativa e divertida do clássico Cinderela, tal facto é considerado pela existência das personagens malvadas (as duas princesas), a personagem boa (a princesa mais nova), um príncipe (Príncipe Lindo) e “…as doze badaladas da meia-noite e tudo transformou”. Porém, nesta narrativa, quem ajuda a princesa mais nova não é a fada (como é caso do clássico da Cinderela), mas a Bruxa o que é importante realçar porque maioritariamente a Bruxa simboliza a malvadez. A Bruxa desta narrativa tem muitas qualidades, pois ajudou princesa mais nova com a sua magia.
     As ilustrações ao longo do livro são repletas de cores vivas e acompanham, sem dúvida, o que o texto afirma. A maneira como a Bruxa está ilustrada, com as vestes coloridas com riscas e bolas, remete-nos para o mundo da fantasia.
     É de sublinhar que esta obra de Margarida Castel – Branco nos envolve no mundo da fantasia em que tudo acaba em harmonia e onde está presente o poder da magia encarado na personagem da Bruxa.
     Em suma, esta narrativa evidencia a supremacia do bem contra o mal; e como quase todas s histórias infantis, tem o final feliz.
 

Reading Adventures: Perspectives on Reading and the Culture of the Book

19 - 21 february 2007
Jerusalem, Israel


Chairperson of Steering Committee: Prof. Zohar Shavit, Unit for Culture Research, Tel Aviv University

This international conference will focus on reading and the culture of the book. The conference is being held as part of and in conjunction with the 23rd Jerusalem International Book Fair, and its aim is to put reading and the culture of the book on the educational and cultural agenda in Israel.

CET – the Center for Educational Technology, principle organizer of the conference, has, for the past 15 years, been active in encouraging reading and in developing school libraries. A non-profit organization, CET develops and runs a range of educational programs aimed at promoting free, voluntary reading among children and adolescents. Particular emphasis is given to creating innovative approaches and using the internet as a tool for promoting reading. CET works with a broad cross-section of Israeli society, and aims to involving parents and the wider community in its programs. Furthermore, CET seeks to increase awareness among educators of the importance of free, voluntary reading and its correlation with academic achievements.

Lectures will be given in Hebrew or in English. Simultaneous translation will be available.

Registration Form for the Reading AdVentures Conference
19-21 February 2007
ICC – Jerusalem International Convention Center
Registration forms can be sent by:
Fax to: 972-3-6460927, with credit card details;
Fax to: 972-3-6460927, with a follow-up call to 972-3-6460137/0179/0166 to provide payment details;
Mail to:
CET, P.O. Box 39513, Tel Aviv 61394, accompanied by check or payment details
Checks should be made out to “CET – Reading AdVentures Conference”Personal Details (Items marked * are required)*
Given Name _____________ *
Family Name ____________ *
I.4. Number ___________*
Private Address ____________________________________________________________* Tel: _________________
Cell: _____________________
Fax: _______________________*
E-mail: _____________________________
Registration for the Conference Sessions 20.2.07 – 21.2.07
Registration Fee: One day – $10 Two days – $15I would like to register for: One day – 20 / 21 February (Circle the appropriate date)
Both days
Registration for the Opening Event 19.2.07 (Konrad Adenauer Conf. Cnt., Mishkenot Sha’ananim)
There is no fee for participation in the Opening Event, but you must register in advance Please register me for the Opening Event on 19.2.07 (at no extra charge)
Registration for the Trip to the Dead Sea 22.2.07
Cost of the trip: $70
Registration may be done at the IGT desk during the conference or in advance through IGT:
Tel. 972-2-5619990 Fax. 972-2-5665277
Accommodation:
Accommodation arrangements for conference participants, at special rates, have been made at the Crowne Plaza (formerly Holiday Inn) and Knesset Towers hotels, which are located adjacent to Binyanei Ha’Uma.
For bookings, please contact IGT directly:
Tel: 972-2-5619990 Fax: 972-2-5665277
PaymentBy check:
Enclosed please find check in the sum of $ _____ (Checks should be made out to “CET – Reading AdVentures Conference”)For (please indicate name of participant and the number of days): ____________________________________________ Paid for by employer Paid for by participantName of organization paying _______________________ Signature of authorized officer and stamp ________________Credit Card: Visa Other _____________Number: ________________________________ Valid to ___/___/___Registration forms not accompanied by payment will not be acceptedConfirmation of your registration will be sent to you only upon receipt of your payment
Parking: Parking is available in the Binyanei Ha’Uma parking areas. Participants are responsible for their own parking fees Public Transportation: All "Egged" bus routes to Jerusalem Cancellation: Notice of cancellation should be sent by fax to 972-3-6460927, or by phone to one of the above numbers. Cancellations must be received no later than 12.2.07. Following this date, registration fees will not be refunded.Name: _____________________ Signature: _____________________________
Enquiries and further details:
Mali Salei 972-3-6460188
malis@cet.ac.il

Um Dia à Beira – Mar



Gay, Marie-Louise (autora e ilustradora): Stella, Estrela do Mar. Livros Horizonte (2005: 3ªEdição)
Tradução: Manuela Pessoa
ISBN: 972-24-1086-5 Idades Recomendadas: 2 a 6 anos



A canadiana Marie-Louise Gay é a autora e ilustradora de Stella, Estrela do Mar. Editado pela Livros Horizonte, teve a sua primeira edição em Portugal em 2000. Este álbum de ficção faz parte da colecção Stella, com outras seis histórias editadas pela mesma autora. Marie-Louise recebeu muitos prémios, entre os quais o Governor General’s Award, no Canadá, onde vive. Stella e o seu pequeno irmão Simão são os heróis destas aventuras que retratam a relação e experiências vividas por dois irmãos na infância. Stella, irmã paciente, acompanha Simão na sua primeira ida à praia, e partilha das suas emoções. Este acha o mar muito grande e barulhento e, tomado de grande curiosidade, dispara uma pergunta atrás de outra: De onde vêm as estrelas-do-mar? O mar toca no céu? O que é isto? O que é aquilo?... Stella responde a cada pergunta, mas acaba por exclamar: “Simão, vens ou não?” (para a água). Será que entra? A relação entre eles revela afecto e respeito, e pode ensinar aos irmãos mais velhos a aceitar e partilhar as infantilidades dos mais novos. As animadas ilustrações, pintadas a aguarela, retratam um dia passado à beira mar por estes dois irmãos, realçando bem o carinho que os une. O texto icónico é, nesta história, uma extensão do texto verbal no sentido em que aparecem mais personagens (um cão, outras crianças). É ainda muito rico em termos figurativos, pois as cores utilizadas são muito suaves e baseiam-se essencialmente no azul (céu e mar), e no bege (areia), com excepção para o cabelo de Stella, um ruivo muito vivo que se destaca em todas as ilustrações. O texto verbal é composto por muitos adjectivos (acerca do mar, etc) e, através dele, as crianças aprenderão novas palavras. Poderão ganhar uma maior curiosidade e procurarem por si mesmas os seres que habitam o mar. A autora pretende, através desta simples história, relatar e valorizar as emoções vividas na infância e com as quais o leitor se possa identificar, ou até relembrar (no caso de ser adulto). É ainda um óptimo livro em termos de grafismo e em termos verbais no sentido em que pode proporcionar um ponto de partida para um desenvolvimento da história a nível do imaginário, por exemplo para crianças que nunca viram o mar.

01 janeiro, 2007

Mãe há só uma!

Carvalho, Maria João Lopo de Carvalho (2005). A Minha Mãe é a Melhor do Mundo. Ilustração de Helena Nogueira. Lisboa. Oficina do Livro

ISBN: 989-555-135-5


A partir dos 3 anos

A Minha Mãe é a Melhor do Mundo tem como autora do texto verbal Maria João Lopo de Carvalho, que é licenciada em Letras, passou pelo ensino, publicidade, política e acção social, e de ilustração, Helena Nogueira.
Esta história fala-nos de um menino, o Gil, que se cansou da mãe que tem por não o deixar fazer o que quer. Decide, então, que quer trocar de mãe.
Os seus amigos, Miguel e Rafas, contam-lhe que havia uma loja de mães onde podia escolher a que mais lhe agradasse. O Gil decide ir a essa loja.
Quando lá chega, encontra vários quadros com desenhos das mães que podia escolher. Como não sabia qual era a melhor, decide experimentar todas. Mas nenhuma lhe agradou e como já estava com saudades da sua mãe resolve voltar para casa.
Quando chega a casa não encontra a sua mãe. Esta tinha ido à loja das mães encontrar outro filho. O Gil fica muito triste.
Na manha seguinte, o Gil acorda com a voz da sua mãe e fica contente por esta não o ter trocado pois não encontrou outro filho como o Gil.
O tema desta história é actual visto que se refere ao que acontece nos nossos dias. As crianças queixam-se das mães que têm pois estas não as deixam fazer tudo aquilo que elas querem.
Dessa forma a história permite à criança perceber que a sua mãe é única, que ela está sempre lá quando precisa mesmo que, por vezes, não a deixe fazer tudo o que ela quer.
Permite, também, fazer entender à criança, que o facto de haver outras mães, e às vezes achar que a mãe dos outros é melhor que a nossa, não há nada melhor como a nossa mãe verdadeira.
Desta forma, é uma história ternurenta acerca das relações que as mães têm com os filhos.
As ilustrações, nesta história, são apresentadas de forma inovadora pois estas são cúbicas. Assim, diferenciam-se das outras histórias por serem diferentes. Estas são, também, grandes, engraçadas e com cores atractivas.
A imagem ocupa uma parte do livro, confirmando e acompanhando aquilo que é dito no texto verbal. Este tem uma linguagem fácil e acessível. Desta forma facilita a compreensão da história por parte da criança.
De salientar que na capa do livro se encontra o símbolo da fundação do Gil. A Fundação do Gil, criada em 1999, tem como objectivo a integração social das crianças e jovens que se encontrem internados em unidades hospitalares, prisionais entre outras. Para conseguir realizar os seus projectos, a Fundação promove acções de carácter cultural, educativo, artístico, científico, social e de assistência.
Neste sentido, Maria João Lopo de Carvalho e Helena Nogueira participaram na Fundação com a criação deste livro. Assim como elas já outros autores têm ajudado a Fundação a conseguir atingir os seus objectivos com a venda de livros (em que uma percentagem da venda reverte para a Fundação).

Carina Ferreira

Um outro olhar sobre a adopção!



Gray, Kes (2006). O Coelhinho Tremeliques. Ilustração de Mary Mcquillan. Porto. Gailivro.

ISBN: 989-557-290-5


A partir dos 4 anos

Kes Gray, autor do texto verbal, tem uma carreira com 20 anos no âmbito da qual escreveu livros de literatura infantil, séries de ficção juvenil e anúncios. Relativamente a prémios recebeu o “coveted overall” nos prémios da Federação de livros para crianças e, também, o prémio “Sheffield”, da categoria da ilustração do livro; Mary Mcquillan, autora do texto icónico, é muito conhecida no Reino Unido e tornou-se muito considerada por todo mundo pelas suas ilustrações para livros de crianças.
Este livro fala-nos de um jovem coelhinho, o Tremeliques, que foi adoptado pela Vaca Mil-folhas e o Cavalo Caniço.
Um dia, os seus pais adoptivos decidem contar-lhe a verdade. Tremeliques não percebeu, pois para ele Mil-Folhas e Caniço eram coelhos e seus pais biológicos.
Quando se apercebeu que realmente não podia ser filho de uma vaca e de um cavalo foge para muito longe. Os seus pais tentaram encontrá-lo mas em vão.
Ao regressarem a casa, os seus pais deparam-se com uma criatura estranha. Era Tremeliques que se tinha disfarçado de forma a parecer um cavalo e uma vaca.
Então, estes explicaram-lhe que tal não era necessário, pois para eles, o Tremeliques é seu filho biológico, apesar de ser um coelho.
Esta história incorpora um tema bastante actual e inovador que é a adopção, na medida em que, a partir de uma história para crianças, tenta-se transpor o que acontece na vida real, de forma a quebrar barreiras quando se fala em adopção. É, assim, uma história positiva perante a vida pois mostra uma forma de se abordar o tema sem magoar os sentimentos das crianças. Tenta também fazer ver, tanto aos pais como às crianças, que, para pertencer a uma família, não é necessário haver uma relação biológica e que questões como a raça, cor ou até características físicas diferentes não são obstáculo para que haja uma família.
É uma história de amor que possibilita à criança perceber o significado de família, alargar os seus conhecimentos acerca do mesmo e compreender este tema (adopção). Expor esta história a crianças é gratificante, pois, como já foi dito, permite-lhes perceber o que é a adopção e que não é necessário ser filho biológico para pertencer a uma família.
Quanto às ilustrações, visto este ser um álbum, ocupam grande parte do livro. Estas são grandes, com cores atractivas, e acompanham o texto verbal. Neste sentido ilustram aquilo que é dito, no entanto, podem, também, fornecer ao leitor outras informações que no texto se encontram implícitas. Deste modo permitem expandir horizontes.
O texto verbal é reduzido visto que no livro predomina a ilustração. Neste é utilizado uma linguagem simples permitindo uma adequada percepção das crianças relativamente à informação que é partilhada.
Uma outra referência acerca do livro é o facto de ser parte integrante na tradição das fábulas: as personagens são animais que falam.
Assim como este texto existem outros que permitem à criança perceber o mundo que a rodeia. Temos como exemplo o livro A Mamã pôs um ovo de Babette Cole, que explica a forma como nascem os bebes.

Carina Ferreira