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06 setembro, 2007

O Sonhador: uma leitura de apelo à Imaginação




Texto: Ian McEwan
Ilustração: Anthony Browne
Editora: Gradiva – Publicações, Lda (2007 [1ª Ed. 1995)]
ISBN: 978-972-662-408-0
Aconselhado: A todos os que sabem observar, reflectir e abrir os braços ao sonho!


Este é um livro que me chegou pela mão querida de quem sabe o que significa ler o Imaginário na sua essência mais pura. O Sonhador (2007 [1ª ed. 1995]) é uma narrativa do já reconhecido escritor Ian McEwan, prestigiado por vários e importantes prémios literários britânicos e que se estreia, assim, de forma espectacular na literatura de potencial recepção leitora juvenil.

Abre-se o livro e a epígrafe reclama, de imediato, a nossa atenção para a noção da metamorfose que, de forma mais ou menos evidente, ou mais ou menos consciente nos faz seres sociais. E certo é que a intenção autoral que se lê por detrás das palavras do poeta Ovídio: «“O meu objectivo é falar de corpos que se transformam em formas de outro tipo”, Metamorfoses, Livro I» in O Sonhador, se dá a ler de forma absolutamente completa. McEwan parece propor um livro de contos feito de um conto só: o da metáfora da vida enquanto espaço cosmogónico do Ser em crescimento e da aprendizagem, mas, essencialmente, da curiosidade e experiência premeditadas.

Ousaria afirmar que O Sonhador reclama, no avançar da leitura, a consciência do sujeito-leitor para as diferentes formas do querer existir num estado de co-existencia diária obrigatória. Ousaria ainda dizer que esta narrativa, onde a metamorfose poderia adjectivar-se de psicológica, física, metafísica, familiar, e de outras tantas, se transforma numa macro-metamorfose: a do indivíduo social, responsável (na sua essência vivencial) pela força da imagem da identidade do Eu, que por si só nos reporta para a temática da mutação, quer pela dupla corporalização dos seres, quer pela antropomorfização dos objectos.

Pela voz de um narrador hábil no trato com as personagens, Peter é-nos apresentado logo no primeiro capítulo como uma «criança difícil» mas que nunca reconheceu ou entendeu tal caracterização. Afinal «não despejava Ketchup por cima da cabeça a fingir que era sangue, nem sequer dava com a espada nos tornozelos da avó (…), comia tudo» e não era nem mais nem menos do que os meninos da sua idade. O que haveria então em Peter que o tornava assim tão difícil? Peter, segundo os adultos, «era difícil por ser tão calado, e gostar de estar sozinho» (2007: 9)!

Como invejo (não se compreenda aqui a carga negativa da expressão) a sabedoria desse menino de dez anos que, por querer, sabia viver à margem de determinadas condicionantes sócio-familiares às quais nos subjugamos usando, quantas vezes, de um mau estar que nos torna tão iguais a todos aqueles que ousamos criticar. É pois esta falta de resignação de Peter Fortune, que gostava de estar sozinho para «poder pensar à vontade», que me cativa. Sereno, tranquilo e alheio à forma estupidamente rotineira dos adultos, a personagem do conto representa o Ser Simbólico, que pela evasão cria o seu próprio real empírico.

O quotidiano de Peter é narrado num equilíbrio que nada revela de precário, como se da consciência individual da personagem se tratasse, onde realidade e fantasia se cruzam, deixando que o leitor possa aceder a uma das mais espectaculares situações de literariedade: a do verosímil vs inverosímil enquanto marco preponderante no rompimento com ideologias pré-estabelecidas.

É pois o acto de saber compactuar com o autor que gostaria de destacar nesta obra absolutamente literária, e remeter para a poeticidade do Imaginário que dela emerge. Apelando sistematicamente à participação do leitor, que pode experimentar de um todo a partir das várias aventuras levadas a cabo pela personagem principal, somos levados por este “sonhador” convicto, à primeira grande metamorfose do Ser consciente, o que nos permite conhecer Peter (num dos episódios da obra) enquanto o sujeito activo da participação. Assim, este é induzido pelo seu próprio gato William a participar no jogo da permuta, o que o leva a ousar trocar de identidade com este.

O episódio relatado é de uma intensidade descritiva tal que não nos é sequer possível questionar o estado ficcional retratado, e a mimésis estética torna-se efectivamente completa: gato-rapaz e rapaz-gato transformam-se num só ser identitário. A morte de William fecha o capítulo com chave de ouro, sentindo-se na imagem da morte a imagem da própria cumplicidade estabelecida entre este narrador particularmente consciente, o Eu, e o objecto da sua identificação versus alteridade.

O leitor não se deixa contudo ficar e entra de rompante na mais inverosímil das histórias: a do «Creme de desaparecer». O mini-conto inicia-se com uma observação absolutamente trivial, que nos remete para a imagem do lar. Os Fortune, como qualquer outra família, têm também aquela típica «gaveta da cozinha», que, quando indicada, se distingue de todas as outras gavetas.

As considerações tecidas pelo narrador, sobre a respectiva gaveta, levar-nos-iam para outras tantas considerações sobre a noção de pertença, contudo, o que mais importa é a noção de descoberta realizada pela presença de um «pequeno frasco azul-escuro com uma tampa preta» (2007: 51) que contem o creme de desaparecer, e que Peter irá usar intencionalmente para apagar toda a sua família. Descuidado, o leitor poderia deixar-se pensar que o narrador quis transformar a personagem principal num psicopata assassino, capaz de matar a própria família, usando de um método eficaz e limpo. Bem, não me parece que o nosso leitor se deixe enganar por uma preguiça qualquer. Dado que este se mantém em diálogo literário com o escritor, o leitor sabe que a intenção autoral foi apenas a de suscitar reflexões plurais sobre as noções de identidade / alteridade que em cada um de nós marcam a diferença ou a similitude com o outro, e que são, hoje mais do que nunca, tema de debate para muitos dos mais jovens.

O Sonhador faz-se, assim, de sete pequenos contos, onde se deixam ler as mais diversas experiências de vida que se balizam entre os momentos do sonho, os da realidade empírica e os da realidade sonhada. Caso assim não fosse, este magnífico ensaio sobre a vida de todos os dias não terminaria com o reforço das imagens da liberdade e do sonho, que parecem estar ao alcance de cada um de nós quando nos convidam a olhar o mar e a participar da descoberta de um tesouro: «– Descobrimos um tesouro, Peter! – Vou já – respondeu Peter. – Vou já! – E começou a correr em direcção `a beira-mar. Sentiu-se ágil e leve ao deslizar sobre a areia. «Vou descolar», pensou. Estaria a sonhar ou a voar?» (2007: 115). Eu já vou indo. E vocês? Venham. Voar é saber ir para além do sonho!


Gisela Silva

05 setembro, 2007

Educação e Imaginário na Universidade do Minho

A Universidade do Minho acolhe no próximo dia 24 de Novembro, no Auditório do Centro Multimédia (Instituto de Estudos da Criança), o Colóquio Internacional Educação e Imaginário: Literatura e Romance de Formação.


Programa
9h00 - Recepção dos Participantes
9h30 - Abertura
10h00 - Conceitos e Realização de Bildung e de Bildungsroman
Horst Bergmeier (Investigador – Cied do Instituto de Educação e Psicologia da Universidade do Minho)
10h30 - El Doppelgänger y la novela de formación. En el cielo con diamantes
Maria Ángelez Rodríguez Fontela – Prof. Titular da Universidade de Santiago de Compostela (Espanha)
11h00 - Bildung et Imagination dans l’Éducation : la formation de l’homme intégral
Julien Lamy – Investigador da Université Jean Moulin – Lyon 3 (França)
11h30 - Debate
12h00 - Apresentação pelos coordenadores da obra Imaginário, Identidades e Margens
12h30 - Almoço livre
14h30 - Novalis e o Bildungsroman do Romantismo: Heinrich von Ofterdingen
Gabriela Fragoso – Prof. Aux. da Universidade Nova de Lisboa (Fac. de Ciências Sociais e Humanas)
15h00 - A Desmistificação do Desejo em Coração, Cabeça e Estômago de Camilo Castelo Branco
Sérgio Paulo Guimarães de Sousa – Prof. Aux. da Univ. do Minho (Instituto de Letras e Ciências Humanas)
15h30 - Reflexão sobre a Formação: na Idade da Ansiedade
Jaime Becerra da Costa – Prof. Aux. da Universidade do Minho (Instituto de Letras e Ciências Humanas)
16h00 - Debate
16h30 - Pausa
17h00 - O Bildungsroman na tradição literária italiana: fortuna e adaptação de uma forma simbólica
Elena Brugioni – Leitora de Língua Italiana da Universidade do Minho (Instituto de Letras e Ciências Humanas)
17h30 - Encerramento


A entrada é livre, mas está sujeita a inscrição prévia.

Organização:
IEP - Departamento de Pedagogia
IEC - Departamento de Ciências Integradas e Língua Materna
Centro de Investigação em Educação
Centro de Investigação em Promoção da Literacia e Bem-Estar da Criança


Contactos:
afaraujo@iep.uminho.pt
fraga@iec.uminho.pt

19 agosto, 2007

Concepções e Práticas dos Professores em Análise

Ana Paula Rua da Silva Malheiro Pereira dos Reis defende dia 20 de Agosto, pelas 10h30, a sua dissertação de Mestrado em Estudos da Criança - Análise Textual e Literatura Infantil subordinada ao tema Concepções e Práticas: Lugares e Gestos da Literatura Infantil no 1º Ciclo do Ensino Básico.

O júri é composto pelos seguintes elementos:
Prof. Doutor Fernando Azevedo (Universidade do Minho)
Prof.ª Doutora Maria de Lurdes Magalhães (Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Viana do Castelo)
Prof.ª Doutora Judite Maria Zamith Cruz (Universidade do Minho)

Local: Sala de Actos do DCILM / IEC - CP2 - Campus de Gualtar

A entrada é livre.

Formação de Leitores por meio de contos

Ana Paula Vieira Pinto de Oliveira defende dia 20 de Agosto, pelas 12h, a sua dissertação de Mestrado em Estudos da Criança - Análise Textual e Literatura Infantil subordinada ao tema Alguns Gestos e Olhares do Conto A Gata Borralheira na Formação do Leitor Competente.

O júri é composto pelos seguintes elementos:
Prof. Doutor Fernando Azevedo (Universidade do Minho)
Prof.ª Doutora Maria de Lurdes Magalhães (Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Viana do Castelo)
Prof.ª Doutora Judite Maria Zamith Cruz (Universidade do Minho)
Local: Sala de Actos do DCILM / IEC - CP2 - Campus de Gualtar

A entrada é livre.

17 julho, 2007

Género, Nação e Cidadania na Literatura Infanto-Juvenil

Thereza Christina Vianna Ferreira defende dia 19 de Julho, pelas 10h30, a sua dissertação de Mestrado em Estudos da Criança - Análise Textual e Literatura Infantil subordinada ao tema Rupturas e Continuidades na Representação de Género, Nação e Cidadania: Exemplos da Literatura Infanto-Juvenil Portuguesa.

O júri é composto pelos seguintes elementos:
Prof. Doutor Fernando Azevedo (Universidade do Minho)
Prof.ª Doutora Joana Passos (Universidade do Minho)
Prof. Doutor José António Gomes (Escola Superior de Educação do Porto)
Local: Sala de Actos do Conselho Académico - CP2 - Campus de Gualtar
A entrada é livre.

Literaturas Pós-Coloniais para a Infância em destaque

Elsa Sousa Faria defendeu hoje, em provas públicas, a sua dissertação de Mestrado em Estudos da Criança - Análise Textual e Literatura Infantil subordinada ao tema A Fonte e a Foz. Percursos Pós-Coloniais das Literaturas Africanas em Língua Portuguesa para Crianças e Jovens.

O júri foi composto pelos seguintes elementos:
Prof. Doutor Fernando Azevedo (Universidade do Minho)
Prof.ª Doutora Maria de Fátima Albuquerque (Universidade de Aveiro)
Prof.ª Doutora Cláudia Sousa Pereira (Universidade de Évora)

Promoção Cultural e Mediação em Bibliotecas

Maria Helena Coelho e Silva defendeu ontem, em provas públicas, a sua dissertação de Mestrado em Estudos da Criança - Análise Textual e Literatura Infantil subordinada ao tema Práticas de Promoção Cultural e de Animação. Uma Experiência de Mediação em Contexto de Biblioteca Itinerante.
O júri foi composto pelos seguintes elementos:
Prof. Doutor Fernando Azevedo (Universidade do Minho)
Prof.ª Doutora Judite Zamith-Cruz (Universidade do Minho)
Prof.ª Doutora Otília da Costa e Sousa (Escola Superior de Educação de Lisboa)

14 julho, 2007

Ensinar a ler com histórias infantis

Tal como aos navegadores do século dezasseis lhes era pedido que soubessem ler as estrelas, aos navegadores de hoje, que se debatem imersos no manancial de informação que os rodeia, lhes é pedido que não só saibam descodificar as mensagens mas que, sobretudo, saibam perceber significados por detrás dos enunciados orais, escritos, visuais, etc...
Nesta ordem de ideias ler é compreender; ler é traduzir em pensamentos os sons das letras e palavras; ler é construir sentimentos e perceber emoções, enfim ler é sobretudo interpretar a vida ao sabor das letras...
Mas se ler é tudo isto, o que fazem as nossas crianças quando começam a aprender a ler?
Nesta altura, de fim de ano lectivo, podemos passear pelos livros de iniciação à leitura do 1º ciclo do ensino básico e parar para pensar! É isto mesmo que eu quero ensinar?! É desta forma que eu quero que os meus alunos tenham contacto com a linguagem escrita?
As alternativas são possíveis e esta nós vos propomos: "As Letras falam" de Rafael Cruz-Contarini e ilustrado por Maribel Suarez da Everest Editora.
Estas letras que falam, dizem-nos:
Sou o F de festa e de fonte
e eu o A de água e de abrir
este é o C de céu e cereja
aquele o V de vaca e Vladimir.

09 julho, 2007

A escrita de Mário Castrim para a Infância e Juventude

Maria de Fátima Campos defende na 3ª feira, dia 10 de Julho, pelas 10h, a sua dissertação de Mestrado em Estudos da Criança - Análise Textual e Literatura Infantil, subordinada ao tema: Encantar para Ler. A Escrita de Mário Mário Castrim para a Infância e Juventude.

Local: Sala de Actos do Conselho Académico - CP2 - Universidade do Minho (campus de Gualtar, Braga)
Júri:
Prof. Doutor Fernando Azevedo (Universidade do Minho)
Prof. Doutor Carlos Cunha (Universidade do Minho)
Prof. Doutor José Cândido Martins (Universidade Católica Portuguesa)
A entrada é livre.

O Último Grimm: descoberta, participação e fruição do objecto literário





Texto: Álvaro Magalhães
Ilustração: Pedro Pires
Editor: Edições Asa
Colecção: Romance Jovem
ISBN-13: 9789724150789
Ano de Edição: 2007
Aconselhado: a todos os que querem um verdadeiro momento de fruição e de partilha de emoções.



Corria o ano 1951, quando um belo dia, envolto nos braços carinhosos da mãe, um menino, nascido no Porto, via pela primeira vez o mundo. Deram-lhe o nome de Álvaro. Ainda pequeno e já às voltas com as letras, achou que lá mais para frente poderia ser escritor e, um dia, depois de muitos anos de trabalho, apelidou-se de “Brincador”, recusando tudo o que o afastasse da magia da palavra trabalhada.
No início dos anos 80, o homem que já sabia brincar no enredo das palavras, estreou-se como um escritor assumido, e em 1982 lançou o seu primeiro livro para crianças Histórias com muitas letras. As letras foram-se juntando numa tecedura árdua e diária, o que lhe permitiu um lugar no pódio literário e ter hoje uma obra referencial para o leitor infantil e juvenil, onde o apelo à imaginação, ao sonho e ao ser são uma constante.
Álvaro Magalhães é portanto o autor da genuína militância no cumprimento da hegemonia literária, o que torna os seus princípios autorais intensamente fortes quer ao nível da intertextualidade, quer ao nível das leituras plurissignificativas que, segundo Wolfgang Iser (Cf. 1997) provocam momentos de verdadeiros desafios interpretativos e de fruição no leitor que se propõe descobrir, alicerçando uma adequada preparação para momentos do seu crescimento intelectual e psicológico.
Todos sabemos o quanto já é significativo o património literário deste escritor bem português, que conhece como poucos os desejos e anseios dos mais jovens – relembre-se a obra dramática Todos os Rapazes são Gatos (2005, 1ª Ed. Asa) ou ainda Hipopóptimos uma história de amor (2001, 1ª Ed. Asa), vencedora em 2002 do Grande Prémio Gulbenkian de Literatura Infantil para o melhor texto literário publicado no biénio 2000 e 2001, para não comentar os textos poéticos, que são de uma solenidade e entrega únicas onde se lêem a nostalgia da infância e a essência do ser –.
Sabemos, pois, que as consubstanciadas linhas ideotemáticas que advêm da obra narrativo-poética do autor elegem o indivíduo enquanto ser em descoberta – de si mesmo e do outro – que num processo de adaptação ou inadaptação social, procura a resposta mais adequada às suas solicitações.
As imagens do crescimento do indivíduo, enquanto sujeito em iniciação, na defesa da sua própria demanda individual e/ou colectiva; a detecção do pueril (no seu estado de magnificência absoluta); a obtenção da felicidade/infelicidade; a fruição da essência do belo; do efémero, e da própria essência da vida constam da preocupação autoral e constituem um permanente registo da sensibilidade literária de Álvaro Magalhães.
Devo salientar o carinho especial com o qual li e “namorei” O Último Grimm, e o quanto me foi gratificante sentir a majestade da escrita deste autor que nos dá a ler, mais uma vez, o verdadeiro sentido da sensibilidade, da reminiscência, da lembrança que nos ficou de outras leituras. Claro que o apego afectivo que tenho pela Ilha do Chifre de Ouro – a primeira do autor pertencente à «Colecção Jovem Romance», lançada pelas Edições ASA em 2004, cuja 1ª edição é da Dom Quixote e data de 1998 – é notório para quem conhece as linhas orientadoras do meu trabalho, pois considero-a uma narrativa de uma elevadíssima qualidade literária, o que a destaca ao nível das narrativas referentes ao acervo literário da literatura Infanto-Juvenil em Portugal para jovens leitores.
O Último Grimm, a segunda obra do autor para esta colecção, revela-se como uma obra estético-literária de fruição e, por isso mesmo, como uma nova obra onde o desafio interpretativo se regista, logo de imediato desde a excelente ilustração de Pedro Pires e do título da capa. Desde logo, parece ser necessário considerar o maravilhoso e o fantástico como os principais tópicos desta narrativa e antever a história de um herói: William Zimmer, que a partida é da descendência dos irmãos Grimm.
A participação do herói obriga-nos a entender a missão a cumprir não deste lado, onde vivem também duendes e fadas, mas do outro lado, na terra do «Povo das Histórias» (Cf. Magalhães, 2007: 209-331). Ora, assim sendo, tempo e espaço vão balizar-se entre as noções do transformável – pelo acesso ao outro lado – e as ideias do empírico-factual, postas de parte. Assim, rejeitadas a homogeneidade e isomorfia do espaço, bem como a ideia matemática que o reduz a uma massa convencional e limitativa, e tomadas em consideração as diferentes investidas do herói num tempo entendido como uma medida física absolutamente relativa, é possível participar na aventura de William e contar partes da sua história.
A beleza emergente da terra do «Povo das Histórias», por onde William vai andar, revela-se na plenitude de uma tela verbalmente criada a partir de certeiras pinceladas coloridas, cujos significados simbólicos delineiam os traços representativos do ad infinitum que, por sua vez, reclama a fórmula hipercodificada do “Era uma vez” como entidade fictícia, ou não, do intemporal.
Em O Último Grimm, o mundo tido como empiricamente “normal” e o mundo do irreal e do contrafactual, que é o das personagens dos contos maravilhosos e fantásticos: bruxas, fadas, duendes, ogres, dragões alados, e mais concretamente, do Gato das Botas, do Peter Pan, do Joanica-Puff, da Rainha de Copas, entre outras criadas pelo imaginário autoral, não obriga ao aparecimento de uma linha divisória restrita e confinada ao medível e irrefutável para a compreensão da história. Basta querermos considerar a nossa realidade e considerar simultaneamente uma outra realidade que é mágica.
Se também nesta obra, Álvaro Magalhães destravou o ferrolho da porta que impedia um entendimento entre essas duas realidades e permitiu que ambas as realidades temporais e espaciais fossem das nossas percepções, deixemos que o sonho e o imaginário instiguem em simultâneo fantasia e realidade e que o leitor se deixe conduzir, desfrutando da aventura do herói.
Para que a aparição dessa realidade do para-além e do contrafactual se tornasse harmoniosa, a experiência do espaço e do tempo fez-se, desde o início da narrativa, no traçado de uma linha paralela. Relembre-se, aqui a surpresa de William quando se deparou com os dois duendes que «brincavam animadamente enquanto bebiam água» (2007: 17) no jardim da quinta. Pensemos ainda no espanto da personagem quando, já na terra das histórias, compreendeu que o tempo é efectivamente uma velocidade relativa capaz de baralhar os ponteiros do um relógio “normal” e confundir a própria noção estereotipada que temos do tempo e que se no nosso lado vale uma hora, na terra do «Povo das Histórias», isto é, no «outro lado» vale o dobro ou o triplo (Cf., 2007: 212; 327).
Numa mão sonhos, e na outra um convite para a aventura da leitura pluri-isotópica, o autor entregou o fruto da sua imaginação criadora a um público-leitor que procura, nas várias prateleiras, obras onde a supremacia de uma enunciação discursivo-imagética possa surpreendê-lo.
Só nos cabe, enquanto leitores atentos, jovens ou menos jovens, tecer um elogio ao autor por permitir que fantasia, maravilhoso e imaginário sejam os ícones do simples e do belo, integrando-os nos assuntos de mesa.
Ousemos, então, um BEM-HAJA a este grande escritor que sabe ter a responsabilidade de encantar e motivar e não se coíbe em fazê-lo; um aplauso a todos os jovens leitores que sabem reflectir sobre as suas múltiplas responsabilidades e que, levantando os olhos, olham em frente, tal como as muitas personagens que povoam o Último Grimm, sobretudo William e Peter Zimmer; e um agradecimento aos educadores e pais que, pela partilha, irão participar das aventuras de heróis já esquecidos. Este é, sem dúvida, um livro recheado de emoções, onde as noções do belo, da responsabilização e consequentes tomadas de consciência, nos mostram o quanto os nossos meninos e adolescentes procuram valores de definição nas suas tarefas.



Referências bibliográficas:


ISER, Wolfgang (1997). L’acte de lecture. Théorie de l’effet esthétique. Belgique: Pierre Mardaga éditeur [Ed. Original : West Germany: Wilhelm Fink Verlag, 1976].


Gisela Silva.

30 junho, 2007

Tradução portuguesa: As Ideias da Bia, Minutos de Leitura
Elisabeth Baguley estudou literatura antes de se ter aventurado no ensino, como professora de língua materna. Começou a escrever para crianças, quando percebeu o poder que os livros tinham quando lia, ao deitar, para as suas filhas pequenas e isso permitiu-lhe desenvolver uma escrita simples, mas no entanto cheia de significado, no mundo em que vivemos. O livro Meggie Moon, que em português está traduzido por As Ideias da Bia, conta-nos a história de uma menina chamada Bia que com paciência, preserverança e inteligência consegue entrar no território dos rapazes e fazer valer o seu carisma, depois de eles lhe terem dito que: "Nós não brincamos com raparigas". Então, ela constrói um fantástico carro de corridas e um magnífico navio pirata que deixa os seus amigos rapazes cheios de admiração. Eles terão de admitir que ela, de facto, tem ideias brilhantes...

29 junho, 2007

Leitura e Literatura Infantil em análise

Carminda Correia defende na 2ª feira, dia 2 de Julho, pelas 15h, a sua dissertação de Mestrado em Estudos da Criança - Análise Textual e Literatura Infantil, subordinada ao tema: Leitores de Hoje: uma visita guiada pela Literatura Infantil.

Local: Sala de Actos do Conselho Académico - CP2 - Universidade do Minho (campus de Gualtar, Braga)

Júri:
Prof. Doutor Fernando Azevedo (Universidade do Minho)
Prof.ª Doutora Maria de Lurdes Magalhães (Escola Superior de Educação de Viana do Castelo)
Prof.ª Doutora Renata Junqueira de Souza (Universidade Júlio Mesquita Filho, Presidente Prudente, Brasil)

A entrada é livre.

Formar Leitores: Pais e Professores Protagonistas

Lúcia Barros defende na 2ª feira, dia 2 de Julho, pelas 10h, a sua dissertação de Mestrado em Estudos da Criança - Análise Textual e Literatura Infantil, subordinada ao tema: Formar Leitores: Pais e Professores Protagonistas.

Local: Sala de Actos do Conselho Académico - CP2 - Universidade do Minho (campus de Gualtar, Braga)

Júri:
Prof. Doutor Fernando Azevedo (Universidade do Minho)
Prof.ª Doutora Ângela Balça (Universidade de Évora)
Profª Doutora Renata Junqueira de Souza (Universidade Júlio Mesquita Filho, Presidente Prudente, Brasil)

A entrada é livre.

24 junho, 2007

«O Segredo», de Álvaro Magalhães na Biblioteca Almeida Garrett


A Não Perder:

«O Segredo», de Álvaro Magalhães na Biblioteca Almeida Garrett
Actividade: «História de um segredo» − PortoA companhia Pé de Vento tem mais um espectáculo baseado na obra de Álvaro Magalhães. "História de um segredo" é a peça que se apresenta a partir de 17 de Junho na Biblioteca Almeida Garrett, no Porto. Aqui ficam os detalhes:História de Um Segredo é a mais recente produção da companhia de teatro Pé de Vento, encenada por João Luiz, a partir de um conto de Álvaro Magalhães. Estreia no próximo dia 17 de Junho, às 16h00, e estará em cena até 30 de Julho, num dos pátios exteriores da Biblioteca Municipal Almeida Garrett, no Porto. O Segredo (2007), de Álvaro Magalhães recria um motivo tradicional, presente em diversas culturas. Um rei poderoso, incapaz de suportar o segredo que guarda desde pequeno, conta-o a um seu criado. “Se o deixares escapar, pagarás com a tua própria vida”, avisa o rei. “É fácil”, pensou o criado, “basta não o contar”. Mas aquele segredo não era um segredo qualquer. Estava vivo. E o que ele mais queria era deixar de ser um segredo. E depois? Bem, esse é o segredo que só o Pé de Vento pode contar.A história de Álvaro Magalhães, encenada por João Luiz, tem cenografia de João Calvário e Cristina Lucas e interpretação de Anabela Nóbrega. Os figurinos são de Susanne Rösler e a música de Tilike Coelho.Data e horário: até 30 de Julhode 3ª a 6ª feira, às 11h00 e às 15h00, para público organizado, e aos sábados e domingos, às 16h00, para o público em geral.Classificação etária: maiores de 4 anos, mas indicada para todas as idades: os actores são verdadeiros profissionais e a história a desenvolver permite uma reflexão entre pais e filhos.Local:Biblioteca Almeida Garrett, no Portotef 22 610 89 24

(2007). «A História de Um Segredo», Porto. [em linha] [consultado em 22 Junho. 2007] disponível em http://agendadosmiudos.blogspot.com/search/label/Assunto:%20Teatro (texto adaptado).

«O Segredo», de Álvaro Magalhães na Biblioteca Almeida Garrett


A Não Perder:

«O Segredo», de Álvaro Magalhães na Biblioteca Almeida Garrett
Actividade: «História de um segredo» − PortoA companhia Pé de Vento tem mais um espectáculo baseado na obra de Álvaro Magalhães. "História de um segredo" é a peça que se apresenta a partir de 17 de Junho na Biblioteca Almeida Garrett, no Porto. Aqui ficam os detalhes:História de Um Segredo é a mais recente produção da companhia de teatro Pé de Vento, encenada por João Luiz, a partir de um conto de Álvaro Magalhães. Estreia no próximo dia 17 de Junho, às 16h00, e estará em cena até 30 de Julho, num dos pátios exteriores da Biblioteca Municipal Almeida Garrett, no Porto. O Segredo (2007), de Álvaro Magalhães recria um motivo tradicional, presente em diversas culturas. Um rei poderoso, incapaz de suportar o segredo que guarda desde pequeno, conta-o a um seu criado. “Se o deixares escapar, pagarás com a tua própria vida”, avisa o rei. “É fácil”, pensou o criado, “basta não o contar”. Mas aquele segredo não era um segredo qualquer. Estava vivo. E o que ele mais queria era deixar de ser um segredo. E depois? Bem, esse é o segredo que só o Pé de Vento pode contar.A história de Álvaro Magalhães, encenada por João Luiz, tem cenografia de João Calvário e Cristina Lucas e interpretação de Anabela Nóbrega. Os figurinos são de Susanne Rösler e a música de Tilike Coelho.Data e horário: até 30 de Julhode 3ª a 6ª feira, às 11h00 e às 15h00, para público organizado, e aos sábados e domingos, às 16h00, para o público em geral.Classificação etária: maiores de 4 anos, mas indicada para todas as idades: os actores são verdadeiros profissionais e a história a desenvolver permite uma reflexão entre pais e filhos.Local:Biblioteca Almeida Garrett, no Portotef 22 610 89 24

(2007). «A História de Um Segredo», Porto. [em linha] [consultado em 22 Junho. 2007] disponível em http://agendadosmiudos.blogspot.com/search/label/Assunto:%20Teatro (texto adaptado).

23 junho, 2007

África no Feminino. As Mulheres Portuguesas e a Guerra Colonial


Margarida Calafate Ribeiro


África no Feminino. As Mulheres Portuguesas e a Guerra Colonial


Sessão pública de apresentação da obra pela Professora Laura Padilha.

Local: dia 26 de Junho, 18.30 horas, na Livraria Barata, Avenida de Roma, n.º 11-A, em Lisboa.


Margarida Calafate Ribeiro é investigadora do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. Doutorada em Literatura Portuguesa pelo King's College, Universidade de Londres, foi leitora de português em França e no Reino Unido e professora convidada na Holanda e no Brasil. Para além de vários artigos publicados em revistas da especialidade e em colectâneas de ensaios, é autora de Uma História de Regressos - Império, Guerra Colonial e Pós-Colonialismo (Edições Afrontamento, 2004) e co-organizadora de Fantasmas e Fantasias Imperiais no Imaginário Português Contemporâneo (Campo das Letras, 2003) e de A Primavera Toda Para Ti - Homenagem a Helder Macedo/ A Tribute to Helder Macedo (Editorial Presença, 2004).


A Obra


África no Feminino aborda a vivência e a memória da Guerra Colonial (1961-1974) a partir da perspectiva das mulheres portuguesas que acompanharam os seus maridos nas três frentes de guerra. Nasceu do meu espanto sobre o registo apenas ficcional do rosto destas mulheres, e da generosidade das mulheres que entrevistei quando um dia lhes bati à porta e lhes disse: «Sei que esteve em África. Quer contar?». Através do estudo inicial sobre a presença destas mulheres em África e sobretudo dos testemunhos obtidos, o livro revela outros olhares sobre a guerra, outras razões da guerra, outras vivências do pós-guerra e, naturalmente, outras memórias. Nas suas diferenças e no seu conjunto, os testemunhos recolhidos colocam as mulheres como sujeitos históricos desta guerra e veiculam uma ética de reconhecimento e de responsabilidade solidária capaz de contribuir para gerar uma memória cultural colectiva da Guerra Colonial.


18 junho, 2007

Bibliotecas Escolares/Centros de Recursos Educativos: cânones e promoção da competência literária

Decorrem dia 21 de Junho, pelas 15h00, na Sala de Actos do Conselho Académico (CP II - Universidade do Minho - campus de Gualtar, Braga), as provas de Mestrado em Estudos da Criança - Análise Textual e Literatura Infantil de Jorge Manuel Passos Martins.

As provas são públicas e a entrada é livre.

Constituição do júri:

Prof. Doutor Cândido Varela de Freitas (Universidade do Minho)
Prof.ª Doutora Maria da Graça Sardinha (Universidade da Beira Interior)
Prof. Doutor Fernando Azevedo (Universidade do Minho)

Ler antes de ler: o jardim-de-infância ao serviço daqueles que não sabem ler


Decorrem amanhã, dia 19 de Junho, pelas 10h30, na Sala de Actos do Conselho Académico (CP II - Universidade do Minho - campus de Gualtar, Braga), as provas de Mestrado em Estudos da Criança - Análise Textual e Literatura Infantil de Maria Cristina Veloso Tinoco.


As provas são públicas e a entrada é livre.


Constituição do júri:

Prof. Doutor Fernando Azevedo (Universidade do Minho)

Prof.ª Doutora Maria Gabriel Moreno Bulas Cruz (Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro)

Prof. Doutor Paulo del Pino Fernandes (Universidade do Minho)

13 junho, 2007

Ler é Poder

Heinrich Heine disse 100 anos antes do holocausto que "Onde se queiman livros, queimar-se-ão em seguida homens". De facto, entre 1933 e 1935 queimaram-se 100 molhões de livros na Europa nazi e de seguida cumprindo-se a profecia de Heine queimaram-se 6 milhões de judeus.
O primeiro auto de fé depois da inquisição, ocorreu em Berlim e alguns dos livros que se queimaram provinham da antiga biblioteca de Magnus Hirshgeld. Os livros de autores alemães de origem judaica foram os mais visados mas também de Ernst Hemingway e Aldous Huxley, Jack London, Upton Sinclair e John dos Passos.
Os livros e a literatura devem possuir mesmo um grande poder para serem objecto de tamanho ódio e tão grande animosidade.
Shyloc, na peça Mercador de Veneza de Shakespeare, diz:

Um livro é um livro. É papel tinta impressão.
Se o apunhalam, não sangra. Se o queimam, não grita.
Queimem-se milhares, queime-se um milhão.
Que diferença pode isso fazer?

08 junho, 2007

"O Patinho Feio" de Hans Christian Andersen - Teatro musical de fantoches

ArtEduca – Academia de Música e Artes Famalicão
Centro de Estudos Camilianos




9 Junho, sáb, 18h


10 Junho, dom, 18h


Auditório do Centro de Estudos Camilianos – Ceide


Entrada Livre


"Era uma vez um patinho….um patinho que nasceu diferente…"

A ArtEduca – Academia de Música e Artes de VN Famalicão, vai levar ao Auditório do Centro de Estudos Camilianos a peça "O Patinho Feio", de Hans Christian Andersen, no âmbito das comemorações do bicentenário do nascimento do escritor. O conhecido conto de Andersen vai ganhar forma através dos fantoches criados no Atelier de Expressão Plástica da ArtEduca e da música dos alunos da Academia. Uma oportunidade para revisitar uma das histórias mais emblemáticas da literatura infantil.


Para pequenos e graúdos!