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23 março, 2007

"A Maior Flor do Mundo"



Segundo o narrador, que parece ser omnisciente, o enredo da história foca-se na aventura do “menino herói”, que sai da aldeia, chega a Marte, atravessa o mundo muitas vezes e acaba por encontrar uma flor. Percorre o mundo em busca de um rio para saciar a “sede” da flor, “foi vinte vezes cá e lá” e fez “cem mil viagens à lua” até que salva a sequiosa flor e transforma-se em herói, fizera algo ‘‘muito maior que o seu tamanho e do que todos os tamanhos’’.

Esta obra, assinada por José Saramago, é a sua primeira publicação de uma história para crianças, que se concretiza numa breve mas interessante narrativa. Enquadra-se no género infanto-juvenil e pode até ser considerado um álbum ilustrado. Porém, esta aparente simples história, acarreta algumas técnicas narrativas complexas, como é o caso da articulação entre dois níveis narrativos distintos, através da técnica do encaixe. De notar que estes níveis narrativos distintos ultrapassam o domínio estritamente linguístico e literário e acabam por se estender ate à ilustração do próprio texto.

São estes os dois níveis diegéticos, o do narrador, que engloba as suas reflexões, os seus comentários, as suas “notas de rodapé”, os seus sucessivos pedidos de desculpa pela sua inexperiência em contos infantis e os seus apelos e investidas à criatividade do leitor; e o da narrativa que intitula o livro e que vai narrando a história de um menino e as suas aventuras para salvar uma flor.

No que diz respeito à ilustração da história, por João Caetano, é importante referir que as imagens que acompanham a história ajudam a fixar elementos dos dois níveis narrativos, referidos anteriormente, as ilustrações aproximam o narrador ao autor e identificam-nos do ponto de vista físico. Ao longo da obra são várias as ilustrações que nos remetem para o próprio Saramago, e acabam, por isso mesmo, numa leitura/interpretação possível para este texto. Essas ilustrações apesar de simples, apresentam grande significado para a compreensão da obra, completam a aparente simplicidade da diegese, através do recurso a uma técnica plástica mista, que abarca a pintura e a colagem. O próprio João Caetano reconhece que o seu objectivo é completar o texto e não parafraseá-lo ao afirmar que “espero não fazer com que as imagens digam aquilo que o texto já diz. Procuro dar algo mais” (Pimenta, 2002: 66).

Por sua vez, o título, torna-se num elemento de grande importância, que remete os leitores para a criação de um horizonte de expectativas infindável e maravilhoso, o titulo “A maior flor do mundo” coloca o texto sob uma certa informalidade e simplicidade, na medida em que apesar de sugerir a grandeza de um certo ser, apresenta-se grafado em letras minúsculas e refere-se a uma entidade bastante comum e conhecida.

Está presente na obra, uma Preocupação pedagógico-didáctica com as dificuldades que os leitores mais pequenos possam vir a sentir face ao vocabulário usado no seu conto, acabando por alertar: “agora vão começar a aparecer algumas palavras difíceis, mas, quem não souber, deve ir ver ao dicionário ou perguntar ao professor”. Esta obra valoriza também, a mediação das obras literárias por adultos, para uma melhor compreensão por parte do leitor infantil, que quando tem duvidas deve solicitar a ajuda dos professores ou de outro adulto.

São várias as notas, quase paratextuais, que concorrem para o facto da história surgir frequentemente entrecortada ou permeada por segmentos textuais próximos das notas ou de reflexões acerca daquilo que é ou não é paradigmático no mundo dos livros infantis e dos leitores mais novos. Veja-se assim, implícita a definição do conceito de Literatura Infantil, que sem deixar de ser literatura exige capacidades específicas ao seu criador. A aparição de reflexões sobre a construção de textos literários para crianças, permitem produzir efeitos benéficos no leitor, como o desenvolvimento do espírito critico, da atenção e aquisição de técnicas para uma melhor construção e interpretação de um texto icónico, e tornar assim mais agradável a leitura aos leitores infantis.

O texto ao apresentar-nos a história de um menino herói, destemido e altruísta, com vontade de ajudar e sem medo de arriscar, demonstra-nos também alguns valores humanos, que muitas vezes só encontramos nos livros, mas que devíamos encontrar todos os dias em cada pessoa por quem passamos.

Referências bibliográficas
Saramago, José (2001) A maior flor do mundo, Lisboa: Caminho
ISBN:
972-21.1437-9.

19 março, 2007

Recensão crítica


“Os três presentes” de Álvaro Magalhães


A obra “Os três presentes” de Álvaro Magalhães é uma comovente narrativa, na medida em que nos é contada uma verdadeira história de amizade entre três crianças e um senhor já de idade, o senhor Martins.
Os três presentes, pela sua capa com cores bastante claras, subtis e com a imagem, transmitindo a alegria e o sonho da juventude, convida desde logo à sua leitura. Por seu lado, o título desta obra é algo que poderá atrair e abrir um mundo desconhecido, pois este parece que não coincide com a imagem que ilustra a capa, despertando assim a curiosidade do leitor. Este poderá levantar determinadas questões, como por exemplo: “Quais serão estes presentes?”, “ Qual o motivo para o número de presentes ser três?”, “ Para quem serão os presentes?”. Estas e muitas outras perguntas poderão ser levantadas pela leitura do título da obra, o que, seguramente, levará o leitor à descoberta das respostas que mesmo suscitou. O leitor irá, então, preencher os espaços em branco que o título do livro lhe “propôs”, sendo que a partir daqui entrará em contacto com o texto, havendo uma interacção com o mesmo, criando um mundo imaginário no qual quer participar.
Mesmo a imagem que a capa do livro contém poderá atrair o interesse do leitor, na medida em que esta transmite uma sensação de ternura e felicidade.
“Os três presentes” é um conto camuflado de Natal, onde é narrado a história de amizade entre três amigos, que no dia de Natal resolvem dar um presente muito especial (amor, alegria e silêncio colocados dentro de três frascos de vidro) a um pobre senhor que já tinha desistido de viver. Deste modo, poder-se-á estabelecer uma relação de natureza intertextual com a história dos três Reis Magos que no dia de Natal ofereceram ao menino Jesus três presentes: ouro, incenso e mirra. Tal como os três Reis Magos que viajaram durante dias, seguindo a estrela guia, oferecendo presentes ao menino Jesus: ouro, incenso e mirra, estas três crianças ofereceram, igualmente, três presentes ao seu amigo que estava a deixar-se levar pela solidão e pela doença. Nesta obra verifica-se um diálogo, um intercâmbio discursivo com a história dos Três Reis Magos, pois tal como estes, os três amigos levaram ao senhor Martins três valiosos presentes que lhe permitiu o renascimento para a vida, no dia “mais diferente de todos os dias diferentes. Era o dia de Natal.” (Magalhães, 2003:34).
Esta obra deixa transparecer nas suas entrelinhas vários valores que são experimentados e vividos pelas personagens da história, o João, a Teresa, o Pedro, o senhor Martins e o senhor Afonso. A amizade é o valor que mais sobressai quando se entra no mundo destas cinco personagens. A verdadeira amizade entre três amigos que ao verem o senhor Martins desiludido com a vida, desistindo de lutar, decidem fazer alguma coisa para não deixar que o seu velho amigo abdique de viver e de apreciar a verdadeira beleza da vida.
A magia e o sonho também fazem parte desta história, pois à medida que lemos o livro vamos entrando no mundo de sonho e fantasia de três crianças que pretendiam colocar dentro de três garrafas, amor, silêncio e alegria para oferecer ao seu amigo. Estas três crianças colocaram dentro de três garrafas estes três presentes, mas como é que isto pode ser possível? De facto, para o leitor compreender o texto no seu verdadeiro sentido, terá que interagir com ele, entrar no jogo e criar um pacto ficcional, fazendo, assim, gerar os efeitos perlocutivos. Somente criando e aceitando este mundo imaginário no qual tem que participar, o leitor irá compreender como é possível colocar dentro de três simples garrafas algo que não é palpável, ou seja, amor, alegria e silêncio.
Ao longo da obra o leitor terá que entrar no jogo e no desafio interpretativo, promovendo, assim, os efeitos perlocutivos, aumentando o grau de perceptibilidade dos objectos e proporcionando uma visão cuidada dos objectos em si. O leitor encontra-se, frequentemente, perante marcas de estranhamento quando se depara com expressões que “exigem” que interprete e interaja com o texto, como por exemplo: “Nessa noite adormeceram com os olhos abertos e tiveram sonhos de todas as cores”. (idem, ibidem, p:10).
Toda a obra está repleta de múltiplas significações, de significados plurais que são construídos no âmbito de uma cooperação interpretativa que envolve o próprio leitor e o texto em si.
“Os três presentes” é bastante rico em ambiguidade, plurissignificação ou conotação, sendo que muitas das suas palavras apresentam vários sentidos figurados.
Durante a leitura desta obra verifica-se a existência de vários convites para o preenchimento dos “espaços em branco”, dos “elementos não-ditos”. Este texto é bastante rico em “espaços em branco”, solicitando assim uma cooperação activa e empenhada por parte dos seus leitores. Esta obra dá ao leitor um espaço de liberdade para o preenchimento destes “espaços em branco”, dos “elementos não-ditos”. Ao longo da leitura desta comovente história de amizade o leitor é convidado, frequentemente, pelo texto para uma interpretação livre e pessoal dos seus vários elementos. Os três amigos decidiram colocar amor, silêncio e alegria dentro de três frascos de vidro, sendo a imagem que representa estas três garrafas a verdadeira alma do livro. Os presentes que os amigos decidiram oferecer ao amigo doente foram presentes completamente diferentes de todos que o leitor está habituado a ver, principalmente o leitor/criança, provocando este facto admiração e estranheza. O leitor terá que pactuar e aceitar este mundo maravilhoso criado pelo texto, não poderá contestar e duvidar que o amor, o silêncio e a alegria couberam dentro de três simples garrafas, desenvolvendo assim os efeitos perlocutivos.


Grupo do 3. º ano de Ensino Básico - 1.º Ciclo:

Lia Ferreira

Marta Abreu

Patrícia Silva




16 março, 2007

Bem vindos ao nosso blog!

Estão convidados a participar activamente na partilha de leituras e experiências no âmbito da literatura infanto-juvenil!
Esperamos contribuições vivas e pertinentes!

10 março, 2007

Porquê o Jornal? (escolar)
Porque é que mesmo hoje, com a concorrência da rádio, da televisão e das TICs, tantos homens e mulheres continuam presos à leitura do seu jornal? Porquê na grande maioria das escolas proliferam jornais escolares, boletins culturais, flyers etc?
Como diz Thibaut(1976) "Sans doutes est-ce parce que le journal répond à de nombraux besoin, certains avoués, d'autres cachés ou inconsciens..."
Embora esta frase seja de 1976, parece-nos ainda ter toda a actualidade, nas escolas portuguesas, uma vez que embora o ratio aluno por computador tenha aumentado substancialmente, em Portugal ele continua muito abaixo da média da União Europeia e continua, sobretudo, abaixo do que seria necessário para se poder fazer um trabalho realmente eficaz ao nível, por exemplo, da aprendizagem de uma língua (materna ou estrangeira) ou mesmo da matemática.
Assim, apesar de já haver inúmeros professores que desenvolvem e promovem junto dos seus alunos jornais e revistas on-line, blogs e trabalhem com plataformas de aprendizagem a palavra impressa ainda tem aquele sentimento de relience que é " Le sentiment quónt tous les hommes, quels que soient leur race, leur catégorie social et leur niveau de vie, d'appartenir malgré tout à une communauté dont ils partageront le destin inéluctable."
Será que alguma vez iremos obter este sentimento da palavra virtual? Certamente que as novas gerações o vão poder experienciar e tirar do meio virtual "des jois et des souffrances de notre conditions humaines, permet sans doute à chacun de mieux supporter ses propes problèmes; et peut-être de les oublier..."
THIBAUT, Daniel (1976): Explorer le Jounal; P aris,Hatier



27 fevereiro, 2007

O Ensino da língua e da literatura
Neste momento, em algumas escolas, está a desenrolar-se um debate sobre a autonomia pedagógica, administrativa e financeira que poderá conferir maior autonomia e maior reforço das competências que até hoje lhes estavam atribuidas.
Um ponto desse debate é a ligação que necessáriamente se estabelecerá com as Universidades e Escolas Superiores de Educação, na formação contínua dos professores, já com largos anos de experiência de ensino.
Redireccionar esses professores para campos pedagógico didácticos algo estranhos das suas práticas habituais, não será tarefa fácil, porque o novo perfil de professor exigido, para podermos contribuir para que os alunos alcancem as competências necessárias para a vivência no século XXI, é necessáriamente diferente.
Assim, ocorre-me o que disse António Mendoza Fillola sobre o perfil do professor."...poderríamos estabelecer, siguiendo la distribuión del enfoque curricular oficial, capacidades u objectivos basados en conceptos, procedimientos y atitudes ...
A) Capacidades y saberes:
Poseer una amplia competencia linguística y literaria.
Connocer las caracteristicas sistemático-funcionales.
Reconocer situaciones comunicativas (...)
B) Procedimientos:
Usar adequadamente los recursos linguisticos, a manera de modelo.
Estabelecer una comunicación clara, motivadora y eficaz.
Facilitar la interpretación y comprensión de los alumnos a partir de los modelos y/o textos utilizados (...)
Utilizar técnicas de animación (...)
C) Atitudes y rol(es) del professor:
Presentarse como modelo, consultor, informador, participador (...)
Interesarse por la materia que imparte (...)
Seguir las inovaciones teórico-didácticas que puedan incidir en la mayor eficacia de su actuación docente (...)".in Mendoza Fillola, António (1996): "Didáctica de la Lengua para la Ensenanza Primaria e Secundaria", Ediciones Akal
Relativamente a esta última característica, necessária ao professor de língua e literatura, que realcei e destaquei do texto de Mendoza Fillola, parece-nos que será a mais difícil de ser conseguida, por qualquer sistema de formação, uma vez que ela tem muito a ver com as qualidades intrínsecas à pessoa professor, à sua personalidade e à sua postura perante a vida.

20 fevereiro, 2007

Encontros de Português - Universidade da Beira Interior


Inicia-se no dia 22 de Fevereiro, no Pólo I da Universidade da Beira Interior, o ciclo de conferências intitulado Encontros de Português - Reflectir para Agir - , destinado a alunos e professores de Português de todos os ciclos de ensino. Estes encontros têm como objectivo principal a reflexão/acção na prática docente.

19 fevereiro, 2007

Já estamos instalados no campus!



Iniciámos, desde hoje, 2ª feira, dia 19 de Fevereiro, funções no novo edifício, situado no campus de Gualtar.

Morada: Instituto de Estudos da Criança
Universidade do Minho
Campus de Gualtar
4710-057 Braga
Um quarto de sonho para sonhar com fadas!
Deliciem os vossos ávidos pequenos leitores com um quarto de sonho! Uma pequena estante ou mesmo um armário já usado e pintado de novo poderão servir para transformar um quarto absolutamente normal num espaço que promova a leitura, a criatividade e a literacia...
Começar pela estante poderá ser o ponto de partida. Os livros que se escolhem e a forma como são mostrados podem fazer toda a diferença. Estabeleçam esta área como o lugar fundamental do quarto da criança e a partir daí deixem a vossa criatividade expandir-se.
Bons sonhos!

Virgínia Coutinho


12 fevereiro, 2007

Maestría LITERATURA PARA NIÑOS - Argentina

UNR
Facultad de Humanidades y Artes
Escuela de Posgrado

Maestría
LITERATURA PARA NIÑOS
Director: Ovide Menin
Secretaria Técnica: María Luisa Miretti
Comité Académico:
Beatriz Actis, Fernando Avendaño, María Luisa Cresta de Leguizamón, Alma Maritano, Félix Temporetti
(Aprobado por Res. Nº 316/02 C.S. de la UNR)

Objetivo: generar un espacio de estudio y de investigación para el adecuado tratamiento de la literatura para niños, en un marco de reflexión crítica y de permanente revisión superadora que permita la formación postgradual de los graduados universitarios en Letras y afines.
Plan de estudio: estudios postgraduales de cuatro cuatrimestres de duración que culminan con una tesis. Tienen carácter interdiscplinario (literatura, psicología y didáctica) que suman 60 créditos equivalentes a 600 horas de actividad académica entre presenciales y autogestionarias.
El Plan, que será sometida al veredicto de la CONEAU, es el siguiente:
1º año:
I) Teoría
1. Historia crítica de la Literatura para niños I (General)
2. Teoría Literaria
3. Crítica Literaria
4. Taller (I) Pragmática literaria. Semiótica y análisis del discurso.
II) Aprendizaje
1. Historia crítica de la Literatura para niños II (Argentina)
2. Psicología del niño
3. Psicoanálisis
4. Taller (II) Teorías del Aprendizaje y prácticas docentes con niños

2º Año:
III) Sistemática
1. Sociolingüística
2. Psicolingüística
3. Sistemas literarios alternativos
4. Taller (III) Relaciones de la Literatura para niños con la Didáctica
IV) Investigaciones
1. Metodología de la investigación literaria
2. Taller (IV) Elaboración del Proyecto de Tesis (incluye Tutoría)
3. Tesis
Total de créditos: 60 (equivalentes a 600 horas)

Organización: Los seminarios abordarán temáticas y problemas medulares para el tratamiento y estudio de la literatura para niños, desde una perspectiva actualizada y crítica, con sólido manejo teórico, sobre los modelos conceptuales del campo específico de la literatura para niños. Los talleres brindarán herramientas técnicas así como su fundamentación teórico-metodológica desde un espacio de producción e implicación a propósito de temáticas o problemas específicos. La tesis debe constituir un aporte original a un problema específico relativo al objeto de estudio. Cumplidas las exigencias académicas, asistencia y aprobación de los seminarios y talleres detallados en el programa, elaboración, defensa y aprobación de la tesis- se obtendrá el grado de Magister en Literatura para Niños.
Destinatarios: graduados universitarios en Letras y afines; profesionales con título terciario interesados en la temática.
Informes e inscripción: La inscripción deberá completarse en la Escuela de Postgrado, Facultad de Humanidades y Artes, UNR, Entre Ríos 758 (2000) Rosario (Te. 0341 - 4802670 de lunes a viernes de 9 a 13, según los siguientes requisitos de ingreso: fotocopia autenticada del título de grado; curriculum vitae; pre-plan de tesis en donde consten el tema de interés y el ‘estado del arte’ de dicho tema; nota del director de tesis en la que éste acepta la dirección, acompañada por su C.V.
Costos: inscripción a la Maestría 100$
Seminario libre: $ 100
Seminarios y/o Talleres Maestría: $ 80

CRONOGRAMA 2007

1º cuatrimestre '07:
5. Historia crítica de la Literatura para niños II (Argentina).
MIRETTI
marzo (8, 9 y 10/03/07)

6. Psicología del niño
MENIN
abril (a confirmar)

7. Psicoanálisis
BLOJ
mayo (17,18 y 19/05/07)


8. Taller (II): Teorías del aprendizaje y prácticas docentes con niños.
TEMPORETTI
junio (a confirmar)

horarios: jueves 15 a 19; viernes y sábado de 9 a 13 y de 14 a 18

2º cuatrimestre '07:

9. Sociolingüística
RAITER
agosto (9, 10 y 11/08/07)

10. Taller (III): Relaciones de la Literatura para niños con la Didáctica
ACTIS
octubre (a confirmar)


11. Psicolingüística
AVENDAÑO
noviembre (a confirmar)

Rosario, febrero ‘07

MÁSTER EN LIBROS Y LITERATURA PARA NIÑOS Y JÓVENES

La segunda edición del Máster en Libros y literatura para niños y jóvenes (2007-2009) se iniciará en el mes de septiembre del 2007.

La inscripción estará abiertadesde el 15 de enero al 15 de marzo del 2007. La admisión se
notificará antes del 30 de abril. El período de matrícula se extenderá desde el 2 de mayo hasta el 30 de junio del 2007.


Organizado conjuntamente con el Banco del Libro de Venezuela y la Fundación Germán Sánchez Ruipérez, el MÁSTER EN LIBROS Y LITERATURA PARA NIÑOS Y JÓVENES aspira a convertirse en un referente de calidad formativa para los profesionales involucrados en la construcción de sociedades lectoras: profesores, bibliotecarios, promotores de lectura, etc. Su desarrollo, a través de cursos a distancia y una semana presencial, se proyecta a ambos lados del Atlántico en tres ejes: aunar esfuerzos, consensuar referentes y criterios de actuación, y potenciar la investigación.

Su organización conjunta entre la Universidad Autónoma de Barcelona, el Banco del Libro de Venezuela y la Fundación Germán Sánchez Ruipérez (España) nace de la voluntad de crear un referente de calidad formativa que se proyecte a ambos lados del Atlántico y extienda su oferta a los diferentes países iberoamericanos a través de la colaboración con las instituciones públicas y privadas de trayectoria en este campo. Aunar esfuerzos, consensuar referentes y criterios de actuación y potenciar la investigación constituyen los ejes de su propuesta. Por ello la capacitación a distancia con un encuentro presencial, ha parecido la opción más operativa para poder incorporar progresivamente la participación de los profesionales más reconocidos del sector y facilitar un horizonte común de formación de los profesionales de los distintos países.

MÁSTER EN LIBROS Y LITERATURA PARA NIÑOS Y JÓVENES
Segunda edición (2007/09)
Pendiente de aprobación oficial en la UAB)
120 CRÉDITOS ECTS


60 créditos dan lugar a un título de Diplomatura de Postgrado de la Universitat Autònoma de Barcelona. 120 créditos dan lugar a un título de Máster de la Universitat Autònoma de Barcelona.

El módulo 3 puede cursarse de modo independiente y da lugar a un Certificado de Postgrado:
http://www.bancodellibro.org.ve/portal/index.php?option=com_content&task=view&id=430>Curso
de especialización en Libros y literatura para niños y jóvenes de la Universitat Autònoma de Barcelona.


Los ECTS son la nueva medida docente de los países de la Unión Europea y facilitan la convalidación de los estudios entre países. Todos los Máster oficiales van a igualarse a 120 créditos ECTS.


DIRECCIÓN
Teresa Colomer (UAB).

EQUIPO DE COORDINACIÓN
Teresa Colomer, Cecilia Silva-Díaz, Brenda Bellorín.

COORDINACIÓN TÉCNICA
Mireia Manresa (UAB), Carolina Holmes (Banco del Libro).

ASISTENCIA TÉCNICA
César Segovia (Banco del Libro).

ORGANIZACIÓN DEL CURSO
El curso consta de una parte central, dedicada al conocimiento de los libros infantiles y juveniles, y una parte diversificada según cuatro distintas perspectivas profesionales: el uso de los libros en el ámbito escolar, la promoción de la lectura, el estudio con orientación crítica y la edición. Su realización incluye una semana de cursos presenciales en la Universidad Autónoma de Barcelona o en el Banco del Libro de Venezuela y el resto a distancia. Consta de un bloque de cursos básicos, un bloque de cursos específicos de itinerario con posibilidad de realizar prácticas profesionales y un ciclo de conferencias. Cuenta también con una WEB con distintas ofertas formativas.

Para preinscripciones y mayor información
http://www.pangea.org/gretel-uab>http://www.pangea.org/gretel-uab
(apartado: "Más información")

o establecer contacto a través del email: master.lij@uab.cat

IV Máster de Promoción de la Lectura y Literatura Infantil. 2007-09

CEPLI (Centro de Estudios de Promoción de la Lectura y Literatura Infantil)
Facultad de Educación y Humanidades de Cuenca
Universidad de Castilla La Mancha

Primer año 2007-2008
Módulos teóricos y complementos formativos presenciales: 80 créditos Ects

Segundo año 2008-2009
Trabajo de investigación tutorizado: 50 créditos Ects

Total 130 créditos Ects

Objetivos
1 – La formación de especialistas y mediadores que trabajan en promoción y animación lectoras, mediante el estudio de: el proceso lector, las habilidades que facilitan la lectura, técnicas, programas y estrategias de animación a la lectura y conocimientos para orientar la selección de lecturas por edades.
2 – La promoción del conocimiento de la Literatura Infantil y Juvenil como un espacio para la creatividad, la tolerancia y el entendimiento.

Primer año 2007-2008.
Módulo 1: Literatura Infantil y Juvenil: 15 cr.
Módulo 2: Lenguaje literario y creatividad: 10 cr.
Módulo 3: Narración infantil y discurso: 10 cr.
Módulo 4. Evolución psicológica y maduración lectora: 15 cr.
Módulo 5: Lectura y sociedad. Bibliotecas públicas: 10 cr.
Módulo 6: Promoción, mediación y animación lectoras. (Presencial): 20 cr.

Los cinco primeros módulos se cursarán a distancia, a través de internet, con el apoyo de los materiales y la bibliografía que se proporcionará a los alumnos, y con el complemento de un ciclo de videoconferencias, que podrán seguirse en directo, a través de la web de la UCLM (www.uclm.es). El Cepli las proporcionará, grabadas en CD, a todos los alumnos matriculados. Estos módulos se cursarán entre noviembre de 2007 y mayo de 2008. Se establecerá un sistema de tutorías personalizadas vía correo electrónico, por medio de la plataforma WebCT. Campus Virtual.

Complementos formativos presenciales (Módulo 6):
Se celebrarán, de manera intensiva, en la Facultad de Ciencias de la Educación y Humanidades de Cuenca, en las dos últimas semanas del mes de julio de 2008. El programa ofrecerá talleres especializados, exposición de experiencias, clases teóricas y prácticas y encuentros con autores, ilustradores y editores. La superación de estos complementos y de los módulos teóricos será certificada, con sus correspondientes créditos, por la UCLM, y permitirá a los alumnos acceder al segundo año.

Segundo año 2008-2009. Trabajo de investigación
Quienes deseen obtener el título propio de la UCLM de Máster en Promoción de la Lectura y Literatura Infantil cursarán un segundo año en el que realizarán un trabajo de investigación. Se realizará a distancia, a través de internet, con tutorías personalizadas por el procedimiento ya reseñado para el primer año.


Criterios de evaluación
Para optar al título del Máster será necesario:
1 – La superación de las pruebas y trabajos de los módulos teóricos.
2 – La realización presencial completa de los complementos formativos presenciales.
3 – La realización y superación del trabajo de investigación del segundo año.


PROFESORADO
Dª Elsa Aguiar, Editora.
Dr. José I. Albentosa, CEU de Filología Inglesa. (UCLM).
Dr. Francisco Alía, Prof. Titular de Historia Contemporánea. (UCLM).
D. Fernando Alonso. Escritor.
Dra. Paloma Alfaro, Directora de la Biblioteca del Campus de Cuenca (UCLM).
Dª Isabel Cano (maestra, editora y animadora).
Dra. Cristina Cañamares. Prof. Ayudante de Literatura Infantil. (UCLM).
Dr. Pedro C. Cerrillo, Catedrático de Didáctica de la lengua y la literatura (UCLM).
D. José Luis Cortés (Director de Publicaciones del Grupo SM).
Dª Ana García Castellano (animadora, cuentacuentos y actriz).
Dr. Jaime García Padrino, Catedrático de Didáctica de la lengua y la literatura (Universidad Complutense de Madrid).
Dª Dolores González López-Casero, Directora de la Fundación Germán Sánchez Ruipérez. Salamanca.
Dra. Elisa Larrañaga, TEU de Psicología Evolutiva (UCLM).
Dr. Amando López Valero, Catedrático de Didáctica de la lengua y la literatura, Universidad de Murcia.
Dr. Ramón Llorens, TEU de Didáctica de la lengua y la literatura, Universidad de Alicante.
Dra. Gemma Lluch, CEU de Filología Catalana. (Universidad de Valencia).
Dª Begoña Marlasca, Directora de la Biblioteca Pública de Cuenca.
Dr. Eloy Martos. CEU de Didáctica de la Lengua y la Literatura. (Universidad de Extremadura).
Dr. Antonio Mendoza, Catedrático de Didáctica de la lengua y la literatura, Universidad de Barcelona.
Dra. Pascuala Morote, CEU de Didáctica de la Lengua y la Literatura, Universidad de Valencia.
Dr. A. Jesús Moya, CEU de Filología Inglesa (UCLM).
Dr. Ángel L. Mota, Catedrático de Enseñanzas Medias y profesor Asociado de Literatura Española (UCLM).
D. José Mª Navarro. Maestro, experto en lectura comprensiva.
D. Raúl Navarro. Prof. Ayudante de Psicología Social. (UCLM).
Dª Sandra Sánchez, Bibliotecaria (UCLM).
D. César Sánchez Ortiz. Investigador del Cepli. (UCLM).
D. Antonio Santos. Escritor e ilustrador.
Dra. Victoria Sotomayor CEU de "Literatura Infantil". Universidad Autónoma de Madrid.
Dr. Ángel Suárez. Prof. Titular de “Didáctica de la Lengua”. (Universidad de Extremadura).
Dra. Mª del Carmen Utanda, TEU de Lengua Española (UCLM).
Dr. Santiago Yubero, CEU de Psicología Social (UCLM).

Requisitos:
Estar en posesión de un título universitario de Licenciado o Diplomado
Plazas: El número de plazas ofertadas es de 50. El número mínimo de matriculados para que el Máster se celebre de 25.
Criterios de selección: Por riguroso orden de llegada de las inscripciones.

Precios de matrícula:
Primer año: 975 euros
Segundo año: 800 euros

Preinscripción y matrícula
Se realizarán en el Cepli, en la Facultad de Ciencias de la Educación y Humanidades de Cuenca. Avenida de los Alfares, 44 - 16071 – Cuenca. (España).

Preinscripción Del 15-05-2007 Al 30-07-2007
Matrícula Del 05-09-2007 Al 05-10-2007

Más información
Teléfono: 969-17-91-00 Extensión: 4329
andres.villanueva@uclm.es
www.uclm.es/cepli

Directores:
Dr. Pedro C. Cerrillo
Catedrático de Didáctica de la lengua y la literatura (UCLM).
Dr. Santiago Yubero
Catedrático E.U. de Psicología Social (UCLM).

Subdirectores
Dra. Mª Carmen Utanda
TEU de Lengua Española (UCLM)
Dra. Elisa Larrañaga
TEU de Psicología Evolutiva (UCLM)

Con la colaboración de:
Fundación Santa María
Caja Castilla La Mancha

Animación y mediación lectoras: recursos y estrategias - CEPLI

Centro de Estudios de Promoción de la Lectura y Literatura Infantil
Universidad de Castilla La Mancha

2-4 Julio 2007

DIRECTORES
Dr. Pedro C. Cerrillo Torremocha
Catedrático de la UCLM
Dra. Carmen Utanda Higueras
TEU de la UCLM

DIRIGIDO A: Profesores de Infantil, Primaria y Secundaria. Bibliotecarios. Filólogos. Estudiantes de Magisterio y Filologías.

OBJETIVOS:
1. Presentar y debatir el marco teórico de la animación y mediación lectoras.
2. Ofrecer diversos recursos y estrategias para promover la lectura en los ámbitos escolar y bibliotecario.

PROGRAMA
Día 2 de julio
10,45 h. “Leer, la aventura secreta - D. José Mª Merino (Escritor)
12,15 h. Mesa redonda:
“Lecturas y lectores en Secundaria”
Dr. Ángel L. Mota Chamón (Catedrático de Bachillerato y Prof. de la UCLM)
D. Juan Mata (Prof. Titular de E.U. de la Universidad de Granada)
Dª Begoña Marlasca (Directora de la Biblioteca Pública de Cuenca)
Moderadora: Mª Carmen Utanda

17,00 h. (*)
Taller 1: “De la televisión y el cine a la literatura”
Dra. Gemma Lluch Crespo
Prof. Titular de la Universidad de Valencia

Taller 2: “De la palabra a la estrofa en el País de los versos. Acercar la poesía a los niños”
D. Antonio García Teijeiro
Escritor y profesor

Día 3 de julio

10,00 h. “Promoción, animación y mediación lectoras. La figura del mediador”
Dr. Pedro C. Cerrillo Torremocha
Catedrático de la UCLM
11,45 h. Taller 1: “De la televisión y el cine a la literatura”
Dra. Gemma Lluch Crespo
Taller 2: “De la palabra a la estrofa en el País de los versos. Acercar la poesía a los niños”
D. Antonio García Teijeiro
17,00 h. Taller 3: “Selección de lecturas por edades”
Dr. Santiago Yubero Jiménez
Catedrático de E.U. de la UCLM
Taller 4: “Acciones para intervenir en bibliotecas escolares e infantiles•
D. Mariano Coronas
Maestro.

Día 4 de julio

10,00 h. Taller 3: “Selección de lecturas por edades”
Dr. Santiago Yubero Jiménez
Taller 4: “Acciones para intervenir en bibliotecas escolares e infantiles•
D. Mariano Coronas
12,30 h. “Título por determinar”
D. Gustavo Martín Garzo
Escritor

Este curso tendrá una validez de 2 Créditos de Libre Configuración para las titulaciones de la UCLM.

(*) Los talleres se impartirán en grupos reducidos

Información y matrículas: +0034969179100, ext.4019 y 4045

www.uclm.es
CEPLI
Everest, La Galera y Fundación SM

Literatura Infantil e Juvenil Brasileira em destaque

A Literatura Infantil e Xuvenil Brasileira

12 de Fevereiro, 19h30 - Galería Sargadelos de Santiago de Compostela

A charla será presentada por Xosé Antonio Neira Cruz e contará coa presencia de :

Elizabeth D’Angelo Serra, secretaria xeral da Fundaçao Nacional do Livro Infantil e Juvenil, sección brasileira do IBBY(International Board on Books for Young People)

Rui de Oliveira, ilustrador, recibiu numerosos premios, recentemente Premio de Literatura Infanto Juvenil da Academia Brasileira das Letras no 2006.

Ana María Machado, escritora e investigadora sobre literatura infantil e xuvenil. Recibiu o Premio Hans Christian Andersen no ano 2000.

Agradecemos a vosa presencia neste acto


GÁLIX

10 fevereiro, 2007


05 fevereiro, 2007

Livros...diários da nossa vida ou simplesmente uma companhia?

Por: Tânia Dias
Letria, José Jorge (texto) ; Castro, Rui (ilustração): Ler doce ler. Terramar, 2004 (1ª edição) ISBN: 972-710-383-9

José Jorge Letria nasceu em Cascais em 1951. Iniciou a sua actividade literária no suplemento «Juvenil» do Diário de Lisboa. Foi desde 1970 redactor em vários jornais, trabalhando também como guionista e autor de programas de televisão, de que se destacam Rua Sésamo, Os Segredos de Mimix e O Rato dos Livros. Foi vereador da Cultura da Câmara Municipal de Cascais de 1994 a 2001. Foi colaborador, editor e subchefe de redacção de JL. Tem colaborado nas publicações Colóquio/Letras, Vértice, República («Artes e Letras», suplemento literário), O Diário, Nova Renascença, Hifen, Sílex, Boca Bilingue (Espanha), etc. Obteve, entre outros, os seguintes prémios: Florbela Espanca (Câmara de Vila Viçosa), José Galeno (da SPA), Cesário Verde (da Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto), Eça de Queirós – Poesia (do Município de Lisboa). É conhecido como poeta, ficcionista, dramaturgo, ensaísta e autor de literatura infanto-juvenil. Escreveu diversas obras de literatura infantil, entre outras, Alicate, Bonifrate e Versos com Remate (poesia).
A nível de ilustração, podemos dizer que Rui Castro (do qual não obtive informações pessoais), ilustra de forma divertida e expressiva e as suas ilustrações interagem com o texto de um modo eficaz, escondendo ou desvendando pormenores dos poemas que acompanha.
A qualidade das ilustrações em “Ler doce ler” é notória fazendo com que esta obra tenha lugar nas dez obras cujas ilustrações merecem destaque pelo júri do Instituto Português do livro e das bibliotecas.
Esta obra prima pela diferença, e nela se encontra a importância da leitura e a magia que esta possui, sendo transmitida através de poemas acompanhados por um discurso visual inovador. Os poemas e a sua linguagem comunicam com o leitor e envolvem-no no mundo maravilhoso que é a leitura, surpreendendo pelo caracter imaginativo de que se revestem.
Letria diverte inevitavelmente pelas metáforas e por uma certa personificação dada aos livros, o que leva os leitores a reflectirem sobre a importância e o valor incalculável que estes possuem.
Todos estes elementos fazem desta uma obra a não perder, por leitores de todas as idades.
Depois da leitura desta obra facilmente percebemos que é indispensável a leitura e que devemos sem duvida dar valor aos livros, vistos que eles muitas vezes são um diário da nossa própria vida ou simplesmente uma companhia.

A menina que sorria a dormir por Tânia Dias

Zambujal, Isabel (texto) ; Nogueira, Helena (ilustração): A menina que sorria a dormir. Oficina do livro, 2005 (1ª edição) ISBN: 989-555-133-9

A obra “ A menina que sorria a dormir” conta a história de Glória, uma menina que precisava de ouvir histórias enquanto dormia. Por isso a sua família e amigos ajudavam-na contando-lhe historias durante a noite.
Como perder uma noite de sono não deixava ninguém bem disposto, tinha de se encontrar uma solução. Esta foi encontrada pelo pai de Glória quando lhe ofereceu uma Fada de olhos fechados, para debaixo da almofada e esta lhe contaria historias durante a noite.
No fim em vez de ser a família e os amigos a contarem historias a Glória, era ela que lhes contava as maravilhosas historias que ouvia da fada.
Isabel Zambujal, autora do livro, nasceu em Lisboa, em 1965. Sempre trabalhou a juntar as palavras e um dia decidiu juntar três das coisas que mais gostava na vida: viagens, crianças e escrever criou a colecção “ Um Saltinho” e mais tarde outras obras como “ A menina que sorria a dormir”.
A ilustradora Helena nogueira (da qual não obtive nenhuma informação pessoal) fez com nesta obra a linguagem textual e visual andassem de mãos dadas nesta aventura de imaginação, onde as ilustrações acompanham o texto verbal e a partir delas percebemos a historia e o seu sentido magico. Estas têm um aspecto cúbico, são muito actuais, e possuem um mundo de cor que torna a historia ainda mais atractiva.
A nível do conteúdo da historia e sua linguagem, podemos dizer que esta é bastante acessível sendo facilmente lida ou ouvida mesmo pelos leitores mais novos. Esta possui ainda elementos mágicos como por exemplo a Fada que remete para uma certa intertextualidade com a “ Fada do dentinho” com a qual todas as crianças sonham, e isso faz com a história se aproxime ainda mais dos leitores (crianças) fazendo-os entrar num mundo de fantasia.

31 janeiro, 2007

Música Portuguesa para a Infância

Música Portuguesa para a Infância
7 de Fevereiro (4ª feira) às 19h
Auditório 1
Escola de Música Nossa Senhora do Cabo
Coordenação: Sandra Barroso

Obras em estreia de jovens compositores para ainda mais jovens intérpretes

30 janeiro, 2007

Workshop "Vivo quando narro" - Projecto Escola Criativa - Serviço Cultural e Educativo - Centro Cultural de Cascais

Projecto Escola Criativa - CMC Serviço Cultural e Educativo - Fundação D. Luis I
O Serviço Cultural e Educativo da Fundação D. Luís I, a funcionar no Centro Cultural de Cascais (C.C.C.) desde Fevereiro de 2003, elabora e propõe um programa integrado de actividades lúdicas, artísticas e culturais que inclui um conjunto diversificado de propostas, dirigidas a crianças e jovens, bem como a adultos que desempenhem funções educativas tanto a nível familiar, como escolar e comunitário. (Percursos Lúdicos, Ateliers, Animações e Espectáculos, Espaço de Reflexão e Formação, Exposições, Para os Pais...).
Neste contexto, nos dias 8 e 9 de Fevereiro de 2007 está previsto um * Workshop* aberto a toda a comunidade denominado* "Vivo quando narro" - António Portillo *.
António Portillo (Lerma, Burgos, 1959) é professor do 1º ciclo e paralelamente tem vindo a desenvolver um conjunto de projectos que evidenciam o papel da narração como acto de escuta e como acto expressivo. O seu trabalho estende-se ao teatro e às artes plásticas. Em 2004 publicou "Artefactes", um livro que mereceu o Prémio Nacional do melhor livro Infanto-Juvenil. Inventa e recicla objectos para contar histórias… Preocupa-se com a importância do Desejo na Aprendizagem.
O número de participantes é limitado sendo necessário efectuar marcação até ao dia 5 de Fevereiro através dos telefones 21 484 89 02 / 21 483 64 20
Para qualquer esclarecimento:
Serviço Cultural e Educativo
Fundação D. Luis I Centro Cultural de Cascais
Telf. +351 21 483 64 20 / +351 21 484 89 02

25 janeiro, 2007

Os brinquedos da Oficina Criativa

23 janeiro, 2007

O fantástico e o maravilhoso em análise


Verónica de Araújo Pontes desenvolve, no Instituto de Estudos da Criança, uma pesquisa na qual procura averiguar as relações do mundo fantástico e maravilhoso encontrado na literatura de potencial recepção infantil e a prática do ensino de língua portuguesa no 3º e 4º ano do 1º ciclo, tanto no Brasil como em Portugal. A investigação dar-se-á no contexto da escola pública no início do ano de 2007, sob a orientação do Professor Doutor Fernando Azevedo, e procurará mostrar as possibilidades de um trabalho efectivo, em sala de aula, a partir dos contos e das narrativas com os alunos, na tentativa de sensibilizar os educadores para a formação do leitor.

19 janeiro, 2007

Um mundo feito de várias cores

Como se faz cor-de-laranja

Torrado, António (2002): Como se faz cor-de-laranja. Porto: Asa.
Ilustração: João Machado. ISBN: 972-41-0253-X


António Torrado
nasceu em Lisboa em 1939 e é poeta, ficcionista, dramaturgo, autor de obras de pedagogia e de investigação pediográfica e é por excelência um contador de histórias, estando muitos dos seus livros e contos traduzidos em várias línguas.
A sua bibliografia regista actualmente mais de 120 títulos, onde sobressai a produção literária para crianças, contemplada em 1988, com o Grande Prémio Calouste Gulbenkian de Literatura para Crianças.
João Machado nasceu em Coimbra em 1942 e é um dos nossos grandes ilustradores. Ao longo dos anos, João Machado tem sido premiado com prémios tais como, primeiro Prémio Nacional Gulbenkian para a melhor Ilustração de Livros para a Infância; primeiro Prémio Grafiporto e, entre outros, o primeiro Prémio Nacional de Design.

A história, Como se faz cor-de laranja, gira em torno de um menino anónimo, que faz um longo e desmotivante percurso para descobrir algo tão simples, e que se revela, ao mesmo tempo, tão “complexo” ao olhar dos adultos. No entanto, apesar dos obstáculos que enfrenta, mostra-se persistente e corajoso, seguindo em frente. Quando, finalmente, é vencido pelo cansaço é presenteado com uma explicação muito especial da cor, que ironicamente lhe é dada por uma pessoa que, apesar de não ver e de ser aquela que, a princípio, seria a mais imprevisível, consegue levar o menino, através de uma viagem pelo seu imaginário, a descobrir a resposta para aquilo que motivou a sua procura.
Assim sendo, a viagem do menino transporta-nos para a concepção de dois mundos distintos, o mundo percepcionado pelas crianças, à luz da simplicidade, da inocência e da transparência; e o mundo dos adultos, corrompido pela desesperança e pelas complexidades características do materialismo em que está envolto.
Uma história que, à partida, se mostra simples, revela, à medida que é feita a sua leitura, uma riqueza inesperada que se traduziu numa viagem que nos leva à compreensão de que esse “olhar ingénuo”, essa beleza pura de encarar o mundo, que nos é transmitida pelo menino, se vai, gradualmente, perdendo à medida que o ser humano cresce e entra num contacto mais objectivo e prático com o mundo (o carácter frenético do dia-a-dia, a rotina).
Na obra, as personagens que lhe dão vida, têm uma importância crucial na descodificação do que ela nos transmite, já que são elas que estabelecem a contraposição entre os dois mundos referidos.
À medida que vamos lendo a obra, deparámo-nos com várias estratégias que aproximam o leitor do livro, evidenciando-se o carácter fortemente apelativo das ilustrações e descrições, que fazem o leitor imaginar o que está a ler: “À volta do submarino havia algas azuis, verdes, roxas e vermelhas”. Através da maneira especial como o cego explica como se faz cor-de-laranja, o autor, consegue colocar o leitor no papel do menino, conduzindo-o também a uma viagem imaginária em busca da cor, devido à carga fortemente emotiva que o autor lhes imprime.
Deste modo, o leitor é seduzido pelas descrições (e pela carga emotiva que as caracterizam), que o levam a considerar especial aquilo que parece tão banal e simplista.
Susana Boaventura e Sílvia Salgueiro

16 janeiro, 2007

Une autre façon d'interroger la littérature, de la maternelle à l'université

Points de vue et débats
Mercredi 24 janvier 2007
Bibliothèque de l'INRP
Lyon 7e


Ce cycle de rencontres des Mercredis de la bibliothèque de l'INRP permet à des acteurs de la communauté éducative d'échanger en toute liberté sur les questions éducatives. Ces manifestations s'adressent à un large public : étudiants, enseignants, chercheurs, décideurs du monde de l'éducation, parents d‘élèves…
La 3e rencontre portera aura pour sujet :
Une autre façon d'interroger la littérature, de la maternelle à l'universitéLa question sera discutée à partir d'une expérience menée à l'INRP par l'équipe « Littérature et enseignement » : la lecture d'un même conte, La petite sirène d'Andersen, en France et dans plusieurs pays étrangers, à divers niveaux de classe. La mise en dialogue des pratiques autour de ce texte, qui a opéré des déplacements chez les enseignants et leurs élèves, a permis de distinguer des conceptions variées de la littérature, mais aussi des nuances entre une « lecture littéraire » et une « lecture du texte littéraire ».
Quelles conclusions tirer de ce travail, au moment où un « domaine de la littérature de jeunesse » est officialisé à l'école élémentaire ?
Invités:
Danielle Dubois - Marcoin
Responsable de l'équipe sur projet Littérature et enseignement à l'INRP, auteure de divers travaux sur la littérature de jeunesse et l'enseignement de la littérature.
Jean Jordy
Inspecteur général de l'éducation nationale, auteur de différents ouvrages sur l'enseignement de la littérature.
Informations pratiques:
24 janvier 2007
de 18 h 30 à 20 h 00

Entrée libre et gratuite

Bibliothèque Denis Diderot5 parvis René-Descartes – Lyon 7e04 72 76 61 12

Responsable : Institut national de recherche pédagogique

Informations: http://www.inrp.fr/lesmercredis

Adresse :
INRP - Service communication
19 allée de Fontenay
69007 Lyon
France

Informação recebida via Fabula

Concurso de Contos 'Gabriel Miró'

Está aberto o prazo para o concurso de contos "Gabriel Miró".

Programa:
1. Podrán concurrir al Concurso CAM de Cuentos 'Gabriel Miró' escritores de cualquier nacionalidad, con excepción de los que hubieran obtenido el primer premio en ediciones anteriores de este certamen. Las obras presentadas deberán estar escritas en lengua castellana.
2. Las obras de tema libre deberán ser inéditas y no haber sido premiadas en ningún otro concurso, certamen literario o actividad literaria; no solamente en la fecha de su admisión al concurso, sino también en el momento de la proclamación del fallo, pudiendo enviar cada concursante cuantos originales desee.
3. Dichos originales, con una extensión máxima de ocho folios, - formato DIN A4- mecanografiados a doble espacio, por una sola cara, en cuerpo de letra de 12 puntos, y un máximo de 30 líneas por folio. Se presentarán por triplicado, numerados y grapados por su margen izquierdo. No se admitirán envíos por correo electrónico, que sí serán solicitados a los autores de los cuentos premiados.
4. Obligatoriamente, los cuentos se presentarán a concurso bajo lema o seudónimo acompañados de plica o sobre cerrado, en cuyo interior deberá figurar la ficha de participación adjunta debidamente cumplimentada. Ésta también se puede obtener en www.obrasocial.cam.es.
5. Las obras pueden presentarse en cualquier oficina CAM o enviarse por correo a:
CAJA DE AHORROS DEL MEDITERRÁNEO Biblioteca Gabriel Miró Av. Ramón y Cajal, 5 03003 - ALICANTE
Indicando en el sobre:
'PARA EL CONCURSO DE CUENTOS GABRIEL MIRÓ'
Aquellos concursantes que deseen acuse de recibo deberán acogerse a la modalidad postal 'Certificado con acuse de recibo'
6. El plazo de admisión quedará abierto en la fecha de publicación de la presente convocatoria y finalizará el 31 de enero de 2007. Con posterioridad a dicho día sólo serán admitidos a concurso aquellos envíos postales cuyo matasellos evidencie que fueron depositados en el buzón dentro del plazo.
7. La Entidad patrocinadora del Concurso designará la composición de los jurados de selección previa y de calificación. Los cuentos que, a juicio de los miembros de estos jurados, reúnan mayor calidad literaria, participarán en una votación final, tras cuya celebración serán proclamados los premios que establece la siguiente base.
8. Primer Premio: dotación 6.000 euros
Segundo Premio: dotación 3.000 euros
El primer premio no podrá ser declarado desierto.
9. El fallo del Jurado, que será inapelable, se hará público durante el mes de junio de 2007.
10. Al objeto de comprobar el carácter inédito de las obras premiadas, la dotación metálica de estos premios se hará efectiva cuando transcurran 30 días desde la publicación del fallo.
11. Los cuentos premiados pasarán a ser propiedad de la Caja de Ahorros del Mediterráneo, que podrá editarlos. Los originales de los restantes serán destruidos, no admitiéndose peticiones de devolución.
Informação enviada por Gonzalo García "Darabuc"

Quando não se olha com olhos de ver...

SOARES, L.D., (2003). Quem Está Aí?.Barcelos: Civilização Editora.

Autora: Luísa Ducla Soares
Ilustrador: Maria João Lopes
ISBN: 972-26-2112-2

Quem Está Aí? é uma narrativa escrita por Luísa Ducla Soares que, tal como sugere o título, se reveste de um grande mistério. Esta autora, nascida em Lisboa, em 1939, é licenciada em Filologia Germânica. Após ter estado ligada ao grupo “Poesia 61”, publicou, em 1970, o seu primeiro livro, uma obra poética intitulada Contrato, tendo vindo a dedicar-se à literatura infanto-juvenil. História da Papoila (1973), a primeira das suas 45 publicações para crianças, foi galardoada com o Grande Prémio de Literatura Infantil Maria Amália Vaz de Carvalho, o qual foi recusado por motivos de ordem política. Para além deste, destacam-se o Prémio Calouste Gulbenkian para o melhor livro de literatura infantil no biénio 1984-1985, 6 Histórias de Encantar, o Grande Prémio Calouste Gulbenkian (1996) por toda a sua obra e, em 2004, foi candidata ao prémio Hans Christian Andersen. Para além disto, Luísa Ducla Soares assumiu funções de tradutora literária, directora da revista Vida (1971-2), adjunta do Gabinete do Ministro da Educação (1976-8), colaboradora em alguns periódicos e no programa Rua Sésamo, tendo escrito 26 guiões televisivos para a série Alhos e Bogalhos, ocupando actualmente a função de assessora principal da Biblioteca Nacional e desenvolvendo acções de incentivo à leitura junto de escolas e bibliotecas. Das suas obras, várias foram adaptadas para teatro e traduzidas para vários idiomas.
Esta é uma obra que reflecte a curiosidade natural das crianças para quem a experiência dos outros não basta, pois há a necessidade de ir, de ver com os seus próprios olhos e que fala da vontade de permanecer acordado para além da hora de “lavar os dentes, chichi, cama!” (Soares, 2003: 2). Espelha muitas situações do quotidiano em que, face a um mesmo acontecimento, são múltiplas as interpretações possíveis, visto que os olhos de cada um se encontram despertos para ver uma parte da realidade, como acontece com os cinco primos, aos quais se juntam os olhos mitigados do leitor que partilham com as personagens uma mesma vontade, a de descobrir “Quem está aí?”.
Ambos, texto icónico e texto verbal, concorrem para a construção de um sentido e é, a partir da junção de cada um dos elementos da componente pictórica, que se pode aceder ao desvendar do mistério da obra e à mensagem de que se nos centramos apenas num aspecto da realidade, isto impedir-nos-á de vislumbrá-la, tal como é realmente, ou seja, como um todo. Assim, quando não se olha com olhos de ver, não chegamos à essência, ficando pelo parecer…

Recensão realizada por Mª La-Salete Teixeira e Virginie Gomes

A volta ao Mundo num Dinossauro...

BACELAR, M. (1990). O Dinossauro. Porto: Edições Afrontamento.
Autor/ Ilustrador: Manuela Bacelar
ISBN: 972-36-0248-2



Das mãos de Manuela Bacelar “nasceu”, em 1990, O Dinossauro, uma obra incluída no Plano Nacional de Leitura, escrita e ilustrada por esta autora e que retrata a história humorada de “um monte com árvores e algumas casas” no qual “moram também pessoas e animais” que é, afinal, um dinossauro adormecido que, ao acordar, os transporta numa viagem inigualável ao mundo.
Autora de mais de 50 obras, como O Meu Avô (1990) e a colecção de álbuns «Tobias», da Porto Editora, publicadas não só em Portugal como também, algumas, no estrangeiro (Dinamarca, França, Japão, Marrocos, Líbano), Manuela Bacelar nasceu em Coimbra, em 1943 e fez os seus estudos secundários na Escola de Artes Decorativas Soares dos Reis, no Porto, frequentando também a Escola Superior de Artes Aplicadas, em Praga, durante sete anos (1963-1970) sob o estatuto de bolseira, tendo terminado o curso de ilustração. Residente no Porto desde 1971, tem-se dedicado à ilustração, à escrita e à pintura, contando já com muitas exposições individuais e colectivas, assim como grandes distinções, das quais são exemplo o Prémio Maçã de Ouro da Bienal de Bratislava (1989), o Prémio Gulbenkian da Ilustração (1990), a nomeação para o Prémio Octogónes (França, 1992), o facto de se encontrar na lista de honra do Prémio Pier Paolo Verggero em Pádua (Itália, 1993), a obtenção do Prémio Octogónes por Mon Grand Pire, um dos melhores livros estrangeiros publicados em França, entre outras.
Este é um álbum narrativo, claramente destinado aos mais pequenos, cuja componente icónica apresenta um papel determinante, dado que esta vive por si só, daí que o facto de a extensão desta componente relativamente à parte textual seja intencional para prender o leitor à história e à viagem do dinossauro, viagem esta que permitiu ver “gente igual, gente diferente”, “casas de todos os tamanhos” e que termina no mesmo lugar em que teve início, sendo que “tudo ficou como antes”, tal como nos sonhos, uma vez que após o despertar, não resta nenhuma recordação nem prova concreta a não ser a memória dessa viagem. Impossível é, ainda, ficar indiferente ao desfecho inesperado, perante o qual é inevitável sorrir ou, na versão actual, emitir um sonoro “daaah”!.

Recensão realizada por Mª La-Salete Teixeira e Virginie Gomes

“Agora sim, temos quase tudo para haver história.”


COTRIM, João Paulo, (2003). História de um Segredo. Porto: Afrontamento. Ilustrações de André Letria.
ISBN 972-36-0636-4
A partir dos 8 anos.

No espaço de um intervalo, um menino e uma menina partilham um segredo. O leitor assiste e até participa, mas afinal qual é exactamente o segredo? Esta é a pergunta que fazemos antes e depois de ler o álbum que nos apresentam João Paulo Cotrim e André Letria.


Cotrim com 41 anos, jornalista, cronista no Expresso, guionista de filmes, autor de bandas desenhadas e de vários livros para a infância, onde se destaca além da obra em questão, A Cor Instável, apresenta-nos uma narrativa curta em palavras mas gigante na essência.
Por sua vez, André Letria com 33 anos, dois Prémios Nacionais de Ilustração (1998 e 1999), um Prémio Gulbenkian – Álbum Ilustrado – e trinta livros publicados expõe em História de um Segredo mais uma (a)mostra do seu talento. Com pinceladas precisas conta-nos a história para além das palavras, habilmente suscitando o imaginário do leitor. O texto verbal vai explicando quais os ingredientes necessários para se fazer uma história e as imagens vão fazendo da palavra a acção; o texto e a imagem fundem-se de um modo em que é impossível dizer se é o texto que ilumina o desenho ou se é a ilustração que desperta a palavra.
História de um Segredo acontece dentro de uma caixa, que, como todas as caixas, guarda coisas secretas e valiosas. Este livro convida-nos a abri-lo e a descobrir o seu segredo; mantém-nos num estado de suspense durante toda a narrativa.
De qualidade reconhecida História de um Segredo consta no Plano Nacional de Leitura pelo seu carácter enquanto obra literária. Encerra em si um potencial formativo, contribuindo para a integração cultural do seu leitor, assim como para o desenvolvimento da sua competência literária.

Margarida Sousa

15 janeiro, 2007

A procura da Liberdade



PINA, Manuel (2005). O Tesouro. Ilustrações de Evelina Oliveira. Porto: Campo das Letras.
ISBN: 972-610-929-9
Idade Recomendada: A partir dos 8 anos

Manuel António Pina, escritor do livro O Tesouro, nasceu em Sabugal, Beira Alta, em 18 de Novembro de 1943, mas vive no Porto desde criança e é hoje portuense pela honra e pelo coração. Licenciou-se em Direito pela Universidade de Coimbra. Foi jornalista, durante 3 décadas, na redacção do "Jornal de Notícias".
O autor é umas das vozes mais singulares do universo da escrita para crianças em Portugal. Diga-se, em abandono da verdade, que a singularidade da escrita de Manuel António Pina não se restringe ao campo da literatura infantil, alargando-se à produção literária destinada aos adultos, designadamente à poesia, à crónica e à novela.
A obra de Manuel António Pina consegue uma forte coesão, mantendo em ambos os registos — o da poesia e o da literatura infantil — aquilo que já foi classificado como "um discurso de invulgar criatividade e de constante desafio à inteligência do leitor", qualquer que seja a sua idade.
Evelina Oliveira, a ilustradora deste livro, é uma jovem artista portuguesa com um já extenso curriculum de exposições individuais e colectivas. Nasceu em Abrantes em 1961. Frequentou o curso de Desenho na ESAP, o curso de História da Arte no Museu Soares dos Reis e o curso de Litografia da Árvore. A artista, como ilustradora, tem trabalhado com Manuel António Pina, Alice Vieira, João Pedro Messéder e outros escritores, principalmente em livros infantis.
O Tesouro é uma história que nos fala da liberdade, esta que apenas possuímos desde o dia 25 de Abril de 1974, o Dia da Liberdade.
Na verdade, marco crucial da História colectiva e de muitas histórias individuais dos Portugueses, essa data, bem como todo o contexto que lhe é inerente, tem assumido particular relevância no âmbito da produção editorial de recepção infanto-juvenil.
A história relata-nos como era o nosso país antes desse dia, o Pais das Pessoas Tristes. Quem vivia neste país não podia fazer o que queria, nem podia dizer o que pensava ou o que sentia. As pessoas viviam com o medo constante dos polícias que os vigiavam e impediam que falassem entre si, polícias estes que abriam a sua própria correspondência para descobrir a maneira como pensavam ou o que diziam. As crianças deste país não podiam ouvir música, nem ver filmes, nem ler os livros que gostavam. Nem mesmo beber Coca-Cola, porque também era proibido.
No Dia da Liberdade, tudo isto acabou. As pessoas decidiram reconquistar este tesouro tão precioso que hoje temos e não podemos perder de modo algum, a liberdade.
O texto icónico deste livro ajuda a criança/adulto a expandir o sentido do texto verbal. As ilustrações assumem um papel muito importante nesta história pois a diferença de sentimentos nos olhares dos visitantes, em comparação com os olhares das pessoas de Portugal, apenas é totalmente visível através das imagens.
O Tesouro é um livro diferente que oferece um testemunho original acerca desse acontecimento fundamental do século XX.
E porque importa sempre reescrever a História, O Tesouro, de Manuel António Pina, representa, assim, trinta anos depois do 25 de Abril, uma homenagem muito especial a todos aqueles (filhos) que, nesse dia, viram os pais, de novo, com um sorriso de felicidade.
Paula Gonçalves

A vila tem pernas!


BACELAR, Manuela (2000). O Dinossauro. Porto: Edições Afrontamento.
ISBN: 972-36-0248-2
Idade Recomendada: Entre os 3 e os 5 anos

Manuela Bacelar, escritora e ilustradora do álbum O Dinossauro nasceu em Coimbra a 1943. Frequentou a Escola de Artes Decorativas Soares dos Reis no Porto e na Checoslováquia frequentou, durante seis anos, a Escola Superior de Artes Aplicadas, tendo terminado o Curso de Ilustração. Actualmente, dedica-se à ilustração, à escrita e à pintura, contando já com muitas exposições individuais e colectivas.

O Dinossauro é um livro claramente vocacionado para os mais pequenos, destinatário extratextual cuja competência leitora é compreensivelmente mais reduzida. É uma história simples, contada com uma articulação harmoniosa entre o texto e as imagens e também com uma forte carga de humor.
Uma vila onde as pessoas vivem e fazem a sua vida, não é mais do que dorso de um dinossauro; este, que após um longo sono, desperta e resolve dar um passeio, o que permitiu que as pessoas que lá viviam conhecessem o mundo e a diversidade de culturas que ele concede.
O facto de o texto possuir uma boa dose de humor, de ser contado na primeira pessoa e de a componente pictórica ser muito forte, são estratégias para facilitar a aproximação do leitor infantil à mensagem que o livro não mostra à partida.
É importante focar que o texto icónico é quase sempre maior que a mancha vocabular o que permite ao leitor não só antecipar, mas também expandir, de modo evidente, o sentido do texto verbal. A riqueza das figuras prende assim o leitor que acaba por querer seguir com muito entusiasmo as linhas do texto. As ilustrações assumem nesta obra um papel muito importante, uma vez que a diversidade de pessoas e das habitações dos diferentes povos, por exemplo, apenas é totalmente visível através das imagens.
O álbum O Dinossauro representa, sem dúvida, um álbum de qualidade, na medida em que possui uma perfeita articulação entre o texto verbal e o texto icónico e é uma história de extrema originalidade que permite ao leitor ir longe com a sua imaginação.

08 janeiro, 2007

Call for Papers

LIBEC Line
Revista em Literacia & Bem-Estar da Criança

Prazo limite de submissão dos artigos – 28 de Fevereiro de 2007
Os artigos podem ser submetidos em português ou em inglês
Está aberta a 2º chamada para artigos para a LIBEC Line - Revista em Literacia & Bem-Estar da Criança. Esta revista on-line, de natureza científica, destina-se a dar a conhecer a investigação do campo interdisciplinar dos estudos da infância. A revista publicará dois números por ano.
Esta revista tem como destinatários especialmente investigadores(as), professores(as), educadores(as), psicólogos(as), sociólogos(as), profissionais da saúde e estudantes de pós-graduação, que intervêm junto da infância.
Para todos os artigos submetidos em português ou em inglês, é obrigatório o envio, na 2ª página, do título, resumo e palavras-chave numa segunda língua. 1ª página – título, resumo e palavras-chave - endereço 2ª página – Title, abstract and key-words
Normas para a apresentação dos originais
1) Os originais propostos para publicação na revista devem ter uma extensão entre 3500 e 6500 palavras, que se apresentarão numeradas, em formato A-4, escritas a espaço 1/2, em Times New Roman, tamanho 12. Os originais devem ser acompanhados de um resumo com um máximo de 250 palavras, em português e em inglês, com indicação de palavras-chave. Os trabalhos propostos devem ser originais; não devem ter sido publicados em nenhuma outra revista ou livro, na mesma língua, nem estar em processo de revisão para outra revista.
A bibliografia deve surgir no final, sob a designação de referências bibliográficas; os livros ou artigos incluídos nela serão ordenados alfabeticamente por apelido do autor ou dos autores, seguindo as normas da APA (http://www.apastyle.org/):
Livros:
Potter, J. (1996). Representing reality. Discourse, rhetoric and social construction. London: Sage.
Capítulos de livros: Valriu, C. (2000). Els personatges fantàstics: les bruxes, els mags, les fades. In Gemma Lluch (ed.), De la narrativa oral a la literatura per a infants. Invenció d’una tradició literária (pp.95-131). Alzira: Bromera.
2) Os trabalhos apresentar-se-ão da seguinte forma: a. Título (corpo 14, centrado, negrito) b. Autor(es) (corpo 14, sem negrito) c. Resumo em inglês d. Keywords e. Resumo em português f. Palavras-chave g. Trabalho h. Referências bibliográficas i. Direcção completa de um dos autores 3) Os trabalhos que façam parte ou sejam fruto de projectos de investigação deverão fazer referência à metodologia empregada.
4) Os autores remeterão os seus trabalhos ao ou aos coordenadores da edição, por correio electrónico para o endereço electrónico do LIBEC libec@iec.uminho.pt
5) Os trabalhos serão examinados, numa primeira instância, pelo ou pelos coordenadores da edição, que verificarão os seus aspectos formais; posteriormente serão avaliados, com carácter anónimo, por dois especialistas.
6) A revista terá uma periodicidade semestral, com publicações em Fevereiro e Julho de cada ano.
7) A Direcção definirá em que número se editarão os trabalhos aceites.
8) Cada 5º número da revista será integralmente editado em língua inglesa.
9) Os diversos números da revista terão um dossier temático, sendo igualmente aceites para publicação recensões críticas.
10) A publicação de trabalhos nesta revista não dá direito a alguma remuneração. Os direitos editoriais são propriedade da revista e é necessária a sua autorização escrita para qualquer reprodução.
11) A revista poderá ser consultada em ambiente aberto, via webpage. O autor compromete-se a corrigir as primeiras provas de imprensa num prazo não superior a 15 dias a partir da sua recepção, não podendo incluir nas mesmas nem texto, nem materiais novos ou modificações importantes.
12) A responsabilidade do conteúdo dos artigos é dos seus autores, que deverão obter autorizações correspondentes para a reprodução de qualquer ilustração, quadro, tabela ou figura, retirados de outros autores e/ou fontes.

LIBEC Line Journal on Literacy & Children’s Welfare
Deadline for submissions – February, 28, 2007
Papers can be submitted either in English or in Portuguese.
The author(s) must include an abstract in English. Title and abstract of accepted papers will be locally translated to Portuguese or can be included in the original paper by the author. Journal’s basic description This journal is an electronic publication of a scientific nature in the area of research of childhood studies. It will be published twice every year.
The electronic Journal LIBEC Line – Journal will have as potential readers, those working closely with childhood issues, such as teachers, educators, psychologists, sociologists, health professionals and research students.
Rules for the presentation of papers:
1) The papers proposed must have a size between 3500 and 6500 words, with all the pages numbered, in A4 size, with 1.5 spaces between lines, Times New Roman font, size 12. An abstract of no more than 250 words should be included, as well as the keywords. The papers proposed have to be original and never published on another journal or book in English, nor being analysed by another journal. References should be at the end, ordered alphabetically according to the norms of APA (American Psychological Association):
Books:
Potter, J. (1996). Representing reality – Discourse, rhetoric and social construction. London: SAGE.
Book chapters:
Valriu, Caterina (2000). Els personatges fantàstics: les bruxes, els mags, les fades. In Gemma Lluch (ed.), De la narrativa oral a la literatura per a infants. Invenció d’una tradició literária (pp.95-131). Alzira: Bromera.
2) Specific format: a. Title (Body 14, centred, bold) b. Author(s) (Body 14) c. Abstract in English d. Keywords e. Text f. Bibliographic references g. Complete address of one of the authors
3) The papers that are the result of a research should have the methodology clarified.
4) Authors should send their works to the editorial board, through e-mail, to the address libec@iec.uminho.pt 5) Papers submitted will be examined at first, by the editorial board, to check formal aspects; later two referees will evaluate them, anonymously.
6) The journal will have two numbers per year, in February and July.
7) The Editorial board will decide in which number the accepted papers will be published.
8) Every fifth number will be completely English-based.
9) All numbers will have a thematic dossier; Book reviews will also be considered.
10) Published papers will give no right to any payment; the publishing rights will be property of the journal and reproduction will need written agreement.
11) The journal can be consulted on its webpage; authors will have 15 days to correct their paper before being published on-line and cannot introduce nor new text nor new materials that are not required.
12) Responsibility for the paper’s content rests with the authors, who will have to obtain authorization for the inclusion of any illustration, table or figure, taken from other authors or sources.
Editor libec@iec.uminho.pt LIBEC, Universidade do Minho, Av. Central nº 100, 4710-229 Braga, Portugal

Eragon



PAOLINI, Cristopher (2004). Eragon. Vila Nova de Gaia: Edições Gailivro.

Ao escrever e publicar o primeiro livro da Trilogia da Herança, Eragon, Cristopher Paolini estava longe de imaginar, que este se iria tornar num best-seller ao nível mundial. Eragon seduziu e continua a fascinar pequenos e graúdos através da sua viagem em busca da identidade como Cavaleiro do Dragão, da sua coragem e pela doce amizade que mantém com o dragão Saphira.
Quando Eragon encontra uma pedra azul polida na floresta, acredita que poderá ser uma descoberta bendita para um simples rapaz do campo: talvez sirva para comprar carne para manter a família durante o Inverno. Mas quando descobre que a pedra transporta uma cria de dragão, Eragon depressa se apercebe de que está perante um legado tão antigo como o próprio Império. De um dia para o outro, a sua vida muda radicalmente, e ele é atirado para um perigoso mundo novo de destino, de magia e de poder. Empunhando apenas uma espada legendária e levando os conselhos dum velho contador de histórias como guia, Eragon e o jovem dragão Saphira terão de se aventurar por terras perigosas e enfrentar inimigos obscuros, dum Império governado por um rei cuja maldade não conhece fronteiras. Conseguirá Eragon alcançar a glória dos lendários heróis da Ordem dos Cavaleiros do Dragão? O destino do Império pode estar nas suas mãos...
Esta brilhante narrativa de aventura e romance, assumidamente influenciada pela saga O Senhor dos Anéis de J.R.R Tolkien, envolve o leitor no mundo mágico dos dragões, elfos, anões, reis, batalhas, espectros e, naturalmente, os humanos. A obra encanta pela sua estrutura e história pois, esta, contém a essência e a vivacidade necessárias para levar o leitor a embrenhar-se na leitura das venturas e desventuras da jovem personagem querendo virar sempre “só mais uma página”. O livro em si está adequado tanto para leitores mais jovens, como para os mais crescidos, pois a história atrai pela simplicidade com que flúi e se desenrola, mostrando ao receptor não só a viagem do personagem, mas também conteúdos sobre a Algalesia, ou seja, a terra de Eragon, sua história desde a fundação, suas cidades e leis, o nascimento dos Cavaleiros do Dragão e as guerras entre as várias raças.
É, sem dúvida alguma, um épico da literatura fantástica que mistura elementos mágicos com o real numa teia intrincada. A estrutura narrativa, o rigor da descrição, a dimensão humana dos seres imaginários, que potencia a identificação do leitor com os heróis e, desejavelmente, a qualidade poética aliada a uma capacidade imaginativa imensa, tudo isto contribui para tornar o fantástico verosímil. Nas crianças esta obra poderá despertar o gosto pela leitura através do fantástico e da magia, aliada a um enredo apelativo que sem dúvida fará as delícias dos mais novos, sendo que possuí uma vertente que exalta os valores da amizade, do amor, da bondade, da honestidade e acima de tudo da justiça.


Ângela Gonçalves
Cátia Prazeres

O elefante cor-de-rosa



DACOSTA, Luísa (2005). O Elefante cor-de-rosa. Colecção “Obras completas de Luísa Dacosta”. Ilustrações de Armando Alves. Porto: Edições ASA
ISBN: 972-41-4184-5



Esta é a obra reeditada de um pequeno conto de Luísa Dacosta – porventura um dos mais emblemáticos da sua obra no domínio da literatura infantil –, que conserva as ilustrações originais da primeira edição (de 1974), da autoria de Armando Alves.
Luísa Dacosta nasceu em 1927, em Vila Real de Trás-os-Montes. Formou-se na Faculdade de Letras de Lisboa, em Histórico-Filosóficas. Foi professora do ciclo preparatório e alguma coisa deve também aos alunos: o ter ficado do lado do sonho. É isto que a motiva a escrever para crianças.
Armando Alves nasceu em Estremoz, em 1935, formou-se na ESBAP com vinte valores e aqui foi professor entre 1962 e 1973.
O Elefante cor-de-rosa faz parte do Plano Nacional de Leitura, para alunos do 4º Ano. No entanto, este livro é recomendado para crianças a partir dos 6 anos. Neste livro conhecemos um maravilhoso e gracioso elefante, da cor dos sonhos das crianças, que habita junto com outros elefantes, num mundo perfeito «fora da nossa galáxia, mundo pequenino, forjado no bafo de outras estrelas e aquecido por outro sol» (Dacosta, 1996: s/p). Este mundo vai-se desmoronando, ficando um pequeno elefante cor-de-rosa «só no sozinho» (idem, ibidem: s/p). Com a ajuda de um pequeno cometa, vai aterrar na imaginação de uma criança, onde nunca mais sentirá solidão.
Assim, neste livro, num primeiro momento, verifica-se a existência do elefante cor-de-rosa e do “mundo amável” em que ele vivia, juntamente com outros elefantes cor-de-rosa. Era um mundo de paz e de alegria, onde não havia sofrimento. Confrontado, num segundo momento, com a morte inesperada deste seu mundo, o elefante vê-se obrigado a partir e acaba por ir viver para a imaginação de uma criança.
Uma história de sonho e fantasia, que aborda, porém, ainda que de forma subtil, valores tão importantes como a amizade, a solidariedade e a entreajuda. Aparentemente simples, na forma e no conteúdo, este pequeno conto revela-se, afinal, fortemente cativante, seduzindo tanto pela riqueza das emoções que desperta como dos simbolismos que encerra.

Ângela Gonçalves e Cátia Prazeres

07 janeiro, 2007

Nas asas da Poesia...

INFANTE, Luís (2004). Poemas Pequeninos para Meninas e Meninos, V. N. de Gaia: Gailivro (Ilustrações de Carla Pott)
ISBN: 989-557-050-3








O título e a capa da obra Poemas pequeninos para meninas e meninos deslindam, à partida, algo do que será a mesma: um conjunto delicioso de textos poéticos breves, largamente ilustrados e dedicados às crianças.

Esta obra de Luís Infante, autor sobre o qual não nos foi possível obter quaisquer informações, apresenta ilustrações deveras expressivas, o que valoriza grandemente o texto linguístico. Carla Pott, ilustradora deste livro, nasceu em África. Aos quatro anos veio para Cascais e cedo começou a dar sinais do que queria ser quando fosse grande. Licenciada pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, a partir de 2000 começou a ilustrar livros para crianças, dos quais onze já se encontram publicados.

«Os poemas que lemos ou que podemos dar a ler desta colectânea editada pela Gailivro evidenciam diversas propriedades ideotemáticas e técnico-compositivas comuns à poesia de destinatário explícito infantil.» (Sara Silva)
Luís Infante atribui, assim, um cuidado especial no que concerne à linguagem usada nos poemas, empregando-a de uma forma eloquente, de modo a criar quadros poéticos carregados das mais diversas sensações, como se pode observar, por exemplo, no poema «Tudo menos Tristeza»: «…porque no seu pêlo macio/que lembra café e baunilha…» (Infante, 2004: 18). No decorrer dos poemas o leitor é envolvido por um mundo maravilhoso criado pela oposição entre o sonho e o real, e pela constante valorização de elementos fantásticos como fadas, duendes, bruxas… «Uma fada bailarina/saiu de uma lamparina/ com um cortejo de duendes…» (Idem, ibidem: 28).

Nesta obra prepondera, não raras vezes, a memória activada pela adoração de um retrato, como forma de se evadir no tempo e no espaço, como no caso do poema «Um retrato antigo» (Idem, ibidem: 8). Ao longo do livro, e para deleite de qualquer criança, vamos descobrindo cenários naturais e uma constante presença de animais, como é o caso das galinholas (idem, ibidem: 12), dos gatos (idem, ibidem: 16), do grilo (idem, ibidem: 40), ou dos rouxinóis (idem, ibidem: 54), entre outros.

Uma outra característica de grande relevância prende-se com a existência de marcas de narratividade, como podemos constatar pela presença de uma fórmula hipercodificada que, regra geral, é utilizada como frase de abertura dos contos tradicionais «Era uma vez um grilo» (idem, ibidem: 40).

Esta obra é, pois, claramente alcançável pelas crianças em tenra idade, tanto ao nível cognitivo como linguístico, favorecendo o desenvolvimento de competências literárias e linguísticas, ao mesmo tempo que desperta o gosto pelo texto poético.

Poemas pequeninos para meninas e meninos, repleto de boa disposição, é, então, uma porta aberta para o mundo mágico da poesia.

Andreia Lomba, Benvinda Pinheiro e Susana Barbosa

PINA, Manuel António (2002) Histórias que me contaste tu. Lisboa: Assírio & Alvim. (Ilustrações de João Botelho).

ISBN 972-37-0554-0


Descobre o escaravelho que há em ti

Poeta, jornalista, professor, tradutor e autor de muitos livros de propensão infantil, são alguns dos atributos de Manuel António Pina. Licenciado em Direito na Universidade de Coimbra, galardoado nos últimos anos com os mais importantes prémios literários de Portugal, brinda-nos com os seus registos de “discurso de invulgar criatividade e de constante desafio à inteligência do leitor”, já várias vezes assim classificado.

Entre as suas obras mais conhecidas, de propensão infantil, destaca-se o Inventão, O livro de desmatemática, Perguntem aos vossos gatos e aos vossos cães, Os dois Ladrões e Histórias que me contaste tu. Estes dois últimos ilustrados por João Botelho, que imprime ao texto visual uma relação de solidariedade semiótica e realça a expressividade do mesmo, desenvolvendo a dimensão estética do texto.

Manuel António Pina leva-nos, através da figura do escaravelho nas Histórias que me contaste tu, a um encontro familiar e, até mesmo íntimo, com esta personagem por quem, desde o primeiro contacto - quer na capa e contra-capa, acompanhado por um menino e uma menina respectivamente bem como nas guardas, se impõe uma presença constante e direccional e durante todo o texto - se estabelece empatia. Todo o livro é uma apoteose à figura do contador de histórias e, por isso, prende o leitor mais impenetrável, independentemente da faixa etária em que se encontre.

Poderíamos ter escolhido uma qualquer história deste livro, que todas elas causariam o mesmo – um sorriso esboçando o pensamento “é mesmo assim…incrível!”, contudo, vamos centrar-nos naquela que começa pelo fim, e para situar, Uma História que começa pelo fim. Nesta, o escaravelho reporta-nos para um reinado onde os protagonistas, rei e rainha, questionam a felicidade, recordando nostalgicamente o passado em que um era guardador de patos e o outro esperava pelo beijo que lhe quebrasse o feitiço, concluindo que “eram felizes há tanto tempo que já nem sabiam bem o que era a felicidade”, desejando, por isso, viver uma situação de tristeza para que pudessem, novamente, aperceber-se de como eram felizes. Este desejo vai envolvê-los numa série de peripécias que só poderão ser desvendadas se partires já para a leitura e descobrires o escaravelho que há em ti!

Andreia Lomba, Benvinda Pinheiro e Susana Barbosa

O mal amado

Mota, A. (2002). O Galo da Velha Luciana. Vila Nova de Gaia: Gailivro. (Ilustrações de Elsa Navarro).
ISBN 972-8723-65-2

O Galo da Velha Luciana é uma obra da autoria do escritor António Mota que, desde 1979, tem vindo a publicar regularmente para crianças e jovens. Tem cerca de quatro dezenas de títulos publicados. Recebeu em 1983 um prémio da Associação Portuguesa de Escritores por O Rapaz de Louredo, em 1990 o Prémio Calouste Gulbenkian de Literatura para crianças por Pedro Alecrim e em 1996, o Prémio António Botto por A Casa das Bengalas. Desde 1980, tem sido solicitado a visitar escolas do Ensino Básico e Secundário, assim como bibliotecas públicas, em diferentes pontos do país e do estrangeiro, fomentando, deste modo, o gosto pela leitura entre crianças e jovens. Colaborou com vários jornais e participou em diversas acções organizadas por Bibliotecas e Escolas Superiores de Educação. Os seus livros estão antologiados em volumes de ensino do Português e tem obras traduzidas em Espanha e Alemanha.
O presente livro com apelativas ilustrações de Elsa Navarro, diverte e ensina, indo, assim, ao encontro dos gostos literários dos leitores mais novos. Nesta pequena obra são contadas as peripécias vividas por um galo, um “bicho” que a velha Luciana muito estimava. Apesar deste ser ignorado por todos, tentou salvar a velha Luciana das chamas. Será que o conseguiu?
Esta é uma história marcada por uma coloração maravilhosa, muito ao sabor de uma certa escrita dedicada a um público infantil, faceta para a qual contribuem, também, as divertidas ilustrações de Elsa Navarro. Como não podia deixar de ser, esta obra tem um final positivo, muito do agrado, aliás, dos pequenos leitores.
De referir também que, na nossa opinião, o pequeno livro de António Mota deixa escapar, ainda que subtilmente, uma valiosa mensagem – devemos sempre fazer os possíveis e os impossíveis para ajudar outras pessoas, mesmo que para isso tenhamos que ultrapassar a indiferença dos outros.
Lúcia Simões e Maria José Cunha