
22 outubro, 2007
15 outubro, 2007
Os Livros das Nossas Vidas…
Falaremos, num ambiente informal, sobre textos literários que nos interessam, que nos agradam ou que, de algum modo, consideramos relevantes, independentemente de pertencerem ou não ao cânone, de serem ou não clássicos, best-sellers ou se incluírem mais no âmbito de uma literatura comercial.
A entrada é livre e estão todos convidados!
Autores para o dia 12 de Novembro: Paulo Coelho, Rosa Lobato de Faria e Nicholas Sparks
Autores para o dia 19 de Novembro: Luís Sepúlveda
Autores para o dia 26 de Novembro: Dan Brown e Susana Tamaro
Educar para a Literacia
12 outubro, 2007
Importante recurso na web: adrian&pandora
11 outubro, 2007
"CENSURA E INTER/DITO" - IX Colóquio de Outono
O IX Colóquio de Outono organizado pelo Centro de Estudos Humanísticos da Universidade do Minho realizar-se-á a 22, 23 e 24 de Novembro próximo e será subordinado ao seguinte tema: Censura e Inter/Dito . À semelhança dos Colóquios anteriores, a estrutura deste Colóquio compreenderá conferências plenárias a cargo de conferencistas convidados e sessões temáticas, entre as quais
- "As Literaturas Pós-coloniais: Marginalização e/ou Subalternidade?";
- Teatro, Tradução e Censura;
- A Censura e o Inter/Dito na Literatura Contemporânea;
- Linguagem , Cultura e Inter/Dito
- Os Estudos Galegos em Portugal.
Para mais informações contactar (alice@ilch.uminho.pt ou ceh@ilch.uminho.pt).
O programa será divulgado brevemente.
Comissão
Direcção do CEHUM:
Professora Ana Gabriela Macedo
Professora Maria Eduarda Keating
10 outubro, 2007
I CONFERÊNCIA PNL - A leitura em Portugal: desenvolvimento e avaliação
Fundação Calouste Gulbenkian
22 de Outubro
08.30 Recepção dos participantes – entrega de pastas
09.00 Sessão de abertura
Maria de Lurdes Rodrigues, Ministra da Educação
Jorge Pedreira, Secretário de Estado Adjunto e da Educação
Eduardo Marçal-Grilo, Administrador Fundação Calouste Gulbenkian
Isabel Alçada, Comissária do PNL
João Mata, Director GEPE
09.30 Conferência A aprendizagem da leitura: componentes, perfis de evolução e respectivas avaliações
José Junca da Morais, Universidade Livre de Bruxelas
Presidência: Roberto Carneiro, Universidade Católica de Lisboa
10.30 Debate
10.45 Pausa
11.15 - Apresentação do estudo - "Estudos e instrumentos de análise de níveis de leitura"
Inês Sim-Sim, Escola Superior de Educação de Lisboa
Fernanda Leopoldina Viana, Instituto de Estudos da Criança – Universidade do Minho
Presidência: David Justino, Universidade Nova de Lisboa
Comentários: Maria Helena Mira Mateus, Conselho Científico do PNL
Carlos Pinto Ferreira, Director-Geral do GAVE
12.15 Debate
12.30 Almoço
14.30 Conferência
Hábitos de leitura. Diferentes casos em contexto internacional Wendy Griswold, Northwestern University - EUA
Presidência: Maria Idalina Salgueiro, Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento
15.30 Debate
16.00 - Apresentação do estudo - "A promoção da leitura nos países da OCDE"
Maria de Lurdes Lima dos Santos
José Soares Neves Santos, Observatório das Actividades
Presidência: Carlos Reis – Universidade Aberta
Comentários: Maria de Lurdes Dionísio, Conselho Científico do PNL
Isabel Margarida Duarte, Conselho Científico do PNL
17.00 Debate
17.30 Encerramento
23 de Outubro
09.00 Sessão de abertura
Mário Vieira de Carvalho, Secretário de Estado da Cultura
Manuel Carmelo Rosa, Director da Fundação Calouste Gulbenkian
Nazim Ahmad, Rede Aga Kahn para o Desenvolvimento
Teresa Calçada, PNL- Rede de Bibliotecas Escolares
Paula Morão, PNL- Direcção Geral do Livro e da Biblioteca
09.30 Conferência Avaliação da leitura em contexto internacional
Helena Bomeny, Escola de Ciências Sociais-CPDOC Fundação Getúlio Vargas – Brasil
Presidência: Paula Morão – PNL/DGLB
10.30 Debate
11.00 Pausa
11.30 - Apresentação dos estudos - "Hábitos de leitura da população portuguesa”
Maria de Lurdes Lima dos Santos José Soares Neves Santos, Observatório das Actividades Culturais
Hábitos de leitura da população escolar"
Mário Lages, Carlos Liz, João António Universidade Católica de Lisboa
Presidência: Teresa Calçada – PNL/RBE
Comentários: Alexandre Castro Caldas, Conselho Científico do PNL
Maria Armanda Costa, Conselho Científico do PNL
12.30 Debate
12.45 Almoço
14.30 Conferência
Leitura, educação e desenvolvimento: perspectivas comparadas
Scott Murray, Universidade de New Brunswick (Canadá)
Presidência: Júlio Pedrosa, Conselho Nacional de Educação
15.30 Debate
16.00- Apresentação do estudo - "Avaliação externa do Plano Nacional de Leitura"
António Firmino da Costa CIES/ISCTE
Presidência: António Nóvoa, Universidade de Lisboa
Comentários: Pedro Magalhães, Conselho Científico do PNL
Manuel Villaverde Cabral, Instituto de Ciências Sociais
17.00 Debate
17.15 Sessão de encerramento
Augusto Santos Silva, Ministro do Assuntos Parlamentares
Manuel Carmelo Rosa, Fundação Calouste Gulbenkian
Isabel Alçada, Comissária do PNL
João Mata, Gabinete de Estatística e Planeamento da Educação
Informações:
Plano Nacional de Leitura
Travessa das Terras de Sant' Ana, 15
1250-269 Lisboa
Tel.: 213 895 203, Fax.: 213 895 148
URL: www.planonacionaldeleitura.gov.pt
07 outubro, 2007
Aristides de Sousa Mendes - homem de coragem
Autor: José Jorge Letria
Ilustração: Nuno Fonseca
Ano: 2004
Editora: Terramar
ISBN: 972-710-367-7
A recriação ficcional desta personagem, assente numa descrição factual e documental durante o processo narrativo, é muitas vezes intersectada por vozes infantis que questionam ou lamentam, fazendo-se presença como participantes de uma realidade inóspita e cruel, que importa dar a conhecer aos destinatários preferenciais, implícitos na obra.
Todo o percurso narrativo confronta-se com a relativização do tempo face às vivências negativas com as quais Aristides se debate. “Foram dias e noites de grande aflição. Já passaram muitos anos, mas parece que tudo aconteceu ontem ainda. A memória dessas horas trágicas permanece viva” (Letria, 2004:9). Então, Aristides “descobre a matéria moral de que são feitos os verdadeiros heróis” (Letria, 2004:18) e a sua trajectória de vida assume o exercício de uma competência desviante do que devia ser a norma, fazendo-o ostentar uma raridade fundada na protecção da vida humana em detrimento de todas as condicionantes legais e profissionais a que deve obedecer.
Orientado pela “voz da sua consciência” (Letria, 2004:14), o homem embaixador, corria para salvar o maior número possível de refugiados, envolvendo todos os que o rodeavam. “Os que podiam usar os carimbos e o selo branco faziam-no com prontidão e competência. Os outros cozinhavam, cosiam, davam medicamentos e água a quem deles precisava” (Letria, 2004:27).
O narrador, “sujeito transindividual (…) manifesta novos ou ignorados aspectos (…) através de um específico labor da produção textual” (Silva, 1986:252-253), fazendo emergir a cada instante da narração a necessidade de modelar a consciencialização do leitor com o seu mundo circundante, estabelecendo uma permanente articulação entre um passado, hiperbolizado pelo sofrimento, e o presente onde importa revitalizar a imagem deste herói que “não favorece os aristocratas nem qualquer outra pessoa importante” (Letria, 2004:31), exercendo a Igualdade e o Altruísmo, manifestações da sua genuína Humanidade.
A estratégia biográfica apresentada por esta narrativa, longe de ser circunstancial, enforma, apela e reivindica um lugar de destaque para a personagem, que estando inscrita numa historicidade marcada nos mapas e nas memórias do holocausto, faz articulação com outras intertextualidades, onde a problemática da guerra se patenteia e a demanda da paz urge. No final, embora pareça ter havido mudança de um cenário onde se instalam um “menino perguntador” e um “escritor/aviador”, “que desenhava principezinhos no caderno, e também rosas, planetas e ovelhas” (Letria, 2004:47), verifica-se que a memória de Aristides emerge com a perenidade simbólica presente na “árvore que no Museu Yad Vashem, em Jerusalém, recorda a coragem e o heroísmo de um diplomata português que salvou milhares de vidas, por ser justo e por ser livre” (Letria, 2004, 50).
Teresa Macedo
macedo.mariateresa@gmail.com
Referência Bibliográfica:
Silva, Vítor Manuel de Aguiar e (1986). Teoria da Literatura. Coimbra. Almedina.
20 setembro, 2007
Zeca Afonso - O Andarilho da Voz de Ouro

Título: Zeca Afonso - O andarilho da voz de ouro
Autor: José Jorge Letria
Ilustrador: Evelina Oliveira
Editora: Campo das Letras - Editores, S.A., 2007
ISBN:978-989-625-154-3
O humano Zeca surge-nos, logo no início do livro, com particularidades que indiciam marcas de estranhamento que justificarão, mais tarde, uma demanda em torno da reflexão, da expressão e da divulgação de princípios axiológicos fundamentais ao reconhecimento da Alteridade, da Liberdade, da Igualdade como alicerces imprescindíveis ao constructo humano. Zeca “era distraído e (…) andava sempre com a cabeça no ar, nesse mesmo ar que dava asas à melodia que nunca lhe deixou seguir os passos e os sonhos” (2007:7); (…) tinha tempo de pensar em muita coisa, para ler livros e para sonhar” (2007:8); “(…) era diferente dos outros meninos, por passar muito tempo à volta das suas inquietações, brincadeiras, saudades e medos” (2007:8). Estes indícios, associados a dicotomias presentes na narrativa, tais como dúvida/certeza, inquietação/tranquilidade, guerra/paz, liberdade/opressão, riqueza/pobreza, bem como o dialogismo que estabelece com o Menino do Bairro Negro, símbolo de todos os que não são detentores de uma voz própria e livre, transpõem esta narrativa para patamares que se conotam com o mundo mítico e mágico, entre a corporeidade e o constructo da emergência espiritual e ideológica, um mundo simbólico. Neste, então poderemos cruzar-nos com a “sofreguidão dos vampiros, que atacavam pela noite calada (2007:30)” ou com o “Papão, que (…) mantinha o país encarcerado entre as grades do medo que mandava erguer por todo o lado” (2007:22). Assim, num tecido verbal reflectido, assistimos à força da Palavra inserida numa mimesis musical, encorpando a Liberdade na mediação e regeneração da força heróica que fará a metamorfose do caos em ordem, inscritos num espaço que oscila entre as marcas do registo factual e os demarcados percursos existenciais fantástico-maravilhosos, que assentam nas miragens do transcendental.
É por isso que, no final da narrativa, Zeca reconhece a Morte, não com o olhar temeroso dos que agonizam, mas como a Liberdade necessária, “perseguindo um sonho que só se acabará quando o último ser humano desaparecer deste planeta” (2007:39).
Esta narrativa, interagindo com o discurso semiótico doado pela excelente ilustração de Evelina Oliveira, reflecte a mundivivência de um escritor que, através da recriação biográfica desta personagem, destaca a memória como um processo afectivo-representativo complexo no qual as imagens-lembrança evocam a necessidade de assegurar a continuidade de um conjunto de valores que emergem nesta figuração da esperança essencial.
Teresa Macedo
macedo.mariateresa@gmail.com
10 setembro, 2007
Universidade do Minho: parceiro estratégico no Programa Nacional de Ensino do Português
1. A formação nas escolas/agrupamentos, dinamizada pelos formadores residentes.
2. O acompanhamento e aprofundamento da formação dos formadores residentes em exercício, da responsabilidade da Universidade do Minho.
3. A formação de novos formadores residentes na Universidade do Minho.
Pretende-se com os conteúdos desta formação actualizar e aprofundar os conhecimentos científicos e metodológicos dos formandos, no que respeita ao ensino da Língua materna no 1º ciclo, à luz dos resultados da investigação sobre o desenvolvimento linguístico da criança e sobre as aprendizagens da Língua materna neste ciclo escolar. Os princípios orientadores da formação ancoram no Currículo Nacional do Ensino Básico, particularmente no desenvolvimento das competências específicas aí enunciadas.
O objectivo final desta acção é a actualização científica e metodológica dos formandos, futuros formadores nas escolas básicas. A formação assenta em três grandes pilares: (i) sessões presenciais conjuntas, (ii) experimentação de materiais pedagógicos e de avaliação nas escolas onde os formandos leccionem e (iii) trabalho autónomo de reflexão e aprofundamento profissional nos domínios visados.
O Programa é objecto de monitorização e de acompanhamento por parte de uma Comissão Nacional de Coordenação e Acompanhamento, estando prevista a sua avaliação externa.
06 setembro, 2007
O Sonhador: uma leitura de apelo à Imaginação

Texto: Ian McEwan
Ilustração: Anthony Browne
Editora: Gradiva – Publicações, Lda (2007 [1ª Ed. 1995)]
ISBN: 978-972-662-408-0
Aconselhado: A todos os que sabem observar, reflectir e abrir os braços ao sonho!
Este é um livro que me chegou pela mão querida de quem sabe o que significa ler o Imaginário na sua essência mais pura. O Sonhador (2007 [1ª ed. 1995]) é uma narrativa do já reconhecido escritor Ian McEwan, prestigiado por vários e importantes prémios literários britânicos e que se estreia, assim, de forma espectacular na literatura de potencial recepção leitora juvenil.
Abre-se o livro e a epígrafe reclama, de imediato, a nossa atenção para a noção da metamorfose que, de forma mais ou menos evidente, ou mais ou menos consciente nos faz seres sociais. E certo é que a intenção autoral que se lê por detrás das palavras do poeta Ovídio: «“O meu objectivo é falar de corpos que se transformam em formas de outro tipo”, Metamorfoses, Livro I» in O Sonhador, se dá a ler de forma absolutamente completa. McEwan parece propor um livro de contos feito de um conto só: o da metáfora da vida enquanto espaço cosmogónico do Ser em crescimento e da aprendizagem, mas, essencialmente, da curiosidade e experiência premeditadas.
Ousaria afirmar que O Sonhador reclama, no avançar da leitura, a consciência do sujeito-leitor para as diferentes formas do querer existir num estado de co-existencia diária obrigatória. Ousaria ainda dizer que esta narrativa, onde a metamorfose poderia adjectivar-se de psicológica, física, metafísica, familiar, e de outras tantas, se transforma numa macro-metamorfose: a do indivíduo social, responsável (na sua essência vivencial) pela força da imagem da identidade do Eu, que por si só nos reporta para a temática da mutação, quer pela dupla corporalização dos seres, quer pela antropomorfização dos objectos.
Pela voz de um narrador hábil no trato com as personagens, Peter é-nos apresentado logo no primeiro capítulo como uma «criança difícil» mas que nunca reconheceu ou entendeu tal caracterização. Afinal «não despejava Ketchup por cima da cabeça a fingir que era sangue, nem sequer dava com a espada nos tornozelos da avó (…), comia tudo» e não era nem mais nem menos do que os meninos da sua idade. O que haveria então em Peter que o tornava assim tão difícil? Peter, segundo os adultos, «era difícil por ser tão calado, e gostar de estar sozinho» (2007: 9)!
Como invejo (não se compreenda aqui a carga negativa da expressão) a sabedoria desse menino de dez anos que, por querer, sabia viver à margem de determinadas condicionantes sócio-familiares às quais nos subjugamos usando, quantas vezes, de um mau estar que nos torna tão iguais a todos aqueles que ousamos criticar. É pois esta falta de resignação de Peter Fortune, que gostava de estar sozinho para «poder pensar à vontade», que me cativa. Sereno, tranquilo e alheio à forma estupidamente rotineira dos adultos, a personagem do conto representa o Ser Simbólico, que pela evasão cria o seu próprio real empírico.
O quotidiano de Peter é narrado num equilíbrio que nada revela de precário, como se da consciência individual da personagem se tratasse, onde realidade e fantasia se cruzam, deixando que o leitor possa aceder a uma das mais espectaculares situações de literariedade: a do verosímil vs inverosímil enquanto marco preponderante no rompimento com ideologias pré-estabelecidas.
É pois o acto de saber compactuar com o autor que gostaria de destacar nesta obra absolutamente literária, e remeter para a poeticidade do Imaginário que dela emerge. Apelando sistematicamente à participação do leitor, que pode experimentar de um todo a partir das várias aventuras levadas a cabo pela personagem principal, somos levados por este “sonhador” convicto, à primeira grande metamorfose do Ser consciente, o que nos permite conhecer Peter (num dos episódios da obra) enquanto o sujeito activo da participação. Assim, este é induzido pelo seu próprio gato William a participar no jogo da permuta, o que o leva a ousar trocar de identidade com este.
O episódio relatado é de uma intensidade descritiva tal que não nos é sequer possível questionar o estado ficcional retratado, e a mimésis estética torna-se efectivamente completa: gato-rapaz e rapaz-gato transformam-se num só ser identitário. A morte de William fecha o capítulo com chave de ouro, sentindo-se na imagem da morte a imagem da própria cumplicidade estabelecida entre este narrador particularmente consciente, o Eu, e o objecto da sua identificação versus alteridade.
O leitor não se deixa contudo ficar e entra de rompante na mais inverosímil das histórias: a do «Creme de desaparecer». O mini-conto inicia-se com uma observação absolutamente trivial, que nos remete para a imagem do lar. Os Fortune, como qualquer outra família, têm também aquela típica «gaveta da cozinha», que, quando indicada, se distingue de todas as outras gavetas.
As considerações tecidas pelo narrador, sobre a respectiva gaveta, levar-nos-iam para outras tantas considerações sobre a noção de pertença, contudo, o que mais importa é a noção de descoberta realizada pela presença de um «pequeno frasco azul-escuro com uma tampa preta» (2007: 51) que contem o creme de desaparecer, e que Peter irá usar intencionalmente para apagar toda a sua família. Descuidado, o leitor poderia deixar-se pensar que o narrador quis transformar a personagem principal num psicopata assassino, capaz de matar a própria família, usando de um método eficaz e limpo. Bem, não me parece que o nosso leitor se deixe enganar por uma preguiça qualquer. Dado que este se mantém em diálogo literário com o escritor, o leitor sabe que a intenção autoral foi apenas a de suscitar reflexões plurais sobre as noções de identidade / alteridade que em cada um de nós marcam a diferença ou a similitude com o outro, e que são, hoje mais do que nunca, tema de debate para muitos dos mais jovens.
O Sonhador faz-se, assim, de sete pequenos contos, onde se deixam ler as mais diversas experiências de vida que se balizam entre os momentos do sonho, os da realidade empírica e os da realidade sonhada. Caso assim não fosse, este magnífico ensaio sobre a vida de todos os dias não terminaria com o reforço das imagens da liberdade e do sonho, que parecem estar ao alcance de cada um de nós quando nos convidam a olhar o mar e a participar da descoberta de um tesouro: «– Descobrimos um tesouro, Peter! – Vou já – respondeu Peter. – Vou já! – E começou a correr em direcção `a beira-mar. Sentiu-se ágil e leve ao deslizar sobre a areia. «Vou descolar», pensou. Estaria a sonhar ou a voar?» (2007: 115). Eu já vou indo. E vocês? Venham. Voar é saber ir para além do sonho!
Gisela Silva
05 setembro, 2007
Educação e Imaginário na Universidade do Minho
Programa
9h00 - Recepção dos Participantes
9h30 - Abertura
10h00 - Conceitos e Realização de Bildung e de Bildungsroman
Horst Bergmeier (Investigador – Cied do Instituto de Educação e Psicologia da Universidade do Minho)
10h30 - El Doppelgänger y la novela de formación. En el cielo con diamantes
Maria Ángelez Rodríguez Fontela – Prof. Titular da Universidade de Santiago de Compostela (Espanha)
11h00 - Bildung et Imagination dans l’Éducation : la formation de l’homme intégral
Julien Lamy – Investigador da Université Jean Moulin – Lyon 3 (França)
11h30 - Debate
12h00 - Apresentação pelos coordenadores da obra Imaginário, Identidades e Margens
12h30 - Almoço livre
14h30 - Novalis e o Bildungsroman do Romantismo: Heinrich von Ofterdingen
Gabriela Fragoso – Prof. Aux. da Universidade Nova de Lisboa (Fac. de Ciências Sociais e Humanas)
15h00 - A Desmistificação do Desejo em Coração, Cabeça e Estômago de Camilo Castelo Branco
Sérgio Paulo Guimarães de Sousa – Prof. Aux. da Univ. do Minho (Instituto de Letras e Ciências Humanas)
15h30 - Reflexão sobre a Formação: na Idade da Ansiedade
Jaime Becerra da Costa – Prof. Aux. da Universidade do Minho (Instituto de Letras e Ciências Humanas)
16h00 - Debate
16h30 - Pausa
17h00 - O Bildungsroman na tradição literária italiana: fortuna e adaptação de uma forma simbólica
Elena Brugioni – Leitora de Língua Italiana da Universidade do Minho (Instituto de Letras e Ciências Humanas)
17h30 - Encerramento
A entrada é livre, mas está sujeita a inscrição prévia.
Organização:
IEP - Departamento de Pedagogia
IEC - Departamento de Ciências Integradas e Língua Materna
Centro de Investigação em Educação
Centro de Investigação em Promoção da Literacia e Bem-Estar da Criança
Contactos:
afaraujo@iep.uminho.pt
fraga@iec.uminho.pt
19 agosto, 2007
Concepções e Práticas dos Professores em Análise
O júri é composto pelos seguintes elementos:
Prof. Doutor Fernando Azevedo (Universidade do Minho)
Prof.ª Doutora Maria de Lurdes Magalhães (Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Viana do Castelo)
Prof.ª Doutora Judite Maria Zamith Cruz (Universidade do Minho)
Local: Sala de Actos do DCILM / IEC - CP2 - Campus de Gualtar
A entrada é livre.
Formação de Leitores por meio de contos
O júri é composto pelos seguintes elementos:
Prof. Doutor Fernando Azevedo (Universidade do Minho)
Prof.ª Doutora Maria de Lurdes Magalhães (Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Viana do Castelo)
Prof.ª Doutora Judite Maria Zamith Cruz (Universidade do Minho)
Local: Sala de Actos do DCILM / IEC - CP2 - Campus de Gualtar
A entrada é livre.
17 julho, 2007
Género, Nação e Cidadania na Literatura Infanto-Juvenil
O júri é composto pelos seguintes elementos:
Prof. Doutor Fernando Azevedo (Universidade do Minho)
Prof.ª Doutora Joana Passos (Universidade do Minho)
Prof. Doutor José António Gomes (Escola Superior de Educação do Porto)
Literaturas Pós-Coloniais para a Infância em destaque
O júri foi composto pelos seguintes elementos:
Prof. Doutor Fernando Azevedo (Universidade do Minho)
Prof.ª Doutora Maria de Fátima Albuquerque (Universidade de Aveiro)
Prof.ª Doutora Cláudia Sousa Pereira (Universidade de Évora)
Promoção Cultural e Mediação em Bibliotecas
14 julho, 2007
Ensinar a ler com histórias infantis
09 julho, 2007
A escrita de Mário Castrim para a Infância e Juventude
O Último Grimm: descoberta, participação e fruição do objecto literário

Texto: Álvaro Magalhães
Ilustração: Pedro Pires
Editor: Edições Asa
Colecção: Romance Jovem
ISBN-13: 9789724150789
Ano de Edição: 2007
No início dos anos 80, o homem que já sabia brincar no enredo das palavras, estreou-se como um escritor assumido, e em 1982 lançou o seu primeiro livro para crianças Histórias com muitas letras. As letras foram-se juntando numa tecedura árdua e diária, o que lhe permitiu um lugar no pódio literário e ter hoje uma obra referencial para o leitor infantil e juvenil, onde o apelo à imaginação, ao sonho e ao ser são uma constante.
Álvaro Magalhães é portanto o autor da genuína militância no cumprimento da hegemonia literária, o que torna os seus princípios autorais intensamente fortes quer ao nível da intertextualidade, quer ao nível das leituras plurissignificativas que, segundo Wolfgang Iser (Cf. 1997) provocam momentos de verdadeiros desafios interpretativos e de fruição no leitor que se propõe descobrir, alicerçando uma adequada preparação para momentos do seu crescimento intelectual e psicológico.
Todos sabemos o quanto já é significativo o património literário deste escritor bem português, que conhece como poucos os desejos e anseios dos mais jovens – relembre-se a obra dramática Todos os Rapazes são Gatos (2005, 1ª Ed. Asa) ou ainda Hipopóptimos uma história de amor (2001, 1ª Ed. Asa), vencedora em 2002 do Grande Prémio Gulbenkian de Literatura Infantil para o melhor texto literário publicado no biénio 2000 e 2001, para não comentar os textos poéticos, que são de uma solenidade e entrega únicas onde se lêem a nostalgia da infância e a essência do ser –.
Sabemos, pois, que as consubstanciadas linhas ideotemáticas que advêm da obra narrativo-poética do autor elegem o indivíduo enquanto ser em descoberta – de si mesmo e do outro – que num processo de adaptação ou inadaptação social, procura a resposta mais adequada às suas solicitações.
As imagens do crescimento do indivíduo, enquanto sujeito em iniciação, na defesa da sua própria demanda individual e/ou colectiva; a detecção do pueril (no seu estado de magnificência absoluta); a obtenção da felicidade/infelicidade; a fruição da essência do belo; do efémero, e da própria essência da vida constam da preocupação autoral e constituem um permanente registo da sensibilidade literária de Álvaro Magalhães.
Devo salientar o carinho especial com o qual li e “namorei” O Último Grimm, e o quanto me foi gratificante sentir a majestade da escrita deste autor que nos dá a ler, mais uma vez, o verdadeiro sentido da sensibilidade, da reminiscência, da lembrança que nos ficou de outras leituras. Claro que o apego afectivo que tenho pela Ilha do Chifre de Ouro – a primeira do autor pertencente à «Colecção Jovem Romance», lançada pelas Edições ASA em 2004, cuja 1ª edição é da Dom Quixote e data de 1998 – é notório para quem conhece as linhas orientadoras do meu trabalho, pois considero-a uma narrativa de uma elevadíssima qualidade literária, o que a destaca ao nível das narrativas referentes ao acervo literário da literatura Infanto-Juvenil em Portugal para jovens leitores.
O Último Grimm, a segunda obra do autor para esta colecção, revela-se como uma obra estético-literária de fruição e, por isso mesmo, como uma nova obra onde o desafio interpretativo se regista, logo de imediato desde a excelente ilustração de Pedro Pires e do título da capa. Desde logo, parece ser necessário considerar o maravilhoso e o fantástico como os principais tópicos desta narrativa e antever a história de um herói: William Zimmer, que a partida é da descendência dos irmãos Grimm.
A participação do herói obriga-nos a entender a missão a cumprir não deste lado, onde vivem também duendes e fadas, mas do outro lado, na terra do «Povo das Histórias» (Cf. Magalhães, 2007: 209-331). Ora, assim sendo, tempo e espaço vão balizar-se entre as noções do transformável – pelo acesso ao outro lado – e as ideias do empírico-factual, postas de parte. Assim, rejeitadas a homogeneidade e isomorfia do espaço, bem como a ideia matemática que o reduz a uma massa convencional e limitativa, e tomadas em consideração as diferentes investidas do herói num tempo entendido como uma medida física absolutamente relativa, é possível participar na aventura de William e contar partes da sua história.
A beleza emergente da terra do «Povo das Histórias», por onde William vai andar, revela-se na plenitude de uma tela verbalmente criada a partir de certeiras pinceladas coloridas, cujos significados simbólicos delineiam os traços representativos do ad infinitum que, por sua vez, reclama a fórmula hipercodificada do “Era uma vez” como entidade fictícia, ou não, do intemporal.
Em O Último Grimm, o mundo tido como empiricamente “normal” e o mundo do irreal e do contrafactual, que é o das personagens dos contos maravilhosos e fantásticos: bruxas, fadas, duendes, ogres, dragões alados, e mais concretamente, do Gato das Botas, do Peter Pan, do Joanica-Puff, da Rainha de Copas, entre outras criadas pelo imaginário autoral, não obriga ao aparecimento de uma linha divisória restrita e confinada ao medível e irrefutável para a compreensão da história. Basta querermos considerar a nossa realidade e considerar simultaneamente uma outra realidade que é mágica.
Se também nesta obra, Álvaro Magalhães destravou o ferrolho da porta que impedia um entendimento entre essas duas realidades e permitiu que ambas as realidades temporais e espaciais fossem das nossas percepções, deixemos que o sonho e o imaginário instiguem em simultâneo fantasia e realidade e que o leitor se deixe conduzir, desfrutando da aventura do herói.
Para que a aparição dessa realidade do para-além e do contrafactual se tornasse harmoniosa, a experiência do espaço e do tempo fez-se, desde o início da narrativa, no traçado de uma linha paralela. Relembre-se, aqui a surpresa de William quando se deparou com os dois duendes que «brincavam animadamente enquanto bebiam água» (2007: 17) no jardim da quinta. Pensemos ainda no espanto da personagem quando, já na terra das histórias, compreendeu que o tempo é efectivamente uma velocidade relativa capaz de baralhar os ponteiros do um relógio “normal” e confundir a própria noção estereotipada que temos do tempo e que se no nosso lado vale uma hora, na terra do «Povo das Histórias», isto é, no «outro lado» vale o dobro ou o triplo (Cf., 2007: 212; 327).
Numa mão sonhos, e na outra um convite para a aventura da leitura pluri-isotópica, o autor entregou o fruto da sua imaginação criadora a um público-leitor que procura, nas várias prateleiras, obras onde a supremacia de uma enunciação discursivo-imagética possa surpreendê-lo.
Só nos cabe, enquanto leitores atentos, jovens ou menos jovens, tecer um elogio ao autor por permitir que fantasia, maravilhoso e imaginário sejam os ícones do simples e do belo, integrando-os nos assuntos de mesa.
Ousemos, então, um BEM-HAJA a este grande escritor que sabe ter a responsabilidade de encantar e motivar e não se coíbe em fazê-lo; um aplauso a todos os jovens leitores que sabem reflectir sobre as suas múltiplas responsabilidades e que, levantando os olhos, olham em frente, tal como as muitas personagens que povoam o Último Grimm, sobretudo William e Peter Zimmer; e um agradecimento aos educadores e pais que, pela partilha, irão participar das aventuras de heróis já esquecidos. Este é, sem dúvida, um livro recheado de emoções, onde as noções do belo, da responsabilização e consequentes tomadas de consciência, nos mostram o quanto os nossos meninos e adolescentes procuram valores de definição nas suas tarefas.
Referências bibliográficas:
ISER, Wolfgang (1997). L’acte de lecture. Théorie de l’effet esthétique. Belgique: Pierre Mardaga éditeur [Ed. Original : West Germany: Wilhelm Fink Verlag, 1976].
Gisela Silva.


