27 novembro, 2007
IMAGINÁRIO, IDENTIDADES E MARGENS
Organizadores: Fernando Azevedo, Joaquim Machado de Araújo, Cláudia Sousa Pereira e Alberto Filipe Araújo
Editorial: Gailivro
Parte I – Infância, Literatura e Imaginário
Imaginários da criança: natureza e criatividade Jean-Jacques Wunenburger Da Criança Simbólica às Imagens Míticas da Infância
Alberto Filipe Araújo e Joaquim Machado de Araújo
Freedom in marginality: the constraints of writing for children, resulting from its marginal position
Zohar Shavit
Viaje del margen al centro. La narrativa de migración e identidades híbridas adolescentes
Celia Vázquez García
O affaire da Literatura Infantil e Juvenil
Cláudia Sousa Pereira
Los problemas de las adaptaciones en Literatura Infantil y Juvenil. Un ejemplo El Patito Feo de Andersen
Pedro C. Cerrillo
Bichos e bichanos, homens e rapazes: da presença de animais na literatura para a infância a Todos os rapazes são gatos de Álvaro Magalhães
José António Gomes
La ficción fantástica: de la marginalidad al centro de la literatura infantil y juvenil
Eloy Martos Núnez
Para uma poética da leitura infantil
Armindo Mesquita
Literatura infantil no Brasil, imaginário e escola
Iduina Mont´Alverne Braun Chaves
Sociedade e Natureza: Que contribuições para uma identidade?
Natividade Pires
Parte II – Estudos de Literatura Infanto-Juvenil
Imaginário e Mítico-Simbólico
Mitos na literatura. Leituras de mundo: a arte no imaginário infantil
Ana Maria da Costa Santos Menin
Dickens’ Hard Times: a version of a modern cave
Herzl Baruch
Viagem pelos labirintos do eu… Uma leitura de Hansel e Gretel dos irmãos Grimm e de Uma casa muito doce de Ana Saldanha
Susana Campos e Fernando Azevedo
Um jovem em Camelot: considerações sobre a lenda arturiana no contexto do imaginário juvenil
Ana Margarida Chora
O herói e o dragão na cultura portuguesa: de Hércules à Coca de Monção
Lina Soares
Um livro de cavalarias Ad Usum Delphini: O Conto De Amadiz De Portugal Para Os Rapazes Portugueses de Afonso Lopes Vieira
Paulo Alexandre Pereira
A terra, o ar, a água e o fogo na mediação das metamorfoses nos contos infantis
Maria Teresa Macedo Martins e Fernando Azevedo
A Literatura Infanto-juvenil Contemporânea: J. K. Rowling, Isabel Allende e Christopher Paolini numa reaproximação mítico-simbólica
Gisela Silva
Imagens de Identidade e Alteridade
A representação do negro na literatura para crianças e jovens: negação ou construção de uma identidade?
Eliane Santana Dias Debus
Elementos da cultura indígena na literatura infanto-juvenil brasileira
Alessandra C. D. Affonso
As diferenças de cor de pele e a construção da identidade da criança através da literatura: os recados de As mãos dos pretos e As cores de Mateus
Ana Rodrigues
A problematização do gênero na literatura infantil: um estudo de caso no contexto brasileiro
Rosa Maria Silveira e Cláudia Amaral dos Santos
Beyond good and evil: Terry Pratchett, Harry Potter, and 9/11
Naomi Wood
Imagen de la identidad en los primeros productos de narrativa infantil y juvenil de ficción científica gallega y portuguesa
Isabel Mociño González
Canónico e Periferias
Literatura em crescimento. O lugar problemático da literatura juvenil no sistema literário
Maria Madalena M. C. Teixeira da Silva
Literatura para crianças: contributos para uma (re)definição
Teresa Mergulhão
From margin to centre in children´s literature. Crossing borders: translating children´s literature
Isabel Pascua Febles
Nonsense e literatura infantil: os Limericks de Edward Lear
Conceição Pereira
Ilse Losa e as histórias que vêm de longe
Ana Isabel Marques
Quando Emília, de Monteiro Lobato, encontra Dom Quixote, de Miguel de Cervantes
Socorro Acioli
Histórias Tradicionais Portuguesas Contadas De Novo por António Torrado: os processos de reescrita e os cânones
Teresa Peres
Russian classics in the world of children’s literature
Alexander Dolin
O Capuchinho Cinzento de Matilde Maria do Sameiro Pedro
O Capuchinho Vermelho revisitado: leituras de História do Capuchinho Vermelho Contada a Crianças e nem por isso, de Manuel António Pina
Sara Reis da Silva
The art of music: an analysis of representations and interpretations of music in selected picture books for children
Sujin Huggins
Estereótipos e imaginários: ogres encantados ou príncipes desencantados?
Anabela Branco de Oliveira
Artextos: los álbumes infantiles
María Jesús Agra Pardiñas e Blanca-Ana Roig Rechou
Danças e contradanças da palavra e da imagem
Leonor Riscado
Leitor, Competência Literária e Práticas Pedagógicas
Didactisme ou engagement littéraire ? La critique sociale dans la littérature enfantine en Afrique
Kodjo Attikpoe
Comandante Hussi ou mundos (im)possíveis
Elsa Sousa Faria e Fernando Azevedo
“Era uma vez…” da literatura infantil à educação para a cidadania
Ângela Coelho de Paiva Balça
A construção da consciencialização histórica através da estética literária infanto-juvenil em Mouschi, O Gato de Anne Frank de José Jorge Letria
Thereza Ferreira
Literatura infanto-juvenil: contornos de uma estética do porvir
Fátima Albuquerque
“Quando os nossos olhos se tocam...”: o momento mágico da “compreensão”
Maria Cecília Basílio
Às voltas com as histórias nas histórias. O exercício da metatextualidade na literatura de potencial recepção leitora infantil
Rita Simões e Fernando Azevedo
“O Inventão de Manuel António Pina – uma aprendizagem da leitura/literatura”
Rita Basílio
Literatura infantil y juvenil, lector y competencia literaria en la prensa compostelana del rexurdimento
Marta Neira Rodríguez
From Oz To Narnia: opening the doors of fantasy in teaching children’s literature
Eduardo Encabo
Discursos sobre o lugar do literário no desenvolvimento das crianças
Luísa Álvares Pereira
Promoção da ecoliteracia – Virtualidades e limitações em textos para a infância
Rui Ramos
A literatura para a infância na prática pedagógica dos educadores
Ana Luísa Brito
Adquisición de la competencia literaria a través de la poesía infantil
César Sánchez Ortiz
Despertar para a poesia: um projecto em contexto de sala de aula ~
Paula Quadros Flores
A iniciação precoce do francês através da abordagem de uma história infantil
Manuela Marques Perestrelo e António Ferreira Moreira
Do prazer afetivo ao desprazer pela obrigação
Regina Helena de Almeida Durigan e Murilo de Almeida Durigan
Contar histórias: um legado da tradição oral incorporado nas práticas pedagógicas
Adilson Aparecido Moreno
A literatura tradicional e oral na formação da personalidade da criança
Natália Maria Lopes Nunes da Graça
Leitura, leitores e apropriações do livro didático de língua portuguesa
Eliana Parise Lemos Tessone
Leitura literária, a filha bastarda da prática pedagógica
Rui Marques Veloso
Programa de leitura: a literatura a serviço da formação de leitores
Renata Junqueira de Souza
A leitura e a literatura infantil em destaque
14 de Dezembro - 14h - Livraria Almedina (campus de Gualtar, Braga): Sonhos & Segredos
19 de Dezembro - 15h - Pediatria do Hospital de S. Marcos (Braga): A Magia da Leitura
21 de Dezembro - 14h - Livraria Almedina (campus de Gualtar, Braga): Histórias de Encantar
18 de Janeiro / 2008 - 14h30 - Livraria Centésima Página (Braga) : Segredos Voadores
A entrada é livre!
11 novembro, 2007
Esta Língua Portuguesa

Título: Esta Língua Portuguesa
Autor: José Jorge Letria
Ilustrador: Susana Lemos
Editora: Ambar
Ano: 2007
ISBN: 978-972-43-1241-5
Recomendado: A todos os que façam da Língua Portuguesa o seu objecto de estudo e a todas as crianças.
Percorrer as páginas deste livro é fazer uma viagem em torno do sentido e dos sentidos da Língua Portuguesa, simbolicamente representada por “uma árvore de sons/que tem nos ramos as letras/nas folhas os acentos/ e nos frutos o sentido (Letria, 2007:8). E bastar-nos-ia esta imagem para estarmos perante uma multiplicidade de combinações onde a Língua Portuguesa surge como elo mediador, verticalidade, comunicação entre o concreto e o abstracto.
Nunca esquecendo o destinatário e os valores emergentes que importa destacar, o sujeito poético executa o seu percurso pedagógico explorando as escalas onde a Língua Portuguesa encorpa o dinamismo de um povo que, numa demanda contínua, se demarcou nos registos da historicidade, exprimindo com “grinaldas de metáforas/ (…) a sede de ser eterno” (Letria, 2007:18).
Dando-se a conhecer nas suas componentes internas (“Ama o jogo, o trocadilho/ o enfeite, o ornamento/ e vem daí o seu estilo/ (…) entre a gíria e o murmúrio” (Letria, 2007:23), a “árvore desta língua” apresenta-se como um centro de onde irradia a adequação à mundivivência dos falantes, exibindo a sua riqueza lexical como um “velho tesouro” (Letria, 2007:31) a preservar, pois constitui um património carregado de “indicadores ideologémicos (…) que nos revelam ou nos permitem detectar a carga mítico-simbólica” (Araújo, 2004:134) presentes na empatia, intuição, inteligência, compreensão e graça que percorrem toda esta poesia. Assim, guardando “(…) o segredo/ dos mistérios mais antigos/ (Letria, 2007:18), a Língua Portuguesa é lugar de fantasia, onde assistimos à convivência dos seres do universo do Imaginário (…feiticeiros/ duendes e magos (Letria, 2007:31)) com os processos de formação das palavras (…sufixos, prefixos (Letria, 2007:31)), apresentando de uma forma lúdica as multifaces da Língua enquanto objecto de estudo.
O livro aqui apresentado revela, ainda, “ um poeta que certamente crê que o discurso poético tem pelo menos mais um sentido do que o literal, que esse sentido é codificável e que o jogo da descodificação faz parte integrante do prazer da leitura e representa uma das finalidades principais da actividade poética” (Eco, 1989:248).
Bibliografia:
Araújo, Alberto Filipe (2004). Educação e Imaginário-Da Criança Mítica às Imagens da Infância. Maia. Publismai.
Eco, Umberto (1989). Sobre os Espelhos e outros ensaios. Lisboa. Difel.
Teresa Macedo
macedo.mariateresa@gmail.com
06 novembro, 2007
O Homem de Papelão
Título: O Homem de Papelão
Autor: Nuno Castelo
Ilustrador: Nuno Castelo
Editora: Atelier, Produção Editorial
ISBN: 978-972-8957-36-0
A história, aparentemente breve, narrada neste livro conduz os pequenos leitores à problemática social dos desamparados da sorte, dos desprotegidos, dos excluídos, dos que deambulam pela errância da noite: os sem-abrigo. Num discurso que se articula, em muitos momentos, com a convivência gráfica, em que o tamanho das palavras vai revelando as vozes enunciadoras da problemática em causa, conjugando-se com a desfiguração semiótica doada pelo registo pictórico, o leitor vai tomando conhecimento desta realidade onde o desapego ao material se destaca como sobrevivência final.
Teresa Macedo
macedo.mariateresa@gmail.com
04 novembro, 2007
A literatura de tradição oral e popular em destaque
http://www.trasosmontes.com/alexandreparafita/

22 outubro, 2007
15 outubro, 2007
Os Livros das Nossas Vidas…
Falaremos, num ambiente informal, sobre textos literários que nos interessam, que nos agradam ou que, de algum modo, consideramos relevantes, independentemente de pertencerem ou não ao cânone, de serem ou não clássicos, best-sellers ou se incluírem mais no âmbito de uma literatura comercial.
A entrada é livre e estão todos convidados!
Autores para o dia 12 de Novembro: Paulo Coelho, Rosa Lobato de Faria e Nicholas Sparks
Autores para o dia 19 de Novembro: Luís Sepúlveda
Autores para o dia 26 de Novembro: Dan Brown e Susana Tamaro
Educar para a Literacia
12 outubro, 2007
Importante recurso na web: adrian&pandora
11 outubro, 2007
"CENSURA E INTER/DITO" - IX Colóquio de Outono
O IX Colóquio de Outono organizado pelo Centro de Estudos Humanísticos da Universidade do Minho realizar-se-á a 22, 23 e 24 de Novembro próximo e será subordinado ao seguinte tema: Censura e Inter/Dito . À semelhança dos Colóquios anteriores, a estrutura deste Colóquio compreenderá conferências plenárias a cargo de conferencistas convidados e sessões temáticas, entre as quais
- "As Literaturas Pós-coloniais: Marginalização e/ou Subalternidade?";
- Teatro, Tradução e Censura;
- A Censura e o Inter/Dito na Literatura Contemporânea;
- Linguagem , Cultura e Inter/Dito
- Os Estudos Galegos em Portugal.
Para mais informações contactar (alice@ilch.uminho.pt ou ceh@ilch.uminho.pt).
O programa será divulgado brevemente.
Comissão
Direcção do CEHUM:
Professora Ana Gabriela Macedo
Professora Maria Eduarda Keating
10 outubro, 2007
I CONFERÊNCIA PNL - A leitura em Portugal: desenvolvimento e avaliação
Fundação Calouste Gulbenkian
22 de Outubro
08.30 Recepção dos participantes – entrega de pastas
09.00 Sessão de abertura
Maria de Lurdes Rodrigues, Ministra da Educação
Jorge Pedreira, Secretário de Estado Adjunto e da Educação
Eduardo Marçal-Grilo, Administrador Fundação Calouste Gulbenkian
Isabel Alçada, Comissária do PNL
João Mata, Director GEPE
09.30 Conferência A aprendizagem da leitura: componentes, perfis de evolução e respectivas avaliações
José Junca da Morais, Universidade Livre de Bruxelas
Presidência: Roberto Carneiro, Universidade Católica de Lisboa
10.30 Debate
10.45 Pausa
11.15 - Apresentação do estudo - "Estudos e instrumentos de análise de níveis de leitura"
Inês Sim-Sim, Escola Superior de Educação de Lisboa
Fernanda Leopoldina Viana, Instituto de Estudos da Criança – Universidade do Minho
Presidência: David Justino, Universidade Nova de Lisboa
Comentários: Maria Helena Mira Mateus, Conselho Científico do PNL
Carlos Pinto Ferreira, Director-Geral do GAVE
12.15 Debate
12.30 Almoço
14.30 Conferência
Hábitos de leitura. Diferentes casos em contexto internacional Wendy Griswold, Northwestern University - EUA
Presidência: Maria Idalina Salgueiro, Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento
15.30 Debate
16.00 - Apresentação do estudo - "A promoção da leitura nos países da OCDE"
Maria de Lurdes Lima dos Santos
José Soares Neves Santos, Observatório das Actividades
Presidência: Carlos Reis – Universidade Aberta
Comentários: Maria de Lurdes Dionísio, Conselho Científico do PNL
Isabel Margarida Duarte, Conselho Científico do PNL
17.00 Debate
17.30 Encerramento
23 de Outubro
09.00 Sessão de abertura
Mário Vieira de Carvalho, Secretário de Estado da Cultura
Manuel Carmelo Rosa, Director da Fundação Calouste Gulbenkian
Nazim Ahmad, Rede Aga Kahn para o Desenvolvimento
Teresa Calçada, PNL- Rede de Bibliotecas Escolares
Paula Morão, PNL- Direcção Geral do Livro e da Biblioteca
09.30 Conferência Avaliação da leitura em contexto internacional
Helena Bomeny, Escola de Ciências Sociais-CPDOC Fundação Getúlio Vargas – Brasil
Presidência: Paula Morão – PNL/DGLB
10.30 Debate
11.00 Pausa
11.30 - Apresentação dos estudos - "Hábitos de leitura da população portuguesa”
Maria de Lurdes Lima dos Santos José Soares Neves Santos, Observatório das Actividades Culturais
Hábitos de leitura da população escolar"
Mário Lages, Carlos Liz, João António Universidade Católica de Lisboa
Presidência: Teresa Calçada – PNL/RBE
Comentários: Alexandre Castro Caldas, Conselho Científico do PNL
Maria Armanda Costa, Conselho Científico do PNL
12.30 Debate
12.45 Almoço
14.30 Conferência
Leitura, educação e desenvolvimento: perspectivas comparadas
Scott Murray, Universidade de New Brunswick (Canadá)
Presidência: Júlio Pedrosa, Conselho Nacional de Educação
15.30 Debate
16.00- Apresentação do estudo - "Avaliação externa do Plano Nacional de Leitura"
António Firmino da Costa CIES/ISCTE
Presidência: António Nóvoa, Universidade de Lisboa
Comentários: Pedro Magalhães, Conselho Científico do PNL
Manuel Villaverde Cabral, Instituto de Ciências Sociais
17.00 Debate
17.15 Sessão de encerramento
Augusto Santos Silva, Ministro do Assuntos Parlamentares
Manuel Carmelo Rosa, Fundação Calouste Gulbenkian
Isabel Alçada, Comissária do PNL
João Mata, Gabinete de Estatística e Planeamento da Educação
Informações:
Plano Nacional de Leitura
Travessa das Terras de Sant' Ana, 15
1250-269 Lisboa
Tel.: 213 895 203, Fax.: 213 895 148
URL: www.planonacionaldeleitura.gov.pt
07 outubro, 2007
Aristides de Sousa Mendes - homem de coragem
Autor: José Jorge Letria
Ilustração: Nuno Fonseca
Ano: 2004
Editora: Terramar
ISBN: 972-710-367-7
A recriação ficcional desta personagem, assente numa descrição factual e documental durante o processo narrativo, é muitas vezes intersectada por vozes infantis que questionam ou lamentam, fazendo-se presença como participantes de uma realidade inóspita e cruel, que importa dar a conhecer aos destinatários preferenciais, implícitos na obra.
Todo o percurso narrativo confronta-se com a relativização do tempo face às vivências negativas com as quais Aristides se debate. “Foram dias e noites de grande aflição. Já passaram muitos anos, mas parece que tudo aconteceu ontem ainda. A memória dessas horas trágicas permanece viva” (Letria, 2004:9). Então, Aristides “descobre a matéria moral de que são feitos os verdadeiros heróis” (Letria, 2004:18) e a sua trajectória de vida assume o exercício de uma competência desviante do que devia ser a norma, fazendo-o ostentar uma raridade fundada na protecção da vida humana em detrimento de todas as condicionantes legais e profissionais a que deve obedecer.
Orientado pela “voz da sua consciência” (Letria, 2004:14), o homem embaixador, corria para salvar o maior número possível de refugiados, envolvendo todos os que o rodeavam. “Os que podiam usar os carimbos e o selo branco faziam-no com prontidão e competência. Os outros cozinhavam, cosiam, davam medicamentos e água a quem deles precisava” (Letria, 2004:27).
O narrador, “sujeito transindividual (…) manifesta novos ou ignorados aspectos (…) através de um específico labor da produção textual” (Silva, 1986:252-253), fazendo emergir a cada instante da narração a necessidade de modelar a consciencialização do leitor com o seu mundo circundante, estabelecendo uma permanente articulação entre um passado, hiperbolizado pelo sofrimento, e o presente onde importa revitalizar a imagem deste herói que “não favorece os aristocratas nem qualquer outra pessoa importante” (Letria, 2004:31), exercendo a Igualdade e o Altruísmo, manifestações da sua genuína Humanidade.
A estratégia biográfica apresentada por esta narrativa, longe de ser circunstancial, enforma, apela e reivindica um lugar de destaque para a personagem, que estando inscrita numa historicidade marcada nos mapas e nas memórias do holocausto, faz articulação com outras intertextualidades, onde a problemática da guerra se patenteia e a demanda da paz urge. No final, embora pareça ter havido mudança de um cenário onde se instalam um “menino perguntador” e um “escritor/aviador”, “que desenhava principezinhos no caderno, e também rosas, planetas e ovelhas” (Letria, 2004:47), verifica-se que a memória de Aristides emerge com a perenidade simbólica presente na “árvore que no Museu Yad Vashem, em Jerusalém, recorda a coragem e o heroísmo de um diplomata português que salvou milhares de vidas, por ser justo e por ser livre” (Letria, 2004, 50).
Teresa Macedo
macedo.mariateresa@gmail.com
Referência Bibliográfica:
Silva, Vítor Manuel de Aguiar e (1986). Teoria da Literatura. Coimbra. Almedina.
20 setembro, 2007
Zeca Afonso - O Andarilho da Voz de Ouro

Título: Zeca Afonso - O andarilho da voz de ouro
Autor: José Jorge Letria
Ilustrador: Evelina Oliveira
Editora: Campo das Letras - Editores, S.A., 2007
ISBN:978-989-625-154-3
O humano Zeca surge-nos, logo no início do livro, com particularidades que indiciam marcas de estranhamento que justificarão, mais tarde, uma demanda em torno da reflexão, da expressão e da divulgação de princípios axiológicos fundamentais ao reconhecimento da Alteridade, da Liberdade, da Igualdade como alicerces imprescindíveis ao constructo humano. Zeca “era distraído e (…) andava sempre com a cabeça no ar, nesse mesmo ar que dava asas à melodia que nunca lhe deixou seguir os passos e os sonhos” (2007:7); (…) tinha tempo de pensar em muita coisa, para ler livros e para sonhar” (2007:8); “(…) era diferente dos outros meninos, por passar muito tempo à volta das suas inquietações, brincadeiras, saudades e medos” (2007:8). Estes indícios, associados a dicotomias presentes na narrativa, tais como dúvida/certeza, inquietação/tranquilidade, guerra/paz, liberdade/opressão, riqueza/pobreza, bem como o dialogismo que estabelece com o Menino do Bairro Negro, símbolo de todos os que não são detentores de uma voz própria e livre, transpõem esta narrativa para patamares que se conotam com o mundo mítico e mágico, entre a corporeidade e o constructo da emergência espiritual e ideológica, um mundo simbólico. Neste, então poderemos cruzar-nos com a “sofreguidão dos vampiros, que atacavam pela noite calada (2007:30)” ou com o “Papão, que (…) mantinha o país encarcerado entre as grades do medo que mandava erguer por todo o lado” (2007:22). Assim, num tecido verbal reflectido, assistimos à força da Palavra inserida numa mimesis musical, encorpando a Liberdade na mediação e regeneração da força heróica que fará a metamorfose do caos em ordem, inscritos num espaço que oscila entre as marcas do registo factual e os demarcados percursos existenciais fantástico-maravilhosos, que assentam nas miragens do transcendental.
É por isso que, no final da narrativa, Zeca reconhece a Morte, não com o olhar temeroso dos que agonizam, mas como a Liberdade necessária, “perseguindo um sonho que só se acabará quando o último ser humano desaparecer deste planeta” (2007:39).
Esta narrativa, interagindo com o discurso semiótico doado pela excelente ilustração de Evelina Oliveira, reflecte a mundivivência de um escritor que, através da recriação biográfica desta personagem, destaca a memória como um processo afectivo-representativo complexo no qual as imagens-lembrança evocam a necessidade de assegurar a continuidade de um conjunto de valores que emergem nesta figuração da esperança essencial.
Teresa Macedo
macedo.mariateresa@gmail.com
10 setembro, 2007
Universidade do Minho: parceiro estratégico no Programa Nacional de Ensino do Português
1. A formação nas escolas/agrupamentos, dinamizada pelos formadores residentes.
2. O acompanhamento e aprofundamento da formação dos formadores residentes em exercício, da responsabilidade da Universidade do Minho.
3. A formação de novos formadores residentes na Universidade do Minho.
Pretende-se com os conteúdos desta formação actualizar e aprofundar os conhecimentos científicos e metodológicos dos formandos, no que respeita ao ensino da Língua materna no 1º ciclo, à luz dos resultados da investigação sobre o desenvolvimento linguístico da criança e sobre as aprendizagens da Língua materna neste ciclo escolar. Os princípios orientadores da formação ancoram no Currículo Nacional do Ensino Básico, particularmente no desenvolvimento das competências específicas aí enunciadas.
O objectivo final desta acção é a actualização científica e metodológica dos formandos, futuros formadores nas escolas básicas. A formação assenta em três grandes pilares: (i) sessões presenciais conjuntas, (ii) experimentação de materiais pedagógicos e de avaliação nas escolas onde os formandos leccionem e (iii) trabalho autónomo de reflexão e aprofundamento profissional nos domínios visados.
O Programa é objecto de monitorização e de acompanhamento por parte de uma Comissão Nacional de Coordenação e Acompanhamento, estando prevista a sua avaliação externa.
06 setembro, 2007
O Sonhador: uma leitura de apelo à Imaginação

Texto: Ian McEwan
Ilustração: Anthony Browne
Editora: Gradiva – Publicações, Lda (2007 [1ª Ed. 1995)]
ISBN: 978-972-662-408-0
Aconselhado: A todos os que sabem observar, reflectir e abrir os braços ao sonho!
Este é um livro que me chegou pela mão querida de quem sabe o que significa ler o Imaginário na sua essência mais pura. O Sonhador (2007 [1ª ed. 1995]) é uma narrativa do já reconhecido escritor Ian McEwan, prestigiado por vários e importantes prémios literários britânicos e que se estreia, assim, de forma espectacular na literatura de potencial recepção leitora juvenil.
Abre-se o livro e a epígrafe reclama, de imediato, a nossa atenção para a noção da metamorfose que, de forma mais ou menos evidente, ou mais ou menos consciente nos faz seres sociais. E certo é que a intenção autoral que se lê por detrás das palavras do poeta Ovídio: «“O meu objectivo é falar de corpos que se transformam em formas de outro tipo”, Metamorfoses, Livro I» in O Sonhador, se dá a ler de forma absolutamente completa. McEwan parece propor um livro de contos feito de um conto só: o da metáfora da vida enquanto espaço cosmogónico do Ser em crescimento e da aprendizagem, mas, essencialmente, da curiosidade e experiência premeditadas.
Ousaria afirmar que O Sonhador reclama, no avançar da leitura, a consciência do sujeito-leitor para as diferentes formas do querer existir num estado de co-existencia diária obrigatória. Ousaria ainda dizer que esta narrativa, onde a metamorfose poderia adjectivar-se de psicológica, física, metafísica, familiar, e de outras tantas, se transforma numa macro-metamorfose: a do indivíduo social, responsável (na sua essência vivencial) pela força da imagem da identidade do Eu, que por si só nos reporta para a temática da mutação, quer pela dupla corporalização dos seres, quer pela antropomorfização dos objectos.
Pela voz de um narrador hábil no trato com as personagens, Peter é-nos apresentado logo no primeiro capítulo como uma «criança difícil» mas que nunca reconheceu ou entendeu tal caracterização. Afinal «não despejava Ketchup por cima da cabeça a fingir que era sangue, nem sequer dava com a espada nos tornozelos da avó (…), comia tudo» e não era nem mais nem menos do que os meninos da sua idade. O que haveria então em Peter que o tornava assim tão difícil? Peter, segundo os adultos, «era difícil por ser tão calado, e gostar de estar sozinho» (2007: 9)!
Como invejo (não se compreenda aqui a carga negativa da expressão) a sabedoria desse menino de dez anos que, por querer, sabia viver à margem de determinadas condicionantes sócio-familiares às quais nos subjugamos usando, quantas vezes, de um mau estar que nos torna tão iguais a todos aqueles que ousamos criticar. É pois esta falta de resignação de Peter Fortune, que gostava de estar sozinho para «poder pensar à vontade», que me cativa. Sereno, tranquilo e alheio à forma estupidamente rotineira dos adultos, a personagem do conto representa o Ser Simbólico, que pela evasão cria o seu próprio real empírico.
O quotidiano de Peter é narrado num equilíbrio que nada revela de precário, como se da consciência individual da personagem se tratasse, onde realidade e fantasia se cruzam, deixando que o leitor possa aceder a uma das mais espectaculares situações de literariedade: a do verosímil vs inverosímil enquanto marco preponderante no rompimento com ideologias pré-estabelecidas.
É pois o acto de saber compactuar com o autor que gostaria de destacar nesta obra absolutamente literária, e remeter para a poeticidade do Imaginário que dela emerge. Apelando sistematicamente à participação do leitor, que pode experimentar de um todo a partir das várias aventuras levadas a cabo pela personagem principal, somos levados por este “sonhador” convicto, à primeira grande metamorfose do Ser consciente, o que nos permite conhecer Peter (num dos episódios da obra) enquanto o sujeito activo da participação. Assim, este é induzido pelo seu próprio gato William a participar no jogo da permuta, o que o leva a ousar trocar de identidade com este.
O episódio relatado é de uma intensidade descritiva tal que não nos é sequer possível questionar o estado ficcional retratado, e a mimésis estética torna-se efectivamente completa: gato-rapaz e rapaz-gato transformam-se num só ser identitário. A morte de William fecha o capítulo com chave de ouro, sentindo-se na imagem da morte a imagem da própria cumplicidade estabelecida entre este narrador particularmente consciente, o Eu, e o objecto da sua identificação versus alteridade.
O leitor não se deixa contudo ficar e entra de rompante na mais inverosímil das histórias: a do «Creme de desaparecer». O mini-conto inicia-se com uma observação absolutamente trivial, que nos remete para a imagem do lar. Os Fortune, como qualquer outra família, têm também aquela típica «gaveta da cozinha», que, quando indicada, se distingue de todas as outras gavetas.
As considerações tecidas pelo narrador, sobre a respectiva gaveta, levar-nos-iam para outras tantas considerações sobre a noção de pertença, contudo, o que mais importa é a noção de descoberta realizada pela presença de um «pequeno frasco azul-escuro com uma tampa preta» (2007: 51) que contem o creme de desaparecer, e que Peter irá usar intencionalmente para apagar toda a sua família. Descuidado, o leitor poderia deixar-se pensar que o narrador quis transformar a personagem principal num psicopata assassino, capaz de matar a própria família, usando de um método eficaz e limpo. Bem, não me parece que o nosso leitor se deixe enganar por uma preguiça qualquer. Dado que este se mantém em diálogo literário com o escritor, o leitor sabe que a intenção autoral foi apenas a de suscitar reflexões plurais sobre as noções de identidade / alteridade que em cada um de nós marcam a diferença ou a similitude com o outro, e que são, hoje mais do que nunca, tema de debate para muitos dos mais jovens.
O Sonhador faz-se, assim, de sete pequenos contos, onde se deixam ler as mais diversas experiências de vida que se balizam entre os momentos do sonho, os da realidade empírica e os da realidade sonhada. Caso assim não fosse, este magnífico ensaio sobre a vida de todos os dias não terminaria com o reforço das imagens da liberdade e do sonho, que parecem estar ao alcance de cada um de nós quando nos convidam a olhar o mar e a participar da descoberta de um tesouro: «– Descobrimos um tesouro, Peter! – Vou já – respondeu Peter. – Vou já! – E começou a correr em direcção `a beira-mar. Sentiu-se ágil e leve ao deslizar sobre a areia. «Vou descolar», pensou. Estaria a sonhar ou a voar?» (2007: 115). Eu já vou indo. E vocês? Venham. Voar é saber ir para além do sonho!
Gisela Silva
05 setembro, 2007
Educação e Imaginário na Universidade do Minho
Programa
9h00 - Recepção dos Participantes
9h30 - Abertura
10h00 - Conceitos e Realização de Bildung e de Bildungsroman
Horst Bergmeier (Investigador – Cied do Instituto de Educação e Psicologia da Universidade do Minho)
10h30 - El Doppelgänger y la novela de formación. En el cielo con diamantes
Maria Ángelez Rodríguez Fontela – Prof. Titular da Universidade de Santiago de Compostela (Espanha)
11h00 - Bildung et Imagination dans l’Éducation : la formation de l’homme intégral
Julien Lamy – Investigador da Université Jean Moulin – Lyon 3 (França)
11h30 - Debate
12h00 - Apresentação pelos coordenadores da obra Imaginário, Identidades e Margens
12h30 - Almoço livre
14h30 - Novalis e o Bildungsroman do Romantismo: Heinrich von Ofterdingen
Gabriela Fragoso – Prof. Aux. da Universidade Nova de Lisboa (Fac. de Ciências Sociais e Humanas)
15h00 - A Desmistificação do Desejo em Coração, Cabeça e Estômago de Camilo Castelo Branco
Sérgio Paulo Guimarães de Sousa – Prof. Aux. da Univ. do Minho (Instituto de Letras e Ciências Humanas)
15h30 - Reflexão sobre a Formação: na Idade da Ansiedade
Jaime Becerra da Costa – Prof. Aux. da Universidade do Minho (Instituto de Letras e Ciências Humanas)
16h00 - Debate
16h30 - Pausa
17h00 - O Bildungsroman na tradição literária italiana: fortuna e adaptação de uma forma simbólica
Elena Brugioni – Leitora de Língua Italiana da Universidade do Minho (Instituto de Letras e Ciências Humanas)
17h30 - Encerramento
A entrada é livre, mas está sujeita a inscrição prévia.
Organização:
IEP - Departamento de Pedagogia
IEC - Departamento de Ciências Integradas e Língua Materna
Centro de Investigação em Educação
Centro de Investigação em Promoção da Literacia e Bem-Estar da Criança
Contactos:
afaraujo@iep.uminho.pt
fraga@iec.uminho.pt
19 agosto, 2007
Concepções e Práticas dos Professores em Análise
O júri é composto pelos seguintes elementos:
Prof. Doutor Fernando Azevedo (Universidade do Minho)
Prof.ª Doutora Maria de Lurdes Magalhães (Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Viana do Castelo)
Prof.ª Doutora Judite Maria Zamith Cruz (Universidade do Minho)
Local: Sala de Actos do DCILM / IEC - CP2 - Campus de Gualtar
A entrada é livre.
Formação de Leitores por meio de contos
O júri é composto pelos seguintes elementos:
Prof. Doutor Fernando Azevedo (Universidade do Minho)
Prof.ª Doutora Maria de Lurdes Magalhães (Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Viana do Castelo)
Prof.ª Doutora Judite Maria Zamith Cruz (Universidade do Minho)
Local: Sala de Actos do DCILM / IEC - CP2 - Campus de Gualtar
A entrada é livre.
17 julho, 2007
Género, Nação e Cidadania na Literatura Infanto-Juvenil
O júri é composto pelos seguintes elementos:
Prof. Doutor Fernando Azevedo (Universidade do Minho)
Prof.ª Doutora Joana Passos (Universidade do Minho)
Prof. Doutor José António Gomes (Escola Superior de Educação do Porto)


