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27 novembro, 2007

Histórias com "identidade europeia"?


No livro Wie schemekt der Mond, traduzida para português com o título A que sabe a lua? de Michael Grejniec todos os animais queriam averiguar a que sabia a lua: ”Era doce ou salgada? Só queriam provar um pedacito. À noite, olhavam ansiosos o céu. Esticavam-se e estendiam os pescoços, as pernas e os braços, tentando atingi-la.
A tartaruga resolveu escalar a montanha mais elevada mas não podia tocá-la. Então chamou o elefante e depois a girafa, e depois a zebra e depois o leão e depois o raposo e depois o macaco e por fim o rato que arrancou um pedaço. “ Saboreou-o satisfeito, e depois foi dando migalhas ao macaco, ao raposo, ao leão, à zebra, à girafa, ao elefante e à tartaruga.”
E a lua soube-lhes exactamente àquilo que cada um deles mais gostava.”, porque a indeterminância ( Iser, 1977:33) textual aponta, por um lado, para uma fuga tendencial ao sentido, que impede que se fixe ao texto uma verdade última. O texto constrange positivamente ao jogo intertextual em que se dá a leitura, remetendo, deste modo, o leitor para a textualidade característica de toda a experiência.
A que é que a lua sabe, a um leitor, será certamente diferente do que sabe a lua a outro leitor, porque a recepção do texto verbal e icónico é conseguida pelo duplo princípio da diversidade e da divergência. Contudo, algumas vezes, pode-se convergir para um mesmo objectivo e a consciência dessa necessidade é apontada pelos animais desta história.
A convergência do real (mundo empírico - histórico - factual) e do virtual/ficcional proposto pela literatura, neste caso de recepção infantil e juvenil, pode romper fronteiras que separam um país de outro, mas também podem quebrar as fronteiras que separam pessoas de objectos: a lua estava longe mas o engenho e a arte dos animais determinaram o alcance dos objectivos que era tão simplesmente saber a que sabia a lua.
Também a convergência do local com o global europeu poderá estar na essência da construção de uma nova identidade sem perda da identidade primordial, porque o leão continuará a ser leão, o elefante continuará a ser elefante, a girafa continuará a ser girafa e assim sucessivamente...

IMAGINÁRIO, IDENTIDADES E MARGENS

Está já disponível para aquisição, nas livrarias de referência, a obra IMAGINÁRIO, IDENTIDADES E MARGENS. Estudos em torno da Literatura Infanto-Juvenil, uma publicação da Editora Gailivro, que reúne as conferências e as comunicações do II Congresso Internacional Criança, Língua, Imaginário e Texto Literário (CLT 2006), que teve lugar na Universidade do Minho, entre 8 e 10 de Fevereiro de 2006.


Organizadores: Fernando Azevedo, Joaquim Machado de Araújo, Cláudia Sousa Pereira e Alberto Filipe Araújo
Editorial: Gailivro

Parte I – Infância, Literatura e Imaginário

Imaginários da criança: natureza e criatividade Jean-Jacques Wunenburger Da Criança Simbólica às Imagens Míticas da Infância
Alberto Filipe Araújo e Joaquim Machado de Araújo

Freedom in marginality: the constraints of writing for children, resulting from its marginal position
Zohar Shavit

Viaje del margen al centro. La narrativa de migración e identidades híbridas adolescentes
Celia Vázquez García

O affaire da Literatura Infantil e Juvenil
Cláudia Sousa Pereira

Los problemas de las adaptaciones en Literatura Infantil y Juvenil. Un ejemplo El Patito Feo de Andersen
Pedro C. Cerrillo

Bichos e bichanos, homens e rapazes: da presença de animais na literatura para a infância a Todos os rapazes são gatos de Álvaro Magalhães
José António Gomes

La ficción fantástica: de la marginalidad al centro de la literatura infantil y juvenil
Eloy Martos Núnez

Para uma poética da leitura infantil
Armindo Mesquita

Literatura infantil no Brasil, imaginário e escola
Iduina Mont´Alverne Braun Chaves

Sociedade e Natureza: Que contribuições para uma identidade?
Natividade Pires


Parte II – Estudos de Literatura Infanto-Juvenil

Imaginário e Mítico-Simbólico

Mitos na literatura. Leituras de mundo: a arte no imaginário infantil
Ana Maria da Costa Santos Menin

Dickens’ Hard Times: a version of a modern cave
Herzl Baruch

Viagem pelos labirintos do eu… Uma leitura de Hansel e Gretel dos irmãos Grimm e de Uma casa muito doce de Ana Saldanha
Susana Campos e Fernando Azevedo

Um jovem em Camelot: considerações sobre a lenda arturiana no contexto do imaginário juvenil
Ana Margarida Chora

O herói e o dragão na cultura portuguesa: de Hércules à Coca de Monção
Lina Soares

Um livro de cavalarias Ad Usum Delphini: O Conto De Amadiz De Portugal Para Os Rapazes Portugueses de Afonso Lopes Vieira
Paulo Alexandre Pereira

A terra, o ar, a água e o fogo na mediação das metamorfoses nos contos infantis
Maria Teresa Macedo Martins e Fernando Azevedo

A Literatura Infanto-juvenil Contemporânea: J. K. Rowling, Isabel Allende e Christopher Paolini numa reaproximação mítico-simbólica
Gisela Silva

Imagens de Identidade e Alteridade

A representação do negro na literatura para crianças e jovens: negação ou construção de uma identidade?
Eliane Santana Dias Debus

Elementos da cultura indígena na literatura infanto-juvenil brasileira
Alessandra C. D. Affonso

As diferenças de cor de pele e a construção da identidade da criança através da literatura: os recados de As mãos dos pretos e As cores de Mateus
Ana Rodrigues

A problematização do gênero na literatura infantil: um estudo de caso no contexto brasileiro
Rosa Maria Silveira e Cláudia Amaral dos Santos

Beyond good and evil: Terry Pratchett, Harry Potter, and 9/11
Naomi Wood

Imagen de la identidad en los primeros productos de narrativa infantil y juvenil de ficción científica gallega y portuguesa
Isabel Mociño González

Canónico e Periferias

Literatura em crescimento. O lugar problemático da literatura juvenil no sistema literário
Maria Madalena M. C. Teixeira da Silva

Literatura para crianças: contributos para uma (re)definição
Teresa Mergulhão

From margin to centre in children´s literature. Crossing borders: translating children´s literature
Isabel Pascua Febles

Nonsense e literatura infantil: os Limericks de Edward Lear
Conceição Pereira

Ilse Losa e as histórias que vêm de longe
Ana Isabel Marques

Quando Emília, de Monteiro Lobato, encontra Dom Quixote, de Miguel de Cervantes
Socorro Acioli

Histórias Tradicionais Portuguesas Contadas De Novo por António Torrado: os processos de reescrita e os cânones
Teresa Peres

Russian classics in the world of children’s literature
Alexander Dolin

O Capuchinho Cinzento de Matilde Maria do Sameiro Pedro

O Capuchinho Vermelho revisitado: leituras de História do Capuchinho Vermelho Contada a Crianças e nem por isso, de Manuel António Pina
Sara Reis da Silva

The art of music: an analysis of representations and interpretations of music in selected picture books for children
Sujin Huggins

Estereótipos e imaginários: ogres encantados ou príncipes desencantados?
Anabela Branco de Oliveira

Artextos: los álbumes infantiles
María Jesús Agra Pardiñas e Blanca-Ana Roig Rechou

Danças e contradanças da palavra e da imagem
Leonor Riscado

Leitor, Competência Literária e Práticas Pedagógicas

Didactisme ou engagement littéraire ? La critique sociale dans la littérature enfantine en Afrique
Kodjo Attikpoe

Comandante Hussi ou mundos (im)possíveis
Elsa Sousa Faria e Fernando Azevedo

“Era uma vez…” da literatura infantil à educação para a cidadania
Ângela Coelho de Paiva Balça

A construção da consciencialização histórica através da estética literária infanto-juvenil em Mouschi, O Gato de Anne Frank de José Jorge Letria
Thereza Ferreira

Literatura infanto-juvenil: contornos de uma estética do porvir
Fátima Albuquerque

“Quando os nossos olhos se tocam...”: o momento mágico da “compreensão”
Maria Cecília Basílio

Às voltas com as histórias nas histórias. O exercício da metatextualidade na literatura de potencial recepção leitora infantil
Rita Simões e Fernando Azevedo

“O Inventão de Manuel António Pina – uma aprendizagem da leitura/literatura”
Rita Basílio

Literatura infantil y juvenil, lector y competencia literaria en la prensa compostelana del rexurdimento
Marta Neira Rodríguez

From Oz To Narnia: opening the doors of fantasy in teaching children’s literature
Eduardo Encabo

Discursos sobre o lugar do literário no desenvolvimento das crianças
Luísa Álvares Pereira

Promoção da ecoliteracia – Virtualidades e limitações em textos para a infância
Rui Ramos

A literatura para a infância na prática pedagógica dos educadores
Ana Luísa Brito

Adquisición de la competencia literaria a través de la poesía infantil
César Sánchez Ortiz

Despertar para a poesia: um projecto em contexto de sala de aula ~
Paula Quadros Flores

A iniciação precoce do francês através da abordagem de uma história infantil
Manuela Marques Perestrelo e António Ferreira Moreira

Do prazer afetivo ao desprazer pela obrigação
Regina Helena de Almeida Durigan e Murilo de Almeida Durigan

Contar histórias: um legado da tradição oral incorporado nas práticas pedagógicas
Adilson Aparecido Moreno

A literatura tradicional e oral na formação da personalidade da criança
Natália Maria Lopes Nunes da Graça

Leitura, leitores e apropriações do livro didático de língua portuguesa
Eliana Parise Lemos Tessone

Leitura literária, a filha bastarda da prática pedagógica
Rui Marques Veloso

Programa de leitura: a literatura a serviço da formação de leitores
Renata Junqueira de Souza



A leitura e a literatura infantil em destaque

Práticas de promoção do livro e da literatura infantil

14 de Dezembro - 14h - Livraria Almedina (campus de Gualtar, Braga): Sonhos & Segredos

19 de Dezembro - 15h - Pediatria do Hospital de S. Marcos (Braga): A Magia da Leitura

21 de Dezembro - 14h - Livraria Almedina (campus de Gualtar, Braga): Histórias de Encantar

18 de Janeiro / 2008 - 14h30 - Livraria Centésima Página (Braga) : Segredos Voadores

A entrada é livre!

11 novembro, 2007

Esta Língua Portuguesa



Título: Esta Língua Portuguesa
Autor: José Jorge Letria
Ilustrador: Susana Lemos
Editora: Ambar
Ano: 2007
ISBN: 978-972-43-1241-5

Recomendado: A todos os que façam da Língua Portuguesa o seu objecto de estudo e a todas as crianças.

Percorrer as páginas deste livro é fazer uma viagem em torno do sentido e dos sentidos da Língua Portuguesa, simbolicamente representada por “uma árvore de sons/que tem nos ramos as letras/nas folhas os acentos/ e nos frutos o sentido (Letria, 2007:8). E bastar-nos-ia esta imagem para estarmos perante uma multiplicidade de combinações onde a Língua Portuguesa surge como elo mediador, verticalidade, comunicação entre o concreto e o abstracto.
Nunca esquecendo o destinatário e os valores emergentes que importa destacar, o sujeito poético executa o seu percurso pedagógico explorando as escalas onde a Língua Portuguesa encorpa o dinamismo de um povo que, numa demanda contínua, se demarcou nos registos da historicidade, exprimindo com “grinaldas de metáforas/ (…) a sede de ser eterno” (Letria, 2007:18).
Dando-se a conhecer nas suas componentes internas (“Ama o jogo, o trocadilho/ o enfeite, o ornamento/ e vem daí o seu estilo/ (…) entre a gíria e o murmúrio” (Letria, 2007:23), a “árvore desta língua” apresenta-se como um centro de onde irradia a adequação à mundivivência dos falantes, exibindo a sua riqueza lexical como um “velho tesouro” (Letria, 2007:31) a preservar, pois constitui um património carregado de “indicadores ideologémicos (…) que nos revelam ou nos permitem detectar a carga mítico-simbólica” (Araújo, 2004:134) presentes na empatia, intuição, inteligência, compreensão e graça que percorrem toda esta poesia. Assim, guardando “(…) o segredo/ dos mistérios mais antigos/ (Letria, 2007:18), a Língua Portuguesa é lugar de fantasia, onde assistimos à convivência dos seres do universo do Imaginário (…feiticeiros/ duendes e magos (Letria, 2007:31)) com os processos de formação das palavras (…sufixos, prefixos (Letria, 2007:31)), apresentando de uma forma lúdica as multifaces da Língua enquanto objecto de estudo.
O livro aqui apresentado revela, ainda, “ um poeta que certamente crê que o discurso poético tem pelo menos mais um sentido do que o literal, que esse sentido é codificável e que o jogo da descodificação faz parte integrante do prazer da leitura e representa uma das finalidades principais da actividade poética” (Eco, 1989:248).


Bibliografia:
Araújo, Alberto Filipe (2004). Educação e Imaginário-Da Criança Mítica às Imagens da Infância. Maia. Publismai.
Eco, Umberto (1989). Sobre os Espelhos e outros ensaios. Lisboa. Difel.


Teresa Macedo
macedo.mariateresa@gmail.com

06 novembro, 2007

O Homem de Papelão




Título: O Homem de Papelão
Autor: Nuno Castelo
Ilustrador: Nuno Castelo
Editora: Atelier, Produção Editorial
ISBN: 978-972-8957-36-0



A história, aparentemente breve, narrada neste livro conduz os pequenos leitores à problemática social dos desamparados da sorte, dos desprotegidos, dos excluídos, dos que deambulam pela errância da noite: os sem-abrigo. Num discurso que se articula, em muitos momentos, com a convivência gráfica, em que o tamanho das palavras vai revelando as vozes enunciadoras da problemática em causa, conjugando-se com a desfiguração semiótica doada pelo registo pictórico, o leitor vai tomando conhecimento desta realidade onde o desapego ao material se destaca como sobrevivência final.

Teresa Macedo

macedo.mariateresa@gmail.com

04 novembro, 2007

A literatura de tradição oral e popular em destaque

Está já disponível uma excelente página web sobre esta temática, e que merece a pena ser consultada:

http://www.trasosmontes.com/alexandreparafita/

Em todas as conversas sobre a problemática da leitura, sempre alguém se queixa de que cada vez se lê menos. Se é verdade que ainda estamos aquém dos índices desejados, comparativamente com alguns países da união europeia e que isso se reflecte nos índices de literacia dos portugueses, também pensamos que haverá algum exagero nesta afirmação.

O problema é que, muitas vezes, quando dizemos que se lê pouco estamos a pensar na leitura de autores consagrados como Fernando Pessoa, Saramago, Eugénio de Andrade... e muitos mais! Mas a maioria dos leitores escolhem antes para leitura, as novelas dos Templários, os mistérios das múmias Egípcias, as sagas das mulheres Muçulmanas ou as atrocidades de Hitler.

No que à literatura infantil diz respeito lêem, por exemplo, J. K. Rowling, para arrepio de muitos bons professores de Língua Portuguesa!

Enfim, o que estes leitores fazem é ler por prazer, em lugar de ler para qualquer outra coisa! Lêem sem terem uma ideia penitencial da literatura, sem se importarem de se insurgir contra os cânones estabelecidos. A ideia de que se lê para tirar prazer da leitura ainda assusta, porque a leitura tem que constituir-se como um esforço desmedido, um trabalho interminável ou uma mortificação que melhora o espírito.

Contudo, a leitura, seja ela qual for, é sempre uma expressão de um prazer superior, no que a Stuart Mill (1871) diz respeito, pois só os seres humanos conseguem apreciá-la e deleitar-se com ela.
Por isso venham os Paulos Coelhos, os Nicholas Sparks e os Dan Browns!

22 outubro, 2007

Apresentação de livros em Braga






15 outubro, 2007

Os Livros das Nossas Vidas…

Ler, partilhar leituras e conversar acerca de textos que nos são gratos são os objectivos do clube de leitura, que, dinamizado pelos alunos da Licenciatura em Educação Básica, com o apoio do Departamento de Ciências Integradas e Língua Materna do Instituto de Estudos da Criança da Universidade do Minho, em colaboração com o Centro de Investigação em Promoção da Literacia e Bem-Estar da Criança, se reunirá, com regularidade, às 2as feiras, a partir das 17h45, na Livraria Almedina, situada no campus de Gualtar.

Falaremos, num ambiente informal, sobre textos literários que nos interessam, que nos agradam ou que, de algum modo, consideramos relevantes, independentemente de pertencerem ou não ao cânone, de serem ou não clássicos, best-sellers ou se incluírem mais no âmbito de uma literatura comercial.

A entrada é livre e estão todos convidados!

Autores para o dia 12 de Novembro: Paulo Coelho, Rosa Lobato de Faria e Nicholas Sparks

Autores para o dia 19 de Novembro: Luís Sepúlveda

Autores para o dia 26 de Novembro: Dan Brown e Susana Tamaro

Educar para a Literacia

Muito antes de saber ler a criança já compreende uma sequência narrativa contada pelos pais ou pelos avós. Mesmo muito pequena pode perceber que as imagens são uma representação do mundo empirico-histórico factual e que essas imagens estão em locais a que se podem voltar vezes sem conta, basta ir buscar o livro à estante. Mais tarde, começará a associar essas imagens às palavras que as acompanham e assim começar a construir o espólio de recursos essenciais para a prendizagem da leitura.
A Literacia da leitura nasce, portanto, desde o berço, e como o PISA 2000 tão bem nos mostra verifica-se " haver diferença entre os perfis das famílias dos alunos com alto nível de literacia e os das famílias dos alunos com baixo nível de literacia. Os melhores resultados do PISA tendem a identificar-se com os alunos provenientes de famílias "em que os recursos educacionais bem como os bens culturais em casa são elevados e em que é maior a frequência com que os pais interagem com os filhos, em actividades tais como a discussão de temas sociais, de livros e filmes ou, simplesmente, falando com eles."
Morrow, ( 1997) diz-nos que as experiências precoces ricas em literacia têm consequências na apropriação infantil de conceitos relacionados com a codificação da escrita, nomeadamente em relação aos sons, às letras e às palavras e por isso é tão importante que todas as crianças possam usufruir dos bens culturais que são, por exemplo, os livros. Para isso é necessário que todas as famílias os tenham, ou que pelo menos saibam que os podem aceder através das Bibliotecas, de forma a que os caminhos da ciência e da fantasia sejam possíveis para todos.
A promoção de hábitos de leitura e a aquisição de competências ao nível da literacia dos mais pequenos, através dos livros de literatura infantil, é uma proposta que nós acarinhamos e defendemos porque " Descobri que neles estava tudo. Não apenas fadas, gnomos, princesas e bruxas malvadas. Também lá estávamos tu e eu com todas as nossas alegrias, as nossas preocupações, os nossos desejos, as nossas tristezas; o bem e o mal, a verdade e a falsidade, a natureza, o universo. Tudo isso cabe nos livros. Abre um livro! Ele partilhará contigo todos os seus segredos."(Éva Janikovszky, 2003)

12 outubro, 2007

Importante recurso na web: adrian&pandora

Para todos os que já são leitores e para os que trabalham como mediadores da leitura com adolescentes e jovens adultos em bibliotecas públicas, não deixem de visitar o interessante blogue adrian&pandora e as suas numerosas e relevantes ligações!

11 outubro, 2007

"CENSURA E INTER/DITO" - IX Colóquio de Outono

22, 23 e 24 de Novembro 2007


O IX Colóquio de Outono organizado pelo Centro de Estudos Humanísticos da Universidade do Minho realizar-se-á a 22, 23 e 24 de Novembro próximo e será subordinado ao seguinte tema: Censura e Inter/Dito . À semelhança dos Colóquios anteriores, a estrutura deste Colóquio compreenderá conferências plenárias a cargo de conferencistas convidados e sessões temáticas, entre as quais
- "As Literaturas Pós-coloniais: Marginalização e/ou Subalternidade?";
- Teatro, Tradução e Censura;
- A Censura e o Inter/Dito na Literatura Contemporânea;
- Linguagem , Cultura e Inter/Dito
- Os Estudos Galegos em Portugal.


Para mais informações contactar (alice@ilch.uminho.pt ou ceh@ilch.uminho.pt).

O programa será divulgado brevemente.

Comissão
Direcção do CEHUM:
Professora Ana Gabriela Macedo
Professora Maria Eduarda Keating

10 outubro, 2007

I CONFERÊNCIA PNL - A leitura em Portugal: desenvolvimento e avaliação

22 e 23 OUTUBRO 2007
Fundação Calouste Gulbenkian

22 de Outubro

08.30 Recepção dos participantes – entrega de pastas

09.00 Sessão de abertura
Maria de Lurdes Rodrigues, Ministra da Educação
Jorge Pedreira, Secretário de Estado Adjunto e da Educação
Eduardo Marçal-Grilo, Administrador Fundação Calouste Gulbenkian
Isabel Alçada, Comissária do PNL
João Mata, Director GEPE

09.30 Conferência A aprendizagem da leitura: componentes, perfis de evolução e respectivas avaliações
José Junca da Morais, Universidade Livre de Bruxelas
Presidência: Roberto Carneiro, Universidade Católica de Lisboa

10.30 Debate

10.45 Pausa

11.15 - Apresentação do estudo - "Estudos e instrumentos de análise de níveis de leitura"
Inês Sim-Sim, Escola Superior de Educação de Lisboa
Fernanda Leopoldina Viana, Instituto de Estudos da Criança – Universidade do Minho

Presidência: David Justino, Universidade Nova de Lisboa
Comentários: Maria Helena Mira Mateus, Conselho Científico do PNL
Carlos Pinto Ferreira, Director-Geral do GAVE

12.15 Debate

12.30 Almoço

14.30 Conferência
Hábitos de leitura. Diferentes casos em contexto internacional Wendy Griswold, Northwestern University - EUA
Presidência: Maria Idalina Salgueiro, Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento

15.30 Debate

16.00 - Apresentação do estudo - "A promoção da leitura nos países da OCDE"
Maria de Lurdes Lima dos Santos
José Soares Neves Santos, Observatório das Actividades

Presidência: Carlos Reis – Universidade Aberta
Comentários: Maria de Lurdes Dionísio, Conselho Científico do PNL
Isabel Margarida Duarte, Conselho Científico do PNL

17.00 Debate

17.30 Encerramento


23 de Outubro

09.00 Sessão de abertura
Mário Vieira de Carvalho, Secretário de Estado da Cultura
Manuel Carmelo Rosa, Director da Fundação Calouste Gulbenkian
Nazim Ahmad, Rede Aga Kahn para o Desenvolvimento
Teresa Calçada, PNL- Rede de Bibliotecas Escolares
Paula Morão, PNL- Direcção Geral do Livro e da Biblioteca

09.30 Conferência Avaliação da leitura em contexto internacional
Helena Bomeny, Escola de Ciências Sociais-CPDOC Fundação Getúlio Vargas – Brasil

Presidência: Paula Morão – PNL/DGLB

10.30 Debate

11.00 Pausa

11.30 - Apresentação dos estudos - "Hábitos de leitura da população portuguesa”
Maria de Lurdes Lima dos Santos José Soares Neves Santos, Observatório das Actividades Culturais
Hábitos de leitura da população escolar"
Mário Lages, Carlos Liz, João António Universidade Católica de Lisboa

Presidência: Teresa Calçada – PNL/RBE
Comentários: Alexandre Castro Caldas, Conselho Científico do PNL
Maria Armanda Costa, Conselho Científico do PNL

12.30 Debate

12.45 Almoço

14.30 Conferência
Leitura, educação e desenvolvimento: perspectivas comparadas
Scott Murray, Universidade de New Brunswick (Canadá)

Presidência: Júlio Pedrosa, Conselho Nacional de Educação

15.30 Debate

16.00- Apresentação do estudo - "Avaliação externa do Plano Nacional de Leitura"
António Firmino da Costa CIES/ISCTE

Presidência: António Nóvoa, Universidade de Lisboa
Comentários: Pedro Magalhães, Conselho Científico do PNL
Manuel Villaverde Cabral, Instituto de Ciências Sociais

17.00 Debate

17.15 Sessão de encerramento
Augusto Santos Silva, Ministro do Assuntos Parlamentares
Manuel Carmelo Rosa, Fundação Calouste Gulbenkian
Isabel Alçada, Comissária do PNL
João Mata, Gabinete de Estatística e Planeamento da Educação

Informações:
Plano Nacional de Leitura
Travessa das Terras de Sant' Ana, 15
1250-269 Lisboa
Tel.: 213 895 203, Fax.: 213 895 148
URL: www.planonacionaldeleitura.gov.pt

07 outubro, 2007

Aristides de Sousa Mendes - homem de coragem



Aristides de Sousa Mendes – homem de coragem



Autor: José Jorge Letria
Ilustração: Nuno Fonseca
Ano: 2004
Editora: Terramar
ISBN: 972-710-367-7



A recriação ficcional desta personagem, assente numa descrição factual e documental durante o processo narrativo, é muitas vezes intersectada por vozes infantis que questionam ou lamentam, fazendo-se presença como participantes de uma realidade inóspita e cruel, que importa dar a conhecer aos destinatários preferenciais, implícitos na obra.
Todo o percurso narrativo confronta-se com a relativização do tempo face às vivências negativas com as quais Aristides se debate. “Foram dias e noites de grande aflição. Já passaram muitos anos, mas parece que tudo aconteceu ontem ainda. A memória dessas horas trágicas permanece viva” (Letria, 2004:9). Então, Aristides “descobre a matéria moral de que são feitos os verdadeiros heróis” (Letria, 2004:18) e a sua trajectória de vida assume o exercício de uma competência desviante do que devia ser a norma, fazendo-o ostentar uma raridade fundada na protecção da vida humana em detrimento de todas as condicionantes legais e profissionais a que deve obedecer.
Orientado pela “voz da sua consciência” (Letria, 2004:14), o homem embaixador, corria para salvar o maior número possível de refugiados, envolvendo todos os que o rodeavam. “Os que podiam usar os carimbos e o selo branco faziam-no com prontidão e competência. Os outros cozinhavam, cosiam, davam medicamentos e água a quem deles precisava” (Letria, 2004:27).
O narrador, “sujeito transindividual (…) manifesta novos ou ignorados aspectos (…) através de um específico labor da produção textual” (Silva, 1986:252-253), fazendo emergir a cada instante da narração a necessidade de modelar a consciencialização do leitor com o seu mundo circundante, estabelecendo uma permanente articulação entre um passado, hiperbolizado pelo sofrimento, e o presente onde importa revitalizar a imagem deste herói que “não favorece os aristocratas nem qualquer outra pessoa importante” (Letria, 2004:31), exercendo a Igualdade e o Altruísmo, manifestações da sua genuína Humanidade.
A estratégia biográfica apresentada por esta narrativa, longe de ser circunstancial, enforma, apela e reivindica um lugar de destaque para a personagem, que estando inscrita numa historicidade marcada nos mapas e nas memórias do holocausto, faz articulação com outras intertextualidades, onde a problemática da guerra se patenteia e a demanda da paz urge. No final, embora pareça ter havido mudança de um cenário onde se instalam um “menino perguntador” e um “escritor/aviador”, “que desenhava principezinhos no caderno, e também rosas, planetas e ovelhas” (Letria, 2004:47), verifica-se que a memória de Aristides emerge com a perenidade simbólica presente na “árvore que no Museu Yad Vashem, em Jerusalém, recorda a coragem e o heroísmo de um diplomata português que salvou milhares de vidas, por ser justo e por ser livre” (Letria, 2004, 50).

Teresa Macedo
macedo.mariateresa@gmail.com


Referência Bibliográfica:
Silva, Vítor Manuel de Aguiar e (1986). Teoria da Literatura. Coimbra. Almedina.

20 setembro, 2007

Zeca Afonso - O Andarilho da Voz de Ouro



Título: Zeca Afonso - O andarilho da voz de ouro


Autor: José Jorge Letria
Ilustrador: Evelina Oliveira
Editora: Campo das Letras - Editores, S.A., 2007
ISBN:978-989-625-154-3
José Jorge Letria regista neste percurso narrativo a memória biográfica de uma um homem que, tendo pertencido ao mundo empírico e histórico-factual, se transmuta num ideário ostentador dos valores emergentes, pertença de um tempo e de uma historicidade que urge preservar na nossa identidade colectiva.
O humano Zeca surge-nos, logo no início do livro, com particularidades que indiciam marcas de estranhamento que justificarão, mais tarde, uma demanda em torno da reflexão, da expressão e da divulgação de princípios axiológicos fundamentais ao reconhecimento da Alteridade, da Liberdade, da Igualdade como alicerces imprescindíveis ao constructo humano. Zeca “era distraído e (…) andava sempre com a cabeça no ar, nesse mesmo ar que dava asas à melodia que nunca lhe deixou seguir os passos e os sonhos” (2007:7); (…) tinha tempo de pensar em muita coisa, para ler livros e para sonhar” (2007:8); “(…) era diferente dos outros meninos, por passar muito tempo à volta das suas inquietações, brincadeiras, saudades e medos” (2007:8). Estes indícios, associados a dicotomias presentes na narrativa, tais como dúvida/certeza, inquietação/tranquilidade, guerra/paz, liberdade/opressão, riqueza/pobreza, bem como o dialogismo que estabelece com o Menino do Bairro Negro, símbolo de todos os que não são detentores de uma voz própria e livre, transpõem esta narrativa para patamares que se conotam com o mundo mítico e mágico, entre a corporeidade e o constructo da emergência espiritual e ideológica, um mundo simbólico. Neste, então poderemos cruzar-nos com a “sofreguidão dos vampiros, que atacavam pela noite calada (2007:30)” ou com o “Papão, que (…) mantinha o país encarcerado entre as grades do medo que mandava erguer por todo o lado” (2007:22). Assim, num tecido verbal reflectido, assistimos à força da Palavra inserida numa mimesis musical, encorpando a Liberdade na mediação e regeneração da força heróica que fará a metamorfose do caos em ordem, inscritos num espaço que oscila entre as marcas do registo factual e os demarcados percursos existenciais fantástico-maravilhosos, que assentam nas miragens do transcendental.
É por isso que, no final da narrativa, Zeca reconhece a Morte, não com o olhar temeroso dos que agonizam, mas como a Liberdade necessária, “perseguindo um sonho que só se acabará quando o último ser humano desaparecer deste planeta” (2007:39).
Esta narrativa, interagindo com o discurso semiótico doado pela excelente ilustração de Evelina Oliveira, reflecte a mundivivência de um escritor que, através da recriação biográfica desta personagem, destaca a memória como um processo afectivo-representativo complexo no qual as imagens-lembrança evocam a necessidade de assegurar a continuidade de um conjunto de valores que emergem nesta figuração da esperança essencial.


Teresa Macedo
macedo.mariateresa@gmail.com

10 setembro, 2007

Universidade do Minho: parceiro estratégico no Programa Nacional de Ensino do Português

O Instituto de Estudos da Criança constitui, ao longo do ano lectivo de 2007/2008, um parceiro estratégico no desenvolvimento do PNEP - Programa Nacional de Ensino do Português (1º Ciclo).
O programa tem como finalidade última a melhoria das aprendizagens dos alunos do 1º ciclo na área da Língua Portuguesa, contemplando três dimensões fundamentais:
1. A formação nas escolas/agrupamentos, dinamizada pelos formadores residentes.
2. O acompanhamento e aprofundamento da formação dos formadores residentes em exercício, da responsabilidade da Universidade do Minho.
3. A formação de novos formadores residentes na Universidade do Minho.


Pretende-se com os conteúdos desta formação actualizar e aprofundar os conhecimentos científicos e metodológicos dos formandos, no que respeita ao ensino da Língua materna no 1º ciclo, à luz dos resultados da investigação sobre o desenvolvimento linguístico da criança e sobre as aprendizagens da Língua materna neste ciclo escolar. Os princípios orientadores da formação ancoram no Currículo Nacional do Ensino Básico, particularmente no desenvolvimento das competências específicas aí enunciadas.


O objectivo final desta acção é a actualização científica e metodológica dos formandos, futuros formadores nas escolas básicas. A formação assenta em três grandes pilares: (i) sessões presenciais conjuntas, (ii) experimentação de materiais pedagógicos e de avaliação nas escolas onde os formandos leccionem e (iii) trabalho autónomo de reflexão e aprofundamento profissional nos domínios visados.

O Programa é objecto de monitorização e de acompanhamento por parte de uma Comissão Nacional de Coordenação e Acompanhamento, estando prevista a sua avaliação externa.
Para acesso ao blogue do Núcleo Regional do PNEP/Universidade do Minho, carregue aqui.
Para acesso à Plataforma Digital da Universidade do Minho, em que funciona o programa, carregue aqui.

06 setembro, 2007

O Sonhador: uma leitura de apelo à Imaginação




Texto: Ian McEwan
Ilustração: Anthony Browne
Editora: Gradiva – Publicações, Lda (2007 [1ª Ed. 1995)]
ISBN: 978-972-662-408-0
Aconselhado: A todos os que sabem observar, reflectir e abrir os braços ao sonho!


Este é um livro que me chegou pela mão querida de quem sabe o que significa ler o Imaginário na sua essência mais pura. O Sonhador (2007 [1ª ed. 1995]) é uma narrativa do já reconhecido escritor Ian McEwan, prestigiado por vários e importantes prémios literários britânicos e que se estreia, assim, de forma espectacular na literatura de potencial recepção leitora juvenil.

Abre-se o livro e a epígrafe reclama, de imediato, a nossa atenção para a noção da metamorfose que, de forma mais ou menos evidente, ou mais ou menos consciente nos faz seres sociais. E certo é que a intenção autoral que se lê por detrás das palavras do poeta Ovídio: «“O meu objectivo é falar de corpos que se transformam em formas de outro tipo”, Metamorfoses, Livro I» in O Sonhador, se dá a ler de forma absolutamente completa. McEwan parece propor um livro de contos feito de um conto só: o da metáfora da vida enquanto espaço cosmogónico do Ser em crescimento e da aprendizagem, mas, essencialmente, da curiosidade e experiência premeditadas.

Ousaria afirmar que O Sonhador reclama, no avançar da leitura, a consciência do sujeito-leitor para as diferentes formas do querer existir num estado de co-existencia diária obrigatória. Ousaria ainda dizer que esta narrativa, onde a metamorfose poderia adjectivar-se de psicológica, física, metafísica, familiar, e de outras tantas, se transforma numa macro-metamorfose: a do indivíduo social, responsável (na sua essência vivencial) pela força da imagem da identidade do Eu, que por si só nos reporta para a temática da mutação, quer pela dupla corporalização dos seres, quer pela antropomorfização dos objectos.

Pela voz de um narrador hábil no trato com as personagens, Peter é-nos apresentado logo no primeiro capítulo como uma «criança difícil» mas que nunca reconheceu ou entendeu tal caracterização. Afinal «não despejava Ketchup por cima da cabeça a fingir que era sangue, nem sequer dava com a espada nos tornozelos da avó (…), comia tudo» e não era nem mais nem menos do que os meninos da sua idade. O que haveria então em Peter que o tornava assim tão difícil? Peter, segundo os adultos, «era difícil por ser tão calado, e gostar de estar sozinho» (2007: 9)!

Como invejo (não se compreenda aqui a carga negativa da expressão) a sabedoria desse menino de dez anos que, por querer, sabia viver à margem de determinadas condicionantes sócio-familiares às quais nos subjugamos usando, quantas vezes, de um mau estar que nos torna tão iguais a todos aqueles que ousamos criticar. É pois esta falta de resignação de Peter Fortune, que gostava de estar sozinho para «poder pensar à vontade», que me cativa. Sereno, tranquilo e alheio à forma estupidamente rotineira dos adultos, a personagem do conto representa o Ser Simbólico, que pela evasão cria o seu próprio real empírico.

O quotidiano de Peter é narrado num equilíbrio que nada revela de precário, como se da consciência individual da personagem se tratasse, onde realidade e fantasia se cruzam, deixando que o leitor possa aceder a uma das mais espectaculares situações de literariedade: a do verosímil vs inverosímil enquanto marco preponderante no rompimento com ideologias pré-estabelecidas.

É pois o acto de saber compactuar com o autor que gostaria de destacar nesta obra absolutamente literária, e remeter para a poeticidade do Imaginário que dela emerge. Apelando sistematicamente à participação do leitor, que pode experimentar de um todo a partir das várias aventuras levadas a cabo pela personagem principal, somos levados por este “sonhador” convicto, à primeira grande metamorfose do Ser consciente, o que nos permite conhecer Peter (num dos episódios da obra) enquanto o sujeito activo da participação. Assim, este é induzido pelo seu próprio gato William a participar no jogo da permuta, o que o leva a ousar trocar de identidade com este.

O episódio relatado é de uma intensidade descritiva tal que não nos é sequer possível questionar o estado ficcional retratado, e a mimésis estética torna-se efectivamente completa: gato-rapaz e rapaz-gato transformam-se num só ser identitário. A morte de William fecha o capítulo com chave de ouro, sentindo-se na imagem da morte a imagem da própria cumplicidade estabelecida entre este narrador particularmente consciente, o Eu, e o objecto da sua identificação versus alteridade.

O leitor não se deixa contudo ficar e entra de rompante na mais inverosímil das histórias: a do «Creme de desaparecer». O mini-conto inicia-se com uma observação absolutamente trivial, que nos remete para a imagem do lar. Os Fortune, como qualquer outra família, têm também aquela típica «gaveta da cozinha», que, quando indicada, se distingue de todas as outras gavetas.

As considerações tecidas pelo narrador, sobre a respectiva gaveta, levar-nos-iam para outras tantas considerações sobre a noção de pertença, contudo, o que mais importa é a noção de descoberta realizada pela presença de um «pequeno frasco azul-escuro com uma tampa preta» (2007: 51) que contem o creme de desaparecer, e que Peter irá usar intencionalmente para apagar toda a sua família. Descuidado, o leitor poderia deixar-se pensar que o narrador quis transformar a personagem principal num psicopata assassino, capaz de matar a própria família, usando de um método eficaz e limpo. Bem, não me parece que o nosso leitor se deixe enganar por uma preguiça qualquer. Dado que este se mantém em diálogo literário com o escritor, o leitor sabe que a intenção autoral foi apenas a de suscitar reflexões plurais sobre as noções de identidade / alteridade que em cada um de nós marcam a diferença ou a similitude com o outro, e que são, hoje mais do que nunca, tema de debate para muitos dos mais jovens.

O Sonhador faz-se, assim, de sete pequenos contos, onde se deixam ler as mais diversas experiências de vida que se balizam entre os momentos do sonho, os da realidade empírica e os da realidade sonhada. Caso assim não fosse, este magnífico ensaio sobre a vida de todos os dias não terminaria com o reforço das imagens da liberdade e do sonho, que parecem estar ao alcance de cada um de nós quando nos convidam a olhar o mar e a participar da descoberta de um tesouro: «– Descobrimos um tesouro, Peter! – Vou já – respondeu Peter. – Vou já! – E começou a correr em direcção `a beira-mar. Sentiu-se ágil e leve ao deslizar sobre a areia. «Vou descolar», pensou. Estaria a sonhar ou a voar?» (2007: 115). Eu já vou indo. E vocês? Venham. Voar é saber ir para além do sonho!


Gisela Silva

05 setembro, 2007

Educação e Imaginário na Universidade do Minho

A Universidade do Minho acolhe no próximo dia 24 de Novembro, no Auditório do Centro Multimédia (Instituto de Estudos da Criança), o Colóquio Internacional Educação e Imaginário: Literatura e Romance de Formação.


Programa
9h00 - Recepção dos Participantes
9h30 - Abertura
10h00 - Conceitos e Realização de Bildung e de Bildungsroman
Horst Bergmeier (Investigador – Cied do Instituto de Educação e Psicologia da Universidade do Minho)
10h30 - El Doppelgänger y la novela de formación. En el cielo con diamantes
Maria Ángelez Rodríguez Fontela – Prof. Titular da Universidade de Santiago de Compostela (Espanha)
11h00 - Bildung et Imagination dans l’Éducation : la formation de l’homme intégral
Julien Lamy – Investigador da Université Jean Moulin – Lyon 3 (França)
11h30 - Debate
12h00 - Apresentação pelos coordenadores da obra Imaginário, Identidades e Margens
12h30 - Almoço livre
14h30 - Novalis e o Bildungsroman do Romantismo: Heinrich von Ofterdingen
Gabriela Fragoso – Prof. Aux. da Universidade Nova de Lisboa (Fac. de Ciências Sociais e Humanas)
15h00 - A Desmistificação do Desejo em Coração, Cabeça e Estômago de Camilo Castelo Branco
Sérgio Paulo Guimarães de Sousa – Prof. Aux. da Univ. do Minho (Instituto de Letras e Ciências Humanas)
15h30 - Reflexão sobre a Formação: na Idade da Ansiedade
Jaime Becerra da Costa – Prof. Aux. da Universidade do Minho (Instituto de Letras e Ciências Humanas)
16h00 - Debate
16h30 - Pausa
17h00 - O Bildungsroman na tradição literária italiana: fortuna e adaptação de uma forma simbólica
Elena Brugioni – Leitora de Língua Italiana da Universidade do Minho (Instituto de Letras e Ciências Humanas)
17h30 - Encerramento


A entrada é livre, mas está sujeita a inscrição prévia.

Organização:
IEP - Departamento de Pedagogia
IEC - Departamento de Ciências Integradas e Língua Materna
Centro de Investigação em Educação
Centro de Investigação em Promoção da Literacia e Bem-Estar da Criança


Contactos:
afaraujo@iep.uminho.pt
fraga@iec.uminho.pt

19 agosto, 2007

Concepções e Práticas dos Professores em Análise

Ana Paula Rua da Silva Malheiro Pereira dos Reis defende dia 20 de Agosto, pelas 10h30, a sua dissertação de Mestrado em Estudos da Criança - Análise Textual e Literatura Infantil subordinada ao tema Concepções e Práticas: Lugares e Gestos da Literatura Infantil no 1º Ciclo do Ensino Básico.

O júri é composto pelos seguintes elementos:
Prof. Doutor Fernando Azevedo (Universidade do Minho)
Prof.ª Doutora Maria de Lurdes Magalhães (Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Viana do Castelo)
Prof.ª Doutora Judite Maria Zamith Cruz (Universidade do Minho)

Local: Sala de Actos do DCILM / IEC - CP2 - Campus de Gualtar

A entrada é livre.

Formação de Leitores por meio de contos

Ana Paula Vieira Pinto de Oliveira defende dia 20 de Agosto, pelas 12h, a sua dissertação de Mestrado em Estudos da Criança - Análise Textual e Literatura Infantil subordinada ao tema Alguns Gestos e Olhares do Conto A Gata Borralheira na Formação do Leitor Competente.

O júri é composto pelos seguintes elementos:
Prof. Doutor Fernando Azevedo (Universidade do Minho)
Prof.ª Doutora Maria de Lurdes Magalhães (Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Viana do Castelo)
Prof.ª Doutora Judite Maria Zamith Cruz (Universidade do Minho)
Local: Sala de Actos do DCILM / IEC - CP2 - Campus de Gualtar

A entrada é livre.