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27 maio, 2009

Era uma vez um rei Conquistador

Autor: José Jorge Letria
Ilustrador: Afonso Cruz
Ano: 2009
Editora: Oficina do Livro

Se o título “Era uma vez um Rei Conquistador” é convidativo à entrada no universo encantatório do Maravilhoso, a ilustração de Afonso Cruz revela imediatamente o herói pertença do mundo histórico e factual, de quem José Jorge Letria faz uma construção ficcional biográfica, na efeméride dos 900 anos do seu nascimento – Afonso Henriques.
A memória do Rei Conquistador seria apenas reforçada por mais um livro, entre tantos que perpetuam o seu génio guerreiro e destemido na determinação sagaz da independência de Portugal, se não fosse a especificidade que singulariza esta obra para a Infância, tecida com todos os elementos imprescindíveis à adesão das crianças pelas temáticas onde Fantasia, Imaginação e Realidade se entrecruzam e corroboram para o alargamento do seu conhecimento do mundo, do desenvolvimento da sensibilidade estética e a promoção dos valores necessários ao constructo humano.
No início, o Rei Conquistador é dado a ver como um menino que “brincava com coisas simples e gostava especialmente de uma espada de madeira que Egas Moniz (…) mandara fazer para ele (…) [e de] construir castelos de brincar, com pedras, terra barrenta e pedaços de madeira” (p.10), igualizando-se aquele que veio a tornar-se Rei de Portugal a todos os outros meninos. No entanto, na teia de toda a acção que há-de mover a vida do herói fundador da nacionalidade portuguesa, eleva-se uma capacidade inata para a determinação que é movida pela indicação de um futuro predestinado, protegido pela alma de D. Henrique que, “algures, talvez debruçado numa nuvem distante (…) velava por ele e pela sua segurança, nos campos de batalha e fora deles” (p.16) e pela força das premonições oníricas que aconteciam “mesmo de olhos abertos” (p.18).
Esta narrativa articula diferentes perspectivas que elevam o herói ficcionalizado como modelo de generosidade, de lealdade e de persistência, num jogo onde o rigor dos dados históricos se harmoniza com as personagens do Imaginário infantil, organizados por um narrador que estabelece uma grande cumplicidade com as crianças, derrubando as fronteiras entre o mundo possível e o mundo impossível.
Por isso, a “Fada da Noite Estrelada” (p.36) surge para encerrar de maneira cativante o percurso de vida de Afonso Henriques, apresentando-se com o poder simbólico que sugere o fim, mas livra os pequenos leitores do confronto com a palavra morte.
“Era uma vez um Rei Conquistador” é, por isso, um livro de leitura recomendada.



Teresa Macedo



12 maio, 2009

Era uma vez uma fada que se chamave Lisete que por não estar habituada a comer em demasia, caiu desmaiada a caminho do lago. Mimo, o velho castor seu amigo, ficou sem a ajuda habitual que Lizete lhe costumava prestar e por isso estava triste e quase a pensar que tinha sido abandonado à sua sorte.
Mas não, Lisete, com a ajuda dos amigos pirilampos, depressa chegou ao lago, atravessando os campos de papoilas, as árvores apaixonadas, a pedra oca e a corrente do rio...
O encontro com Mimo foi um encontro com - sigo mesmo e com o outro em si - o encontro com a alteridade (Bachtin,1992) e com o princípio da "consciência que o Homem tem de si mesmo considerando-se como outro", (Feuerbach,1804-1872), pois Lisete percebeu, naquele momento, a necessidade de nos assumirmos uns aos outros enquanto sujeitos interligados, neste mundo global, aqui representado pela floresta e por todos os eco-sistema que nela residem.
De vez em quando, os obstáculos surgem subrepticiamente, sem darmos conta (o desmaio) mas também, quase simultâneamente, chegam os adjuvantes com a sua luz forte de pirilampos para alumiarem e indicarem o caminho...Lisete não os reconheceu logo como amigos e muito menos como tendo a capacidade de prestar ajuda, naquela situação tão melindrosa em que se encontrava: "afinal tu és apenas um insecto!" disse ela e as palavras ditas estão sempre carregadas de um conteúdo ou de um sentido ideológico ou vivencial. (Baktin, 1992:95)
Contudo, também os insectos e os animais mais insignificantes, como no caso da formiga, no conto de Esopo, podem constituir-se como potenciais amigos, em dificuldades futuras, revelando-se extremamente importantes num quadro de difícil execução.... daí que o insecto lhe tenha retorquido: "- Não te deixes enganar à primeira vista. Os teus olhos e a tua mente podem pregar-te umas partidas."
Lisete, então, aceitou ser ajudada, por manifesta incapacidade de se iluminar a si própria. Estava triste e furiosa e quando isto acontece "Não consegue iluminar o corpo por mais que insista".O valor da amizade, um sentimento de afeição mútua o colocar-se no lugar do outro para compreender as suas atitudes são pois os temas principais desta singela narrativa que tem por personagem central, mais uma vez, uma FADA!

Bibliografia
BAKTIN, Mikail. Marxismo e filosofia da linguagem.6ed. São Paulo: Hucitec, 1992.

03 maio, 2009

Depois do sucesso das edições anteriores, a Câmara Municipal da Trofa promove, de 2 a 10 de Maio, o V Encontro Lusófono de Literatura Infanto-Juvenil.
Durante uma semana, a Casa da Cultura da Trofa recebe escritores, ilustradores lusófonos, exposições, encontros com escolas, formação, apresentação de livros e a IX Feira do Livro.Para esta edição marcarão presença os escritores e ilustradores Alexandre Parafita, Ana Bárbara de Santo António, Ana Saldanha, Inácio Nuno Pignatelli, José Cardoso Marques, Lourdes Custódio, Manuela Monteiro, Margarida Fonseca Santos, Marcus Tafuri, Ondjaki e Valter Hugo Mãe.
O encontro Lusófono continua com apresentação de livros, de destacar no dia 4 de Maio pelas 14h00 a apresentação do livro “A casa da Romãzeira – História com Abril dentro” texto de Manuela Monteiro. No dia 5 de Maio, pelas 11h30 será a vez do livro “Russa, a Bruxinha Tecedeira” com texto de Ana Bárbara de Santo António e ilustração de Isabel Menezes. A 10 de Maio, pelas 17h00 será apresentado o livro “Este lago não existe” de Vítor Burity da Silva.
Este blog exorta-vos a visitarem o município da Trofa onde poderão apreciar um trabalho de qualidade em prol do livro e da leitura.

19 abril, 2009

Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor



Estamos próximo de mais uma data importante no calendário do livro e da literatura.Dia 23 de Abril comemora-se o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor.Celebrando este dia as Nações Unidas procuram promover a leitura, a industria editorial e a protecção da propriedade intelectual. Partilhamos convosco o texto com que a UNESCO pretende comemorar esta data.
Le 23 avril 1616, disparaissaient Cervantes, Shakespeare et Garcilaso de la Vega dit l’Inca. Ce 23 avril marque aussi la naissance, ou la mort d’éminents écrivains comme Maurice Druon, K. Laxness, Vladimir Nabokov, Josep Pla ou Manuel Mejía Vallejo. C’est pourquoi, cette date ô combien symbolique pour la littérature universelle, a été choisie par la Conférence générale de l’UNESCO afin de rendre un hommage mondial au livre et à ses auteurs, et encourager chacun, en particulier les plus jeunes, à découvrir le plaisir de la lecture et à respecter l’irremplaçable contribution des créateurs au progrès social et culturel.L’idée de cette célébration trouve son origine en Catalogne (Espagne) où il est de tradition d’offrir une rose pour l’achat d’un livre. Le succès de cette initiative dépend essentiellement du soutien que peuvent lui apporter les milieux intéressés (auteurs, éditeurs, libraires, éducateurs et bibliothécaires, institutions publiques et privées, organisations non gouvernementales et médias) qui sont mobilisés dans chaque pays par l'intermédiaire des Commissions nationales pour l'UNESCO, les associations, centres et clubs UNESCO, les réseaux d'écoles et de bibliothèques associées et tous ceux qui se sentent motivés pour participer à cette fête mondiale.

02 abril, 2009

Dia Internacional do Livro Infantil

Sonhos de grandeza

O ilustrador Felipe Ugalde foi proclamado vencedor da segunda edição do Prémio Internacional Compostela para Álbuns Ilustrados, com uma obra chamada Sueños de Grandeza, em que o júri destacou a sua grande riqueza estética, literária, e o seu domínio da técnica plástica.
Este prémio foi, com toda a pertinência, conhecido pela altura do Dia Internacional do Livro Infantil lembrando-nos a importância que têm as histórias para os mais pequenos. São eles que, mais tarde, não farão esquecer o gosto pela leitura e pelos livros e contribuirão para o nascimento de comunidades leitoras que não só leiam mais mas que sobretudo leiam melhor.
O segundo e o terceiro prémios foram atribuidos respectivamente a Tommaso Nava e a Cecilia Afonso de entre 280 trabalhos de 22 países.

29 março, 2009

Ciclo da Fadas XII - Açafrão, A Fada Amarela

" Só pode ser mel de fadas" diz Cristina para a amiga, enquanto procuravam as fadas perdidas no jardim da dona Felizarda.Mas as fadas não produzem mel, são as abelhas e estas, segundo a mitologia representam a eloquência, a poesia e a inteligência como o interface terreno da face de uma moeda que, do outro lado, tem um alcance mais espiritual que é a ressureição e o seu papel iniciático e liturgico,no mundo ideal de Platão. (Chevalier & Gheerbrant, 1982)
A Fada Amarela fugiu! Sim ela fugiu para longe e foi então refugiar-se junto às abelhas pois sabia como elas são prudentes e ao mesmo tempo laboriosas no seu atelier, a colmeia, sublimando o pólen das flores em mel imortal.
As duas amigas da nossa história procuram então a Fada Amarela, que fugindo do Génio do Gelo se refugiou na Ilha das Quatro Estações. Sem a Fada Amarela e das suas outras companheiras "O país das fadas continuava gelado e cinzento até as sete Fadas serem encontradas e voltarem para lá."
Será que Cristina e Raquel conseguem encontrá-la? Bom, para isso terão que ler, até ao fim, o livro de Daisy Medows, da Editora Verbo, e provar o mel bafejado com pó mágico... Contudo, será bom precaverem-se dos duendes do Génio do Gelo pois as suas maldições são fortes e frias...

Bibliografia
CHEVALIER&GHREERBRANT (1982) Dicionário dos Símbolos. Lisboa, Editorial Teorema

28 março, 2009

O que Darwin escreveu a Deus


Autor: José Jorge Letria
Editora: Oficina do Livro
Ano: 2009



Esta obra epistolar inicia-se com uma “Carta nada imaginária para o leitor deste livro” (p.7) e encerra com a “Carta do Autor a Deus” (p.147), definindo, por isso, uma trajectória em que a comunicação se concretiza de forma ascendente e define uma linha de reflexão, que parte da criação de uma ambiência em que o Leitor é focalizado como alguém que tem de ser esclarecido sobre algum conteúdo da ficção, até outro lugar onde a figura do Autor assume um papel preponderante numa confessional busca do sentido Metafísico.
Assim sendo, o Autor assume um papel magistral e as epistolas que enchem o coração do livro, mais não são que os pontos de (des)conexão que a sua capacidade reflexiva e modo crítico de olhar o Mundo engendraram para dar a ver aos outros personalidades que se demarcaram na historicidade humana pela transgressão, sofrimento, capacidade empreendedora e singularidade e uma ou outra simplesmente imaginada como metáfora do inconformismo, do humor construído para a aceitação do (quase) inaceitável.
Não seria, por isso, necessário revelar as grandes linhas semântico-interpretativas que sustentam a prevalência dos valores ético-morais - “que não podiam deixar de morar, algures, no coração destas cartas” (p.9) - para as sentirmos na transversalidade da leitura, associadas ao poder singular de reflectir e de intervir pelo domínio da Palavra.
“O que Darwin escreveu a Deus” é um livro que dinamiza a vontade de revisitar toda a obra literária do mesmo autor, onde encontramos sempre um espaço privilegiado para construirmos ou reavivarmos Conhecimentos e nos deliciarmos com uma escrita que conduz a mundos onde as personagens são nossas conhecidas, mas agem de encontro ao despertar de algumas consciências adormecidas.


Teresa Macedo

12 março, 2009

O Guarda-Rios (Gailivro)

As ilustrações apareceram bem longe no tempo, quando os egípcios inventaram os rolos de papiro e hoje em dia elas fazem parte de quase toda a nossa vida contemporânea, desde as revistas, passando pelos jornais até aos ecrãs de computador! Contudo, no que diz respeito às ilustrações dos livros para a infância, elas preenchem mais do que a mera função de ilustrar um texto. Elas pretendem sim, ir mais além e iluminar (Goodwin, 2008) as palavras, interpretando-as e muitas vezes substituindo-as, como será o caso dos Álbuns para a infância.
Estes, no dizer de Nodelman (1988) são livros que pretendem comunicar uma história " (...) through a series of many pictures combined with relatively slight text or no text at all (...)".
No livro, que agora estamos a dar-vos a conhecer, estas ilustrações saltam definitivamente para um plano superior, elas têm como objectivo pôr-nos em contacto com o inesperado, com a surpresa e com a ambiguidade, através das cores que nos aquecem, do desenho que salta a centralidade da página e se espalha pela borda da mesma e ainda pelo enquadramento que nos obriga a procurar sentidos, entre um desenho e outro.
O texto de Eugénio Roda apresenta-se despojado de todos os excessos verbais manifestando-se portanto contido nas palavras mas não na profusão de ideias que manifesta sobre a criação do mundo e da vinha. As ilustrações de Cristina Valadas conseguem fazer passar o sentimento e a atmosfera dessa mesma revolta criação, feita de vermelhos, amarelos, laranjas e dos respectivas matizes e tons que de uma maneira subtil interagem, quer com o desenho dos ramos da vinha a florir, quer com o texto onde " No princípio, tudo o que imaginamos verde...era vermelho. Terra de fogo queria ser azul (...)".
Bibliografia
NODELMAN,P. (1998) Words about Pictures: The narrative Art of Children's Picturebooks.Athens, GA, and London:University of Georgia Press
GOODWIN, P. (2008) Understanding Children's Books: A Guide for Education Professionals. London:Sage

27 fevereiro, 2009

Derivas de Fevereiro

Um tema refrescante em tempo de perturbações...na escola...
Para ir, ouvir e para participar com imaginação!

21 fevereiro, 2009

Autor: Raquel Méndez Ilustrador: Helga Bansch

OQO Editora

Maravilhosamente bem contado e ilustrado, este album (picture story book) para a infância partilha aquilo a que Barthes chamou um texto semiótico. Cada página constitui-se como uma entidade própria que discute a narrativa visual dentro de um quadro significativo, que foca a habilidade para comunicar empáticamente através das cores, formas, planos visuais e texto.
Este, pequeno, feito de frases curtas e simples é ladeado por estas ilustrações de Helga Bansch que se tornam elas próprias uma espécie de escrita pelo significância proporcionada e são "a kind of speech for us ... even objects will become speech, if they mean something"(Cotton, 2000:50).
A beleza pictórica das ilustrações são uma porta aberta para uma experiência frutífera, permanente e vivencial do amor pelos livros e pela leitura, bem como de uma apreciação estética da literatura e da arte através do estilo e do extraordinário vocabulário imagístico. A ênfase posta nos objectos importantes da narração - por exemplo, o caldeirão e o lobo - misturam - se com o tamanho dos caracteres impressos formando um todo indissociável e de inesgotável beleza visual.
As noções de amizade, solidariedade, espírito de inter-ajuda e partilha estarão também subjacentes e subtilmente entranhados nesta história tradicional que, como não podia deixar de ser, tem o lobo como principal alvo a abater.


" Com o lume na cauda e o rabo encarnado,
o lobo saiu da casa a gritar...
e assim está o conto acabado
para o lobo nunca mais voltar."

15 fevereiro, 2009

X SALÃO DO LIVRO INFANTIL E JUVENIL

De 1 de Fevereiro ao 15 de Março de 2009, o Salão do Livro Infantil e Juvenil está patente em Pontevedra, Galiza. O amor é o tema que centra, este ano, o evento e Portugal foi o país convidado para expôr os seus livros, as suas ilustrações e os seus escritores.
Exposições, conferências, actividades diversas e sobretudo muita literatura enriquecem o programa desta edição que conta também com a participação massiva de todas as crianças das inúmeras escolas que constituem este grande município, numa festa que se pretende de incentivo e promoção da leitura
QUEM AINDA NÃO FOI A PONTVEDRA AQUI FICA O CONVITE, POIS O TRABALHO DESENVOLVIDO MERECE O APLAUSO DE TODOS OS QUE SÃO AMANTES DO LIVRO, DA LEITURA, DAS CRIANÇAS E DOS JOVENS!

19 janeiro, 2009

Biblioteca de Livros digitais

Foi criada a Biblioteca de Livros Digitais (BLD), cujas obras reúnem diversas vertentes que tornam a leitura particularmente apelativa, convidando os leitores a transformarem-se em escritores ou ilustradores e a partilharem as suas produções com os cibernautas inscritos na Biblioteca dos Livros da Malta. Neste momento, a BLD disponibiliza nove obras para diversas faixas etárias, desde o pré-escolar até à idade adulta, e está previsto que sejam disponibilizadas mais 35 durante o próximo semestre.Além da leitura, cada obra apresenta vários “extras”, nomeadamente: cinema de animação, vídeo e áudio; uma apresentação animada das personagens principais; comentários de autores e ilustradores; uma leitura dramatizada da história; e, no final do livro, há um espaço que pode ser utilizado para escrever ou ilustrar, criando uma versão personalizada. Através do registo na Biblioteca dos Livros da Malta, os leitores podem, ainda, enviar e-mails aos restantes membros da comunidade virtual, recomendando livros e divulgando os textos que escreveram.Nesta fase, a prioridade vai ser dada às obras destinadas às crianças entre os cinco e os sete anos e, de acordo com o Ministério da Educação, “o grande objectivo deste projecto, que envolve o Centro de Investigação para as Tecnologias Interactivas, o Plano Nacional de Leitura, a Rede de Bibliotecas Escolares e o Plano Nacional de Ensino do Português, é a criação de um instrumento que promova a leitura, tirando partido da natural apetência que os mais jovens têm pelas novas tecnologias”.
(notícia publicada no site do Ministério da Educação)

14 janeiro, 2009

O Meu Pequeno Coração


Uma história visual é uma sequência de imagens que exige, da parte do leitor, relações entre os objectos e depois o desenho das inferências necessárias à sua compreensão.
Desde muito pequenas que as crianças conseguem fazer este feito notável o que permite aos ilustradores um largo espaço de manobra, para poderem exercer a sua criação, em todo o seu potencial.
Parte do acto de ler é saber que os primeiros estádios de uma história requerem dos leitores uma tolerância à incerteza do que vai acontecer. À medida que a história se desenrola somos confrontados então, com técnicas narrativas que estabelecem ligações entre os factos, que à partida seriam impossíveis de ligação e então, pela força dessas mesmas técnicas, somos levados a reconsiderar a informação e a reformular as nossas perspectivas.
Goodmann (1954:102) dizia a este propósito que " Stories have an overall structure: in the beginning anything is possible; in the middle things become more probable; in the ending everything is necessary" .
De facto, é no final que se joga toda a história, que se decide se se quer tornar a lê-la ou se se vai colocá-la, na estante, para sempre. No caso das histórias por imagens esta decisão é condicionada pela posição e tamanho das personagens, pela centralidade ou marginalidade onde se colocaram, pela perspectiva gráfica (dimensional ou tridimensional) e pela ausência ou presença de horizontes credíveis. Uma súbita ausencia de horizonte pode significar perigo, o que não é o caso desta história onde o horizonte está bem delineado na capa, perto do sol que também tem a forma de coração!
Estes e outros factores, como sejam a moldura que circunda a imagem, que permite a identificação com o mundo dentro e fora da história são sugestionadores da aceitação ou negação do todo criado (história). Em O Meu Pequeno Coração a moldura providencia um espaço temporal e espacial que são o mesmo: o coração. Tudo gira à volta dele e da sua cor (rosa, vermelho, laranja) e à volta das expressões corporais das personagens que sugerem subtilmente os mundos possíveis reais das molduras afectivas quotidianas.

11 dezembro, 2008

Lançamento do terceiro livro que terá lugar no próximo dia 15 de Dezembro, pelas 17.30, no Fórum Romeu Correia, Praça da Liberdade - Almada.


E se fosse mesmo «Um Problema Muito Enorme – Novíssimos Contos da Mata dos Medos»?




E é pois! Aconteceu, assim...
Chegou-me às mãos um convite muito especial: o lançamento do terceiro livro (tão esperado) da composição literária iniciada com Contos da Mata dos Medos (Lisboa Assírio & Alvim, 2003), o que nos garante que há «Um Problema Muito Enorme», lá para os lados de Almada. Informei já muitas pessoas de diferentes faixas etárias e a resposta foi unânime, convertendo-se num tom de alegria que ficou pelo ar. As solicitações vieram de seguida, e o tempo de espera, julgo, será cronometrado ao minuto.
Eu compreendo! Estamos perante mais um conto de Álvaro Magalhães que permite promover o prazer da leitura numa atitude literácita, e, simultaneamente, de volta às ilustrações de Cristina Valadas, onde o toque pincelado regista as grandes imagens e metáforas da essência do ser.
«‒ Um Problema muito enorme?», questionar-se-ia o leitor menos atento ou desconhecedor da obra deste mestre «brincador» (Magalhães, 2005), que ama brincar com as palavras, “limpando-as e acariciando-as”; ou ainda imaginar, construindo jogos linguísticos e cómicos ‒ de linguagem, de situação e de carácter ‒ que confirmam a diferenciação das suas histórias.
O título confirma, por si só, a presença desses jogos, bem como a dimensão lúdico-estilística, de grande valor literário, que tem sido ponto assente na construção textual do autor. Anunciada uma outra história vivida na Mata dos Medos, acresce validar a riqueza dos diálogos, estupendos na sua forma de acontecer, e aos quais se prendem, para além dos acontecimentos do quotidiano dos protagonistas, um assunto a resolver. Não fosse ele um problema muito enorme!
Ler Álvaro Magalhães é, sem dúvida, comprometer-se com um momento de grande fruição, onde nos vemos impelidos para a participação, num acto feliz de aprendizagem e de entretenimento. É, igualmente, manter um pacto de ficcionalidade com o autor e permitir que os momentos de estranhamento, como por exemplo, as denominadas perturbações da linguagem e do discurso, sejam sobretudo mais-valias para o nosso enriquecimento pessoal.
Se conhecem os espantosos animais da Mata dos Medos sabem o quanto ficou mais rico o acervo literário português (relativo à literatura de potencial recepção infanto-juvenil) com este terceiro episódio dos animais que vivem nesta mata. Caso ainda não se tenham deparado com eles, então, venham conhecê-los. Garanto, tomando a voz de muitos leitores, que nunca mais se afastaram deles!

Até breve,

Gisela Silva.

25 novembro, 2008

A Fada das Crianças - Fernando Pessoa - Ciclo das Fadas IX


A FADA DAS CRIANÇAS
Do seu longínquo reino cor-de-rosa,
Voando pela noite silenciosa,
A fada das crianças vem, luzindo.
Papoulas a coroam, e, cobrindo
Seu corpo todo, a tornam misteriosa.
À criança que dorme chega leve,
E, pondo-lhe na fronte a mão de neve,
Os seus cabelos de ouro acaricia –
E sonhos lindos, como ninguém teve,
A sentir a criança principia.
E todos os brinquedos se transformam
Em coisas vivas, e um cortejo formam:
Cavalos e soldados e bonecas,
Ursos e pretos, que vêm, vão e tornam,
E palhaços que tocam em rabecas…
E há figuras pequenas e engraçadas
Que brincam e dão saltos e passadas…
Mas vem o dia, e, leve e graciosa,
Pé ante pé, volta a melhor das fadas
Ao seu longínquo reino cor-de-rosa.
Fernando Pessoa

20 novembro, 2008

A Grande Aventura de Beck - Ciclo das Fadas VIII

"Somos feitos da mesma matéria que os nossos sonhos" disse Shakespeare. Esta frase do grande escritor inglês veio-me à memória quando li "A grande Aventura de Beck", da colecção Fadas, da Disney. De facto, só dentro dos nossos sonhos conseguimos imaginar seres que se movem com a força do pensamento, que voam com o poder do pó mágico ou que entendem a linguagem dos animais. Mas estes sonhos, no dizer de Shakespeare, materializam-se naquilo que nós somos e naquilo que conseguimos fazer, falar e ser. Quer dizer, se sonhas com fadas podes ser ou tornar-te uma delas?!...ou considerando de outra forma: "You cannot have a concept of fantasy without a concept of reality" (Gamble &Yates, 2008:118) porque uma boa história de fadas, no sentido geral do termo, está profundamente enraizada nas experiências , ideias e ideais humanos. A história deste livro, A Grande Aventura de Beck, posiciona-se neste quadro conceptual: a fantasia ou o não racional feito gnomos, de animais que falam e de fadas ocorre no mundo racional onde existem plantas, animais, casas e seres humanos.
Beck, a fada deste livro, é um ser corajoso " ...quer da vida mais alguma coisa do que andar às voltinhas no Vale das Fadas". " Queremos mais do que qualquer outra fada. Queremos voar mais depressa." Mas tal como no mundo real "...os céus estão cheios de falcões, de ventos contrários e de granizo...e por vezes temos de utilizar diferentes truques para sobrevivermos", diz Beck e as suas amigas.
Ao contrário de muitos contos de fadas, onde a floresta joga um papel simbólico muito importante, como por exemplo uma manifestação de ansiedade, ou um ritual de passagem da adolescência para a idade adulta, aqui a acção passa-se no céu azul onde se cruzam pássaros de todos os tamanhos e cores. É para este local de confronto simbolico entre o bem e o mal que Beck quer ir, à procura de terras distantes onde se podem ver ondas às cores e areias que falam. Para o conseguir constrói umas asas gigantes, à maneira de Ícaro e tal como ele caiu, mas desta feita amparada por pássaros protectores que ao contrário de Dédalo conseguiram salvar Beck de uma morte certa.Mas Beck necessitava de "...mais alguma coisa do que a habilidade de voar mais alto e mais depressa. Precisava do seu próprio dom." Precisava que " ... o seu pensamento entrasse em comunicação com o do pássaro guia..."

10 novembro, 2008

Lília e a Planta Misteriosa - Ciclo das Fadas VII


As fadas são de uma maneira geral seres da natureza ou pelo menos inspirados por ela: dominam o ar, a terra, o fogo e a água e com eles fazem o mundo ficar um lugar mais bonito de convivência física e espiritual.
Os elementos que compõem esta nossa terra (sol, terra, fogo e ar) dão-lhes, muitas vezes os atributos com que desenvolvem os contactos com os seres humanos: umas são as fadas que acalmam tempestades do mar, outras apaziguam o vento das montanhas, algumas apagam o fogo das florestas e ainda outras cultivam as flores dos nossos jardins reais ou imaginários, cheios de papoilas, roseiras e trevos perfumados.
A Fada Lília, da nossa história, tinha precisamente este último atributo: ela era a fada que cuidava dos jardins. Era por assim dizer uma fada arquitecta paisagista que se preocupava com a beleza da paisagem, da sua configuração espacial e estética, dos seus valores culturais e biofísicos.(Ribeiro Teles, 2008)
Ela amava as plantas e as flores com todo o seu coração e o seu passatempo predilecto era"deitar-se no cimo do musgo macio, ver a erva crescer"... " pois tinha a certeza de que as folhinhas de erva cresciam mais depressa quando sabiam que ela estava a olhar para elas."
Certo dia, num passeio pela floresta, ("convirá dizer que as fadas nunca passeiam sozinhas na floresta por causa das cobras, das corujas e dos falcões") Lília encontra uma semente desconhecida que, depois de plantada, resultou numa planta feia, malcheirosa e esquisita.
Terá Lídia de arrancar para sempre a planta desconhecida por quem, apesar de tudo,nutre uma ternura especial ? Conseguirá ela impôr-se ao resto da comunidade do Plátano, onde vivem centenas de fadas?
Bom, isso é o que terão que descobrir juntamente com a Rainha Pomba, " o ser mais mágico de todos" que empoleirada no seu Ovo garante a juventude eterna a quem viver sob a sua influência, lá na segunda estrela à direita, da Via Láctea?....

A Festa dos Pastores na Fundação Cupertino de Miranda





Recebi o convite e fiquei mais uma vez emocionada.


Quem não estava já com saudades de mais uma nova história da nossa querida escritora Rosário Alçada Araújo (a nossa Rosarinho, como lhe chamamos cá por cima)?
Pois bem, ela vai estar de novo por terras do norte e é já no próximo sábado, às 16.30h.

Sei que o livro vai surpreender-nos. A razão? É bem simples, a Rosário só sabe maravilhar com palavras soltas, onde a brisa do encanto parece soprar, leve, entre as páginas viradas.

O lançamento, nas palavras do nosso também querido Manuel António Pina, assegura a importância do momento . Quanto às ilustrações, parece-me que só um contacto ao vivo poderá atestar a veracidade deste conjunto, onde escritora e ilustradora brincam de fazer sonhar.


Sejam muito bem-vindas e até sábado.



Isto agora é mais uma confissãozita das minhas.

A autora é uma doçura, um encanto de pessoa, sem aquelas vaidades tontas, nem afirmações protocolares que nos fazem sentir, às vezes, meios fora do contexto. Não é por acaso que dos seus livros escapa tanto zelo no saber amar as coisas mais triviais.


Conheci a escritora, numa aula do nosso mestrado em Literatura Infantil e Estudos da Criança. Foi num sábado de manhã. Virei, num momento qualquer, uma página (já nem sei de quê) e a colega, bem simpática por sinal, entregou-me a folha que tinha caído e pergntou-me se eu gostava da autora. Respondi-lhe que sim, caso contrário não escreveria nada sobre ela, pois o meu objectivo era (e sempre será) o de divulgar livros para crianças e jovens, a meu ver, bons.


Ela sorriu, não com vaidade, mas emoção e disse-me:"- Obrigada. Também gosto dela!" E riu, com um riso saudável. De repente olhei para ela e rimo-nos as duas. Tinhamos descoberto, assim, numa aula (que confesso estava a ser um pouco morosa) quem éramos. Foi um momeno maravilhoso, e a amizade nunca mais deixou de estar em cada um dos nossos gestos.


Querida amiga, que tanto me dás para sonhar por essas escolas fora, desculpa-me a falta de tempo por não ter ainda dito nada sobre o teu, agora, penúltimo livro e que eu, especialmente, adoro: A Caixa da Saudade. Tive o privilegio de lê-lo ainda em estado de prova. Lembro-me perfeitamente de ter dito: "Ai, que lindo! Lembraste?". Bem, julgo que a recensão já de pouco valerá. O livro fez-se por si só, porque saiu das mãos de uma muito boa sonhadora/imaginadora.





06 novembro, 2008

Um Simples Olá


Olá a todos.
Sei que ando um pouco arredia, mas o tempo faz-se pouco e o trabalho, bem esse é em demasia.
Digo-vos "Olá" e não "Boa noite" por uma razão muito simples. Há uns tempos, ao ler uma crónica bem simpática que tecia louvores merecidos a uma tão breve e simples palavra, não pude deixar de sorrir.
Nada eloquente, afastada de qualquer pretensiosismo linguístico, de um absoluto uso corrente, OLÁ era pois a palavra de referência. Entendida num trato amigável, traduzindo a joviabilidade de quem quer simplesmente dizer: «Olá, como estás?», ou ainda: «Olá, cheguei!», tenho-a usado com frequência, desde esse dia.
No passado sábado, depois de chegar de mais uma das minhas idas a uma escola do 1º ciclo (onde a usei imenso), cheguei a casa, desejosa por dizê-la outra vez com a alegria de quem chega a casa satisfeita.
Estranhei de imediato a ausência da minha gata Eva, habituada a um mimo especial quando alguém acaba de chegar. Fui ao jardim e não vi o meu cão, que é uma autêntica doçura e pensei: Bem, o Trengo (que é o meu cão) está na casota dele, abrigado e a roer o seu osso predilecto (daqueles que se compram em qualquer hiper e que nunca mais acabam); a Eva, essa, deve estar no escritório com a S. a dormir numa qualquer gaveta ou caixa e a ouvir, atenta, os resumos de Filosofia.
Dirigi-me ao andar de cima, enquanto retirava, pelo caminho, todos os objectos que me pesavam na mala, mas que me tinham sido úteis nesse dia tão importane. Ouvi barulho no meu escritório e fiquei à espreita. Não pude acreditar no que eu estava a ver. Ainda dizem que os animais pressentem a nossa presença. Tive um curto tempo para ajeitar a máquina e ouviu-se um clic que elevou um grande OLÁ Gi!!
Como este blogue é uma parte importante do que faço, leio e escrevo por aqui, deixo-vos um dos segredos do que se passa em minha casa, quando não estou. Às vezes também eu leio para a minha gata que é uma fiel ouvinte de Todos os Rapazes são Gatos, do A. Magalhães. Desta vez, acredito que ambos estavam a pensar no quanto os homens são estranhos no seu modo de ser e referencio esta tão magnífica obra: Perguntem aos vossos gatos e aos vossos cães. Ainda hoje ando em conversa com eles e a pensar, claro.
Deixo ainda um grande OLÁ ao Sr. Manuel António Pina e a todos os que amam os livros.

24 outubro, 2008

A Biblioteca Escolar: promoção da leitura e da literacia

A fruição do texto literário, pelo simples prazer de ler (Proust, 1998: 21), e/ou a consulta de obras de referência, por estudantes, investigadores e curiosos (Eco, 2002: 31), com o intuito de aumentarem os seus conhecimentos, nas mais diversas áreas, remetem os leitores para a biblioteca.
Este espaço foi, até meados do século XX, um repositório de livros, unicamente, em suporte papel, apelidando Jorge Luis Borges, de um modo afectivo, A Biblioteca de Babel.
Na década de 50 e 60, do século passado, o Mundo assistiu à corrida desenfreada dos EUA e da ex-URSS, pela conquista do espaço (Martins, 2007: 7), o que originou um rápido desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação, surgindo, entre outros, o computador, o videogravador, a cassete vídeo, a cassete áudio, que, no início, tinha um uso militar e científico restrito, após o qual houve uma democratização, a que a sociedade civil teve acesso.
Do ponto de vista pedagógico, a escola viu uma oportunidade de usar esses recursos, pois eram mais aliciantes, potenciando a utilização da imagem e do som, em contexto educativo. Foi o que sucedeu em Portugal quando foi criado, em 1964, o Instituto de Meios Audiovisuais de Ensino, e da Telescola (Carvalho, 2008: 803), que visavam “a elevação cultural da população”.
No que concerne à biblioteca, a informação podia ser guardada em novos suportes (cassete vídeo e áudio), evoluindo, actualmente para o DVD, CD áudio, CD-Rom, assim como o uso da Internet e das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC).
Estavam lançadas as bases de um novo conceito de biblioteca, um centro de recursos multimédia de livre acesso, destinado à consulta e produção de documentos em diferentes suportes.
Com origem nos Estados Unidos da América, nos anos 60, este modelo disseminou-se por países europeus como a Inglaterra, Bélgica e França que o implementaram nas escolas, tendo chegado ao nosso país na década de 80 com os Centros de Apoio Pedagógico (CAP) e o Programa Interministerial de Promoção do Sucesso Educativo (PIPSE).
Deste modo, a leitura múltipla que a sociedade da informação privilegia, reflecte, também, a leitura do mundo (Gonnet, 2007: 37), promovendo uma pedagogia da integração dos saberes.
Em Portugal, na década de 90, o conceito de Biblioteca Escolar evolui para o de Biblioteca Escolar/Centro de Recursos Educativos (BE/CRE), com o apoio da Rede de Bibliotecas Escolares, desde 1997, assistindo à implementação destes espaços ecléticos nas escolas do ensino básico e secundário, de modo que a comunidade educativa, em particular os alunos, tenham acesso à literatura e à pesquisa de informação.
Neste contexto, fomenta-se a animação e promoção da leitura de potencial recepção infanto-juvenil, através da instituição de Clubes de Leitura, junto dos alunos, utilizando blogs, para divulgação de material escrito e plástico e de opiniões sobre literatura, organizando feiras do livro, exposições, concursos literários, convidando escritores, como forma de dinamizar a BE/CRE.
O objectivo derradeiro é criar hábitos leitores nos jovens, fazendo da leitura um acto de prazer gratuito, onde o contacto estético com diversos textos e géneros literários os conduza ao sonho, à imaginação (Steiner, 2007: 46), promovendo a criatividade nas suas práticas educativas, a competência literária e a literacia.



Referências bibliográficas:

ECO, Umberto (2002). A biblioteca. Lisboa: Difel.

GONNET, Jacques (2007). Educação para os Media. As controvérsias fecundas. Porto: Porto Editora.

MARTINS, Jorge (2007). Bibliotecas Escolares/ Centros de Recursos Educativos: cânones e promoção da competência literária. Braga: Universidade do Minho.

PROUST, Marcel (2008). Sobre a leitura. Lisboa: Vega.

CARVALHO, Rómulo de (2008). História do ensino em Portugal. Desde a fundação da nacionalidade até ao fim do regime de Salazar-Caetano. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.

STEINER, George (2007). O silêncio dos livros. Lisboa: Gradiva.