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25 abril, 2008

O Ciclo das Fadas (1) - As Fadas Verdes

Para iniciar o ciclo das fadas, trazemos aqui um livro de Matilde Rosa Araújo: As Fadas Verdes.Mas antes, não podemos deixar de referir e lembrar Albert Einstein,quando nos ensinou que: "If you want your children to be intelligent, read them fairy tales. If you want them to be more intelligent, read them more fairy tales." De facto, inúmeros escritores, poetas, cientistas, psicólogos e pedagogos têm referido a importância do Imaginário na vida dos seres humanos pois a sua ausência amarra as imagens no tempo e no espaço e consequentemente aprisiona o sentido e os sentidos da vida.Pelo Imaginário, descobrimos a verdade. Não aquela que vem de fora para dentro, mas como dizia Poirot, esse detective extraordinário inventado por Agatha Christie, "...a descoberta da verdade tem de vir de dentro para fora e nunca de fora para dentro." (Christie, 1824)

Alguns já nascem com uma capacidade exponencial de construir imaginários, e daí resultam personalidades marcantes na vida artística , literária ou científica. Todos nos lembramos de Leonardo D'Avinci e dos seus desenhos visionários e futuristas, de Shakespeare e da sua capacidade de teatralizar com refinada sofisticação a natureza humana, de J.R.R. Tolkian e da sua criação de mundos ou universos alternativos e de Fernando Pessoa e da sua multifacetada criação de outras vidas imaginárias, através dos heterónimos. Tanto eles como outros, com a sua percepção crítica e arguta da realidade, catapultaram a mesma, para os patamares mais altos da actividade humana que é a Imaginação criadora Artística.

As fadas, esses seres que povoam o nosso imaginário colectivo, permitem-nos também, com a sua simplicidade, chegar a esse supremo nível de aprendizagem artística que é o " Olhar para lá das aparências, e dar o salto para o lado de lá ... para chegar à raiz ... para onde se joga a poesia ou o novo sentido das coisas". (Meneres, 2003).Elas garantem-nos, em última instância, que há maneiras diferentes de ver o mundo, formas inovadoras de sentir o aqui e o agora, como contemporâneos uns dos outros, sentindo que as dificuldades podem ser vencidas, as florestas atravessadas e os caminhos de espinhos cortados.

As fadas pacificam-nos, instigam-nos a olhar para a natureza, para o verde das plantas, das árvores, das folhas e que por serem dessa cor verde, matizada de vários tons, misteriosamente ressoam a refúgio de esperança, nesta nossa existência, que se diz a curto prazo e para a qual não sabemos "... what tomorrow will bring... " .(Pessoa, 1935)

Esperamos, com a leitura das Fadas Verdes e ao iniciar este Ciclo das Fadas, saborear a sua magia ao alcance do pensamento e também "... divined the potency of the words, and the wonder of things, such as stone, and wood, and iron; tree and grass; house and fire; bread and wine." (Tolkian, 1939)

13 abril, 2008

Mozart, o menino mágico


Autor: José Jorge Letria
Ilustrador: Gabriela Sotto Mayor
Ano: 2006
Editora: Ambar
ISBN: 972-43-1102-3



Associo à leitura desta narrativa o poema “O essencial está na música” do mesmo autor, pois a correlação intertextual que se estabelece é íntima no conteúdo e no poder metafórico da linguagem que neles se patenteia, revelando um poeta/narrador conhecedor profundo do “horizonte da música ( 2006:12) e com uma sensibilidade rara à “matéria cantante de que é feita” (2003:397), matéria que se evoca e regista na ficcionalização biográfica de “Mozart, o menino mágico”.
Enunciaria, ainda, a subtileza com que esta narrativa define o destinatário preferencial que, longe de o perspectivar sob um prisma de reduzida competência hermenêutica, dá-lhe mecanismos para decompor a polissemia de alguns termos que são apresentados no espaço cénico da casa, ou seja, o lugar do devaneio (Bachelard, 2003), que a leitura desta obra poderá realizar.
Com efeito, uma “janela” voltada para a “rua” anuncia a “lonjura dos caminhos” (2006:14), que demarcará o percurso predestinado e ascensional de “Amadeu”, menino detentor de uma existência bipolarizada entre o prodigioso e precoce domínio “da música que nasce, irrequieta, dos seus dedos” (2006:14) e um desenvolvimento psico-emocional que o inclui ao longo de todo o acto narrativo na permanência na infância. O facto de ser “sempre menino” (2006:18) confere-lhe um sentido Divino associado à mitologia poética, que observa a infância como uma idade sagrada, miraculosa e sublime, potente e misteriosa, pois encerra o segredo de uma capacidade que o faz “mestre”, instintivamente apaixonado pela música que “abraça o corpo esquivo da palavra” (2003) e é “balanço subtil da alma dentro do texto” (2003).
Ele corporiza um plano imanente que se vai revelando na afirmação das forças que movem a encarnação individual e as directrizes mítico-simbólicas que se lhe associam, configurando-o como um guia imbuído de qualidades superiores, capaz de edificar o cosmos onde se integra: “ele é o único habitante capaz de pôr ordem nesse universo, de lhe dar harmonia, sentido e voz” (2006:30).
Mozart simboliza o “si-mesmo” da harmonia psíquica pois, tal como os deuses criadores do mundo, é capaz de reunir os opostos com total autonomia e liberdade. Concretiza a vivência infantil no acto de tocar, desvinculando-se dos objectos tradicionalmente usados na infância, reactualiza a sua condição de criança ocupante de um mundo adulto, não deixando, porém, de exercer, através da mimese, a ligação a esse mundo: “às vezes, lembra-se que ainda é menino e em vez de música deixa uma pirueta, uma careta na lembrança dos cardeais e duques” (2006.18).
Perante este deambular interior por universos distintos, só no onírico é que concretiza a percepção do real, observando que o triunfo “é um tapete de espantos e vénias que se desenrola a seus pés” (2006:22), porque o milagre da criação não lhe deixa tempo senão para compor “sempre, com uma pressa só igual à de quem corre contra o tempo” (2006:29). Sem dúvida que a vida plena e exaltante encontra no limite temporal a grande barreira que “lhe magoa o peito” (2006:37), porque uma “vida inteira (…) seria breve para toda a música que tem dentro da sua cabeça” (2006:37).
Ambos os textos assinalam a “dimensão trágica do Requiem” (2003) e nos dois há um “pássaro”, símbolo dos ambientes sombrios, nictomorfos, acolhedores do sofrimento e da resistência à Morte. Desta forma, Mozart, a “eterna criança” prepara a sua desencarnação da matéria e a ascensão ao lugar da perenidade da memória. Aqui, e no registo deixado na construção ficcional desta biografia, encontrará o território onde, por excelência, a redenção se efectiva e que, tal como a música, “ninguém a verá cativa/de um ofício de escrita que a ignore” (2003).
Teresa Macedo
Bibliografia:
Bachelard, Gaston (2003 [1ª Ed. 1989]). A poética do espaço. S. Paulo. Martins Fontes.
Letria, José Jorge (2003). O Livro branco da melancolia in O Fantasma da Obra II. Lisboa. Hugin, 397-398.

03 abril, 2008

Colóquio Internacional Educação, Imaginário e Literatura

Braga, 10 de Maio de 2008
Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva

Programa Provisório
10 de Maio Sábado

9h00 – Abertura
9h15 – Paolo Monttana (Universidade de Milão, Itália)
La pedagogia immaginale
10h00 – Pausa para café
10h30 – Painel: Literatura, Cosmovisões Simbólicas e Educacionais
Fátima Lambert e Cátia Assunção (Escola Superior de Educação do Porto)
Diferencialidades identitárias e culturais - Álvaro Lapa & José de Guimarães
Alberto Filipe Araújo e Lígia Rocha (IEP / Universidade do Minho)
O tema do Labirinto na obra de Lima de Freitas
Joaquim Machado de Araújo (IEC / Universidade do Minho)
Utopia, amizade e bem-estar
Orlando Grossegesse (ILCH / Universidade do Minho)
Levana (1805). As dimensões pedagógicas de “Jean Paul”
12h00 – Pausa para almoço livre
14h30 – Painel: Literatura Infanto-Juvenil e Imaginário
Fernando Azevedo (IEC / Universidade do Minho)
Voz e poder na literatura infantil
José Cândido Martins (Universidade Católica Portuguesa)
Imaginário e literatura: representações diabólicas da mulher
Gisela Silva e Teresa Martins (IEC / Universidade do Minho)
O Tema do Herói na Literatura Infanto-Juvenil: o redentor, mito ou realidade?
15h30 – Pausa para café
16h00 - Gonçalo Villas-Boas (Faculdade de Letras / Universidade do Porto)
Quando eu regressar, ela já não estará lá. A história de uma obsessão: a novela lírica de Annemarie Schwarzenbach
17h00 - Encerramento


Organização:
Centro de Investigação em Promoção da Literacia e Bem-Estar da Criança (LIBEC / Universidade do Minho)
Centro de Investigação em Educação (CIED / Universidade do Minho)
Departamento de Ciências Integradas e Língua Materna / Instituto de Estudos da Criança
Departamento de Pedagogia / Instituto de Educação e Psicologia
Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva

A entrada é livre, dando direito a um certificado de participação.