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28 março, 2007

Formar Leitores: Das Teorias às Práticas


Decorre no próximo dia 23 de Abril - Dia Mundial do Livro - o lançamento e apresentação da obra Formar leitores: Das Teorias às Práticas, no Fórum FNAC Chiado, em Lisboa, pelas 19h.

Os diversos capítulos que compõem esta obra falam-nos dos lugares considerados importantes para a formação de leitores e dos gestos para que o prazer pela fruição efectiva dos chamados bosques da ficção possa ser afectivamente vivenciado por todos.

Com base num referencial teórico explícito e devidamente fundamentado na investigação, são analisadas e propostas práticas consideradas significativas para a constituição de um projecto pessoal de leitura em contextos diversificados: desde o jardim-de-infância à sala de aula, passando pela biblioteca, mas também por outros lugares considerados relevantes para a formação, constituição e consolidação de comunidades leitoras.

Nesta perspectiva, esta obra vem responder às preocupações e aos desafios que o Plano Nacional de Leitura coloca às instituições responsáveis pela formação de profissionais: formar leitores voluntários, leitores competentes, leitores reflexivos e críticos, que não apenas lêem em quantidade, mas, principalmente, em qualidade e que, assumindo-se como tal, activamente se encontram comprometidos com o desenvolvimento do grau de literacia de todos os cidadãos.
A entrada é livre e são todos bem-vindos!
Índice

Prefácio
Teresa Calçada, Vice Comissária do Plano Nacional de Leitura

Nota de Abertura
Fernando Azevedo, Universidade do Minho

Formas de Ler. Ontem e Hoje
Maria da Graça Sardinha, Universidade da Beira Interior

A Compreensão na Leitura: Investigação, Avaliação e Boas Práticas
Luísa Araújo, Instituto Superior de Educação e Ciências

Literacia Emergente: de uma Infância com Livros a Adultos que Lêem
Paulo Fernandes, Universidade do Minho

A importância do Ensino Básico na criação de Hábitos de Leitura: O Papel da Escola
Virgínia Coutinho e Fernando Azevedo, Universidade do Minho

O Texto Literário na Escola: uma outra abordagem – Círculos de Leitura
Otília da Costa e Sousa, Escola Superior de Educação de Lisboa

Formar Leitores Críticos, Competentes, Reflexivos: o Programa de Leitura Fundamentado na Literatura
Verónica Pontes e Lúcia Barros, Universidade do Minho

Leitores de hoje: uma visita guiada pela Literatura Infantil
Carminda Lomba e Rita Simões, Universidade do Minho

O Imaginário na Literatura Infanto-Juvenil: O Lúdico e o Pedagógico em Contexto de Sala de Aula (Tomadas de Consciência)
Gisela Silva, Universidade do Minho

Da Leitura à Escrita na Sala de Aula – um percurso palmilhado com a Literatura Infantil
Ângela Balça, Universidade de Évora

Construir e Consolidar Comunidades Leitoras em Contextos Não Escolares
Fernando Azevedo, Universidade do Minho

A Promoção da Leitura nas Bibliotecas Municipais de A Corunha
Cristina Ameijeiras Sáinz, Fundação Gérman Sánchez Ruiperez

A Promoção da Leitura em Público e da Discussão Pública. O promissor caso da Biblioteca Pública de Évora
Cláudia Sousa Pereira, Universidade de Évora

23 março, 2007

"A Maior Flor do Mundo"



Segundo o narrador, que parece ser omnisciente, o enredo da história foca-se na aventura do “menino herói”, que sai da aldeia, chega a Marte, atravessa o mundo muitas vezes e acaba por encontrar uma flor. Percorre o mundo em busca de um rio para saciar a “sede” da flor, “foi vinte vezes cá e lá” e fez “cem mil viagens à lua” até que salva a sequiosa flor e transforma-se em herói, fizera algo ‘‘muito maior que o seu tamanho e do que todos os tamanhos’’.

Esta obra, assinada por José Saramago, é a sua primeira publicação de uma história para crianças, que se concretiza numa breve mas interessante narrativa. Enquadra-se no género infanto-juvenil e pode até ser considerado um álbum ilustrado. Porém, esta aparente simples história, acarreta algumas técnicas narrativas complexas, como é o caso da articulação entre dois níveis narrativos distintos, através da técnica do encaixe. De notar que estes níveis narrativos distintos ultrapassam o domínio estritamente linguístico e literário e acabam por se estender ate à ilustração do próprio texto.

São estes os dois níveis diegéticos, o do narrador, que engloba as suas reflexões, os seus comentários, as suas “notas de rodapé”, os seus sucessivos pedidos de desculpa pela sua inexperiência em contos infantis e os seus apelos e investidas à criatividade do leitor; e o da narrativa que intitula o livro e que vai narrando a história de um menino e as suas aventuras para salvar uma flor.

No que diz respeito à ilustração da história, por João Caetano, é importante referir que as imagens que acompanham a história ajudam a fixar elementos dos dois níveis narrativos, referidos anteriormente, as ilustrações aproximam o narrador ao autor e identificam-nos do ponto de vista físico. Ao longo da obra são várias as ilustrações que nos remetem para o próprio Saramago, e acabam, por isso mesmo, numa leitura/interpretação possível para este texto. Essas ilustrações apesar de simples, apresentam grande significado para a compreensão da obra, completam a aparente simplicidade da diegese, através do recurso a uma técnica plástica mista, que abarca a pintura e a colagem. O próprio João Caetano reconhece que o seu objectivo é completar o texto e não parafraseá-lo ao afirmar que “espero não fazer com que as imagens digam aquilo que o texto já diz. Procuro dar algo mais” (Pimenta, 2002: 66).

Por sua vez, o título, torna-se num elemento de grande importância, que remete os leitores para a criação de um horizonte de expectativas infindável e maravilhoso, o titulo “A maior flor do mundo” coloca o texto sob uma certa informalidade e simplicidade, na medida em que apesar de sugerir a grandeza de um certo ser, apresenta-se grafado em letras minúsculas e refere-se a uma entidade bastante comum e conhecida.

Está presente na obra, uma Preocupação pedagógico-didáctica com as dificuldades que os leitores mais pequenos possam vir a sentir face ao vocabulário usado no seu conto, acabando por alertar: “agora vão começar a aparecer algumas palavras difíceis, mas, quem não souber, deve ir ver ao dicionário ou perguntar ao professor”. Esta obra valoriza também, a mediação das obras literárias por adultos, para uma melhor compreensão por parte do leitor infantil, que quando tem duvidas deve solicitar a ajuda dos professores ou de outro adulto.

São várias as notas, quase paratextuais, que concorrem para o facto da história surgir frequentemente entrecortada ou permeada por segmentos textuais próximos das notas ou de reflexões acerca daquilo que é ou não é paradigmático no mundo dos livros infantis e dos leitores mais novos. Veja-se assim, implícita a definição do conceito de Literatura Infantil, que sem deixar de ser literatura exige capacidades específicas ao seu criador. A aparição de reflexões sobre a construção de textos literários para crianças, permitem produzir efeitos benéficos no leitor, como o desenvolvimento do espírito critico, da atenção e aquisição de técnicas para uma melhor construção e interpretação de um texto icónico, e tornar assim mais agradável a leitura aos leitores infantis.

O texto ao apresentar-nos a história de um menino herói, destemido e altruísta, com vontade de ajudar e sem medo de arriscar, demonstra-nos também alguns valores humanos, que muitas vezes só encontramos nos livros, mas que devíamos encontrar todos os dias em cada pessoa por quem passamos.

Referências bibliográficas
Saramago, José (2001) A maior flor do mundo, Lisboa: Caminho
ISBN:
972-21.1437-9.

19 março, 2007

Recensão crítica


“Os três presentes” de Álvaro Magalhães


A obra “Os três presentes” de Álvaro Magalhães é uma comovente narrativa, na medida em que nos é contada uma verdadeira história de amizade entre três crianças e um senhor já de idade, o senhor Martins.
Os três presentes, pela sua capa com cores bastante claras, subtis e com a imagem, transmitindo a alegria e o sonho da juventude, convida desde logo à sua leitura. Por seu lado, o título desta obra é algo que poderá atrair e abrir um mundo desconhecido, pois este parece que não coincide com a imagem que ilustra a capa, despertando assim a curiosidade do leitor. Este poderá levantar determinadas questões, como por exemplo: “Quais serão estes presentes?”, “ Qual o motivo para o número de presentes ser três?”, “ Para quem serão os presentes?”. Estas e muitas outras perguntas poderão ser levantadas pela leitura do título da obra, o que, seguramente, levará o leitor à descoberta das respostas que mesmo suscitou. O leitor irá, então, preencher os espaços em branco que o título do livro lhe “propôs”, sendo que a partir daqui entrará em contacto com o texto, havendo uma interacção com o mesmo, criando um mundo imaginário no qual quer participar.
Mesmo a imagem que a capa do livro contém poderá atrair o interesse do leitor, na medida em que esta transmite uma sensação de ternura e felicidade.
“Os três presentes” é um conto camuflado de Natal, onde é narrado a história de amizade entre três amigos, que no dia de Natal resolvem dar um presente muito especial (amor, alegria e silêncio colocados dentro de três frascos de vidro) a um pobre senhor que já tinha desistido de viver. Deste modo, poder-se-á estabelecer uma relação de natureza intertextual com a história dos três Reis Magos que no dia de Natal ofereceram ao menino Jesus três presentes: ouro, incenso e mirra. Tal como os três Reis Magos que viajaram durante dias, seguindo a estrela guia, oferecendo presentes ao menino Jesus: ouro, incenso e mirra, estas três crianças ofereceram, igualmente, três presentes ao seu amigo que estava a deixar-se levar pela solidão e pela doença. Nesta obra verifica-se um diálogo, um intercâmbio discursivo com a história dos Três Reis Magos, pois tal como estes, os três amigos levaram ao senhor Martins três valiosos presentes que lhe permitiu o renascimento para a vida, no dia “mais diferente de todos os dias diferentes. Era o dia de Natal.” (Magalhães, 2003:34).
Esta obra deixa transparecer nas suas entrelinhas vários valores que são experimentados e vividos pelas personagens da história, o João, a Teresa, o Pedro, o senhor Martins e o senhor Afonso. A amizade é o valor que mais sobressai quando se entra no mundo destas cinco personagens. A verdadeira amizade entre três amigos que ao verem o senhor Martins desiludido com a vida, desistindo de lutar, decidem fazer alguma coisa para não deixar que o seu velho amigo abdique de viver e de apreciar a verdadeira beleza da vida.
A magia e o sonho também fazem parte desta história, pois à medida que lemos o livro vamos entrando no mundo de sonho e fantasia de três crianças que pretendiam colocar dentro de três garrafas, amor, silêncio e alegria para oferecer ao seu amigo. Estas três crianças colocaram dentro de três garrafas estes três presentes, mas como é que isto pode ser possível? De facto, para o leitor compreender o texto no seu verdadeiro sentido, terá que interagir com ele, entrar no jogo e criar um pacto ficcional, fazendo, assim, gerar os efeitos perlocutivos. Somente criando e aceitando este mundo imaginário no qual tem que participar, o leitor irá compreender como é possível colocar dentro de três simples garrafas algo que não é palpável, ou seja, amor, alegria e silêncio.
Ao longo da obra o leitor terá que entrar no jogo e no desafio interpretativo, promovendo, assim, os efeitos perlocutivos, aumentando o grau de perceptibilidade dos objectos e proporcionando uma visão cuidada dos objectos em si. O leitor encontra-se, frequentemente, perante marcas de estranhamento quando se depara com expressões que “exigem” que interprete e interaja com o texto, como por exemplo: “Nessa noite adormeceram com os olhos abertos e tiveram sonhos de todas as cores”. (idem, ibidem, p:10).
Toda a obra está repleta de múltiplas significações, de significados plurais que são construídos no âmbito de uma cooperação interpretativa que envolve o próprio leitor e o texto em si.
“Os três presentes” é bastante rico em ambiguidade, plurissignificação ou conotação, sendo que muitas das suas palavras apresentam vários sentidos figurados.
Durante a leitura desta obra verifica-se a existência de vários convites para o preenchimento dos “espaços em branco”, dos “elementos não-ditos”. Este texto é bastante rico em “espaços em branco”, solicitando assim uma cooperação activa e empenhada por parte dos seus leitores. Esta obra dá ao leitor um espaço de liberdade para o preenchimento destes “espaços em branco”, dos “elementos não-ditos”. Ao longo da leitura desta comovente história de amizade o leitor é convidado, frequentemente, pelo texto para uma interpretação livre e pessoal dos seus vários elementos. Os três amigos decidiram colocar amor, silêncio e alegria dentro de três frascos de vidro, sendo a imagem que representa estas três garrafas a verdadeira alma do livro. Os presentes que os amigos decidiram oferecer ao amigo doente foram presentes completamente diferentes de todos que o leitor está habituado a ver, principalmente o leitor/criança, provocando este facto admiração e estranheza. O leitor terá que pactuar e aceitar este mundo maravilhoso criado pelo texto, não poderá contestar e duvidar que o amor, o silêncio e a alegria couberam dentro de três simples garrafas, desenvolvendo assim os efeitos perlocutivos.


Grupo do 3. º ano de Ensino Básico - 1.º Ciclo:

Lia Ferreira

Marta Abreu

Patrícia Silva




16 março, 2007

Bem vindos ao nosso blog!

Estão convidados a participar activamente na partilha de leituras e experiências no âmbito da literatura infanto-juvenil!
Esperamos contribuições vivas e pertinentes!

10 março, 2007

Porquê o Jornal? (escolar)
Porque é que mesmo hoje, com a concorrência da rádio, da televisão e das TICs, tantos homens e mulheres continuam presos à leitura do seu jornal? Porquê na grande maioria das escolas proliferam jornais escolares, boletins culturais, flyers etc?
Como diz Thibaut(1976) "Sans doutes est-ce parce que le journal répond à de nombraux besoin, certains avoués, d'autres cachés ou inconsciens..."
Embora esta frase seja de 1976, parece-nos ainda ter toda a actualidade, nas escolas portuguesas, uma vez que embora o ratio aluno por computador tenha aumentado substancialmente, em Portugal ele continua muito abaixo da média da União Europeia e continua, sobretudo, abaixo do que seria necessário para se poder fazer um trabalho realmente eficaz ao nível, por exemplo, da aprendizagem de uma língua (materna ou estrangeira) ou mesmo da matemática.
Assim, apesar de já haver inúmeros professores que desenvolvem e promovem junto dos seus alunos jornais e revistas on-line, blogs e trabalhem com plataformas de aprendizagem a palavra impressa ainda tem aquele sentimento de relience que é " Le sentiment quónt tous les hommes, quels que soient leur race, leur catégorie social et leur niveau de vie, d'appartenir malgré tout à une communauté dont ils partageront le destin inéluctable."
Será que alguma vez iremos obter este sentimento da palavra virtual? Certamente que as novas gerações o vão poder experienciar e tirar do meio virtual "des jois et des souffrances de notre conditions humaines, permet sans doute à chacun de mieux supporter ses propes problèmes; et peut-être de les oublier..."
THIBAUT, Daniel (1976): Explorer le Jounal; P aris,Hatier