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24 dezembro, 2009

Um pedido, uma obrigação colectiva, a festa da vida









A Festa dos Pastores é um livro de Rosário Araújo, editado pela QUIDNOVI pertinho do Natal de 2008, mas que realiza (e realizará) sempre um outro Natal.



A festa, aqui, faz-se de tons quentes estreitados no abraço do singelo e do doce. O convite começa na capa, deliciosamente ilustrada por Carla Nazareth, e o prazer que se associa à época vai, a braços com a escolha feita pela Marta a quem o conto é dedicado, conduzir-nos para o colo atento da avó Bita onde costuma haver histórias. No mundo de Daniel Pastor a nobreza dos sentimentos, que fazem o hábito de muitas crianças, reporta-nos para um mundo onde a solenidade da promessa e o acto da entrega se confundem numa participação atenta para com o Outro.



O novo nascimento da vida, que se desenha nas últimas páginas, adivinha-se nos modos deste pequeno pastor que vive nos montes, onde o dia-a-dia também se faz do calor da amizade sincera com os amigos do pastoreio e do mimo que ele faz às suas ovelhas.



Desde cedo, sentem-se os aromas de casa. Há “pão de lenha”, leite aquecido e bebido por uma grande malga de leite. O adjectivo é meu, apenas o coloquei porque o quadro descrito mostra o poder da sinestesia feita de cores, odores e sabores, o que me deixa sentir o conforto de uma malga grande, quente e erguida na vontade de lá enfiar o nariz, enquanto as mãos se aquecem à sua volta.



É de um menino, de “olhos orgulhosos” no asseio da labuta; dos seus amigos, fiéis na partilha, na alegria e no empenho; da família, orgulhosa no saber ser; de um Anjo Mensageiro que desceu ao “Monte da vida” e, claro, do encanto do Natal, puro e simples no anúncio da boa nova, que se faz esta história.



“Da janela da sua casa, a avó Bita olhava a festa com ternura. Tinha contado tantas histórias ao neto, e agora, ele mesmo tomava parte de uma que nunca mais seria esquecida” (Araújo, 2008:34)



A festa ainda mal começou, mas o meu desejo de festas felizes para todos é sincero e, por isso, já me escapou por entre os dedos. FELIZ NATAL, com cheiro a sonhos, rabanadas e papos de anjo!





Gisela Silva









22 dezembro, 2009

Outros Natais




Autor: José Abílio Coelho

Ilustração: Domingos

Ano: 2009



Numa edição fora do mercado, chegou-me às mãos este livro do escritor e jornalista José Abílio Coelho que, desde logo, me envolveu numa comovente revisitação aos espaços onde se projectam os mistérios complexos da alma humana, evocadores de sentimentos, pensamentos e memórias onde é possível concretizar-se a sacralização do real.
Numa escrita límpida, segura, trave da recuperação de imagens sociais de tempos idos, assistem os leitores ao êxodo de António e Maria para a cidade, onde o encontro com uma realidade mais próspera aumenta o sentido da alteridade dos protagonistas, ajudando os familiares que permaneceram na aldeia.
Ao aproximar-se o Natal, a possibilidade de ficarem longe dos familiares “naquela noite maior” (Coelho, 2009:21) acentuam as saudades que são abruptamente interrompidas pelo nascimento de um filho, num tempo antecipado pelo “calendário da Natureza, cheio de jeito para contrariar as contas dos homens” (Coelho, 2009:22).
No entanto, esse Natal acontece na atmosfera da espiritualidade humanista. O “choro nítido de uma criança” (Coelho, 2009:29) anuncia um devir contextualizado na dimensão incomensurável de um outro acontecer.
José Abílio Coelho soube em “Outros Natais” encontrar a consistência que transfere os conteúdos da memória e, pela imperiosa força da palavra, reactivar os cenários da tradição rural, reproduzi-los e reelaborá-los na dimensão dos afectos, que a alguns ofereceu com este conto.

Teresa Macedo

15 dezembro, 2009

Mauri Kunnas

Photo by Sala Korpela, 2007

Mauri Kunnas is a famous Finish writer and ilustrator for children.

He was born in 1950, in a small town named Vammala, in the South West of Finland, near Tampere.

In 1978, he published his first book The Book of Finish Elves that is a tremendous sucess till now and is translated in many languages, as all of his literary and graphic work.

Kontio, (2003:1) says about Kunnas that:" (...) he has won the hearts across national borders. His stories have educated several generations on everything from the Finish national epic the Kalevala to the tales of King Arthur and his knights of the Round Table, and they continue to provide cross-cultural interaction in a way that is unprecedent. Kunnas has not only created a phenomenon, but become one himself: as a remarkable character of Finish literature and as an illustrator with a wild imagination."


In Portugal several books were published by Mauri Kunnas, in the eighties, and they probably need to be republished. At the same time Portuguese children should have the oportunity to read his latest stories and see his drawings full of immagination that atracts nowadays video generation.


Books published in Portuguese:
Ricky, Rocky and Ringo go to the Moon
Ricky, Rocky and Ringo on TV
Ricky, Rocky and Ringo's colourful Day

References
http://www.maurikunas.net
Kontio, Reija (2003) The importance to Finland of a One Man Phenomenon. Retrieved from
http://www.uta.fi/, in 15/12/2009