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29 março, 2009

Ciclo da Fadas XII - Açafrão, A Fada Amarela

" Só pode ser mel de fadas" diz Cristina para a amiga, enquanto procuravam as fadas perdidas no jardim da dona Felizarda.Mas as fadas não produzem mel, são as abelhas e estas, segundo a mitologia representam a eloquência, a poesia e a inteligência como o interface terreno da face de uma moeda que, do outro lado, tem um alcance mais espiritual que é a ressureição e o seu papel iniciático e liturgico,no mundo ideal de Platão. (Chevalier & Gheerbrant, 1982)
A Fada Amarela fugiu! Sim ela fugiu para longe e foi então refugiar-se junto às abelhas pois sabia como elas são prudentes e ao mesmo tempo laboriosas no seu atelier, a colmeia, sublimando o pólen das flores em mel imortal.
As duas amigas da nossa história procuram então a Fada Amarela, que fugindo do Génio do Gelo se refugiou na Ilha das Quatro Estações. Sem a Fada Amarela e das suas outras companheiras "O país das fadas continuava gelado e cinzento até as sete Fadas serem encontradas e voltarem para lá."
Será que Cristina e Raquel conseguem encontrá-la? Bom, para isso terão que ler, até ao fim, o livro de Daisy Medows, da Editora Verbo, e provar o mel bafejado com pó mágico... Contudo, será bom precaverem-se dos duendes do Génio do Gelo pois as suas maldições são fortes e frias...

Bibliografia
CHEVALIER&GHREERBRANT (1982) Dicionário dos Símbolos. Lisboa, Editorial Teorema

28 março, 2009

O que Darwin escreveu a Deus


Autor: José Jorge Letria
Editora: Oficina do Livro
Ano: 2009



Esta obra epistolar inicia-se com uma “Carta nada imaginária para o leitor deste livro” (p.7) e encerra com a “Carta do Autor a Deus” (p.147), definindo, por isso, uma trajectória em que a comunicação se concretiza de forma ascendente e define uma linha de reflexão, que parte da criação de uma ambiência em que o Leitor é focalizado como alguém que tem de ser esclarecido sobre algum conteúdo da ficção, até outro lugar onde a figura do Autor assume um papel preponderante numa confessional busca do sentido Metafísico.
Assim sendo, o Autor assume um papel magistral e as epistolas que enchem o coração do livro, mais não são que os pontos de (des)conexão que a sua capacidade reflexiva e modo crítico de olhar o Mundo engendraram para dar a ver aos outros personalidades que se demarcaram na historicidade humana pela transgressão, sofrimento, capacidade empreendedora e singularidade e uma ou outra simplesmente imaginada como metáfora do inconformismo, do humor construído para a aceitação do (quase) inaceitável.
Não seria, por isso, necessário revelar as grandes linhas semântico-interpretativas que sustentam a prevalência dos valores ético-morais - “que não podiam deixar de morar, algures, no coração destas cartas” (p.9) - para as sentirmos na transversalidade da leitura, associadas ao poder singular de reflectir e de intervir pelo domínio da Palavra.
“O que Darwin escreveu a Deus” é um livro que dinamiza a vontade de revisitar toda a obra literária do mesmo autor, onde encontramos sempre um espaço privilegiado para construirmos ou reavivarmos Conhecimentos e nos deliciarmos com uma escrita que conduz a mundos onde as personagens são nossas conhecidas, mas agem de encontro ao despertar de algumas consciências adormecidas.


Teresa Macedo

12 março, 2009

O Guarda-Rios (Gailivro)

As ilustrações apareceram bem longe no tempo, quando os egípcios inventaram os rolos de papiro e hoje em dia elas fazem parte de quase toda a nossa vida contemporânea, desde as revistas, passando pelos jornais até aos ecrãs de computador! Contudo, no que diz respeito às ilustrações dos livros para a infância, elas preenchem mais do que a mera função de ilustrar um texto. Elas pretendem sim, ir mais além e iluminar (Goodwin, 2008) as palavras, interpretando-as e muitas vezes substituindo-as, como será o caso dos Álbuns para a infância.
Estes, no dizer de Nodelman (1988) são livros que pretendem comunicar uma história " (...) through a series of many pictures combined with relatively slight text or no text at all (...)".
No livro, que agora estamos a dar-vos a conhecer, estas ilustrações saltam definitivamente para um plano superior, elas têm como objectivo pôr-nos em contacto com o inesperado, com a surpresa e com a ambiguidade, através das cores que nos aquecem, do desenho que salta a centralidade da página e se espalha pela borda da mesma e ainda pelo enquadramento que nos obriga a procurar sentidos, entre um desenho e outro.
O texto de Eugénio Roda apresenta-se despojado de todos os excessos verbais manifestando-se portanto contido nas palavras mas não na profusão de ideias que manifesta sobre a criação do mundo e da vinha. As ilustrações de Cristina Valadas conseguem fazer passar o sentimento e a atmosfera dessa mesma revolta criação, feita de vermelhos, amarelos, laranjas e dos respectivas matizes e tons que de uma maneira subtil interagem, quer com o desenho dos ramos da vinha a florir, quer com o texto onde " No princípio, tudo o que imaginamos verde...era vermelho. Terra de fogo queria ser azul (...)".
Bibliografia
NODELMAN,P. (1998) Words about Pictures: The narrative Art of Children's Picturebooks.Athens, GA, and London:University of Georgia Press
GOODWIN, P. (2008) Understanding Children's Books: A Guide for Education Professionals. London:Sage