7 de Fevereiro (4ª feira) às 19h
Auditório 1
Escola de Música Nossa Senhora do Cabo
Coordenação: Sandra Barroso
Obras em estreia de jovens compositores para ainda mais jovens intérpretes
Esta é uma página de partilha de livros e de leituras, organizada e mantida pelo grupo de Pós-Graduação em Estudos da Criança - Literatura para a Infância do Instituto de Educação da Universidade do Minho (Portugal), com a colaboração de todos os que assumem a leitura como um projecto pessoal e afectivo

Como se faz cor-de-laranja

Manuela Bacelar, escritora e ilustradora do álbum O Dinossauro nasceu em Coimbra a 1943. Frequentou a Escola de Artes Decorativas Soares dos Reis no Porto e na Checoslováquia frequentou, durante seis anos, a Escola Superior de Artes Aplicadas, tendo terminado o Curso de Ilustração. Actualmente, dedica-se à ilustração, à escrita e à pintura, contando já com muitas exposições individuais e colectivas.
O Dinossauro é um livro claramente vocacionado para os mais pequenos, destinatário extratextual cuja competência leitora é compreensivelmente mais reduzida. É uma história simples, contada com uma articulação harmoniosa entre o texto e as imagens e também com uma forte carga de humor.
Uma vila onde as pessoas vivem e fazem a sua vida, não é mais do que dorso de um dinossauro; este, que após um longo sono, desperta e resolve dar um passeio, o que permitiu que as pessoas que lá viviam conhecessem o mundo e a diversidade de culturas que ele concede.
O facto de o texto possuir uma boa dose de humor, de ser contado na primeira pessoa e de a componente pictórica ser muito forte, são estratégias para facilitar a aproximação do leitor infantil à mensagem que o livro não mostra à partida.
É importante focar que o texto icónico é quase sempre maior que a mancha vocabular o que permite ao leitor não só antecipar, mas também expandir, de modo evidente, o sentido do texto verbal. A riqueza das figuras prende assim o leitor que acaba por querer seguir com muito entusiasmo as linhas do texto. As ilustrações assumem nesta obra um papel muito importante, uma vez que a diversidade de pessoas e das habitações dos diferentes povos, por exemplo, apenas é totalmente visível através das imagens.
O álbum O Dinossauro representa, sem dúvida, um álbum de qualidade, na medida em que possui uma perfeita articulação entre o texto verbal e o texto icónico e é uma história de extrema originalidade que permite ao leitor ir longe com a sua imaginação.
INFANTE, Luís (2004). Poemas Pequeninos para Meninas e Meninos, V. N. de Gaia: Gailivro (Ilustrações de Carla Pott)PINA, Manuel António (2002) Histórias que me contaste tu. Lisboa: Assírio & Alvim. (Ilustrações de João Botelho).
Descobre o escaravelho que há em ti
Poeta, jornalista, professor, tradutor e autor de muitos livros de propensão infantil, são alguns dos atributos de Manuel António Pina. Licenciado em Direito na Universidade de Coimbra, galardoado nos últimos anos com os mais importantes prémios literários de Portugal, brinda-nos com os seus registos de “discurso de invulgar criatividade e de constante desafio à inteligência do leitor”, já várias vezes assim classificado.
Entre as suas obras mais conhecidas, de propensão infantil, destaca-se o Inventão, O livro de desmatemática, Perguntem aos vossos gatos e aos vossos cães, Os dois Ladrões e Histórias que me contaste tu. Estes dois últimos ilustrados por João Botelho, que imprime ao texto visual uma relação de solidariedade semiótica e realça a expressividade do mesmo, desenvolvendo a dimensão estética do texto.
Manuel António Pina leva-nos, através da figura do escaravelho nas Histórias que me contaste tu, a um encontro familiar e, até mesmo íntimo, com esta personagem por quem, desde o primeiro contacto - quer na capa e contra-capa, acompanhado por um menino e uma menina respectivamente bem como nas guardas, se impõe uma presença constante e direccional e durante todo o texto - se estabelece empatia. Todo o livro é uma apoteose à figura do contador de histórias e, por isso, prende o leitor mais impenetrável, independentemente da faixa etária em que se encontre.
Poderíamos ter escolhido uma qualquer história deste livro, que todas elas causariam o mesmo – um sorriso esboçando o pensamento “é mesmo assim…incrível!”, contudo, vamos centrar-nos naquela que começa pelo fim, e para situar, Uma História que começa pelo fim. Nesta, o escaravelho reporta-nos para um reinado onde os protagonistas, rei e rainha, questionam a felicidade, recordando nostalgicamente o passado em que um era guardador de patos e o outro esperava pelo beijo que lhe quebrasse o feitiço, concluindo que “eram felizes há tanto tempo que já nem sabiam bem o que era a felicidade”, desejando, por isso, viver uma situação de tristeza para que pudessem, novamente, aperceber-se de como eram felizes. Este desejo vai envolvê-los numa série de peripécias que só poderão ser desvendadas se partires já para a leitura e descobrires o escaravelho que há em ti!
Andreia Lomba, Benvinda Pinheiro e Susana Barbosa
Meireles, M. J. (2003). A Lenda do Galo de Barcelos. Porto: Campo das Letras. (Ilustrações de Joana Quental).
Texto: Valerie Thomas A Bruxa Mimi Vai à Praia (2005)
Tradução: Gonçalo Terra
Lisboa: Gradiva 2006
ISBN:989-616-090-2
A Bruxa Mimi Vai à Praia é um livro que faz parte de uma série escrita por Valerie Thomas e ilustrada por Korky Paul, sobre uma bruxa muito especial, a bruxa Mimi.
Valerie Thomas é uma escritora australiana que foi professora do ensino primário e secundário, em Inglaterra e na Austrália. Valerie foi, durante muitos anos, consultora curricular do ensino, tendo trabalhado também em França e na Noruega. Retirou-se do ensino a tempo inteiro, trabalhando com crianças com necessidades educativas especiais em part-time.
Korky Paul nasceu no Zimbabué, em 1951, e frequentou a Durban School of Arts. Já na Europa, trabalhou na Grécia como ilustrador de manuais escolares e iniciou a carreira como ilustrador de livros infantis. Em 1996, foi convidado pela Oxford University Press para fazer a ilustração do livro A Bruxa Mimi, que recebeu o prémio Children Book Award e foi traduzido para 10 línguas.
A Mimi é uma bruxa com hábitos muito modernos e cosmopolitas, é desses hábitos que falam as diversas histórias da série como são os casos dos livros: O Novo Computador da Bruxa Mimi e A Bruxa Mimi Voa Outra Vez.
Neste livro, Mimi está com tanto calor que não consegue ficar em casa e decide partir com o seu gato Rogério rumo à beira-mar. Depois de chegar a uma praia congestionada, Mimi estende a toalha na areia e corre para o mar para dar um mergulho – ao contrário de Rogério, que odeia água. Mas, à medida que a maré vai subindo, arrasta Mimi para o areal e leva-lhe a vassoura. Ela bem tenta que a vassoura responda ao seu «Abracadabra», mas nem tudo corre como previsto.
Esta obra brinca constantemente com a figura típica da bruxa, ora associando-a a símbolos característicos desta figura ora desconstruindo determinadas imagens que as comunidades interpretativas a que pertencemos usualmente atribuem a estas representações ficcionais. Apesar de viver num castelo negro, a bruxa Mimi utiliza cores garridas na sua indumentária. Esta assume o papel de pessoa comum que, num dia de calor, vai para a praia, mantendo ao mesmo tempo atitudes própria de um bruxa, como, por exemplo, voar numa vassoura.
O texto é divertido, contando-nos mais uma das desventuras de Mimi de uma forma criativa e humorística.
A co-fusão do mundo real e do maravilhoso está presente no riquíssimo texto icónico que mistura personagens dos dois na mesma imagem. As ilustrações são cheias de vida e colorido transmitindo-nos um mundo bizarro cheio de simbolismo. Estas contam sozinhas uma história divertida, enriquecendo muito o texto escrito.

Mimoso, Anabela (2002), Um Sonho à Procura de Uma Bailarina
Ilustrações João Caetano. Porto: Editora Âmbar 2002
ISBN: 972-43-0594-5
Idade recomendada 7 anos
O que acontece aos sonhos quando são abandonados é o que Anabela Mimoso nos conta neste original livro com ilustrações de João Caetano.
Anabela Mimoso é licenciada em História e doutorada
Como escritora de literatura infantil escreveu entre outros: Era um Azul tão Verde, Quando Matam os Sonhos e Dona Bruxa Gorducha, distinguido em 1996 pela revista Whiteravens.
João Caetano é natural de Moçambique e tem o curso de pintura da Escola de Belas Artes do Porto. Desenvolve profissionalmente a actividade de ilustrador de manuais escolares e fez a ilustração de vários livros de literatura infanto-juvenil. Em 2001 recebeu o Prémio Nacional de Ilustração com o livro a A Maior Flor do Mundo, de José Saramago.
Introduzindo-nos no mundo dos sonhos, o livro de Anabela Mimoso apresenta-nos a história de um insólito encontro de uma escritora, à procura de inspiração, com um sonho.
Este era um sonho que uma menina tinha tido de vir a ser bailarina. Mas, quando esta entra para o colégio, esquece-o, colocando o tutu dentro de um baú. O sonho fica assim aprisionado até ao dia em que alguém abre o baú e o sonho foge e passa a visitar os sonhos das meninas à procura de uma em que pudesse viver.
É um livro cheio de magia que nos transporta para o imaginário dos sonhos, fazendo-nos relembrar os nossos sonhos perdidos e interrogar-nos acerca do que foi feito deles. Para as crianças é um livro muito interessante porque as transporta para o mundo do maravilhoso onde tudo parece ser possível.
A escrita de Anabela Mimoso está repleta de encanto, sendo capaz de prender o leitor na sua imaginativa história. A escrita consegue transmitir-nos a imagem de uma noite onde, apesar das actividades mundanas, aqueles que conseguem sonhar são capazes de ter encontros com ser fantasiosos, embalando-nos e conduzindo-os para o mundo do maravilhoso.
Este texto está acompanhado de belíssimas ilustrações de João Caetano que, em larga medida, reforçam a informação partilhada pelo texto escrito. A noite, espaço temporal onde os sonhos podem viver, está também muito bem recriada nas suas ilustrações, cheias de movimento e simbolismo.
Em conjunto, ilustrações e texto criam no leitor a imagem de um mundo maravilhoso onde os sonhos parecem poder ganhar vida.
É um livro cuja leitura se recomenda vivamente pela sua capacidade de cativar o leitor e o prender à história.



Letria, José Jorge (2005). A Ilha das Palavras. Ilustração de Madalena Ghira. Lisboa: Oficina do Livro.
ISBN 989-555-103-4
A Ilha das Palavras, cuja ilustração ficou a cargo de Madalena Ghira, é uma obra de José Jorge Letria. Este autor, que nasceu em Cascais, a 8 de Junho de 1951, é o mais premiado escritor português da actualidade. Como escritor, distingue-se na poesia, no conto, no teatro e, sobretudo, na literatura para a infância e juventude. É também conhecido como jornalista e político dedicado à cultura, professor e dirigente associativo.
Esta obra conta, na primeira pessoa, a história de um menino que procura o lugar aonde os grandes escritores vão buscar as palavras para a sua inspiração, procura por todo o lado mas não consegue encontrar a ilha das palavras. Um dia, enquanto dormia, um papagaio diz-lhe onde fica a tão desejada ilha e o rapaz parte à sua procura, passando por alguns contratempos. Tendo-a encontrado, vê-se rodeado pelos grandes vultos da literatura e vive momentos magníficos. Vencido pelo sono, adormece e, ao acordar, encontra-se em sua casa na sua cama. Depois resolve passar para o papel a história da sua viagem.
No livro são notórias determinadas marcas de intertextualidade, quer através do texto icónico quer através do texto verbal. A nível do texto icónico, há expressões que activam a memória de leitor: “Ser poeta é ser mais alto, é ser maior do que os homens”, “armas, barões, assinalados” e “amar-te assim perdidamente; a nível do texto escrito, há menções a Ulisses, Bocage, Camilo Pessanha, Luís de Camões, Alexandre O’Neil, Cesário Verde ou Sophia.
Neste sentido, esta é uma obra muito rica, uma vez que faz bastantes referências a escritores, obras e mesmo à história do nosso país.
O texto e a imagem podem levar-nos ainda a considerar uma certa alusão à obra de Antoine de Saint–Exúpery, O Principezinho, pois, tal como em O Principezinho, o protagonista parte à procura de aventura e de um objectivo concreto.
As imagens, muito coloridas, sem um limite bem definido, ajudam a perceber que no sonho não há limites, e, misturando-se com o texto, completam-no.
O texto verbal e o texto icónico estão muito bem relacionados, o que desperta ainda mais a atenção do leitor e/ou ouvinte da história.
Ilustração de Leitão, Pedro. Lisboa: Livros Horizonte ISBN 978-24-1170-5
Todos no Sofá, com ilustrações de Pedro Leitão, é uma obra de uma das mais relevantes escritoras portuguesas na área da Literatura Infantil, Maria Luísa Bliebernicht Ducla Soares de Sottomayor Cardia. Esta autora nasceu em Lisboa, a 20 de Julho de 1939, e licenciou-se nessa cidade
O livro Todos no Sofá é um álbum que conta a história de João Preguição e os seus nove amigos: um rato, um coelho, um gato, um pato, um porco, um burro, uma vaca, uma girafa e um elefante. Os dez amigos estão todos num sofá, mas, como é de prever, estão muito apertados. Ao folhearmos as páginas do livro, vão surgindo pequenas quadras sobre cada animal que, no texto icónico, salta do sofá. Depois do último animal sair do sofá, apenas o João lá fica, mas, ao contrário dos seus amigos, ele deita-se a dormir.
O livro termina com a seguinte quadra “Que bom é estar no sofá! Mas se nove amigos, entre eles um elefante, resolverem sentar-se ao nosso lado, o que acontecerá?” A pergunta cria um espaço em branco, ajudando a perceber que é bom ter amigos, mas, por vezes, é preciso estar sozinho.
O universo ficcional em que os animais são inseridos, quer pela autora quer pelo ilustrador, ajuda as crianças a perceber as diferenças entre os animais e a celebre frase “os animais são nossos amigos” é facilmente recuperada pelos leitores.