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25 novembro, 2008

A Fada das Crianças - Fernando Pessoa - Ciclo das Fadas IX


A FADA DAS CRIANÇAS
Do seu longínquo reino cor-de-rosa,
Voando pela noite silenciosa,
A fada das crianças vem, luzindo.
Papoulas a coroam, e, cobrindo
Seu corpo todo, a tornam misteriosa.
À criança que dorme chega leve,
E, pondo-lhe na fronte a mão de neve,
Os seus cabelos de ouro acaricia –
E sonhos lindos, como ninguém teve,
A sentir a criança principia.
E todos os brinquedos se transformam
Em coisas vivas, e um cortejo formam:
Cavalos e soldados e bonecas,
Ursos e pretos, que vêm, vão e tornam,
E palhaços que tocam em rabecas…
E há figuras pequenas e engraçadas
Que brincam e dão saltos e passadas…
Mas vem o dia, e, leve e graciosa,
Pé ante pé, volta a melhor das fadas
Ao seu longínquo reino cor-de-rosa.
Fernando Pessoa

20 novembro, 2008

A Grande Aventura de Beck - Ciclo das Fadas VIII

"Somos feitos da mesma matéria que os nossos sonhos" disse Shakespeare. Esta frase do grande escritor inglês veio-me à memória quando li "A grande Aventura de Beck", da colecção Fadas, da Disney. De facto, só dentro dos nossos sonhos conseguimos imaginar seres que se movem com a força do pensamento, que voam com o poder do pó mágico ou que entendem a linguagem dos animais. Mas estes sonhos, no dizer de Shakespeare, materializam-se naquilo que nós somos e naquilo que conseguimos fazer, falar e ser. Quer dizer, se sonhas com fadas podes ser ou tornar-te uma delas?!...ou considerando de outra forma: "You cannot have a concept of fantasy without a concept of reality" (Gamble &Yates, 2008:118) porque uma boa história de fadas, no sentido geral do termo, está profundamente enraizada nas experiências , ideias e ideais humanos. A história deste livro, A Grande Aventura de Beck, posiciona-se neste quadro conceptual: a fantasia ou o não racional feito gnomos, de animais que falam e de fadas ocorre no mundo racional onde existem plantas, animais, casas e seres humanos.
Beck, a fada deste livro, é um ser corajoso " ...quer da vida mais alguma coisa do que andar às voltinhas no Vale das Fadas". " Queremos mais do que qualquer outra fada. Queremos voar mais depressa." Mas tal como no mundo real "...os céus estão cheios de falcões, de ventos contrários e de granizo...e por vezes temos de utilizar diferentes truques para sobrevivermos", diz Beck e as suas amigas.
Ao contrário de muitos contos de fadas, onde a floresta joga um papel simbólico muito importante, como por exemplo uma manifestação de ansiedade, ou um ritual de passagem da adolescência para a idade adulta, aqui a acção passa-se no céu azul onde se cruzam pássaros de todos os tamanhos e cores. É para este local de confronto simbolico entre o bem e o mal que Beck quer ir, à procura de terras distantes onde se podem ver ondas às cores e areias que falam. Para o conseguir constrói umas asas gigantes, à maneira de Ícaro e tal como ele caiu, mas desta feita amparada por pássaros protectores que ao contrário de Dédalo conseguiram salvar Beck de uma morte certa.Mas Beck necessitava de "...mais alguma coisa do que a habilidade de voar mais alto e mais depressa. Precisava do seu próprio dom." Precisava que " ... o seu pensamento entrasse em comunicação com o do pássaro guia..."

10 novembro, 2008

Lília e a Planta Misteriosa - Ciclo das Fadas VII


As fadas são de uma maneira geral seres da natureza ou pelo menos inspirados por ela: dominam o ar, a terra, o fogo e a água e com eles fazem o mundo ficar um lugar mais bonito de convivência física e espiritual.
Os elementos que compõem esta nossa terra (sol, terra, fogo e ar) dão-lhes, muitas vezes os atributos com que desenvolvem os contactos com os seres humanos: umas são as fadas que acalmam tempestades do mar, outras apaziguam o vento das montanhas, algumas apagam o fogo das florestas e ainda outras cultivam as flores dos nossos jardins reais ou imaginários, cheios de papoilas, roseiras e trevos perfumados.
A Fada Lília, da nossa história, tinha precisamente este último atributo: ela era a fada que cuidava dos jardins. Era por assim dizer uma fada arquitecta paisagista que se preocupava com a beleza da paisagem, da sua configuração espacial e estética, dos seus valores culturais e biofísicos.(Ribeiro Teles, 2008)
Ela amava as plantas e as flores com todo o seu coração e o seu passatempo predilecto era"deitar-se no cimo do musgo macio, ver a erva crescer"... " pois tinha a certeza de que as folhinhas de erva cresciam mais depressa quando sabiam que ela estava a olhar para elas."
Certo dia, num passeio pela floresta, ("convirá dizer que as fadas nunca passeiam sozinhas na floresta por causa das cobras, das corujas e dos falcões") Lília encontra uma semente desconhecida que, depois de plantada, resultou numa planta feia, malcheirosa e esquisita.
Terá Lídia de arrancar para sempre a planta desconhecida por quem, apesar de tudo,nutre uma ternura especial ? Conseguirá ela impôr-se ao resto da comunidade do Plátano, onde vivem centenas de fadas?
Bom, isso é o que terão que descobrir juntamente com a Rainha Pomba, " o ser mais mágico de todos" que empoleirada no seu Ovo garante a juventude eterna a quem viver sob a sua influência, lá na segunda estrela à direita, da Via Láctea?....

A Festa dos Pastores na Fundação Cupertino de Miranda





Recebi o convite e fiquei mais uma vez emocionada.


Quem não estava já com saudades de mais uma nova história da nossa querida escritora Rosário Alçada Araújo (a nossa Rosarinho, como lhe chamamos cá por cima)?
Pois bem, ela vai estar de novo por terras do norte e é já no próximo sábado, às 16.30h.

Sei que o livro vai surpreender-nos. A razão? É bem simples, a Rosário só sabe maravilhar com palavras soltas, onde a brisa do encanto parece soprar, leve, entre as páginas viradas.

O lançamento, nas palavras do nosso também querido Manuel António Pina, assegura a importância do momento . Quanto às ilustrações, parece-me que só um contacto ao vivo poderá atestar a veracidade deste conjunto, onde escritora e ilustradora brincam de fazer sonhar.


Sejam muito bem-vindas e até sábado.



Isto agora é mais uma confissãozita das minhas.

A autora é uma doçura, um encanto de pessoa, sem aquelas vaidades tontas, nem afirmações protocolares que nos fazem sentir, às vezes, meios fora do contexto. Não é por acaso que dos seus livros escapa tanto zelo no saber amar as coisas mais triviais.


Conheci a escritora, numa aula do nosso mestrado em Literatura Infantil e Estudos da Criança. Foi num sábado de manhã. Virei, num momento qualquer, uma página (já nem sei de quê) e a colega, bem simpática por sinal, entregou-me a folha que tinha caído e pergntou-me se eu gostava da autora. Respondi-lhe que sim, caso contrário não escreveria nada sobre ela, pois o meu objectivo era (e sempre será) o de divulgar livros para crianças e jovens, a meu ver, bons.


Ela sorriu, não com vaidade, mas emoção e disse-me:"- Obrigada. Também gosto dela!" E riu, com um riso saudável. De repente olhei para ela e rimo-nos as duas. Tinhamos descoberto, assim, numa aula (que confesso estava a ser um pouco morosa) quem éramos. Foi um momeno maravilhoso, e a amizade nunca mais deixou de estar em cada um dos nossos gestos.


Querida amiga, que tanto me dás para sonhar por essas escolas fora, desculpa-me a falta de tempo por não ter ainda dito nada sobre o teu, agora, penúltimo livro e que eu, especialmente, adoro: A Caixa da Saudade. Tive o privilegio de lê-lo ainda em estado de prova. Lembro-me perfeitamente de ter dito: "Ai, que lindo! Lembraste?". Bem, julgo que a recensão já de pouco valerá. O livro fez-se por si só, porque saiu das mãos de uma muito boa sonhadora/imaginadora.





06 novembro, 2008

Um Simples Olá


Olá a todos.
Sei que ando um pouco arredia, mas o tempo faz-se pouco e o trabalho, bem esse é em demasia.
Digo-vos "Olá" e não "Boa noite" por uma razão muito simples. Há uns tempos, ao ler uma crónica bem simpática que tecia louvores merecidos a uma tão breve e simples palavra, não pude deixar de sorrir.
Nada eloquente, afastada de qualquer pretensiosismo linguístico, de um absoluto uso corrente, OLÁ era pois a palavra de referência. Entendida num trato amigável, traduzindo a joviabilidade de quem quer simplesmente dizer: «Olá, como estás?», ou ainda: «Olá, cheguei!», tenho-a usado com frequência, desde esse dia.
No passado sábado, depois de chegar de mais uma das minhas idas a uma escola do 1º ciclo (onde a usei imenso), cheguei a casa, desejosa por dizê-la outra vez com a alegria de quem chega a casa satisfeita.
Estranhei de imediato a ausência da minha gata Eva, habituada a um mimo especial quando alguém acaba de chegar. Fui ao jardim e não vi o meu cão, que é uma autêntica doçura e pensei: Bem, o Trengo (que é o meu cão) está na casota dele, abrigado e a roer o seu osso predilecto (daqueles que se compram em qualquer hiper e que nunca mais acabam); a Eva, essa, deve estar no escritório com a S. a dormir numa qualquer gaveta ou caixa e a ouvir, atenta, os resumos de Filosofia.
Dirigi-me ao andar de cima, enquanto retirava, pelo caminho, todos os objectos que me pesavam na mala, mas que me tinham sido úteis nesse dia tão importane. Ouvi barulho no meu escritório e fiquei à espreita. Não pude acreditar no que eu estava a ver. Ainda dizem que os animais pressentem a nossa presença. Tive um curto tempo para ajeitar a máquina e ouviu-se um clic que elevou um grande OLÁ Gi!!
Como este blogue é uma parte importante do que faço, leio e escrevo por aqui, deixo-vos um dos segredos do que se passa em minha casa, quando não estou. Às vezes também eu leio para a minha gata que é uma fiel ouvinte de Todos os Rapazes são Gatos, do A. Magalhães. Desta vez, acredito que ambos estavam a pensar no quanto os homens são estranhos no seu modo de ser e referencio esta tão magnífica obra: Perguntem aos vossos gatos e aos vossos cães. Ainda hoje ando em conversa com eles e a pensar, claro.
Deixo ainda um grande OLÁ ao Sr. Manuel António Pina e a todos os que amam os livros.