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04 janeiro, 2007

"Maldição molhada"

A Princesa da Chuva
Texto: Luísa Ducla Soares
Ilustração: Fátima Afonso
Editora: Livraria Civilização
Local de publicação: Porto
Ano de publicação: 2005
ISBN: 972-26-2260-9

A Princesa da Chuva é um dos últimos livros da conhecida autora Luísa Ducla Soares, que já nos habituou a histórias divertidas e ricas em mensagens e ensinamentos.
Fazendo um breve resumo, o livro fala-nos da história de uma princesa que, aquando do seu nascimento sua mãe, a rainha, querendo manter as tradições, manda chamar três fadas através de um anúncio de jornal, com o objectivo destas fadarem a pequena menina. Isto começa desde já a mostrar-nos, de certa forma, a perda de magia dos contos de fadas na nossa sociedade, que por sua vez está mais calculista. Desta forma as fadas aparecem, mas reclamam ser pagas com realeza, pois «se há tempo para fadar; há tempo para pagar», que, mais uma vez, é uma verdadeira referência ao mundo materialista em que vivemos e ao qual as crianças se encontram sujeitas. Ao fadar a pequena princesa, uma das fadas atribui-lhe um dom muito peculiar, que é o de chover onde quer que a menina se encontre, consequência de ter feito «chichi» no vestido da sua fada madrinha, daí vem o título do livro A Princesa da Chuva. A princesinha cresce então solitária na torre mais alta do seu castelo, pois a sua presença “pluviosa” incomodava toda o reino. Certo dia, decide ir embora num bote, poupando todos da sua presença “desagradável” e levando-a para onde fazia mais falta, como nos desertos, conseguindo assim transformar a sua maldição numa bênção, no reino onde a sua condição fizesse falta.
Em termos estruturais, Luísa Ducla Soares apresenta uma narrativa que, por vários momentos, toca o mundo maravilhoso e mágico, onde aparecem figuras – tipo (reis, rainhas e princesas) e personagens do imaginário (fadas). A abundante ilustração e o discurso narrativo indicam ao leitor que não deve levar a sério as fadas, pois aqui, como acontece em outras histórias da autora, o maravilhoso é parodiado e algumas das situações mostradas acham semelhança no mundo real, despertando assim o sentido crítico do leitor. Esta narrativa utiliza um discurso apelativo, onde encontramos vários recursos estilísticos, tais como, metáforas e jogos de palavras e sons, aliterações (sobretudo do “r”) e repetições (por exemplo, a do três: “três fadas”, “três pratos de ouro”;a chuva que “caía, caía, caía”, “três anos a princesa…”, etc.).
Quanto à ilustração, que está a cargo de Fátima Afonso, este livro mostra-se bem ilustrado com imagens sugestivas, com grande variedade de cores e tamanho, pois em várias situações encontramos a própria ilustração a “sair” da página. A capa e contracapa têm um fundo cor-de-rosa que, de certa forma, poderá simbolizar o sonho, simbolismo também, por vezes, associado a esta cor. As guardas, por sua vez, são de cor esverdeada, o que poderá representar a prosperidade, a generosidade e o equilíbrio, entre outros dons desejados pela mãe da princesa, após ser fadada pelas suas madrinhas fadas.
Para terminar posso referir também que cada página de texto tem a acompanhar uma página inteira de ilustração, o que permite ao leitor uma mais adequada compreensão da história.

1 comentário:

Anónimo disse...

Parabéns pela escolha de um livro tão curioso e tão divertido.