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31 maio, 2007

Tudo por uma mudança...


Batista, António Alçada (2005). Uma vida melhor. Ilustração de Teresa Conceição. Lisboa. Oficina do Livro.

ISBN: 989-555-132-0

A partir dos 5 anos

António Alçada Batista, autor do texto verbal, nasceu em 1927 na Covilhã. Licenciado em Direito, esteve ligado ao jornalismo e à edição. O seu primeiro livro foi sobre Documentos políticos, seguindo-se a publicação de "Peregrinação interior – Reflexões sobre Deus", "O Anjo da Esperança" e, os romances "Catarina ou o sabor da maçã", "Uma vida melhor" ou "O riso de Deus". Teresa Conceição é autora do texto icónico, da qual não foi possível encontrar dados relativos ao seu trabalho.
Este livro conta-nos a infância do Senhor Doutor Luís. Este, quando era pequeno, vivia na cidade, numa casa com um jardim e um quintal. Gostava de estar sempre no colo de alguém e quando fosse grande queria ser cowboy ou índio bom. Gostava, também, de brincar com os seus amigos (o Zequinha, o Artur, o João e o Xarréu) e com os primos e as primas e, gostava de ir para a quinta que ficava perto da cidade, e ai brincar com o Quim e o Tó.
Mas um dia o Senhor Doutor Luís foi ao médico e descobriu que estava doente. Além de ter bronquite tabágica, descobriu que estava com stress. Aquando disso, o Senhor Doutor Luís percebeu que precisava de fazer algo para mudar a sua vida.
Com isso pensou em duas coisas: a primeira era que tinha dado demasiado valor a coisas que não tinham importância; a segunda foi que estava sempre tão ocupado que não tinha tempo para brincar.
No dia seguinte decidiu vender o escritório e com o dinheiro comprou uma quinta chamando-lhe “O Rancho do Vale de Deus”. Aqui voltou a brincar: às casinhas, aos desenhos, a ler… e a sentir o colo que outrora tinha sentido quando era mais novo.
Esta história retrata o que ocorre nos dias de hoje. Existem muitos adultos que, com o passar do tempo, se esqueceram daquilo que realmente lhes interessa e é importante. Esquecem-se que um dia foram crianças, e isto acaba por tornar a sua vida monótona, sem alegria pois perderam a capacidade de brincar.
Com a história a criança pode entender uma das razões porque, por vezes, os pais não brincam com elas, e, em contrapartida, ajuda-os, também, a ter esperança que os seus pais possam mudar, e voltem a brincar com eles. Os pais, ao lerem a história aos seus filhos, podem perceber que estão presos às responsabilidades do dia-a-dia e que se esqueceram de coisas tão simples como brincar com os seus filhos. Ficam tão absorvidos com o que acontece no dia-a-dia que se esquecem que há coisas boas na vida que devem ser aproveitadas e vividas. Quem acaba por perder são as crianças que não têm a companhia dos pais.
Relativamente ao texto verbal da obra não é muito acessível. Embora se perceba o que pretende ser transmitido contém alguns termos que a criança pode ter dificuldade em interpretar, se não tiver a ajuda de um adulto. É, também, um texto bastante descritivo e longo o que pode tornar-se cansativo para uma criança mais nova pois não tem tanta capacidade de concentração, quando comparada com uma criança mais velha. Podendo, com isso, perder o interesse pela história.
Algumas características que podem levar a criança a mostrar interesse por esta é o facto de conter termos que são usados por crianças e jovens como “gaja”, e por relatar acontecimentos que algumas crianças passam enquanto crianças.
O texto verbal, em comparação como texto icónico, ocupa a maior parte da obra. As imagens, na sua maioria, ocupam metade da página embora algumas sejam pequenas. Estas acompanham o que é dito no texto verbal, sem acrescentar algo mais ao que é dito.
Por fim é de referir que na capa do livro encontra-se o símbolo da fundação do Gil. A Fundação do Gil foi criada em 1999, e tem como objectivo a integração social das crianças e jovens que se encontrem internados em unidades hospitalares, prisionais entre outras. Para conseguir realizar os seus projectos a Fundação promove acções de carácter cultural, educativo, artístico, científico, social e de assistência.
Carina Ferreira

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