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11 novembro, 2007

Esta Língua Portuguesa



Título: Esta Língua Portuguesa
Autor: José Jorge Letria
Ilustrador: Susana Lemos
Editora: Ambar
Ano: 2007
ISBN: 978-972-43-1241-5

Recomendado: A todos os que façam da Língua Portuguesa o seu objecto de estudo e a todas as crianças.

Percorrer as páginas deste livro é fazer uma viagem em torno do sentido e dos sentidos da Língua Portuguesa, simbolicamente representada por “uma árvore de sons/que tem nos ramos as letras/nas folhas os acentos/ e nos frutos o sentido (Letria, 2007:8). E bastar-nos-ia esta imagem para estarmos perante uma multiplicidade de combinações onde a Língua Portuguesa surge como elo mediador, verticalidade, comunicação entre o concreto e o abstracto.
Nunca esquecendo o destinatário e os valores emergentes que importa destacar, o sujeito poético executa o seu percurso pedagógico explorando as escalas onde a Língua Portuguesa encorpa o dinamismo de um povo que, numa demanda contínua, se demarcou nos registos da historicidade, exprimindo com “grinaldas de metáforas/ (…) a sede de ser eterno” (Letria, 2007:18).
Dando-se a conhecer nas suas componentes internas (“Ama o jogo, o trocadilho/ o enfeite, o ornamento/ e vem daí o seu estilo/ (…) entre a gíria e o murmúrio” (Letria, 2007:23), a “árvore desta língua” apresenta-se como um centro de onde irradia a adequação à mundivivência dos falantes, exibindo a sua riqueza lexical como um “velho tesouro” (Letria, 2007:31) a preservar, pois constitui um património carregado de “indicadores ideologémicos (…) que nos revelam ou nos permitem detectar a carga mítico-simbólica” (Araújo, 2004:134) presentes na empatia, intuição, inteligência, compreensão e graça que percorrem toda esta poesia. Assim, guardando “(…) o segredo/ dos mistérios mais antigos/ (Letria, 2007:18), a Língua Portuguesa é lugar de fantasia, onde assistimos à convivência dos seres do universo do Imaginário (…feiticeiros/ duendes e magos (Letria, 2007:31)) com os processos de formação das palavras (…sufixos, prefixos (Letria, 2007:31)), apresentando de uma forma lúdica as multifaces da Língua enquanto objecto de estudo.
O livro aqui apresentado revela, ainda, “ um poeta que certamente crê que o discurso poético tem pelo menos mais um sentido do que o literal, que esse sentido é codificável e que o jogo da descodificação faz parte integrante do prazer da leitura e representa uma das finalidades principais da actividade poética” (Eco, 1989:248).


Bibliografia:
Araújo, Alberto Filipe (2004). Educação e Imaginário-Da Criança Mítica às Imagens da Infância. Maia. Publismai.
Eco, Umberto (1989). Sobre os Espelhos e outros ensaios. Lisboa. Difel.


Teresa Macedo
macedo.mariateresa@gmail.com

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