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01 junho, 2007

A eternidade




TEIXEIRA, José Rui, (2005). Horizonte. 1ªedição.
Ilustração de Joana Quental. Vila Nova de Famalicão: Quasi Edições.
ISBN: 989-552-120-0
Conto infantil

Horizonte é um livro escrito por José Rui Teixeira que nasceu no Porto, em 1974. É licenciado em Teologia pela Universidade Católica Portuguesa e mestre em Filosofia pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto. É professor no colégio Luso-Francês e teólogo do Centro Catecumenal da Igreja do Porto. É também autor de vários livros de temas diversos e de outros desta mesma editora (Quasi Edições): Quando o Verão Acabar, Para Morrer, O Fogo e outros utensílios da Luz e Assim na Terra.
Neste conto infantil narra-se a história de uma menina que estava sentada junto à janela e tinha uma caixa vermelha ao colo repleta de fantasia. E, ao olhar para dentro dela e através da janela via o horizonte ao longe, entendia o silêncio, a paciência, o riso e até mesmo o passado. É uma história que nos faz pensar sobre a vida e em tudo o que nos rodeia pois esta menina pensava em tudo olhando simplesmente para o horizonte, preenchendo com os seus pensamentos, uma caixa que apesar de vazia lhe parecia cheia.
Neste livro fala-se em vários temas, especialmente no passado, na eternidade e na morte pois nesta caixa encontra-se, de certa forma, tudo aquilo que é inexplicável ou que não chegou a ser dito ou feito tal como os sonhos dos homens. De facto, a menina sentia um poder enorme ao olhar para a caixa pois conseguia ver aquilo que aparentemente não existe pois só habita no nosso pensamento se acreditarmos na eternidade da vida e tivermos esperança pois o que é e quem nos é importante nunca morre, vivendo para sempre dentro de nós. Em continuidade com o que foi referido, é de salientar o modo como o tema da morte é tratado visto que é feito com muita naturalidade, facto que não se presencia em muitos livros infantis. “De vez em quando cantava melodias tristes que ela ouvira certamente da boca dos mortos…” (Teixeira, 2005) Comporta assim uma novidade semiótica ao incorporar novos temas, facto tipicamente contemporâneo.
Ao longo da narrativa, as crianças podem activar os seus quadros de referência intertextuais quando se fala no mar e noutros elementos que relembrem os descobrimentos portugueses e até mesmo a morte de pessoas no mar que não chegaram a aparecer, o que se presencia em frases como: “…e os seus pequenos dedos imprimiam na superfície do plástico antigas histórias de gente que não mais voltara do mar.” (Teixeira, 2005) ou “…e a madeira cheirava a madeira e alguma coisa nela me dizia que outrora fora barcos.” (Teixeira, 2005).
As ilustrações são de Joana Quental que nasceu em 1969 e é designer, ilustradora e docente. É licenciada em Design de Comunicação pela Faculdade de Belas-Artes do Porto e mestrada em Arte Multimédia. A sua actividade profissional tem-se repartido pelo desenho animado, multimédia, produção de material escolar, genéricos de televisão e ilustração de livros didácticos e literatura infantil. Recebeu a Menção Honrosa no Concurso Nacional de Ilustração Infantil. Neste conto, a ilustradora relaciona intimamente o texto icónico e o texto verbal pois estão associados. As imagens utilizadas no texto icónico são muito coloridas e atractivas e um bom exemplo é a representação do cabelo da menina que por ser tão longo consegue figurar o longe. Igualmente algumas palavras ou frases estão incluídas nas imagens, o que torna este tipo de ilustração inovador. E, ainda antes de se folhear o livro, podem-se observar umas guardas que tem uma ilustração com um elemento em comum com a capa que é uma caixa vermelha. Contudo, a caixa na capa está fechada e nas guardas encontra-se aberta. Os paratextos (capa e título) podem causar, à primeira vista, um certo estranhamento mas também curiosidade pois associando o título Horizonte com a ilustração presente na capa (uma menina com uma caixa na mão), não parece, à primeira vista, fazer muito sentido. Deste modo, apela-se a que o leitor amplie a sua leitura pois só ao longo dela é que se aperceberá da temática do livro.
É, em suma, uma obra muito interessante que nos ensina a ver o mundo de outra maneira, incentivando a olhar o presente e ver a vida com prazer (visão hedonista e tolerante da vida). Há assim uma atitude de harmonia face às questões da ecologia e do pacifismo. É, por tudo isto, um livro muito inovador e educativo, altamente direccionado para crianças.