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01 junho, 2007

A fantasia do escuro


MACHADO, David (2006), A noite dos animais inventados. 1ªedição. Ilustração de Teresa Lima. Lisboa: Editorial Presença.
ISBN: 972-23-3550-2
Conto Infantil


O livro intitulado por A noite dos animais inventados foi escrito por David Machado que nasceu em 1978 e é licenciado em Economia. Ganhou recentemente o Prémio Branquinho da Fonseca 2005 da Fundação Gulbenkian com este livro e além deste, também ganhou outros prémios.
Neste livro conta-se a história de um menino chamado Jonas que numa certa noite não conseguia adormecer. Então fechou os olhos e inventou uma galinha mas quando os abriu ela continuava lá. Foi aí que os seus irmãos acordaram e também a viam, começando eles também a inventar outros animais até o quarto ficar repleto deles. Já de manhã inventaram uma estação de comboios para os animais fugirem e nesse instante os pais entraram no quarto para acordá-los.
É um conto narrativo muito divertido especialmente para as crianças e é capaz de lhes proporcionar uma modificação substancial dos seus ambientes cognitivos pois a literatura não pode ser lida como um espelho. Logo, o princípio da ficcionalidade pode ser explorado pelas crianças ao analisarem o poder mágico do sonho, podendo também imaginar-se como protagonistas da história. Além disto, a literariedade está presente pois a história permite ao leitor fazer uma relação entre o que lê e a realidade na medida em que esta situação de Jonas ter medo do escuro é um episódio habitual nas crianças.
As ilustrações ficaram a cargo de Teresa Lima que nasceu em Lisboa, em 1962. É licenciada em Pintura pela Escola Superior de Belas Artes da Universidade de Lisboa e iniciou a sua actividade como ilustradora em 1990. Em 1998 ganhou o Prémio Nacional de Ilustração, pelo conjunto de ilustrações de uma versão de Alice no País das Maravilhas de Lewis Caroll e em 1994 foi nomeada para a Lista de Honra da IBBY. Neste conto, A noite dos animais inventados, fez uma separação clara entre o texto icónico e o texto verbal pois normalmente não aparecem juntos, sendo que na maioria das situações aparece numa página o texto e noutra as imagens. Mas, apesar disto, as ilustrações em tudo se relacionam com o texto e acabam por se complementar. Em relação ao texto icónico, é de salientar que as ilustrações apesar de coloridas não apresentam cores muitos vivas, o que se torna pouco apelativo para os mais novos. Em contrapartida, todas as ilustrações estão bem elaboradas dando impressão que nem todas foram feitas com a mesma técnica. Algumas dão a impressão que foram pintadas com lápis de cor, outras com pincel ou óleo e ainda algumas através de recortes de tecido. Relativamente ao texto verbal, é de referir que o aspecto gráfico está adequando às crianças visto que o tamanho das letras é grande e as linhas suficientemente espaçadas para evitar enganos na leitura. Todo o texto é bastante perceptível e foi construído numa linguagem simples e clara tornando fácil a sua compreensão. Os paratextos (capa e título) indicam logo à partida o que se irá tratar no livro pois o título interliga-se com a ilustração onde estão representados vários animais. A capa é bastante dura e as folhas são mais espessas que o habitual, o que permite uma maior durabilidade do livro, facilitando o seu manuseamento e das próprias folhas.
Por fim, o modo como finda o conto é bastante subjectivo, representando um espaço em branco, pois as crianças podem interpretá-lo à sua maneira: podem considerar que todo o enredo com os animais fora um sonho de Jonas, podem achar que os irmãos passaram a noite acordados a inventar animais ou podem pensar que os animais existiam mesmo apesar de serem fruto da imaginação. Obviamente que as crianças podem não se aperceber da abundância de sentidos e plurissignificações que este livro comporta e para isso, educadores, professores e pais devem auxiliar as crianças servindo de mediadores para lhes possibilitar o desfrute do livro. E, é por todos estes motivos que esta é uma história fantástica que com todo o mérito ganhou o prémio Branquinho da Fonseca 2005 e possui também uma edição em braile.

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