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29 dezembro, 2006

desconstrução paródica

Desconstrução paródica

Soares, D. Luísa (1986). A vassoura mágica. Ilustração de Paula Oliveira. 5ª Edição (2001). Edições ASA. ISBN: 972 – 41 – 2122 – 4. A partir dos 10 anos.


O livro A vassoura mágica é uma obra da autora Luísa Ducla Soares, que nasceu em Lisboa, a 20 de Julho de 1939, onde se licenciou em Filologia Germânica. O seu primeiro livro de poesia data de 1970 e intitula-se Contrato. Desde então a escritora tem-se dedicado como estudiosa e autora à literatura infanto-juvenil. Recebeu o "Prémio Calouste Gulbenkian para o melhor livro de literatura infantil no biénio 1984-1985" e o "Grande Prémio Calouste Gulbenkian" pelo conjunto da sua obra em 1996. As suas obras encontram-se traduzidas em diversos línguas, nomeadamente francês, catalão, basco e galego.
O título da obra envolve o leitor num ambiente ficcional, no domínio do maravilhoso. A associação do substantivo vassoura e do adjectivo mágica fazem com que o leitor active os quadros de referência intertextuais, onde a vassoura surgirá por hipótese ligada a uma bruxa que interfira na vida de outras personagens.
A vassoura representa o instrumento utilizado pela mulher nas tarefas domésticas porém, esta não será a uma vassoura qualquer uma vez que lhe é atribuída a qualidade de ser mágica.
A narrativa inicia-se com uma expressão hipercodificada que nos liga logo ao mundo ficcional. A fim de obter cooperação interpretativa com o leitor, o narrador apela, por meio da anáfora, e insiste na especificidade da vassoura: “Era uma vez uma vassoura que não era uma vassoura que não era como as outras vassouras…Não era uma vassoura de jardim…Não era uma vassoura de sala…Era uma vassoura mágica”(Soares, 2001: 1).
A segunda personagem da obra é a bruxa Rabucha, dona da vassoura. Mais uma vez, se supõe a activação de quadros de referência intertextual por parte do leitor por causa de determinados elementos estereotipados, como os adereços e a casa onde ela vive; a vassoura é descrita como capaz de voar “E a vassoura voava, como um cavalo de asas.” (Soares, 2001). Há uma desconstrução da bruxa, que é apresentada como sendo capaz de experimentar sensações como o frio, donde se deduz a sua fragilidade. E se as marcas como o vestuário e a habitação levam o leitor a activar a sua bagagem cultural, a desconstrução paródica é notável na perda da capacidade divinatória, na percepção de que a profissão de bruxa esta em vias de extinção, e até no facto de a própria vassoura envelhecer.
Depois da perda da vassoura, a bruxa recorre a anúncios a fim de encontrar emprego. Mais tarde, apercebe-se que o entrave para arranjar emprego era a sua aparência. Até que decide participar num baile de máscaras onde ganhou o primeiro prémio, com o dinheiro mudou o aspecto físico e conseguiu um novo ofício: vender lotarias na Casa da Sorte. Nesta obra, o texto icónico é apenas um complemento do texto verbal, que é o mais realçado.
Pode concluir-se que a autora, recriando o maravilhoso num contexto moderno, focou problemáticas sociais, como a questão da emancipação da mulher, tendo recorrido, para isso, ao cómico das situações e das personagens.




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